Perspectiva
31 A grande disputa
Notas iniciais
Bom, este capitulo não tem nada a ver com a trama de fato. Apenas com um diálogo onde Edward diz que a pior briga que teve com seus irmão foi quando ele a salvou do atropelamento. tentei me diferenciar um pouco de "Midnight Sun". Espero que tenha ficado bom.
Mil desculpas e boa leitura :)
PDV Rose
Edward nem se deu ao trabalho de abandonar o local do acidente, na verdade ele nem se afastou da maldita humana. Continuava segurando-a perto de seu corpo com o braço enlaçado em sua cintura de forma protetora. Perguntou se ela estava bem, e disse que ela tinha batido a cabeça com força. Se seu brilhante plano para se livrar da situação perigosa em que nos colocou era alegar que a estúpida humana havia inventado sua “super velocidade e força” por conta de uma batida na cabeça, ele realmente tinha sérios problemas mentais. Ele sorriu não sei se alívio por vê-la ilesa ou de nervoso por se dar conta do mal que nos viria. E foi então que tudo se complicou:
- Como foi que... Como foi que chegou aqui tão rápido? Ela perguntou ainda desnorteada.
Pronto, estávamos perdidos. Ela sabia que ele não era humano, e este fato nos deixava em uma enorme sinuca de bico. O que nos levava a dois fins: Matá-la ou morrermos. Maldito Edward. Ele ainda tentou concertar as coisas, colocou sua melhor máscara de mentiroso.
- Eu estava bem ao seu lado Bella. Disse com a voz calma e firme.
Então as dezenas de adolescentes histéricos com a cena do acidente de carro explodiram em gritos e choros. Alguém se lembrou do pobre coitado que havia batido o carro e uma confusão se instalou impedindo minha visão geral da cena. Mas eu ainda os ouvia.
Ela com certeza tentou se levantar, por que ele pediu para que ela não se mexesse. E tudo parecia ter se encaixado, por que ela simplesmente reclamou do frio. Tão humano, tão comum. Mas meu alívio durou apenas um segundo porque logo depois ela insistiu:
- Você estava lá. Você estava perto de seu carro.
Ele retrucou:
- Não estava não.
Senti a tensão aumentar, pensei que fosse apenas eu. Mas então notei as mãos de Jasper apertadas, os nós dos dedos tensos. Eu não era a única a ver o problema ali.
Mas a bendita Bella, acho que esse era seu nome. Voltou a pressioná-lo:
- Vi você.
Ele tentou persuadi-la insistindo no ridículo plano de desacreditá-la com base na pancada da cabeça:
- Bella, eu estava parado ao seu lado e tirei você do caminho.
Tenho que admitir, ela era dura na queda:
- Não. Disse firme.
Então ele baixou a guarda e nos complicou ainda mais:
- Por favor, Bella.
Ela quis saber o motivo.
- Confie em mim. Ele pediu, vencido.
E quando eu achei que não podia ficar pior ela pediu:
- Promete que vai me explicar tudo depois?
E o maldito do meu irmão simplesmente concordou. Ótimo. O que ele acha que pode dizer à ela? “Oh! Bella. Sou um vampiro e por este motivo tenho velocidade e força extraordinárias. Por tanto quando percebi que o destino me fez o favor de te matar para que eu não fosse descoberto resolvi me revelar para o mundo te salvando na frente de dezenas de adolescentes. Agora preciso ir, pois como revelei aos humanos o segredo de nossa espécie eu e minha família seremos executados pelos Volturi”
O circo estava armado. Para piorar apareceu todo o tipo de parafernália humana. Carro de bombeiros, ambulâncias e até o carro da polícia. Um dos policiais gritou o nome da garota quando a viu. Por quê?
E ela o tranquilizou dizendo que estava bem e o chamando de pai. Ótimo o pai da garota era policial, pior acho que era o chefe deles. Quando se arrumaram para levá-los vi que ela olhava intensamente para o amassado do carro de onde tiraram o menino. E também o olhei, o contorno do ombro de Edward estava claramente delineado. Teríamos que dar um jeito nisso, eu pensei. Se é que ainda era válida qualquer ação para encobrir aquilo. Edward havia escancarado tudo, exposto todos nós. Então ela nos encarou, os olhos vivos, astutos, curiosos. Eu podia sentir o fluxo intenso de seus pensamentos juntando as peças, a estranha tranquilidade diante do absurdo da situação, o controle impressionante diante do desconhecido, a capacidade de raciocinar em meio ao caos. Foi então que eu soube, ela era um problema sério, aquela pequena humana seria um enorme perigo para nós. E por mais que o erro fosse de Edward, eu a odiei. Eu desejei que ela tivesse morrido e de forma dolorosa, eu estava furiosa.
