Persona Gêmea
4 Festa sob condição
Notas iniciais
-Espero que gostem do capítulo! n.n
Trish esperou pacientemente que sua amiga erguesse os olhos para ela e que compartilhasse qualquer informação que ela julgasse útil. Demorou alguns minutos para que isso ocorresse.
-De onde você o conhece...?- perguntou, controlando a ansiedade na voz.
-Ele... Ele é... –a morena hesitou, respirou fundo e encarou a amiga. –Não importa. Eu conheço este homem. Naturalmente, por ter uma ficha suja, muda de casa como quem troca de roupa, portanto não é exatamente fácil encontrá-lo...
-Mas você sabe onde ele mora atualmente, não sabe?
-Certamente que sim- Mary arriscou um sorriso audacioso- Mas só vou te falar com uma condição.
-Não faça isso comigo, Lady!- a loira choramingou.
-Não é nada absurdo- a outra fez um meneio com a mão, como se outrora não estivesse tão perturbada com a foto de Arkham. –Eu só quero que me acompanhe em uma festa.
-Fala sério, Lady- Trish revirou os olhos.
-Eu estou falando sério, poxa- a morena fingiu estar indignada- Eu vim aqui para te convidar, não é? A condição é essa: só falo o endereço se você me acompanhar em uma festa hoje.
-Lady... –a outra implorou, juntando as mãos.
-E não me venha com essa cara de cachorro molhado que não funciona, ok? Tome um banho e troque de roupa, que nós iremos sair.
*****
Normalmente Trish gostava de festas, boates e de afins. Mas começara a evitá-los à medida que o trabalho aumentava, pois precisava descansar de forma que conseguisse estar inteira na semana seguinte.
Naquele dia, tornara-se inevitável e lá estava ela, na porta de uma das boates de San Francisco.
Vestia uma calça jeans colada, salto agulha e uma blusa frente única de couro preta; Mary vestia uma saia curta, botas de cano alto e uma blusa de renda, com uma miniblusa por debaixo.
-Aqui cheira a cigarros- comentou.
-Não seja velha, Trish- a morena sorriu, puxando-a pela mão por entre as pessoas e parando para conversar com o segurança.
A forma como Mary se inclinou para cochichar e seu ouvido por conta da música alta e o modo como apoiou-se em seu peito não indicou somente um flerte inocente para que entrassem sem precisar de fila, mas mostrava que já eram íntimos.
O que era previsível, considerando que ela costumava sair para boates com mais freqüência que Trish.
-O que você disse para ele?- perguntou quando ambas entraram, onde os neons dançavam, corpos se chocando e o cheiro de suor, gelo seco, cigarros e o aroma doce de narcóticos se tornavam uma massa homogênea nociva.
O som alto, os copos que se quebravam e as batidas formavam uma cacofonia que seria insuportável em qualquer outro momento, mas não naquele.
-Ora, que duas belas moças solteiras precisam entrar nessa festa e flertar um pouco para espairecer- a outra fez um meneio breve, segurando a amiga pelo pulso de forma que o movimento da boate não acabasse por separá-las.
-“Belas moças solteiras”...?- a loira arqueou uma sobrancelha.
-Bom, eu sou bonita. Você também. –Mary argumentou- Eu sou uma moça e você, idem. Até onde eu sei, ambas somos solteiras...
-Você não estava de rolo com aquele advogado...? Como é mesmo o nome dele...?
-Se fosse realmente um rolo, você saberia o nome do cara- a morena sorriu maliciosamente- O que vamos beber hoje?
-Sei lá. Tem batida ou algo do tipo?
-Trish, você não vai em uma boate para beber batida... As opções são: vodka, martini, absinto, tequila, re...
-Belas opções. Eu não gosto de beber, Lady... E se você me colocar para beber vodka pura, eu te mato- a mulher cruzou os braços, no que a outra foi obrigada a se render. Então permitiu-se um breve sorriso malicioso e olhou para a amiga, fitando-a inocentemente.
-Tem Sex in the beach. É uma batida, se estiver interessada em saber- sugeriu.
-Hm... Acho que não tenho outra escolha melhor, não é?- Trish revirou os olhos. –Vai esse mesmo.
-Eu pego.
