A semana começou na normalidade, na segunda – feira Tatiana me ligou contanto as novidades do seu fim de semana, fiquei feliz por ela, sua alegria e empolgação me contagiou.

Na terça-feira nada mudou, apenas trabalho e mais trabalho, depois casa e dormir, assim era o resumo da minha vida.

Na quarta-feira quando cheguei em meu escritório em cima de minha mesa havia um envelope pardo endereçado à mim.

Dentro dele havia um cartão dizendo: “Nunca é tarde para recomeços. Pior que errar, é não querer mudar.”

Leia o relatório com calma e analíse minha proposta com carinho, se aceitar ligue para o número abaixo e marque uma hora para sexta-feira, horário a sua escolha, peça para falar com Angela Santos, até breve.

Quando olhei o relatório congelei, a proposta era para o Abrigo Fraterno.

Na capa do relatório tinha uma fachada incrivel do Abrigo, me dediquei a analíse da proposta, o que me intrigava é que quanto mais eu li mais familiares elas me pareciam.

Eu não estava acreditando nas propostas do relatório, eram simplesmente fantásticas, haviam aulas de reforço contínuo para todas as idades, cursos profissionalisantes, salas de informática, esportes e refeições.

Apesar das propostas serem impecáveis e impossíveis de não serem aceitas, elas me intrigava pois reconheci em muitas delas minhas próprias idéias, sonhos que eu e o Ale faziamos para o futuro, parecia outra fantasia da minha cabeça, pois só o Ale tinha conhecimento dessas idéias.

Embora muitas delas eram genéricas, como era possível serem destinadas ao Abrigo que eu tanto amava e o mais incrível ser endereçado a mim.

Se eu estivesse ficando maluca descobriria logo, pois eram impossível recusar essa proposta.

Liguei para o número indicado e descobri que era um escritório de advogacia, fui encaminhada para a Angela.

— Boa tarde escritório Mendes e Galvão, Angela Santos em que posso ajudar? Disse uma voz no telefone.

— Boa tarde sou Aline Nogueira, assistente social, recebi um relatório sobre o Abrigo Fraterno. Fale um pouco nervosa.

— Oi Aline como vai? Estava esperando sua ligação. Disse ela

— Estou bem, obrigada. Foi você que me mandou o projeto? Perguntei a ela sem hesitar.

— Não sou a assistente, um de nossos associados que o elaborou, mas existe um cláusura que precisamos discutir. Disse ela.

— Pois não, estou ouvindo. Respondi a ela muito curiosa.

— Bem a cláusura diz que você terá que assinar o projeto, ou seja, você será a autora do projeto, se você não aceitar não terá acordo. Disse ela.

Fiquei perplexa, totalmente sem fala, como era possível alguém abrir mão de um projeto fabuloso que traria tanto visibilidade há qualquer empresa.

Tentei argumentar com ela, mas ela foi irredutível, aceitando estava dentro, recusando estava fora.

Mudei de tática quis saber quem era o benfeitor misterioso, mas ela só disse que era um empresário que voltou ao Brasil há alguns meses.

Não podendo privar o Abrigo a essa oportunidade única, aceitei assinar o projeto.

Ela marcou a reunião para sexta-feira as 15:00 hs, me passando o endereço do local.

Me despedi dela e quando ela fez o mesmo ela disse algo que me chocou:

— É justo você assinar o projeto, já que as idéias foram suas, não é mesmo Aline?

Sem que eu pudesse dizer algo ela desligou o telefone.

Passei o fim daquele dia e o outro pensando muito sobre nossa conversa e o projeto, de repente tudo estava fora de controle, eu estava fora da minha zona de conforto e muito assustada, mas também muito curiosa para o encontro de sexta, com a sensação de uma grande mudança.