Emmett e Jasper ainda estavam imóveis diante do inacreditável. Edward havia decretado nossa sentença de morte. Alice estava estranha, silenciosa, mas não irritada. Alice tinha uma percepção estranha sobre as coisas. Ela parecia chocada, surpresa (o que era difícil de ver), mas parecia não compreender a gravidade da situação. Parecia que ela sabia de algo, mas não tinha certeza. O que era muito incomum, talvez por isso eu não soubesse como classificar o que estava acontecendo.
Mantendo ao menos algumas coisas no lugar Jasper deu as coordenadas, analisando a situação rapidamente. Ele achou melhor irmos para casa, assim ele teria como traçar um plano para toda a crise instalada. Mas eu sabia que precisava estar em outro lugar. Deixei a ambulância se afastar a fim de aplacar minha fúria, se eu encontrasse Edward como estava com certeza o mataria.
Cheguei ao hospital um pouco depois deles, Carlisle estava terminando uma cirurgia e Edward prontamente se instalou em sua sala. Pelo que entendi da conversa entre ele e a enfermeira que tentava paquerá-lo descaradamente ele havia falado com meu pai pelo interfone. De certo não pode falar sobre o que de fato aconteceu de forma detalhada, não com tantos ouvidos humanos na sala de cirurgia. E isso me dava à vantagem de Carlisle não ter sido influenciado por sua visão sentimentalista do “salvamento da garota”. Talvez eu ainda pudesse fazer algo para que nossa vida não fosse tão alterada por esta rélis humana.
Podia ter ido até lá e o confrontado, mas sabia que não havia me controlado o suficiente para fazer isso sem quebrar metade do hospital e nos expor mais ainda. Então subi em uma árvore que me permitia olhar a sala de meu pai e fiquei lá esperando consciente de que ele sabia que estava ali, que lia cada um de meus pensamentos (e todos eles). Um médico qualquer pediu alguns exames da menina, eles foram colocados na mesa de Carlisle. Antes que meu pai retornasse Edward retirou um raio-x do envelope e o colocou no quadro de luz, ele analisou atentamente a imagem. Sua testa se franziu e eu tive a esperança que ela estivesse mal e fosse morrer dentro em breve. Eu sabia que meu irmão ouvia cada pensamento e podia imaginar como ele reagiria ao que se passava por minha mente. Dito e certo, Edward desviou seu olhar para a minha direção e me olhou irritado, depois indicou o quadro de luz com a mão e falou pausadamente para que eu lesse seus lábios “Ela está bem. Ela se machuca bastante, existem muitas fraturas calcificadas, ela não vai morrer tão cedo.” Então eu pensei com bastante clareza:
- Resolva seu problema, elimine a garota.
Ele saiu batendo a porta com um pouco de força, não para quebrá-la, mas para me mostrar o quanto ele estava irritado. Então foi minha vez de ocupar a sala de meu pai. Esperei pacientemente vê-lo, mas depois de me cansar fui informada pela mesma enfermeira atirada que ele havia descido direto para a emergência. Fui até lá, mas não me aproximei, esperei no corredor enquanto ele a examinava, se tivesse sorte poderia convencê-lo do quanto a humana era perigosa e os motivos pelos quais deveríamos exterminá-la.
Edward parecia relaxado, sorriu quando a garota tentou se fazer de durona e disse que não estava dolorida. Ela gemeu audivelmente quando soube que quase toda a escola a esperava na sala de espera. Ao menos ela não parecia gostar de popularidade. Meu pai recomendou um remédio humano para a dor e comentou sobre a sorte que tiveram em sair com vida do acidente. Tudo parecia normal até que ela começou a sondar o quanto meu pai sabia sobre “os poderes” de Edward. Ela quis parecer despreocupada, mas pude sentir a intencionalidade de sua declaração:
- A sorte foi Edward por acaso estar ao meu lado.
