Persona

2 Capítulo 1 - Retorno


Retorno


No banco de traz do carro, Leonardo se encontrava em estado de semi consciência. Os fios de cabelo loiro e brilhante caiam por cima dos traços finos e elegantes de seu rosto que perdia toda a altivez quando prensado ao vidro do carro com a boca aberta e com um filete de baba escorrendo pelo canto. Todas as mais de cinco horas de viagem pesavam em suas pálpebras, tornando o ato de abrir os olhos algo impensável, mas as fricções do cinto de segurança em seu pescoço somadas à luz do sol dificultavam a chegada do sono definitivo. Esse torpor o tornara insensível a maioria dos estímulos exteriores, sua pele se acostumara ao vento e ao calor do metal do carro e a conversa entre seus pais e o irmão mais velho não passava de um murmuro distante. A única coisa que seu cérebro pode identificar foi aquele cheiro.


Por um breve lapso de tempo, um cheiro forte de erva-doce invadiu o carro. Isso foi o suficiente para acordá-lo de sua letargia. Abriu os olhos de maneira exaltada, examinando perdidamente o espaço a sua volta na tentativa de identificar o local em que estava. De pouco em pouco foi reconhecendo o traçado das ruas, as praças, um e outro prédio que passava... Debruçou-se contra a janela para ver melhor e, sem que ele percebesse, um sorriso iluminou seu rosto.


_ As lembranças da infância sempre são doces não? _ Comentou o irmão ao seu lado, divertido com a reação do caçula. _ Mesmo quando tem uma desventura ou outra.


Leonardo ignorou completamente o comentário do outro. Encontrava-se absorto demais na contemplação da cidade a suas volta. Estava de volta! Depois de tantos anos ele finalmente retornara a sua cidade natal, onde passara alguns dos melhores anos de sua vida jogando bola, brincando de explorar, tomando sorvete na esquina e...


Sentou-se. Só de pensar naquela ultima lembrança que tinha do lugar onde nasceu já sentia seu estômago gelar. Todas as outras memórias também eram muito agradáveis, mas o que realmente o deixava ansioso a ponto de espremer-se contra a janela do carro como uma criança era aquela promessa.


“Eu prometo que vou voltar para te ver! Prometo!”

Era tudo tão bobo, tão... coisa que acontece em historinha de amor apelativa e barata que se utiliza de todos os clichês possíveis e imagináveis para arrancar suspiros de menininhas. O problema é que, mesmo tendo noção disso tudo, Leonardo era aquele tipo de pessoa que havia lido mais Shakespeare do que o recomendado pelo ministério da saúde. A idéia de que sua amada poderia estar esperando até hoje pelo cumprimento de sua promessa o fazia delirar em fantasias folhetinescas, onde ele surgia cinematograficamente na velha Rua do Convento, que ainda era a mesma que ele deixara a nove anos atrás, exceto por ela, que sempre estava mais velha, mais madura e mil vezes mais linda. Geralmente ela estava de vestido, algo longo, com estampas delicadas que evidenciava sua divina castidade, mas que moldava suavemente as curvas de seu corpo. Algumas vezes ela se irradiava em um sorriso ao reencontrar o seu predestinado, outras ela se debulhava em lágrimas de emoção, também tinha as vezes que tentava esconder o fato de que esperara sempre por ele, mas era delatada por um forte rubor nas maçãs do rosto ou por um suave tremor de emoção em seus olhos brilhantes e escuros, ou então...


_ Mundo para Leonardo. _ Gritou seu pai do lado de fora do carro batendo palmas bem no ouvido de Leonardo, que acordara de seu devaneio com um susto. _ Mundo para Leonardo. Responda Leonardo. Sua presença é solicitada no mundo real com urgência. Por favor, preparar para pouso de emergência.


_ Já entendi! Já entendi! _ Respondeu rispidamente balançando a mão frente o rosto tentando afastar o pai como se esse fosse uma mosca muito irritante.


Saiu do carro e levou suas malas até o pequeno apartamento no qual iria habitar de agora em diante. Não era muita coisa, uma sala, uma cozinha, um banheiro, dois quartinhos bem pequenos e uma área nos fundos. Já se encontrava mobiliado de maneira simples, apenas o necessário para ele e seu irmão Igor sobreviverem. Isso não agradou em nada a mãe dos dois, que andava de canto em canto da habitação, apontando para suas falhas e levando a mão ao rosto enquanto balançava a cabeça com reprovação.


