Perspectiva
3 Constrangimentos
Notas iniciais
Tentei manter um vocabulário adequado à época, assim como considerei o comportamento feminino do tempo em que Esme foi educada e Rose viveu.
Como diria Kristen Cohen de The O.C.: Você pode não acreditar, mas os coroas também tem apetite (rsrsrs).
PDV Rosálie
O sorriso de Esme foi ainda maior que o meu, então ela deve ter entendido que aceitarei seu amor maternal. Não sei o que me ocorreu, talvez o desespero tenha me dado coragem para confessar meus receios, só sei que eu despejei em nela todas as minhas preocupações. Ela tentou me aclamar dizendo que Emmet me amava e me compreenderia. Mas se ele descobrisse que tive culpa nisso? Ainda me amaria? Mesmo a Esme e toda sua compreensão me receberia em seu colo depois de saber que não fui tão inocente assim?
De minha boca saiu o que eu acreditava ser minha condenação:
- Mas se eu não fosse tão bonita...
Eu realmente cria que meus encantos e beleza me levaram àquela situação. Tive medo, e se Esme me escorraçasse de casa naquele instante? Se visse minha participação naquela monstruosidade e tivesse nojo de mim?
Para minha surpresa ela estreitou a distância e de repente recuperei uma das melhores sensações de minha vida humana: estar no colo da mãe. Como eu era a preferida, minha mãe Violet sempre me colocava no colo, me acarinhava, me fazendo sentir amada e especial.
Involuntariamente meu corpo também despejou o que levei anos contendo, me levando a um estado de choro compulsivo. Acho que ela compreendeu que nem eu estava entendendo o que acontecia comigo e ficou somente me acalentando em silêncio.
Ela começou a falar novamente:
- Querida o amor físico entre pessoas que se amam é mágico. È como se sua alma não conseguisse conter todo o amor e na falta de palavras seu corpo demonstrasse todo o afeto e desejo que sente. O que irá acontecer entre você e o Emmet jamais poderá ser comparado à brutalidade que você sofreu.
Não passei pela mesma experiência que você, mas as mulheres de minha época foram ensinadas que a intimidade era um sacrifício que tínhamos que suportar por estarmos casadas. As únicas mulheres que gostavam eram as de vida fácil, aliás, diziam que elas se prostituiam por que já nasciam perdidas.
Em minha vida humana só cumpria minhas obrigações, às vezes meu corpo reagia e eu me sentia envergonhada como se tivesse cometido um crime. Ao me casar com seu pai (disse pai para que ela soubesse que fazia parte de nossa família, que não estava desamparada) precisei reaprender tudo, ele tinha outro entendimento e me mostrou que eu precisava usufruir tanto quanto ele deste momento para que nosso casamento fosse feliz.
Sei que vocês se amam e irão descobrir um caminho. Emmet não te machucará, ele seria incapaz de fazer isso, sabe como ele te respeita e a forma afetuosa como te trata.
Não digo que será fácil, mas acredito no amor. E sei que conseguirão superar isto, juntos.
Ela parou um pouco de falar e depois completou:
- Não pode permitir que mesmo morto, aquele monstro possa te atingir, se você se recusara a ser feliz com a pessoa que ama ele irá vencer. Terá de fato destruído sua vida.
Não me obrigue a ir ao inferno para matá-lo novamente, por que eu seria capaz disso.
Eu sorri.
PDV Esme
Eu fiz meu melhor discurso para a Rose, tentando falar do assunto, mas sem que isso fosse constrangedor, ela ouviu em completo silêncio. Fiquei com medo que não funcionasse, ela era muito decidida e estava aterrorizada com a lua de mel e com as reações que tinha tido em minha presença, então resolvi apelar. Conhecia um pouco da Rosálie e sabia que ela odiava perder, por isso lancei mão de minha arma secreta e disse:
- Não pode permitir que mesmo morto, aquele monstro possa te atingir, se você se recusara a ser feliz com a pessoa que ama ele irá vencer. Terá de fato destruído sua vida.
Não me obrigue a ir ao inferno para matá-lo novamente, por que eu seria capaz disso.
Ela sorriu, eu pude sentir. E fez menção de que iria se levantar, então decidi me aprofundar na conversa. Não podia lançá-la nesta experiência sem nenhuma estratégia, tudo bem que o amor supera obstáculos, mas se pudermos ajudar ele agradece.