Podia imaginá-la observando as reações de meu pai ao descobrir quem a salvou do pior. Ela era estranhamente curiosa e centrada para lidar com aqueles acontecimentos sem surtar. Carlisle desconversou e começou a falar com o outro humano, o motorista do carro que quase me livrou dessa criaturinha detestável. Depois de examinar o garoto, saiu pelo corredor e veio em minha direção. Ele esboçou um olhar de surpresa, mas eu sabia que era apenas um fingimento:
- Rose o que faz aqui?
- Edward não te disse o que aconteceu? Perguntei quase ultrajada com sua calma.
- Superficialmente. Ele respondeu sem alterar suas expressões.
- Ele simplesmente se atirou entre a humana e um carro em meio a um estacionamento cheio de adolescentes humanos. Ele nos expôs de forma irreversível.
- Filha...
Ele ia ponderar, e eu soube que havia perdido seu apoio. Edward já havia engabelado Carlisle que sempre foi inclinado a supervalorizar os humanos. Mas tudo piorou porque o meu amado irmão apareceu em meio à conversa. E foi logo se defendendo.
- O que queria que eu fizesse? Deixasse a garota morrer? Não sou irresponsável, sabia que eles não me veriam, não com aquela velocidade.
- Ótimo. Só que não pode tomar esse tipo de decisão sozinho Edward. Agora estamos expostos, você nos expôs. E as conseqüências envolvem todos nós. Eu já estava sibilando.
Então Edward olhou em direção a saída do corredor e Carlisle colocou os braços ao redor de meus ombros numa tentativa de me conter. Ele sabia que eu não resistia a seu olhar empoderado de paternidade e afeto.
- Podemos acabar essa conversa em meu escritório? Não estamos sós.
Carlisle me conduziu a seu escritório enquanto Edward falava com a humana, mas ainda ouvi parte da conversa. E obviamente ela queria uma explicação sobre o ocorrido. Estávamos bem encrencados e eu sabia que os escrúpulos humanitários de meu pai o impediriam de tomar a decisão mais acertada sobre a garota. Edward se juntou a nós depois de breves minutos, eu queria gritar e esmurrá-lo com toda a força, mas Carlisle me conteve.
- Este não é o lugar para este tipo de discussão Rose, não se preocupe. Eu bufei de frustração.
- Entendo a gravidade do assunto filha, é sério. Mas não podemos nos expor mais conversando sobre isso aqui. Teremos algum tempo até que a notícia tome proporções maiores. Falaremos sobre isto hoje ainda, deixe apenas que eu conclua meu plantão.
Eu balancei a cabeça de frustração e raiva. Será que só eu via problema nisto? Não importava o que ele dissesse, a humana precisava sair de circulação. O segredo dos acontecimentos inexplicáveis daquela manhã teria que morrer com ela. E se eu era a única na família com firmeza e coragem para realizar a tarefa, eu o faria. Antes de sairmos Carlisle nos olhou com uma severidade incomum e disse:
- Mais uma coisa. Eu os proíbo de discutir isto em minha ausência. Nem uma palavra, nem uma briga, nem uma farpa. E nada de preocupar Esme sem necessidade. Ainda quero ter uma família quando este plantão acabar.
Edward preferiu ir sozinho para casa, por isto foi em direção ao braço de floresta mais próximo do hospital e sumiu. Eu voltei para meu carro e dirigi de forma lenta até que vislumbrei o sobrado branco que considerava meu lar. Eu não queria abandonar aquele lugar, o palco dos primeiros momentos de minha eternidade com Emmett. Não queria que nada machucasse as pessoas que moravam lá, minha família, meus entes mais que queridos. Até mesmo Edward. Falando nele, assim que cheguei o procurei, mas ele não estava lá. Alice me viu varrer o ambiente com os olhos e disse comovida:
- Ele está refletindo na clareira. Rose, sei que é bem sério. Mas tente compreendê-lo.
Fui para meu quarto e abracei Emmett temerosa de perdê-lo por conta de algo tão bobo. O que seria de mim se os Volturi resolvessem nos punir? Não me importaria em deixar de existir, de certa forma nunca quis sobreviver àquela noite. Aceitaria de bom grado minha morte definitiva. Mas jamais suportaria perder meu clã, minha família. Jasper, sempre tentado me ajudar. Alice e sua alegria inexplicável. Até Carlisle que me condenou a essa vida, mas que da mesma forma me acolheu com tanto carinho. Emmett meu bálsamo, meu amor. Esme, minha mãe, minha fonte de amor e compreensão. E mesmo Edward, com sua implicância. Eu estava quase beirando o pânico.
