Pertenço a você

12 Capítulo 12 - Eu pertenço a você!


Notas iniciais
Olha quem voltou com capítulo novo em!!! Que 2017 traga o final dessa pequena história cheia de mágoas, mas também repleta de amor.. Espero que ainda estejam a acompanhar e que gostem do novo capítulo. Boa leitura mores!!!

A noite chegara depressa, no dia seguinte já voltaríamos para casa e sinceramente, que alivio! No todo a viajem não estava a ser ruim, mas estava sendo traída por meus próprios sentimentos, embora negue e negue quanto puder, ainda sim sei exatamente a tortura que estava sendo tê-la tão perto e vê-la com ele.

Todos optaram por uma despedida mais leve que a noite anterior, dessa vez era um barzinho no interior de um barco que ficava ancorado nas docas, de dia eles alugavam para passeios e a noite se tornava um belo bar de música alternativa. Seria uma ótima despedida, mas como de costume e sem jeito disse que ficaria pelo hotel para a indisfarçável surpresa de Archie que àquela altura parecia já está desistindo de qualquer coisa que fosse comigo.

Archie: Tem mesmo certeza de que quer ficar aqui sozinha, Bel? – o homem virou-se em minha direção me olhando com... insinuação de algo? –

Belle: Prometo que se me sentir mais animada vou correndo atrás de vocês. – sorri enquanto os acompanhava até a porta. – Sabe que prefiro o silêncio de um lindo lugar não é?! Não se preocupe comigo! – sorri para Archie de forma doce, ele voltou em minha direção sendo interrompido por Ruby praticamente o levou pelo braço ate a saída. –

Ruby: Já está ficando tarde em... vão acabar perdendo o melhor da noite e os melhores lugares. – disse em tom de animação se aproximando de Graham. –

Graham: Você não vai? – sussurrou surpreso, pelo visto ele estava contando muito com aquela noite. –

Ruby: Sim! Quer dizer, aconteceram umas coisinhas, já resolvo e alcanço vocês mais tarde. – aquela expressão de olhar o chão, os lados e o céu com uma rápida coceirinha na ponta do nariz deixava claro que Ruby não estava sendo totalmente honesta. DROGA! Como a conhecia tão bem?! –

Graham: Promete? – a encarei sem perceber que havia feito isso de maneira indisfarçável, Ruby acabou por me encarar também, e como se nossos olhares dessem choque encaramos outros pontos, mas ainda sim pude notar que sua resposta fora apenas um sorriso. –

Zelena: Você nunca vai aprender a se divertir não é? – seu olhar era uma mistura de decepção com uma dose de humor que Zel tinha ao me ver sempre “andando para trás.” –

Belle: Eu me diverti sexta! – fiz bico tentando parecer convincente. –

Zelena: Não! Você quase morreu.

Belle: Vai se ferrar! – todos riram dando a deixa para que a conversa encerrasse e cada um seguisse seu caminho, as luzes principais do hotel desligavam as onze, não sabia o que Ruby ia fazer ou onde iria ficar, mas eu sabia e seria ficar onde ela não estivesse. –

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Entrei em busca de um lugar aconchegante dentro daquela enorme mansão onde pudesse ler, acabei entrando em uma antessala que me levara à loucura. Sua parede amadeirada de um lado, do outro nada mais era que enormes prateleiras de livros e pastas, com um enorme tapete vinho em seu centro e várias almofadas, uma lareira acesa ao fundo, no cantinho oposto a porta tinha uma mesinha com um abajur e uma cadeira na qual a senhora que nos recebeu lia concentrada.

XxXx: Oh você!

Belle: Desculpe, não queria incomoda-la, estava atrás de um lugar para ler e acabei vindo parar aqui.

XxXx: Prefere ficar aqui lendo do que sair com seus amigos? – a mulher me fitou curiosa como se aquilo fosse a coisa mais absurda fazendo-me corar. –

Belle: Nada me deixa mais calma! Vou procurar outro local.

XxXx: Já estava de saída, você deve saber que velhinhos dormem cedo! – a senhora sorriu enquanto fechava seu livro e o guardava na estante junto aos outros. – Fique, aqui você terá conforto e silêncio.

Belle: Obrigada! – Dei espaço para que a senhora saísse e antes que o fizesse ela olhou em meus olhos e me disse algo que viria a me deixar confusa, eu diria. –

XxXx: Aproveite! O silêncio muito nos quer dizer as vezes. Boa noite minha querida!

Belle: Boa Noite!

Respirei fundo antes de adentrar aquele lindo local e me aconchegar nas almofadas próximas a lareira, tirei o fino casaco que vestia, a única luz no espaço era as refletidas pelo fogo, o que me trazia uma tristeza e angustia sem fim. Estava a lutar contra coisas das quais nem sabia mais o que significavam, não conseguia me encaixar nos modos de felicidade vividos pelas pessoas ao meu redor,o que acabava me trazendo uma dúvida: Estava presa dentro de mim ou será que sou apenas um completo...tédio? Fitei a capa do livro, era o que Archie tinha me presenteado, estava a gostar, mas a pouca luz daquele ambiente me fez apenas fitar o nada até que uma sensação estranha me absorvera fazendo-me levantar o rosto...

