Perspectivas - Snamione
1 Perspectivas...
Notas iniciais
Eu adoro oneshots e irei postar várias. Na verdade tenho um buscado já postadas no Social, mas devido a um problema, migrei para cá.
Aproveitem!
Perspectivas...
"Aqui estamos nós
Turistas de guerra..."
A figura melancólica vestida de preto fitava os terrenos de Hogwarts distraidamente, seus olhos vagavam perdidos pelo horizonte. À procura do porquê ter sido poupado do seu tão almejado fim.
Algum deus pagão devia tê-lo sacaneado ao seu bel prazer e mais uma vez ali estava ele. Desejava morrer para encontrar a tão desejada paz, mas estava ali, são e salvo e com um humor mais intragavel do que de costume. Se é que era possível.
Sua mente brilhante trabalhava fervorosamente para que entendesse porque ainda estava vivo. Não tinha vontade alguma de viver. Só se sentiria em paz se deixasse de existir. Não tinha direito, não depois de todas as coisas que fez.
Já tinha ouvido falar em Darma. Será que aquela besteira toda fazia sentido?
Segundo o Budismo, Darma significava recompensa pelos bons atos praticados. O que ele um Comensal da Morte poderia ter praticado de bom?
Ele deveria estar morto, isto sim. Não vivo para encarar tudo o que mais odiou durante aqueles anos todos. A morte deveria ter sido sua recompensa. A aceitaria de bom grado.
Severus não tinha perspectiva nenhuma de vida. Todas escolhas só tinham um único caminho. Agora teria de voltar a viver com todo o peso que sempre o consumiu.
Não entendia o curso do destino. Depois de ter voltado, literalmente, do mundo do mortos não compreendia qual o plano 'brilhante' As Fiadeiras haviam preparado para ele.
Certa vez Minerva havia lhe dito que algo em sua vida estava pendente. Que ainda havia algo a aprender. O que um pobre diabo como ele ainda tinha de pendência? Havia cumprido sua promessa de proteger o filho de Lilian e ser fiel a Dumbledore. Poderia ter ido em paz.
Praguejou baixinho.
Foi desperto de seus devaneios por uma voz melodiosa que encheu seus ouvidos e o seu coração de ternura.
— Severus?
Seu tolo coração falhou uma batida assim que se virou e viu seu rosto marcado pelo guerra. Seus olhos castanhos que fez seu mundo sombrio ser mais quente estavam cansados. A guerra havia sido dura com ela.
Ela havia ficado insegura de incomodá-lo num momento tão dele. Havia adquirido aquele novo hábito, o de ficar observando horas à fio a chuva fininha que era tão incomum àquela época do ano. Incomum, mas propícia, parecia lavar a alma dos que sobreviveram. Que de alguma forma procuravam alento.
Para Severus Snape não era diferente. Sabia o quanto ele se culpava. Seus atos como Comensal o corroiam e talvez fosse assim pelo resto de seus dias.
Seu coração doeu quando ele finalmente se virou e fitou-a nos olhos. Se entreolharam por um tempo. Os olhos deles tão indecifráveis à ela. Mesmo depois de tudo.
Não tinha mais medo daquele par de obsidianas que a prescurtava de maneira tão particular. Ainda que o homem fosse um mistério, amava aquele par de olhos, passou a amar depois daqueles dois anos, depois de tudo o que viveram.
Os melhores anos em sua concepção.
— Srtª Granger... — Pondereu antes de prosseguir — A que devo a honra de ilustríssima visita da queridinha heroína de guerra? — O tom ácido a incomodou. Percebeu quando o meio sorriso que ela carregava no belo rosto desapareceu instantaneamente.
— Severus? — Perguntou confusa.
A indiferença dele a afetou. Frieza a acertou em cheio. Esperava mais que aquilo dele. Não o procurou antes porque quis dar espaço para ele situar-se novamente. Sabia que ele deveria estar mais azedo que o normal. Mas aquilo? Era ela, a sua garota. Por que tratá-la daquela forma? Não existia máscaras entre eles.
— Por que está me tratando assim?
— Trato da forma que devo tratar todos os demais pirralhos que foram meus alunos. — Respondeu frio e indiferente.
— Ah, por favor! — Nossa relação passou desta fase há bastante tempo para tentar me assustar desta forma, se não se lembra. Qual é o seu problema, hein? Eu não aguento de saudade, Sevie. — Falou manhosa.
— Srtª Granger, o que aconteceu entre nós foi um erro, um terrível e grande erro. Um que não pretendo levar para frente de forma alguma. — Como disse aquilo nem ele soube.