_ Leo... Você tem certeza de que não quer voltar para casa com a gente?


_ Mamãe, nós já discutimos sobre isso...


Vendo a maneira impaciente com que o filho inclinava a cabeça ao se dirigir a ela, apelou para o marido, implorando ajuda com os olhos.


_ Querida... Leonardo já tem idade para tomar as próprias decisões.


_ Pelo amor de Deus ele tem apenas 16 anos!


_ Bem, isso já é o bastante para ele ir para a prisão com os adultos. _ Brincou Igor.


_ Igor, não ajuda não tá? _ Disse Leonardo enquanto colocava as mãos sobre os ombros da mãe. _ Mamãe, você sabe que eu não vou estar sozinho, tá que isso seria muito mais seguro do que me deixar com o Igor, mas ele precisa de alguém pra tomar conta dele, não concorda?


Ela virou o rosto para o chão, ainda sem engolir completamente a derrota como qualquer mãe normal faria. Outro jovem de 16 anos poderia se sentir profundamente irritado com essa teimosia materna, mas no caso de Leonardo havia um porem que fazia toda a diferença. A mais ou menos sete anos, Leonardo havia sido adotado pela família Targino. Nesse dia ele ganhou um pai, uma mãe, um irmão mais velho muito mala, um sobrenome e mais um monte de coisas que ainda o encantavam sete anos depois. Uma delas era essa cara de frustração que sua mãe fazia quando não conseguia impedi-lo de fazer algo que ela achava que ele não deveria. Era uma coisa tão materna! Leonardo beijou sua testa e tentou melhorar sua disposição segurando suas mãos e contando pequenas histórias da primeira vez em que residiu naquela cidade, mas no final das contas isso apenas aumentou sua ânsia de sair daquele apartamento.


_ Desculpa todo mundo, mas vou dar uma volta para ver se eu ainda me lembro de como andar nesse lugar.


Viu sua mãe fazer menção de impedi-lo, mas conseguiu ser mais rápido e fechou a porta antes que alguém pudesse fazer algum tipo de objeção.


Deixando o condomínio, achou que seria melhor se localizar indo para a avenida principal. Virou algumas ruas, seguiu reto e em pouco tempo conseguiu encontrá-la. Ficou cheio de si ao perceber que ainda se lembrava de alguma coisa mesmo depois de tantos anos, foi então que decidiu procurar pela rua em que vivera sua infância. Inicialmente seguia firme, confiante de que ainda se recordava detalhadamente do traçado das ruas da pequena cidade, mas à medida que se distanciava do centro, a paisagem ia se tornando mais e mais estranha. Os mapas de sua memória poderiam até estar em bom estado, o que Leonardo não levara em conta na hora de deixar o apartamento era o quanto aquela cidade havia crescido dês de o dia em que ele a deixara.


Perdeu-se. Orgulhoso, ainda tentou se encontrar virando algumas esquinas guiando-se por seu instinto, mas falhou miseravelmente. Parou um passante e perguntou sobre a Rua do Convento. Descobriu que ainda estava longe. Seguiu as instruções dadas, tendo ainda que perguntar para mais duas pessoas para ter certeza de que não confundira nenhuma referência. Depois de mais ou menos meia hora de caminhada, suas narinas foram novamente invadias por um forte cheiro de erva-doce.


Mais do que o convento de freiras que habitava o final da rua, a característica que diferenciava aquele local de todos os outros pontos da cidade eram os viçosos arbustos de erva-doce que ladeavam a calçada. Estavam ali a tanto tempo que ninguém sabia dizer de onde eles vieram. Invadiam os terrenos baldios e jardins abandonados, espalhando seu odor forte e meloso pelo vento, atraindo assim avós e tias que buscavam pelas suas várias propriedades curativas ou simplesmente por uma incrementada em seus chás da tarde. Leonardo ainda permaneceu alguns instantes parado no inicio da rua, apenas inalando aquele aroma nostálgico. Quando sua mente retornou, a primeira coisa que ele viu foi asfalto. Tinham pavimentado sua rua! Era estranhamente difícil para ele assimilar esse fato. O que seria daquele lugar sem o cheiro de terra que desprendia do chão nos dias de chuva? E as poças de lama? Com o que as novas crianças moradoras da região brincariam no final das tempestades? Mal tinha se recuperado e já tomara outro susto: A sorveteria da esquina que ele tanto adorava encolhera!