Carlisle chegou antes de Edward e se trancou no quarto com Esme. Ela havia ouvido a notícia do acidente no rádio, mas foi ele quem lhe colocou a par do envolvimento de Edward. Assim que meu adorado irmão chegou, Carlisle no convocou para mais uma reunião familiar. Ele se sentou na cabeceira com Esme do seu lado direito e Edward no esquerdo. Sentei-me ao lado de Esme e Emmett ao meu lado. Alice sentou ao lado dele, mas Jasper permaneceu em pé encostado na parede.
- Bom algo que nos envolve aconteceu hoje. Carlisle começou.
- Edward nos expôs. Reclamei.
- Não podia simplesmente deixá-la morrer Rose. O que queria que eu fizesse. Ele alterou o tom da voz.
- Acalmem-se. Os dois. Precisamos decidir o que fazer a partir de agora para minimizar os danos. Ele explicou com aquele tom de voz pacificador que lhe era característico.
Sabia que ninguém teria coragem para fazer o que era realmente necessário. Todos nessa casa pensavam no bem estar da comunidade, dos humanos. E nossa sobrevivência? Se aquela humana conseguisse convencer alguém sobre a “sobrenaturalidade” dos feitos de Edward (o que não era impossível devido aos acontecimentos, e o amassado no carro do menino) nós é que estaríamos em perigo. Além do mais só eu parecia perceber que a humana era perigosa. Uma pessoa normal teria surtado diante dos acontecimentos. Se não com o salvamento do “Super-vampire” do meu irmãozinho, com a gravidade do acidente que havia acabado de sofrer. Mas ela estava tranquila e calma analisando os fatos, investigando, colocando ele na parede.
- Como foi Edward que provocou essa situação, ele deveria fazer a limpeza. Mas se ele não consegue lidar com a situação posso fazê-lo. Disse friamente e me levantei encarando-o.
- Todos sabemos quão hábil assassina é Rose. Ele me alfinetou levantando-se e me devolvendo o olhar gélido.
Eu não sei por que aquilo me doeu tanto. Ele sabia que foi necessário, que foi a única forma de me vingar daqueles monstros. E ele usou isso, mesmo sendo o único a saber que me arrependi. Matá-los não me fez esquecer, não me fez sentir menos injustiçada, nem menos revoltada com as consequências de seus atos. Além disso, a pulguinha da desconfiança de que ele sabia algo sobre mim que nem eu mesma sabia começou a me incomodar. Carlisle suspirou alto nos olhando com certo desconsolo e também se levantou colocando as mãos entre nós. Pensei que enfim ele me apoiaria. Mas Edward parecia concentrado em algo que Jasper faria. Pois olhou intensamente para ele.
- Entendo sua preocupação Rose. Sei que estamos em uma situação muito complicada. Mas nós não somos assim. Essa menina tem pai e mãe, uma família, amigos. Ela é um ser humano, sua vida tem um significado. Não saímos por aí matando inocentes. Carlisle intercedeu.
- Nem nos expondo, não é? Você foi um irresponsável, nos expôs. Eu disse com um pouco de rudeza para o herói do dia.
- E diz isso como se fosse único irresponsável aqui. Quem nunca cometeu pecado que atire a primeira pedra. Edward disse fitando meus olhos.
Eu sabia sobre o que ele estava falando. Sobre eu ter voltado a Rochester e falado com minha mãe. Mas ela pensava que eu era um fantasma, um espírito. Jamais desconfiou que eu fosse uma vampira. Nem quando o dinheiro aparecia em sua conta, nem quando eu deixava presentes na porta de casa em seu aniversário, nem em seu leito de morte. Só ele sabia disso e agora ele estava me acusando de expor todos ao perigo. Mas eles jamais correram perigo, ela nunca desconfiou. E minha mãe também não tinha a frieza para analisar a estranheza dos acontecimentos com frieza. E a humana já havia provado que sim.
- Não precisa ser tão difícil, podemos pensar na possibilidade de mudar de cidade. Esme tentou amenizar as coisas.