-Não me diga que vai flertar com o barman também e conseguir bebida de graça.
-Quem, eu? Eu não faço esse tipo de coisa, Trish... Iludir e manipular as pessoas é uma coisa muito feia- a morena comentou, dissimulada, enquanto se afastava.
Não havia realmente alguém interessante na boate. Não que ela tivesse visto. Dois rapazes, provavelmente colegiais, vieram paquerá-la no meio tempo em que Mary saíra para buscar as bebidas. O terceiro foi dispensado assim que esta chegou.
-Hey, Trish... Aqui está- a morena disse, oferecendo a taça enfeitada com a bebida colorida. Por conta dos neons, não soube definir se era laranja, rosa ou um tom ligeiramente amarelado.
-Ah... –o terceiro homem pareceu se surpreender um pouco com a morena.
-O que está olhando? Vai procurar a sua, mano- Mary vociferou, abraçando a amiga por trás e encarando-o com cara de poucos amigos.
Este arqueou as sobrancelhas e se afastou, constrangido.
-Se quer flertar com alguém, fingir que somos lésbicas não vai ajudar em nada- Trish revirou os olhos, aceitando a bebida e provando desta. –Nossa, isso é forte.
-Está enferrujada, é?- a outra zombou. –Não se preocupe com isso. O cara vai ter que confiar no próprio taco para vir paquerar duas lésbicas. Ele vai acabar sendo realmente bom no que faz, certo...?
-Que lógica estranha, Lady- a loira arqueou uma sobrancelha.
-Psicologia reversa, amoreé... Aprendi com você- sorriu, bebendo o copo de uísque que fumegou em sua garganta, virando-se logo em seguida para levar a amiga em direção ao meio da pista de dança.
Tocava Sweet Dreams, mas não com a voz degradante de Marilyn Manson.
De uma forma realmente estranha, Trish sentiu-se motivada com a multidão lasciva de corpos movendo simultaneamente e dançou no ritmo da música ao lado de sua amiga.
O coquetel desceu rápido e subiu rápido também. Logo na segunda já estava tonta e mal notou quando um homem se aproximou de Mary, obviamente com intenção de passar-lhe uma cantada.
A loira achou que a amiga fosse recusar qualquer aproximação e surpreendeu-se quando esta fez uma careta para ela, se desculpando com um movimento mudo dos lábios.
-Acabei ficando sozinha... –suspirou, vendo a amiga se afastar com o homem.
De costas, ele lhe pareceu másculo, com ombros largos, alto e cabelos claros e lisos, que lhe era familiar, embora não soubesse de onde.
Naturalmente outros rapazes se aproximaram dela para puxar papo, principalmente naquele momento em que Mary a abandonara. Até tentou entrar na conversa de um, deixou que ele a beijasse, mas sentia que seria uma perda de tempo continuar ali. Já estava suficientemente bêbada e não seria sua amiga que a veria sair dali.
Pelo menos poderia mentir e dizer que ficou ali por mais tempo do que ela.
Quando saiu da boate, o segurança deu uma piscadela e ela sorriu, sem jeito, como se indicasse que estava indo embora cedo por causa de sua amiga desnaturada.
A lufada de ar fresco a atingiu assim que deu os primeiros passos fora daquele lugar, lembrando-a de como era bom estar longe dali.
Pegou o primeiro táxi e foi para casa.
*****
Quando acordou, passava um pouco das oito da manhã e sentiu vontade de comer algo doce. Procurou um iogurte na geladeira e o tomou junto de granola, que a satisfez, embora não fosse algo que realmente gostasse.
Quando pegou seu celular, notou uma chamada perdida que ocorreu por volta das duas da manhã. Provavelmente já estava dormindo quando ocorrera.
Era de Mary, como já havia previsto.
Sabia que ela devia estar dormindo, mas decidiu ser um pouco cruel e atrapalhar seu sono com uma ligação inocente.
-Porra, Trish!- ouviu a voz da amiga- Sabe que horas são...?!
-Sei, sim- sorriu, marota- Mas eu quis te acordar, já que me deixou sozinha naquela espelunca... Pelo menos quero que me conte como foi ficar com o cara com quem você saiu.