Isso mesmo! Ela tinha encolhido! Não havia outra explicação para aquele balcão que na sua memória era algo quase inalcançável estar agora à altura de sua barriga! Até mesmo o tio que trabalhava no balcão estava menor do que ele, além de mais enrugado. Na verdade, não só a sorveteria e o tio da sorveteria estavam menores, toda a rua, que antigamente parecia um mundo inacabável, tinha agora proporções muito menos impressionantes. Os muros intransponíveis estavam pequenos e gastos, quase que inúteis em sua função de separar espaços, e a casa abandonada que antes parecia uma mansão aterrorizante que diziam ser habitada por uma velha maluca que raptava criancinhas agora não passava de um barraco grande demais caindo aos pedaços. Até mesmo a própria rua parecia mais estreita! Ia percebendo isso enquanto caminhava lentamente, pisando no chão como se adentrasse em um planeta desconhecido, os olhos vagando de coisa em coisa com curiosidade e espanto.


Chegando ao final da rua encontrou enfim algo que continuava com o mesmo aspecto que tinha em suas memórias. O convento onde passou a maior parte de seus primeiros nove anos de vida permanecia enorme e intimidador com suas paredes de pedra escura e janelas de vidro fosco e antigo que tinham a austeridade quebrada pelo riso e gritos das crianças que brincavam em seu enorme jardim. Ali funcionava o orfanato que um dia ele já habitara. Pouco se lembrava da vida antes de chegar lá. Tinha perdido os pais em um incêndio aos quatro anos e até mesmo o rosto deles aparecia desgastado em sua memória. Pela falta de parentes com condições para criá-lo foi parar ai, no convento de Santo Agostinho. Não se lamentava disso, guardava boas memórias das brincadeiras no pátio, do futebol no meio da rua e das travessuras que faziam as pobres freiras se descabelarem. Além do mais, acabara achando uma boa família no final das contas. Um bom pai, uma mãe carinhosa, um irmão idiota, mas que nunca dera a ele maiores problemas, boa situação financeira, festas de natal com a família, viagens para a casa de praia no final do ano... Tudo o que cada uma daquelas crianças mais ansiava.


Caminhou para junto do portão do convento. Olhando por entre as grades reconhecia detalhes banais e as histórias que eles contavam. A imagem dele com seus amigos correndo pela grama, saltando e gritando como uns macaquinhos vinha a sua mente tão vívida que ele quase que podia vê-los em meio as outras crianças do jardim. Seu estado de devaneio nesse momento era tão forte que ele nem sequer percebera quando uma figura se aproximou dele lentamente, inclinando um pouco a cabeça para vê-lo de melhor ângulo.


_ Leonardo? _ Perguntou a figura com certa insegurança na voz.


Acordado de seu devaneio, Leonardo virou-se com rapidez. Era uma jovem, muito bonita por sinal. Tinha a pele morena, corpo bem curvilíneo, cabelos volumosos e negros, que faziam cachos por sobre seus ombros e por cima do rosto oval e ainda um pouco inclinado que o fitava curioso com seus olhos escuros e amendoados.


_ Ana Julia? _ Respondeu depois de um tempo de reflexão.


_ Leonardo! É você! _ Disse pouco antes de se jogar encima dele em um abraço caloroso.


Leonardo nunca foi do tipo que recusa o afeto de uma moça bonita, especialmente se essa se tratava de uma amiga de infância. Retribuiu o abraço com entusiasmo, rindo e erguendo o corpo da colega no ar por um momento. Esta deu um grito agudo com o susto, mas logo se pôs a rir com ele. Depois os dois se soltaram e Leonardo voltou a observar Ana Julia dos pés à cabeça.


_ Meu Deus! Quase que eu não te reconheci! O que aconteceu com aquela vassoura descabelada que vivia implicando comigo? Foi magia negra não foi? As irmãs sabem que você fica fazendo esse tipo de macumba por ai?