Hermione foi a melhor coisa que lhe acontecera. Só não queria e não podia estragar sua vida, prendendo-a a si, um velho amargo, mal humorado, cheio de cicatrizes e marcado por duas guerras. Como se uma só não bastasse. Bufou irritado.
— Você está brincando, não é? — Indignou-se ela. Viu lágrimas salpicar-lhe os olhos — Eu fui um erro para você? É isto o que pensa de mim? — Elevou a voz umas duas oitavas — Logo agora que toda esta merda acabou e podemos ficar em juntos sem reservas, Severus.
A grifana se ofendia tão facilmente. Ele era indiferente a muita coisa, mas não havia como não se abalar com aqueles olhos castanhos marejados. Haviam vivido muita coisa naqueles últimos anos. Não a amava, isto não. Jamais amaria outra mulher que não Lilian. No entanto, nutria um carinho muito especial pela castanha.
De certo que o que mais queria era poder tomá-la nos braços novamente. Ninguém a conhecia como ele, os dois juntos incendiavam uma cama. Mas não era só aquilo. A garota era uma pentelha impertinete, que sempre o confrontava com assuntos que rendiam horas e horas de conversas e debates. Hermione era genial.
Ele achava que o que sentia era somente atração física e interesse por ela gostar das mesmas coisas que ele. Tinham tantos gostos parecidos.
Adorava tomá-la nos braços. Seu interior se contraiu doído ao imaginar que jamais a teria para si, de imaginá- la nos braços de outro. Aquilo o fez novamente bufar irritado.
A queria para si, mas não podia estragar a vida dela. Deveria deixá-la seguir seu caminho. Por mais difícil que fosse. Não deveria?
Hermione sentiu-se em frangá- lhos. Como ele poderia dizer que haviam sido um erro? Ela o amava e ele lhe machucava de forma tão torpe. Sempre soube que Severus era cruel com palavras, mas não ao ponto de machucá- la. Logo ela que havia lhe dado tudo.
Sempre fez questão de deixar claro seus sentimentos. Que enfrentaria o que quer que fosse para ficarem juntos quando a guerra acabasse, se ele saísse vivo. Sabia desde sempre sobre a lealdade dele a Dumbledore, descobriu numa das aulas de Oclumência que ele ministrava a ela.
Só que Hermione não podia amar pelos dois. Tinha orgulho o suficiente para saber quando sair de cena. Seu instinto de autoproteção a protegia de qualquer humilhação. Era uma grifana, afinal de contas.
Não se rastejaria para ele de jeito nenhum. Se ele a considerava um erro, que morresse sozinho com aquele maldita presunção tão característica dele.
É isto mesmo o que você quer, Severus? — Perguntou com a voz implacável.
Ele arqueou os olhos minimamente. Ela havia amadurecido tanto, constatou. Não era mais a menininha frágil que conhecia de outrora. A guerra não havia deixado cicatrizes só nele.
Severus conhecia Hermione bem para saber que seu orgulho e obstinação não a permitiriam insistir. Ela o deixaria ali. Pagaria para ver até onde ela iria.
— Sim. A voz de barítono ressoou implacável pelo local. — Quero que suma da minha frente e esqueça que eu existo.
Seu coração doeu louco no peito ao ver o olhar magoado da morena. A dor dela por achar que seria chutada doeu nele também.
A quem queria enganar? Amava aquela garota como nunca amara Lilian. Quem era Lilian perto do furacão que era Hermione?
Será que ela não percebia o quão louco por ela era? Será que não via que era a única que conseguia dele complacência? Quase estragou o papel de espião quando soube de sua estadia na Mansão Malfoy. Será que não via que era por ela que seus olhos brilhavam? Que era ela que dele arrancava sorrisos? Mesmo que mínimos.
Era Hermione Granger que norteava seu rumo. Por quem, mesmo que não admitisse, havia sobrevivido à guerra. Na única vez que cogitou sair vivo daquilo tudo era dos olhos dela que se lembrava. De como seria maravilhoso passar o resto dos dias olhando-os reluzindo para si.
Por Salazar Sonserina!
Amava-a como jamais amou ninguém em sua medíocre vida. O que sentia por Hermione não poderia ser mensurado. Agora entendia bem o significado da palavra incondicional.
À bem da verdade, Severus jamais a deixaria sair de sua vida. Como ela mesma falava, aquele melindre todo não fazia o menor sentido. Na verdade, era pura insegurança. De que ela o deixasse por alguém melhor que ele. Mas ela afirmara tantas e tantas vezes que o amava. Ninguém aguentaria tanto mal humor, sarcasmo, deboche e amargura se não fosse amor.