Belle: Que susto! – Ruby me olhava de maneira profunda, seu silêncio me assustara tanto quanto sua presença. –

Ruby: Desculpe, não queria atrapalhar sua leitura.

Belle: Tudo bem! Vá de carro, pode ser perigoso você andar sozinha a essa hora mesmo que seja aqui perto. – Tentei expulsa-la antes mesmo que a mulher pudesse puxar qualquer conversa. –

Ruby: Pra onde?

Belle: As docas, não é lá que todo mundo está?

Ruby: Dizem que devemos estar onde nosso coração está.

Belle: Então vá para as docas. – disse seca desviando o olhar antes que meu corpo reagisse. –

Ruby: Não havia visto esse lugar, é tão lindo e quentinho. – como se fosse surda, Ruby adentrou o espaço, meu espaço, afastando-me para o lado e sentando nas almofadas. — Afasta vai...

O silêncio reinara novamente, estávamos sozinhas e sua proximidade me causava náuseas. Mirei a lareira com a firmeza de quem enjoava só de imaginar olhar para o lado, decidi levantar e saber que tipos de livros estavam guardados ali, sutilmente a mulher segurara minha mão fazendo me olha-la e sentar novamente sem nenhum controle.

Ruby: Posso fazer uma pergunta?

Belle: Faça!

Ruby: Você... Belle você... – sua voz saia entrecortada me deixando curiosa, fiz sinal com as mãos para que ela fosse direta. – Em todos esses anos que passaram você tocou outra mulher?

Uma fita dos meus primeiros meses como professora da Universidade passaram em minha cabeça, algumas cenas fortes demais para serem descritas eu diria, engoli a seco pensando se a verdade era mesmo a melhor resposta, mas porque não seria? Não havia nada que Ruby pudesse exigir de mim, então apenas assenti com a cabeça para a surpresa da mulher que talvez tivesse alguma esperança de ouvir um não. “Mas vocês chegaram a...” Seu sussurro era mais perdido que qualquer outra coisa, sabia exatamente onde ela queria chegar e sabia exatamente que não tinha nada a perder, então apenas continuei...

Belle: Tinha acabado de chegar a Universidade, Gold havia ido embora e percebi que as coisas com ele não haviam sido tão completas como pensava, não por culpa dele claro, mas faltava algo em mim.

Ruby: Na cama com outra mulher? – sua voz saiu ríspida, surpresa eu diria. –

Belle: Falando assim faz parecer algo completamente nojento, se bem que...pra você talvez seja.

Ruby: Bel, não toquei você porque tinha medo de... de te machucar, de não ser como você esperava, de não ser especial. – Ruby virou de frente pra mim buscando meu olhar que apenas desviava pra qualquer ponto que fosse. –

Belle: Alguém fez ser muito especial, não se preocupe. Já você... – me senti cruel ao dizer tais palavras olhando em seus olhos, magoa-la com esse assunto era um deleite, mas não sabia ser má. –

Ruby: Por favor! Sinto nojo cada vez que penso. Para ser honesta Bel, não me arrependo de não ter feito amor com você, não tinha maturidade pra isso e só teria te feito sofrer ainda mais.

Belle: Não podemos ter tudo! – respirei fundo frustrada, sexo era uma coisa tão irrelevante as vezes, com com Ruby tinha tanta importância, que derrota! — Agora você tem que ir.

Ruby: Me deixe ficar, prometo ficar quieta enquanto você lê, só não quero ir nem ficar sozinha.

Belle: Não vou conseguir relaxar com você do meu lado Ruby.

Ruby: Por quê?

Novamente nossos olhos se encontraram, sabia o motivo, sabia que ela me tirava dos eixos, mas admitir não era uma opção, então seria mais fácil mudar de assunto e ser indiferente.

Belle: Você sabia que eu ficaria bêbada na sexta? – sua expressão de desentendimento parecera completamente honesta. – Você não bebeu nada aquela noite, nem saiu hoje pra compensar.

Ruby: Eu não bebo Belle. – ri de maneira completamente irônica, “mentirosa”, pensei.– Desde o dia que você me deixou ir embora que não coloco uma gota de álcool na boca.

Belle: Você não pode tá falando sério.

Ruby: Meu erro não afetou somente a você se é isso que pensa. Demorei a construir uma nova vida Bel, demorei a voltar a acreditar em algo, demorei até...