_ Imbecil! _ Retrucou Ana Julia dando um carinhoso (e ainda assim dolorido) beliscão no nariz do amigo. _ O que você ta fazendo aqui? Você tinha se mudado para outro estado não?


_ Tinha! Justamente! Acabei de me mudar para cá com o meu irmão. Ele veio para cá fazer um curso avançado de fotografia e eu convenci meus pais a vir aqui morar com ele!


_ Sério?! Ahhhh!! Ninguém vai acreditar se eu contar! Ai Leo, já faz tanto tempo... Você nem vai reconhecer o pessoal!


_ Mas e então? O aconteceu com vocês depois que eu fui embora?


_ Ahhh, foi tanta coisa... Eu por exemplo fui adotada por um casal aqui da rua mesmo. Eles estavam meio solitários depois que o ultimo filho saiu de casa sabe. O Oliver ta super bem, foi parar lá no centro com uma viúva que fica paparicando ele. O Téo e a Débora é que ainda estão no orfanato, mas os dois conseguiram bolsa pra o FA, bem que eu tenho quase certeza de que a Dé colou do Téo pra passar. Não que ela seja burra, é que...


_ E a Alex? _ Era melhor chegar logo aonde ele queria antes que Ana Julia começasse a se empolgar. _ Ela ainda mora por aqui?


_ A Alex? Ela se mudou já faz um bom tempo... Uns cinco ou seis anos se não me engano. Acho que ainda mora aqui na cidade, mas não sei te dizer exatamente.


Ahh? Espera, espera, para tudo! Como assim? Sua Alex não esperou pelo retorno de seu amado? Bem que pra falar a verdade, Leonardo havia prometido seu retorno, mas não se recordava de nenhuma promessa de espera vinda de Alex... Mas isso ficava subentendido não?! Como ele poderia voltar se ela não estivesse esperando no mesmo lugar em que se despediram? Ele deveria procurá-la? Mas aquela cidade deveria ter alguns milhares de habitantes!! De que maneira ele poderia achá-la no meio de toda essa gente? Pior. O que ele faria se ela tivesse simplesmente se esquecido dele?!


_V-você tem certeza? _ Perguntou nervosamente, um pouco perturbado com a direção que sua reflexão acabara tomando.


_ Huumm... Desculpa, não consigo pensar em lugar algum... Talvez a Dona Paloma saiba, ela sabe da vida de todo mundo.


_ Ah... Então deixa. Bem, já ta ficando tarde, é melhor eu ir voltando pra casa.


_ Mas já? Onde você ta morando?


_ Aqui pertinho, naquele conjunto de apartamentos que construíram onde era a antiga fábrica. É que eu ainda to meio desacostumado a andar por aqui.


_ Quer que eu te leve até lá?


_ Não precisa! Não quero te dar o trabalho. Além do mais, eu presto mais atenção no caminho se for sozinho, assim é que eu aprendo.


Na verdade, Leonardo precisava de um tempo para esfria a cabeça. Deu mais um abraço em Ana Julia e se despediu, prometendo voltar logo. Tomou o caminho de volta em paço lento, respirando fundo e sem fazer muito esforço para não se perder. Aliás... ele não podia recriminar Alex por esquecer ou ignorar um promessa boba que eles fizeram quando tinham uns nove anos de idade... Não é?


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Segunda-feira. Uma semana já havia se passado dês de que Leonardo se mudara para sua nova casa. Seus pais ainda permaneceram no local por mais alguns dias para verificar se não havia nada faltando e dar conselhos de ultima hora sobre a vida independente, mas no dia anterior se retiraram após uma despedida longa e cheia de lágrimas. Agora eram só ele e Igor em um pequeno apartamento no subúrbio e hoje seria o seu primeiro dia de aula. Uma nova escola. Uma nova casa. Uma nova vida.


Leonardo ajeitava cuidadosamente os botões do uniforme frente ao espelho. A primeira impressão é muito importante, especialmente quando se ingressa na nova escola no meio do ano letivo. Bem que esse não era realmente um problema para Leonardo. Confiava plenamente em sua aparência e habilidades, tinha certeza de que conseguiria se enturmar sem grandes problemas. Mesmo assim, um pouquinho de cuidado nunca era demais.