Respirei fundo na tentativa de que a coragem inflasse meus pulmões. Eu fiz um movimento leve deitando sua cabeça em meu colo, voltando seu olhar em minha direção e disse.
- Creio que seu pai esteja conversando com seu noivo e ele costuma ser mais específico que eu, pelo fato de lidar com o corpo todos os dias, como médico.
Senti que ela estava muito envergonhada, pois virou a cabeça, olhando para frente.
— Você acredita que não pode ser agradável, por conta de sua experiência, mas é muito bom na verdade.
Na minha primeira vez com o Carl eu tentei ser tão impassível e recatada quando como era humana, mas tudo em nosso corpo se potencializa quando nos transformamos e foi assim com essa parte também. Ele foi gentil e eu podia sentir em cada toque que não estava apenas usando meu corpo, seu olhar tinha um misto de desejo, fascínio, admiração e afeto da mesma forma que ele me olhava quando conversávamos ou compartilhávamos qualquer outra coisa, em seus olhos eu via o amor.
Eu me senti tão constrangida com as minhas reações que pedi para que ele parasse, ele não entendeu e levou um tempo para que eu confessasse que o motivo de minha recusa era a minha rígida educação. Aí sim ele entendeu e foi muito delicado comigo, me deixando a vontade para fazer somente o que me fazia sentir confortável e aos poucos foi me convencendo de que era extremamente correto e natural.
Primeiro ele me instruiu a não fechar os olhos enquanto nos amávamos, era tão constrangedor. Mas ao mesmo tempo sentido que ele estava apreciando, que eu o satisfazia me senti mais confiante. Eu ficava admirando as linhas de seu corpo sob as roupas, apreciando sua voz sussurrando em meu ouvido que me amava e desejava. Foi ficando cada vez mais difícil me lembrar da vergonha e pedir que ele parasse, ele começou a ficar metido, se achando a última bolacha do pacote.
Depois eu fui treinando ficar despida com ele, não podia sentir vergonha de compartilhar minha nudez se iria compartilhar minha intimidade. Ele sutilmente sugeriu que ficássemos nus em frente ao espelho, eu me neguei é claro. Mas assim que ele foi para o hospital me despi e pela primeira vez analisei meu corpo, tentando relacionar as sensações aos lugares onde ele tocava, devo confessar que eu até me achei bonita.
Por fim acabei ficando nua em frente ao espelho, mas com ele vestido e ele foi me mostrando o que ele mais apreciava em mim, me perguntando onde gostava de ser tocada e como. No início eu achei que morreria de vergonha, mas seu pai sempre acha um jeito de me convencer a aceitar a naturalidade das coisas e eu agradeço até hoje o fato dele ser tão insistente para que eu apreciasse o amor físico tanto quanto ele.
Mas para mim o pior foi me acostumar à nudez dele, se ainda fosse humana viveria corada, pois as imagens passaram a povoar minha memória. Quando o Edward voltou para casa, depois de se afastar para viver como um vampiro regular, isso foi um problema para mim.
Me acostumando com nossa nudez e intimidade eu fui me permitindo apreciar cada vez mais, e pude experimentar uma cumplicidade única, naquele momento é como se fôssemos um só corpo. Pode parecer mentira, mas o difícil mesmo é conseguir parar, melhor, desejar parar.
Acho que você pode se preparar para a noite de amanhã, conduzir o momento e assim se sentirá mais segura.
Primeiro deve conversar com seu marido que sente medo do que irá acontecer, isso dará a ele a oportunidade de pensar sobre os movimentos dele e suas reações. Aliás é o diálogo franco que mantém um casamento, nunca esconda seus sentimentos dele, você está se comprometendo a dividir a vida com ele, precisam ser amigos, confidentes e cúmplices.
Prepare-o para o fato da iniciativa não ser bem sucedida, assim ele não irá se decepcionar.
Sei que somos vampiros e a ausência de luz não nos incomoda, mas aconteceu de noite, seria bom se deixasse a luz acesa para que sua mente não faça associações. Não faça nada que lhe traga aquela noite á memória.