Não queria e não precisava ouvir nenhum discurso sobre aquele passado, havia embarcado naquele fim de semana para esquecê-lo e mais uma vez ela estava ali e sussurrava explicações que não mudariam nada nunca, seu perfume, seus olhos tristes, aquele lugar... Não tinha forças para sair dali e se tinha de ficar que fosse para saciar meus instintos. Levei a mão direita até seu rosto, nossos olhos se encontraram sem choque algum, Ruby se aproximou ainda mais e antes que desistíssemos meus lábios tocaram os dela depressa. Um beijo intenso e doce, sentia sua língua em sintonia com a minha causando arrepios diferentes dos de quando nos beijamos no escritório do restaurante, era um beijo ausente de todos os problemas anteriores, sua boca passou a distribuir beijos pelo meu pescoço, seus lábios iam de um lado a outro mordendo minha orelha com toda a delicadeza, sentia entre minhas pernas e em meu peito tudo que aquele momento me causava, Ruby puxou-me pela cintura fazendo com que sentasse em seu colo, sua mão arranhava minha coxa por baixo do vestido sem ir além dos limites possíveis naquele instante.

“Bel”, sussurrou como em um gemido tendo como resposta um sorriso que não saia dos meus lábios daquela maneira há muito tempo, pedia seu silencio, pois sabia que a qualquer instante a realidade tomaria conta de mim novamente, pressionava meu corpo contra o dela enquanto as coisas ficavam cada vez mais quentes e foi ao notar meu corpo suado e a vontade de tirar o vestido estar maior que qualquer outra coisa que passei a parar nossos atos antes que não tivesse volta. Sentamos como antes buscando um ar que havia se perdido, pigarreei na infame dúvida entre surtar ou apenas relaxar e foi o que fiz, encostei a cabeça na prateleira e respirei fundo buscando forças para não levar Ruby para meu quarto e... Minha nossa, onde meus pensamentos estavam chegando?

Ruby: Se sente mal cada vez que me toca? – sussurrou buscando ar. –

Belle: Não.E esse é o problema.

Ruby: É tudo tão mais... intenso.

Belle: Somos adultas agora, sabemos exatamente o que fazer.

Ruby: Sim, sabemos... – O silêncio novamente era dono de nós. –

Belle: Ruby... Ouça, Amei você como nunca amei outra pessoa nessa vida, e talvez nunca ame nessa intensidade outra vez, parece loucura já que fomos um caso de adolescência, mas eu teria passado o resto da minha vida nos seus braços se as coisas não houvessem acontecido daquela maneira. Mas não confio e não vou confiar em você nunca mais. Nunca mais.

Esperei honestamente levar um tapa, ao invés disso recebi um beijo tão quente como o anterior e dessa vez era mais desesperado e assustado, ainda segurando meu rosto com firmeza Ruby falou...

Ruby: Você não acredita que as pessoas podem mudar?

Belle: Sim, eu acredito. Você pode ter mudado, mas o passado continua o mesmo e talvez... Talvez você tenha amadurecido, se tornado essa mulher maravilhosa... pra outra pessoa. – uma lágrima solitária caiu de meu olho, limpei com pressa sendo o que tinha aprendido a ser: forte. –

Ruby: Cada mudança e cada força que tive nessa vida foi por meus pais, pela vovó e por você!

Belle: Ouça Ruby, por favor, me ouça. Graham é um bom rapaz, bonito e inteligente, um babaca, mas você acha engraçado.- Não tinha mais como segurar as lagrimas que desciam de ambos os olhos. – Lutei por você, muito e por muito tempo, não soube honrar, agora apenas siga em frente, você não voltou pra mim, não voltou para retomar sua vida e sim para recomeça-la a partir de onde a largou. Não tenho mais nada a ver com você, mas torço pra que você seja a mulher mais feliz desse mundo, porque desde que te conheci, esse foi meu único desejo pra você.

Ruby: Tudo que você diz pode até fazer algum sentido, mas não é o que sinto quando te toco, é tudo diferente quando nos beijamos.

Belle: Então não me toque outra vez, tampouco me beije e tudo ficará bem. Eu prometo!

Ruby: Nossa historia não acabou, você que a está jogando fora, seu coração era bom, ainda devia ser. Pode pensar que está ficando livre de toda dor que te causei. Mas agora Bel, abrir mão da gente significa que essa dor, de uma vez por todas, nunca vai sair de você. E nem de mim!

Eu pertenço a você! – Aquela pequena frase ecoou por minutos e minutos enquanto as lagrimas me cegavam vendo Ruby sair e dessa vez eu tinha certeza que não iria voltar. Não tinha destino ou o que fosse que nos quisesse juntas, se isso existisse então... De um jeito ou de outro nós nos encontraríamos.

Notas finais
OMG As coisas esquentaram entre as duas...literalmente. E como assim Belle e Zelena? Alguém esperava por essa? e será que isso será um problema? xiiiii... Belle desafiou o destino e agora ele vai mostrar pra ela que quando se ama alguém seus caminhos se encontrarão de um jeito ou de outro. Até loguinho!!!