Terminado o uniforme afastou-se do espelho para conferir seu estado geral. Impecável, como sempre. Admirando a si mesmo jogou os cabelos loiros para traz com um movimento da cabeça e tentou sorrir, mas logo seu sorriso se desmanchou em uma expressão monótona e sutilmente abatida. “É o nervosismo do primeiro dia de aula” pensava consigo mesmo. Porem, no fundo ele sabia que não era isso. Ainda não conseguira deixar de pensar em Alex.


Sentia-se abandonado. Não só por Alex, que poderia ter todo tipo de justificativas por não tê-lo esperado, de modo que sem conhecer integralmente seus motivos, não tinha como culpá-la. Sentia-se abandonado por Shakespeare, por José de Alencar, abandonado por todos os autores e teatrólogos românticos que pisaram na terra e que por suas letras sussurraram as mais belas histórias de amor no interior de Leonardo e o encheram daquela ânsia lírica que excitava sua imaginação levando-o a buscar pelos mais loucos romances que ele tinha certeza que existiram em algum lugar nesse mundo. Mas não foi o que aconteceu. Teriam todos eles mentido para ele? Seriam eles apenas um bando de tolos delirantes com papel e tinta? Ou será que era Leonardo é que não nascera sob a proteção dos deuses amorosos?


Colocou a mão sobre o rosto. Suspirou. Não era hora de ficar remoendo mágoas. Tinha que terminar de arrumar suas coisas e ir logo pegar o ônibus. Não que ele estivesse atrasado, mas em um primeiro dia de aula nunca se chega cedo demais. Guardou o que faltava na mochila, despediu-se rapidamente do irmão e saiu para pegar sua condução. Em cerca de meia hora chegou à nova escola, o Colégio Frederico de Almeida, mais conhecido como FA.


Era uma construção grande, dividida em dois prédios retangulares brancos com três andares cada, um amplo pátio arborizado entre os dois e instalações esportivas nos fundos. Tudo era muito limpo e bem cuidado, como podia se esperar de uma instituição para a classe média alta que tinha a fama de ser um dos melhores colégios da região.


Passando pelo portão, Leonardo logo sentiu aquela estranha sensação que se tem ao pisar pela primeira vez em uma nova escola. Algo semelhante a ser um alienígena recém chegado que ninguém ainda se deu conta de que está ali. Olhava muito para tudo a sua volta, as paredes, as árvores, os bancos, as pessoas... Ei... espere um momento...


Enquanto analisava esse último tópico Leonardo pensou ver um rosto familiar no meio da multidão. Seria aquilo uma peça pregada por sua mente ainda aflita com os acontecimentos da semana passada? Talvez, mas isso não evitou que ele subitamente fosse à direção onde pensou ter visto o rosto de sua amada. Andou o mais rápido que pode sem chegar a correr, tentando não chamar a atenção dos estudantes a sua volta, mas não pôde evitar empurras umas duas ou três figuras que se colocaram em seu caminho. Percorrido certa distância, perdeu a noção de onde ele a teria visto e para onde ela poderia ter ido. Aflito, procurou por entre os rostos a sua volta aquele pelo qual ele esperara sete anos para rever. Procurou, procurou e, quando já havia perdido as esperanças, viu que tudo aquilo não era apenas mais um delírio de sua hiperativa imaginação.


_ Alex! _ Chamou automaticamente ao reconhecer suas feições não muito longe dali.


Ouvindo o seu nome, Alex parou e virou-se para ver quem havia chamado. Agora não tinha mais dúvidas, aquela pessoa parada a alguns paços de distância e olhando em sua direção não podia ser outra que não seu primeiro amor Alex.


Não apenas isso, observando mais atentamente a sua silhueta, vestimenta e postura não podia deixar de perceber que sua amada se tratava de um homem.


Notas finais
Então é isso. Espero que tenham gostado deste primeiro capítulo e tenham ficado com vontade de ler mais! Se tudo der certo ainda vamos ter muuuuuitos capítulos pela frente. Espero que alguém queira acompanhar esta história comigo!
Muito obrigado para quem usou seu tempo para ler o que eu escrevo e um MUITO OBRIGADO assim todo enorme e cheio de amor para quem ainda se deu o trabalho de deixar um review.
Espero que nos vejamos em breve!