Eles devem ter arrancado suas roupas, portanto se conseguir se despir, faça você mesma. Pode optar por tirar somente a roupa de baixo, colocaremos uma camisola larga em sua mala isso dará acesso a seu corpo sem descobrir sua nudez. Use seu instinto a seu favor e permita-se sentir admirada e desejada por ele, quando ele te observar.
E o mais importante, no momento em que for recebê-lo em seu corpo, se chegarem a este ponto, não feche os olhos. Se as memórias ameaçarem tomar conta de você, abra os olhos e respire bem fundo. Não que você precise de oxigênio, mas isso fará com que sua mente mude o foco.
Então repita mentalmente que é o Emmet, seu Emmet, seu marido, que te ama e nunca iria te machucar. Lembre-se dos motivos que te levaram a casar-se com ele a amá-lo.
Eu disse tudo de uma vez, para não perder a coragem, ela ficou imóvel todo o tempo. Então para disfarçar e me recuperar do enorme constrangimento resolvi fazê-la falar um pouquinho e perguntei:
- Rose o que você ama no Emmet? Por que você o escolheu?
PDV Rosálie
Eu ia me levantar, mas ela me fez repousar a cabeça em suas pernas e virou meu rosto para fitá-la. Tinha algo nela que eu não conseguia decifrar, respirou fundo como se estivesse tomando coragem e então despejou:
- Creio que seu pai esteja conversando com seu noivo e ele costuma ser mais específico que eu pelo fato de lidar com o corpo todos os dias, como médico.
Só a idéia me deixou constrangida, meu (agora) pai estava numa despedida de solteiro conversando sobre intimidades com meu futuro marido na presença do telepata que agora era o quê? Meu irmão?
Agora eu entendi, ela estava com vergonha. Não importava que vampiros não tivessem circulação sanguínea, meu rosto devia estar muito corado, eu virei para frente para não ter de encará-la, mas ela nem me deixou respirar e foi despejando mais coisas constrangedoras, muito constrangedoras.
Eu fiquei pasma, como ela teve a coragem de dizer todas estas coisas?
E mais desesperada ainda quando percebi que eles deviam ter conversado sobre este assunto, pior, discutido com pormenores. Ela tinha até estratégia montada, ela chegou a comentar do momento em que eu me entregaria a ele de fato, que ele me possuiria.
Depois parou e de repente me questionou, como se para saber se não tinha me matado de vergonha:
- Rose o que você ama no Emmet? Por que você o escolheu?
Eu fui pega de surpresa e ao invés do que ela aconselhara, imediatamente fechei meus olhos. Em minha retina a clara imagem de Emmet com seu sorriso de covinhas que eu tanto amo se formou. E seguindo a vulnerabilidade em que me encontrava eu me permiti talvez o discurso mais longo desde que fui transformada:
- Eu amo o contraste entre seu corpo musculoso e a sua doçura e inocência. As covinhas que se formam em seu rosto quando ele sorri, foi por esses sorisso que eu me enterneci e tive forças para trazê-lo ao Carlisle.
A facilidade em se relacionar com todos, tão diferente de mim, acho que o Edward me suporta mais depois dele, para não magoá-lo. A segurança que tem em si mesmo e a habilidade de se manter confiante mesmo nas piores circunstâncias.
A capacidade de ser generoso com ele mesmo e se perdoar quando ele desliza na dieta. Ele é (da mesma forma) generoso comigo e meu gênio, sempre dá o primeiro passo para se aproximar depois que brigamos ou eu tenho um rompante de raiva.
É tão diferente de mim, somos um paradoxo. Mas ao mesmo tempo é exatamente o que eu preciso. Ele trouxe para minha existência aquilo que perdi ao ser transformada: A leveza da vida, o sentido. Não digo que me conformo com isso (eu apontei para meu corpo), mas com ele fica mais fácil suportar, é quase possível esquecer o quanto é definitivo e imutável.
Como ela tinha sido tão corajosa, eu resolvi ser também, e continuei:
A forma como me olha me admirando e de certa forma me desejando, mas sem me agredir. A textura de sua mão quando segura a minha ou acaricia meu rosto. A forma como me envolve em seus abraços me fazendo sentir-me segura. Os seus beijos tão ternos e doces. (acho que ela não sabia que tínhamos nos beijado)
O modo como me olha fascinado como se não existisse nada além de mim, acho que essa parte é um resquício de minha vida humana, quando sinto isso me odeio. Mas ao mesmo tempo me sinto tão bem, essa parte de poder ter dois sentimentos ao mesmo tempo como vampira me transtorna um pouco.