Ah sim, ela o amava.
Como era bom amar e ser amado de volta. A vida lhe sorria e por Circe! Iria agarrar-se aquele último fio de esperança que se chamava Hermione Granger com unhas e dentes.
Ela era sua redenção.
— Se é isto o que realmente quer, irei me retirar, senhor Snape. — A amargura era tangível em sua voz.
Riu da feição indignada dela ao ver seu sorriso cínico nos lábios. Hermione era tão previsível.
— Está achando engraçado, Snape? — Rugiu furiosa — Está achando engraçado você me chutar como se eu fosse uma nada? — Mas saiba que eu irei esquece-lo. Nem que seja a última coisa que eu faça nesta vida. Você vai...
Não conseguiu terminar a frase porque foi prensada na parede mais próxima. Sentiu o corpo de Severus forçando o seu com certa brutalidade. Não conseguiu suprimir o gemido estrangulado que subiu aos lábios. Os olhos de Severus eram fogo puro.
— Você fala demais, Srtª Granger. — Sentenciou antes de colar sua boca na dela.
Beijou-a com sofreguidão. Exigindo seus lábios com força e fúria. Hermione gostava do modo bruto com o qual Severus se impunha sobre ela. Suas pernas viraram gelatina.
Era muita saudade que sentia dela. Há quase um ano sem tê-la nos braços. Precisava aplacar a vontade louca que tinha de Hermione. Queria mais, sempre mais e nunca seria o suficiente. Queria tudo e daria tudo a ela.
Sua garota.
Enfiou sua língua na boca dela sem aviso prévio. Recebeu um gemido estrangulado em resposta. Explorou a boca macia com perícia, com lentidão. Exatamente como gostava.
As mãos exploravam o corpo apertando-a, acariciando-a, incitando-a. Deixava Hermione afogueada de desejo.
"Voce é toda a minha munição
Não negue fogo pro meu coração
machucadinho
Cambalache de paixão..."
Apreciava com gosto a entrega de Hermione. A maneira tímida e luxuriosa com a qual retribuía os beijos e as carícias. As mãos dançavam em seus cabelos, ora acarinhando, ora puxando-os. Gerando mais calor no meio de suas pernas.
Precisava dela.
Tirou a varinha do bolso do puído jeans que ela usava e num floreio lançou um Protego e um Abafiatto pelo local, deixando-os no mais profundo silêncio. A varinha de Hermione parecia respeitá-lo, executava muito bem os feitiços que o mestre pronunciava. Fato que aqueceu o coração de Severus. Aquilo era um bom sinal.
Encerrou o beijo e perdeu alguns segundo observando a bela mulher que tinha. Beleza, caráter e inteligência impares. Sorriu em agradecimento. Era um bruxo de sorte.
— Eu amo você, Hermione. — Pela primeira vez sua voz era livre e qualquer sarcasmo, ironia e deboche. Sentia-se em paz. Havia cumprido seu papel. Agora iria ser feliz.
— Oh, Sevie! — E lágrimas banharam o rosto de Hermione, que chorava de felicidade.
Era a primeira vez que ele lhe dizia amor. Emoção aflorava ambos.
Se amaram no chão duro de pedra da Ala Hospitalar, sob a capa do mestre em Poções.
Se amaram sem medo, sem mágoas, sem ressentimentos ou ressalvas.
Apenas se amaram.
Havia sido difícil, no entanto chegaram até ali. Juntos. E juntos permaneceria.
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— Você me enganou, Sevie. — Pontuou Hermione entre o divertimento e a indignação.
Severus recostado à parede, tinha Hermione recostado em seu peito, no meio de suas pernas. Cobriam-se precariamente com a capa do mestre.
Admiravam satisfeitos a noite que caia tranquila sobre os terrenos de Hogwarts. O céu alaranjado salpicados de estrelas os brincavam com a perspectiva de uma nova vida.
— Eu jamais deixaria que fosse embora, boba. — A abraçou mais forte. Dando ênfase ao que falava. — Você é tudo o que me restou, Hermione. O que de melhor aconteceu na minha vida. Os deuses me deram uma nova chance uma vez mais. Não poderia desperdiçá- la. Temos a vida toda pela frente.
— Sim. A vida toda.
Fim.
Notas finais
Perdoem-me os erros, no entanto estou postando do celular, eventualmente um erro irá passar.
Agradeço imensamente quem leu até aqui.
Beijinhos.
Guinevere~
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