- Não quero me mudar, gosto daqui. Protestei.
- E mataremos um inocente por que gosta daqui e poderá morar neste lugar por mais três ou quatro anos? A vida de uma humana custa o conforto de não se mudar nos próximos anos? Edward me acusou.
- Se formos embora daremos uma declaração de culpa à humana. E ela pode sacar as coisas e entender o que aconteceu, ou quem somos. Seremos punidos da mesma forma. Emmett disse, sempre prático.
- Você a trata como um indefesa inocente. Mas ela sabe que algo extraordinário aconteceu. E ao contrário do que um humano normal faria, ela não se desesperou, nem surtou. Ela é perigosa, como não pode ver isto? A menina manteve a calma, analisou a situação e lhe pôs na parede. E você não tem como ler sua mente, então não pode se antecipar às perguntas e elaborar as respostas. Ela não se deixou iludir pelas suas desculpas esfarrapadas, ela não vai desistir enquanto não descobrir a verdade. Foi você que prometeu explicações, ponha a culpa da morte da humana em sua conta. Falei mirando Edward.
- Já disse que não mataremos uma inocente Rose. Carlisle foi mais enfático comigo desta vez.
E então eu soube que havia perdido. A decisão de Carlisle estava mais que clara. Não contrariaria uma ordem de meu líder e pai. Fiquei decepcionada com sua decisão, ainda achava que a existência da humana nos colocava em risco. Ainda tinha medo do que viria, medo do que poderia perder por causa dela. Mas era a decisão dele e eu respeitaria, mesmo a contragosto.
- O que faremos então? Emmett quis saber.
- Parem. Os dois. Não vou deixar isto acontecer. Para Edward, não! Alice gritou quase beirando o choro.
- Não vou permitir Jasper. Foi uma decisão minha, uma escolha minha. Bella não teve culpa, não vou permitir que pague com a vida por um erro meu. Edward disse com um olhar furioso.
Jasper continuava apoiado na parede, com o mesmo semblante impassível do começo da reunião. Esme se levantou e abraçou Alice tentando acalentá-la. E olhou Jasper e Edward tentando entender o que estava acontecendo, acho que todos estávamos tentando entender.
- O que foi filha? Minha mãe perguntou apreensiva.
Mas foi Jasper que respondeu:
- Você não ama ninguém como eu amo Alice. Não vou permitir que ela sofra qualquer risco. Você acha a preocupação de Rose exagerada. Mas nunca viu os Volturi em ação. Nem seu talento, nem o de Alice podem nos salvar. Não vou permitir que ela se machuque porque não consegue tomar uma decisão difícil. Vou proteger Alice Edward, ela é importante demais para mim.
Então entendi porque ele olhou tão intensamente para Jasper. Não era comigo que ele devia se preocupar, ele sabia que eu obedeceria à Carlisle. Seja qual fosse a decisão. Mas com Jasper as coisas eram bem diferentes. E ele sabia que ele era muito mais letal do que eu. Afinal ele havia sobrevivido a inúmeras batalhas contra vampiros. Que chance a humana teria contra ele?
Quando enfim eu pensei que havia marcado ponto Alice se desvencilhou dos braços de Esme e se aproximou do companheiro. Ela colocou sua mão delicada nos rosto endurecido pelos longos anos de batalha de Jasper. E eu pude ver o exato momento em que ele “abaixou a guarda” e toda a ternura que sentia por Alice se cristalizou em seus olhos. Ele daria tudo o que ela pedisse. Nosso futuro estava na mão da pequena vidente em quem confiamos nossas vidas.
- Jass, eu sei o que está em risco. Também te amo e jamais permitiria que algo te machucasse, ou nos separasse. Mas eu já vi. Vi que seremos grandes amigas, que dividiremos o futuro. Por isso que te peço. Não faça isso, não destrua ela. Eu já a amo. Perdê-la iria me machucar.
Era definitivo, não havia mais volta para aquela situação. A humana nos deletaria e estaríamos em perigo. Jasper olhou longamente para o rosto de Alice. Sua expressão deixava bem claro que ele estava dividido entre protegê-la e agradá-la. E eu já sabia onde isso iria dar.
- E se eu te perder? Você prometeu que estaria ao meu lado por toda a eternidade.