Sabe Esme, Emmet ressignificou o mundo para mim, por ele vale a pena este esforço Hercúleo de conviver com a dor. Na verdade só de lembrar o seu rosto, ela se atenua, quando ele está comigo eu até posso esquecer um pouquinho e sinto alívio. Não é muito egoísmo da minha parte me casar com ele por estes motivos? Condená-lo a eternidade comigo e a se casar por me fazer sentir bem? E se houver outra imortal que possa oferecer mais a ele? Que todos vocês gostem e seja mais agradável do que eu?
Será que ele se sente na obrigação de casar por que eu o salvei, (ou melhor, o condenei a ser vampiro) livrando-o do ataque do urso?
Quando saí de meus devaneios, Esme virou meu rosto para encontrar o seu e então eu percebi que estava chorando. Ela me levantou para que eu me sentasse ao seu lado e depois começou a falar:
- Rose o amor é sacrificial também, mas não acredito que o Emmet encare este casamento com um fardo, nem que haja outra imortal que ele possa amar como ele já ama a você. Você talvez não tenha percebido, mas a expressão de seu rosto é de alguém que está apaixonada. Não está fazendo isso por que ele te faz sentir bem, você o ama, só não recuperou ainda as sensações humanas que te farão ter certeza disso, mas logo poderá perceber. Irá se casar com ele amanhã e não se arrependerá, não digo que o matrimônio é fácil, é preciso ter muita comunicação e esforço dos dois em saber perdoar. Mas vocês se amam e tudo dará certo, terão um casamento feliz e duradouro como o meu e de Carlisle. Isso não se discute, não quero mais dúvidas ou incertezas.
Ela falou soando com uma autoridade e certeza que jamais tinha percebido poder residir em tamanha ternura. Depois afavelmente pegou minhas mãos entre as suas e completou:
- Sabe querida a maior preocupação dos pais é formar filhos dignos e de bem que encontrem o amor e a felicidade e se sintam realizados. Não imagina o enorme peso que retirou de mim ao me permitir conhecer seus sentimentos, estou tão feliz.
Quando percebemos como te desagradava ter sido transformada, eu e seu pai sofremos muito pela sua infelicidade. Saber que de alguma forma isso pode ser revertido é um alívio, podemos ter esperança que sua existência não foi de todo perdida por este ato.
Agora quero que abandone essa idéia de que não é bem quista nessa família, sei que Edward e você não se dão muito bem, mas nós te amamos. Não é a companheira de nosso filho Emmet, é nossa filha como eles. Eu te amo, acredite em mim.
-Como não poderia acreditar depois de tudo que aconteceu esta noite, do modo como me tratou, da forma afetuosa como me olha. Muito obrigado por tentar me compreender, por me aceitar em sua família e a despeito de meu comportamento me amar como a uma filha.
Eu sei que não mereço tudo isso, tenho plena consciência. Obrigado mesmo!
Eu disse sinceramente e seu choro foi substituído por um imenso sorisso.
Então eu mesmo me surpreendi, pois senti uma imensa vontade de abraçá-la e foi o que eu fiz. Ela me retribuiu me prendendo em seu abraço, depois nos separou olhando fixamente em meus olhos e disse:
- Por que minha linda filha não mereceria meu amor? Você merece sim!
Aliás, merece também um lindo vestido de noiva, que eu ainda não consegui terminar. Pode me ajudar a bordar as pérolas da barra?
Sorrindo eu assenti, me sentindo pela primeira vez parte da família. Eu jamais decepcionaria Esme, eu ia me esforçar para fazer Emmet feliz e para manter unida e protegida a família que ela tanto ama e cuida. Senti a cumplicidade nascer entre nós, passamos o resto da noite bordando em uma velocidade vampiresca e esperando com a mesma ansiedade os homens da casa voltarem a tempo.
Notas finais
No próximo capítulo vamos descobrir como está sendo a despedida de solteiro do queridíssimo Emmet.
O que será que Carlisle dirá a ele?
Por favor comentem, me digam se estou indo na direção certa.
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