Persici
1 —Persici.
Se havia uma coisa na qual escorpião havia notado, era como virgem era ansioso, estressado. Debrulhado em altas coisas que lhe esquentava a cabeça.
Enxaqueca, dores, lavanda, blá blá bla. Haviam os efeitos colaterais. Os adorava.
Sim.
Os pomos rosados. Joelhos, ombros, dedos e nadegás. Virgem, quando irritado, sempre estava nu, corado e precisamente puto. Vestido ou não.
Rosado, beje ou como a cor de um pêssego. Cru.
Nas bochechas, ao pontiar do nariz, ao final do queixo. Ele dedilhava aonde deveria ser olhado. Mexia a cabeça, revelando lhe o pomo de Adão, assolando o vento na jugular, torcia a coluna e empinava-lhe o traseiro.
Para o Escorpião, era uma questão meio esquisita. Assemelhava-se a uma casca exótica, suculenta e o vinha na cabeça a nudez. Tinha macies; como a barriga de um largarto, feita a ceda de alguém sem o que fazer—e se fosse assim, não teria graça.
Para variar.
Ceda não tinha recheio, para cavar, como a pele tinha. A barriga macia do largarto não se comparava a do seu garoto. Na pior das hipóteses, era o que ele achava. Nunca havia sentido a pele de uma barriga de tal espécie; eram boatos, boatos de que se fosse verdade ainda sim a ideia não poderia ser cogitada com virgem, suas cicatrizes invisíveis e seu abdômen que era como um tecido cheiroso, quente e liso.
Não precisava ser definido, bronzeado ou pálido demais. Precisava ser Virgem, natural.
E o porquê que ele lembrou do virginiano quando mordeu aquele pêssego, bem, quem sabia? Ele o secava, observando Virgem remexer levemente o quadril ao varrer. A manhã mexia com a sua solidez, o tirava o chão, o debrulhava em voz drogada de sono e olhos inchados
O néctar da fruta, agora sem um fragmento, escorria como duas lágrimas solitárias sobre a mão do escorpiano. Sangrava a mercê da pele pálida. Parecia correr até seu antebraço, indo para molhar o que pudesse. Enxarca-lo ou arquea-se sobre toda aquela cozinha.
Rezava, adorava, paparicava. Em serpentina cor Pêssego.
Odiava a fruta. Amava coisas orgânicas. Louvava Virgem.
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