Personal Fairy Tale
4 A Little Less Sixteen Candles, A Little More "Touch Me"
Notas iniciais
Eu tinha quase certeza de que ela chorava escondido de noite. Minha mãe faz isso às vezes. Ela acha que ninguém escuta, mas eu me encolho de noite na cama, ouvindo seus soluços. As pessoas fazem isso quando acham que estão sozinhas – elas são humanos completamente diferentes longe dos outros. “Não é sua culpa”, eu ouvia meu pai sussurrar para ela. Inclusive, ele próprio tinha de se acalmar de vez em quando.
Me pergunto se a Weasley sente o mesmo.
Já a vi encolhida num canto, mas nunca soube o que fazer. Me dava vontade de correr, deitar e nunca mais ver a luz do dia. Mas eu simplesmente passava reto, e sorria. Rose ainda é humana, no fim das contas.
– Você passou o pé em mim? Quantos anos você tem? Sete?
Dei de ombros.
– Estou ficando sem opções. Derrubei suco de abóbora no seu cabelo, te joguei no lago, fiz suas vestes pegarem fogo, convenci Lucy a cortar seu cabelo, deu uma poção do amor com seu nome para o Lovejoy, coloquei aqueles negócios da loja do seu tio na sua comida, fiz um...
Ela revirou os olhos.
– Tá, tá, já entendi.
Sorri e curvei a cabeça.
– Legal, você entende alguma coisa.
– Malfoy – ela suspirou.
– Meu nome?
– Vá se foder.
– Só se você for junto.
– Sei que você prefere o Albus.
– Nah, você é muito mais macho que ele.
Severus, quieto até então, se manifestou:
– Ei!
– Ah, cale a boca, querido – ri.
– Vá se foder, Scorp – ele disse, rindo.
– Só se sua prima for junto.
– Nem se fossemos as últimas pessoas da face da Terra – ela afirmou –, e eu estivesse muito necessitada.
– Você está tão na minha, ruiva.
Ela se encolheu. Eu e Potter demos uma risada conspiratória. A garota ficou vermelha e meu corpo inteiro doeu e tremeu de vontade de tê-la. Rose tinha esse efeito sobre mim: era viciante como a morfina, e fazia meu corpo tremer, como a falta dela.
– Você está deixando a pobre coitada sem graça, Malfoy.
– Não sou nenhuma pobre coitada!
Cruzei meus braços.
– Duvido. Olhe só para você.
Ela deu de ombros e se aproximou. Passo por passo. Olhei-a com a boca entreaberta, com o esboço de uma sombra de sorriso. Ela fechou os olhos, pôs as mãos no meu pescoço, inclinou a cabeça – nesse ponto eu já podia morrer feliz –, e mordeu meu lábio inferior.
– Ai!
Pus, imediatamente, a mão na minha boca. A adrenalina ainda corria em meu sngue. Senti o gosto de ferro. Severus ria histericamente.
Ela abriu um sorriso sádico.
– Você, Rose Jane Weasley, acabou de me morder?
A menina passou a língua nos lábios e eu tive de chutar Albus para o menino parar de rir, mesmo que eu estivesse sorrindo. Potter ergueu os óculos, que estavam na ponta do nariz:
– Rosie! Eu te amo!
Eu ainda estava colocando e tirando a mão dos lábios frequentemente, verificando o sangue.
– Você está tão na minha, loiro.
Sorri e respondi calma e pausadamente:
– Louca, completa e inteiramente, Weasley.
Rosie franziu as sobrancelhas e meus lábios se curvaram em um meio-sorriso.
– Vamos, Severus?
– Opa! Tchau, Rosie, vejo você mais tarde. Aula de poções.
Ela sussurrou um tchau para a gente e ficou franzido as sobrancelhas, sorrindo e ficando séria.
– Na boa, Potter, Rose está à beira da loucura.
– Você também, meu caro – o corvino me respondeu, dando tapinhas na minha costa e coçando a cabeça. – E eu também. Todos estamos, Scorp. Ninguém escapa da loucura.
Dei risada. Ele me olhou, erguendo uma sobrancelha e começou a rir também. Lucy passou do nosso lado e Albus deu um grito, assustando a menina, que era uma garota pequena, de cabelos curtos.
– Potter! – A pequena Weasley deu um gritinho e começou a rir também.
– Todos estamos, Lucie! – Ele gritou de volta, fazendo Lucy andar de costas e rir, mesmo sem entender nada.