-Ah, ele é incrível, sabe... Bonito. Com cara de homem, para variar um pouco- a morena contou e a amiga riu- Além de que ele sabe agradar. Não fica mimando muito a gente com elogios, mas sabe o que faz, se é que me entende.
-Entendo- a loira sorriu, meneando a cabeça. –Suponho que tenha sido um pouco mais que uma transa...
-Quase isso- Mary animou-se. –Foi algo sem compromisso, mas ele disse que queria me ver de novo. Perguntou se eu não queria almoçar com ele hoje.
-Perguntou, é...?- a mulher fitou suas unhas com um olhar satisfeito.
-Eu queria bancar a difícil, já que ele deve estar acostumado a levar qualquer garota com sua conversa... Então disse que já ia sair com uma amiga. –explicou e Trish fez uma careta.
-Você não fez isso- Trish bateu a mão na testa, impaciente pela idiotice da outra.
-Fiz- ela conteve a animação- E ele perguntou se eu não queria levar minha amiga para sair com ele. Isso é sinal de que ele quer algo sério.
-Que bom- a outra suspirou, aliviada- Suponho que a amiga seja eu, certo...?
-Claro- a morena concordou- Combinamos de almoçar no Megliatto’s, já que eu concordei que comida italiana era uma boa pedida. Você também gosta, certo?
-Gosto- anuiu, calma. –A que horas?
-Às onze e meia- ela respondeu, animada- Esteja pronta, ouviu? Enquanto isso, eu vou dormir. Boa noite.
E desligou.
Bom, Mary sempre foi um pouco desligada desse tipo de coisa, portanto não se importou realmente se iria ficar segurando vela dos dois. Subitamente, lembrou-se de que precisava pegar o endereço do restaurante e tornou a ligar.
-Que é, Trish?- a morena indagou, mau-humorada.
-Ah... –iria perguntar do restaurante, então lembrou-se de que não havia perguntado o nome do cara. –Como é o nome do homem com quem saiu?
-Isso não podia ter esperado?!- a outra perguntou, irritada.
-Eu ia pedir o endereço do restaurante, na verdade- disse, divertida. –Então resolvi perguntar dele.
-O nome dele é Dante. Diferente, não? –ela deveria estar sorrindo maliciosamente. De alguma forma, o nome lhe lembrava algo.
-Dante o quê?- perguntou de volta.
-Sparda- Mary respondeu sem entender- Calma aí que já vou pegar o endereço para você... Procura algo para anotar.
Dante Sparda? Ela o conhecia.
Não que o conhecesse de fato, mas sabia de onde o nome lhe era familiar. Seu histórico criminal estava na ficha que conseguira quando procurara por Vergil. Pensou que seria bom encontrar-se com ele e descobrir se eram parentes. Apesar de que a ficha dizia que não possuía parentes vivos, sempre poderia haver alguma omissão.
-... –lembrou-se de pegar algo em que anotar e guardou o endereço.
Por volta das dez e meia, Trish tomou um banho rápido, passou uma maquiagem leve e vestiu uma saia de sarja e uma blusa de alças, com um pequeno decote e bordados graciosos.
Calçou uma sandália com um salto pequeno e decidiu que já devia estar na hora de ir.
Ligou para sua amiga e ela já estava quase pronta, então resolveu ir até a casa dela para pegarem um táxi juntas.
O Megliatto’s era um lugar fino e com uma decoração rústica tipicamente italiana. Quando chegaram, Dante já estava esperando as duas em uma mesa para quatro pessoas.
-... –Trish arqueou as sobrancelhas, surpresa.
-Este é o Dante, de quem lhe falei- Mary apresentou-os naturalmente. –Dante, esta aqui é a minha amiga, Trish.
-É um prazer conhecê-la, senhorita- ele cumprimentou-lhe com um aperto de mão formal.
O homem que atendia pelo nome de Dante Sparda tinha cabelos branco-prateados, lisos, mas que estavam despenteados. Seus olhos eram azuis límpidos e sua pele era bem alva, além dos ombros largos e de ter os músculos bem trabalhados.
Além do sobrenome, Dante era exatamente igual ao Vergil Sparda a que tanto procurava.
Notas finais
Espero que tenham gostado... Reviews? XD (sim, sou interesseira!)
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