- Não vai me perder. Vi nosso futuro. Então nada irá acontecer.
Ela beijou os lábios dele em nossa frente o que era muito raro. Alice e Jasper evitavam gestos de carinho em público. E o olhar dele se rendeu, deixando que a esperança de Alice o dominasse mais uma vez. As sensações positivas de minha irmã exerciam um poder viciante nele, como uma droga. Alice era mais que uma companheira, ou um amor para ele. Alice era sua vida na real perspectiva da palavra. Sem Alice sua personalidade mudava, sua forma de ver o mundo, de sentir, de reagir. É claro que ele cederia a seu pedido. Se Alice estava feliz, isso se refletia nele. Foi perceptível o alívio que Edward sentiu, seu corpo relaxou e ele sorriu.
Mas Alice o encarou e sua expressão mudou. Ele entrou em choque com o que havia visto.
- É sério! Ela disse decidida.
- Não vou permitir. Ele a encarou contrariado.
Seja lá o que ela havia visto, não o agradou. Mas eles não compartilharam a informação conosco.
- Então? O que faremos? Esme sempre tentava amenizar o clima.
- Acho que Edward deve sair de circulação por um tempo ao menos. Disse contrariada.
- Não. Levantaria suspeitas demais. A humana teria mais evidências de que realmente há algo errado. Jasper mostrou mais uma vez que atenderia o desejo de Alice.
- Ela prometeu que não diria nada. Edward a defendeu.
Eu iria dizer que ele prometeu explicar, mas Alice tomou minha frente.
- E você prometeu que iria explicar o que acontecer, se não me engano.
- Ela não dirá. Edward reafirmou.
- Mas as pessoas podem comentar e precisaremos de você para saber o que de fato elas pensam. Você será essencial agora, se quisermos realmente ficar aqui e amenizar a situação. Temos que monitorar os pensamentos e reduzir os danos. Saber quem viu, o que viu, o que acha que viu. E tentar minar todas as desconfianças sobre nós. Emmett reafirmou seu primeiro pensamento.
Carlisle que havia se calado determinou os próximos passos.
- Todos vocês voltam para a escola como se nada tivesse acontecido. Principalmente Edward. No entanto não poderá dar explicações, é complicado demais. Acho que o mais responsável é evitá-la e assim evitar as explicações.
- Já havia pensado nisso. Edward disse taciturno e Esme o olhou com misericórdia.
Ela saiu da cadeira em que havia se sentado para consolar Alice e se aproximou dele. Acariciou seu rosto e disse:
- Tudo bem filho. Você consegue fazer isto. Beijou suas bochechas e saiu da sala.
Eu arrastei Emmett para fora de casa e deixamos o perímetro da casa ao pular o braço do rio Sol Duc que a rodeava ganhando a noite com meu marido. Passei a noite tentando saciar minha fome dele com medo de perdê-lo com toda essa história. Depois que ele me distraiu minha mente começou a me levar para outras histórias e me lembrei do dia em que voltei para minha casa, o dia em que me fiz de fantasma para minha mãe biológica. Havia repassado aquela cena tantas vezes tentando guardar minha mãe na memória que me esqueço de algo. No modo como fui parar lá. Foi algo irracional, incontrolável. Uma sensação opressiva e inconsciente de fazer algo, sem me preocupar com as consequências, sem saber o que era. Lembrei que só percebi que estava em frente à minha antiga casa quando a avistei e só ali soube o que eu desejava de fato.
Serpa que foi isso que Edward sentiu? Será que ele reagiu a uma sensação desesperadora de intervir, de protegê-la? E só soube o que havia feito depois? Mas por quê? Porque ele se sentiu assim? Não tive tempo de descobrir a reposta, mas senti um arrepio de medo quando minha mente intui a resposta. Eu ainda não estava pronta para a resposta destas inquietações. Emmett me lembrou que precisávamos retornar e eu comecei a preparar minha mente para que não pensasse muito sobre o ocorrido perto dele.
Quando retornei, ele não estava em casa e Alice não quis contar onde ele estava. Mas no fundo eu sabia, só não queria admitir. Não tive tempo de refletir muito, pois ele chegou com cara de poucos amigos. Depois se arrumou e fomos para a escola. Estacionamos na mesma vaga e saímos do carro. Era chegada a hora da verdade.
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