Eu invejava os Weasley e os Potter. Eles pareciam viver cada dia com uma risada nova.
Eles tinham o cheiro bom da casa da vovó, o perfume do avô, primos para discutir coisas boas e bons amigos para abraçá-los. Dei um suspiro, pondo a mão nos bolsos, com um sorriso frouxo de domingo no rosto, mesmo que fosse quarta.
Era tudo o que eu queria. Eu conseguia até imaginar a casa da família quente em um dia de inverno, as conversas, risadas, os barulhos, correrias...
– Alô, Malfoy!
– Oi?
– Tudo bem?
– Ah, cale sua boca amaldiçoada, Potter. – Sorri.
Ele sorriu de volta, mas foi um sorriso meio triste.
– Ah, aí está você.
– Cá estou eu.
Eu estava sentado na mesma escada de sempre. Era terça-feira novamente, mas depois da primeira vez ela nunca mais apareceu. Era de se esperar. O que você estava pensando, Scorpius Hyperium Malfoy?
– O que você está fazendo? – Escutei uma voz feminina atrás de mim, e conseguia sentir a presença dela nas minhas costas, como uma sensação crescente de cócegas.
– Hã... Observando os alunos do primeiro ano. – Dei risada, me virando e deparando com uma ruiva de braços cruzados, encostada na parede. – E você?
– Perseguindo o amor da minha vida, mais conhecido como Malfoy.
– Ah, claro.
– Onde o Albus está?
– Por que todo mundo me pergunta do Severus?
– Vocês estão sempre grudados, sei lá. – Ela disse, se sentando.
Ah, claro, você pode se sentar, ruiva. Eu não me importo, não estou fazendo nada, mesmo.
– E eu, claramente, não apoio sua amizade com o meu primo. Olha só para ele, Malfoy, tão inocente.
Não pude conter uma risada quando avistei o Potter encostado numa das paredes do corredor, quase engolindo a cabeça de uma pobre garota.
– Ah, claro, Weasley. Quase tão inocente quanto o irmão mais velho.
– Não, Malfoy, James é muito pior. – Ela disse, num tom cínico, o que me fez dar risada.
Ela sorriu, abaixando a cabeça e, consequentemente, fazendo uma mecha cair de trás de sua orelha. Me corroí por dentro para não coloca-la novamente no lugar. Era só uma paixão adolescente, eu vivia repetindo para mim mesmo, desde meus doze anos. Um dia você poderá ocupar grandes cargos no Ministério, ter uma grande quantidade de dinheiro no Gringotes e não terá mais tempo para essas coisas.
Mas, de repente, nada disso importava. Era eu, aquela mecha, e a escada.
Não é como se a gente se odiasse. Éramos indiferentes, somente. Na verdade, era como o mar. Tínhamos essas tréguas sem que soubéssemos que estávamos em trégua. Discutíamos, mas só porque eu sou um idiota. E ela também. Eu não era mais uma criança de treze anos, vivendo pelas travessuras, rindo por ter grudado o cabelo da Weasley com cola. Agora não era tudo por Rose Jane. Agora era por mim, pelo que eu sentiria. Pelas risadas com o Alvo. Pelo tempo com Roxie. Por esses tempos em que eu conseguia conversar com a ruiva sem querermos nos matar sem motivo algum.
Eu não estava mais vivendo a base de filmes trouxas hollywoodianos ou de músicas de amor.
E, já que eu era um tanto extremista e vivia pelo que eu sentia, beijei-a. Foi rápido, e eu achei que fosse sair gritando depois que acabasse. Eu poderia, sério mesmo, se não fosse por ela recuar e dar um tapa estalado em minha bochecha esquerda. Cinco marcas vermelhas. Ela estava vermelha. Eu queria dar risada do quão engraçada ela ficava vermelha, mas achei que ela pudesse chorar.
Dei uma olhada na pequena multidão daqueles que nos observavam e vi Roxie e Albus dando risada de mim. Ótimos amigos. Sorri de lado, enquanto Rose descia as escadas, correndo. Hugo, ao lado de Roxanne e Molly, cruzou os braços, contraindo os lábios para não rir. Severus foi atrás dela, junto de Lílian e James.
Me levantei, andando na direção de Hugo e baguncei seus cabelos.
– Sabe o que diabos você fez, Scorp? Finalmente conseguiu fazer a rainha do gelo chorar. – Ele riu.
– Está me devendo dois galeões, tampinha. – Eu disse, dando risada.
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