Cinco meses depois!!!!!

Estávamos completando seis meses de casamento, a cada mês Derek me fez uma surpresa, ganhei passeios, jóias, buquê de flores, jantares românticos....

Conseguimos montar uma rotina confortável, voltávamos para casa no mesmo horário, então jantávamos e as vezes eu acompanhava Derek na boate, ele trabalhava e também nos divertiamos.

Tinhamos alguns colaboradores, a dona Clara era uma senhora de quarenta anos, ela trabalhava na nossa casa três vezes por semana, era uma senhora muito simpática e de confiança, foi um achado contratá-la, o senhor Manuel era marido da dona Clara, ele era um pouco mais velho que ela, era jardineiro e nos servia uma vez na semana, ele tinha mãos abençoadas, nosso jardim estava maravilhoso, eram pessoas muito simples e muito amáveis, o respeito e admiração era mútuo na relação patrão/ funcionário.

Estávamos fazendo planos de aumentar a família, queríamos esperar completar um ano, então iria parar de tomar o anticoncepcional e me preparar para a gravidez.

Nosso plano estava todo traçado, nossa rotina era bem desenhada, tudo estava andando conforme nossa vontade, até uma segunda-feira, quando nossa vida deu uma virada de 360º, mais uma vez Deus me mostrou que nada na vida é como planejamos, e que as vezes ficamos chocados, mas no final tudo tem um por que, e nesse caso, eu amei esse desde o início.

Era uma segunda-feira, o dia nasceu frio, pois estávamos no inverno, nossa rotina transcorreu tranquilamente, a instituição para adolescentes grávidas havia sido inaugurada há um mês, com isso eu estava muito atarefada, até outra secretária contratei, no fim do dia voltei para casa normalmente, era por volta das onze da noite, eu e Derek estávamos nos preparando para dormir, quando meu celular tocou, era a Gabriela coordenadora do Abrigo Fraterno, ela me pediu para ir ao Abrigo imediatamente, pois eu precisava resolver algo muito importante.

Vestimos uma roupa bem rápido e saimos, chegamos ao Abrigo vinte minutos depois, fui subindo as escadas da frente e ouvindo ao fundo um barulho diferente, mas não conseguia identifica-lo, mas para minha enorme surpresa, quando abrir a porta da frente e entrei, fui recebida por um sonoro choro de bebê, conforme caminhava o choro aumentava, entrei na sala da Gabriela e encontrei ela com um bebê no colo.

Meu Deus eu não acreditei no que meus olhos estavam me mostrando, era um recem nascido, estava sujo de sangue e com o cordão umbilical, era uma menina linda, perfeita, chorando a plenos pulmões, mostrando ao mundo a que veio.

Gabriela nos contou que estava indo embora quando abriu a porta para sair encontrou uma cesta na porta do Abrigo, ela se abaixou, descobriu a cesta e encontrou a bebê, ela estava enrolada em uma fralda, imeditamente Gabriela, entrou com a criança e a enrolou em um cobertor, pois ela estava gelada.

Derek ligou para o Luís e explicou o que houve, ele nos instruiu a levar o bebê ao hospital, disse que nos encontraria lá.

Fizemos exatamente o que ele disse, o pediatra a examinou, disse que ela tinha mais ou menos duas horas de vida, era totalmente saudável, dentro do peso, sinais vitais fortes, ela iria ficar internada uns dois dias para ser observada e medicada, Luís e Karina nos encontrou no hospital, ele iria começar uma investigação para descobrir quem era a mãe da criança.

Desde o momento em que ouvi o choro do bebê, meu coração se encheu de um sentimento que a muitos anos não sentia, uma força maior que eu, me senti tão responsável pela bebê que era impossível descrever.

Não queria sair do hospital naquela noite, meu coração não queria se afastar da bebê, levou um longo tempo até Derek me convençer a voltar para casa, mas não sair antes de ver aquela belezinha de novo, prometendo voltar no outro dia bem cedo.

Não conseguir dormir bem naquela noite, meus pensamentos flutuavam, mas sempre voltavam para a bebê, eu sentia uma necessidade tão grande de estar perto dela que, assim que o dia amanheceu eu pulei da cama e fui ao hospital, eu precisava vê-la, precisava saber se estava bem.

Liguei para o escritório e desmarquei toda minha agenda, não iria sair do hospital sem antes conversar com a assistente social responsável pelo caso da bebê.

Derek estava preocupado comigo, me levou café da manhã e disse que eu precisava de descanso, que tudo ficaria bem com a criança, e que Luís estava vendo as camêras de segurança do Abrigo e da rua para poder identificar a pessoa que abandonou a criança, mas isso não me tranquilizava, eu queria mais, eu queria a criança, eu sentia que ela tinha que ser minha, ela não foi abandonada na porta do Abrigo Fraterno por acaso.

Luís me ligou dizendo que não conseguiram identificar a pessoa que abandonou a criança, segundo ele, a pessoa sabia exatamente onde estavam as camêras, pois em momento algum ela ou ele olhou em direção das mesmas, a única coisa que virão foi uma pessoa de estatura mediana,talvez mulher com um moleton todo preto e capuz cobrindo o rosto, sem chance de identificação.

Por volta das onze da manhã a assistente social foi ver a bebê, trocamos informações em relação ao futuro da criança, ela me informou que se ninguém reclamasse a tutela da criança, ela iria para adoção, em princípio ela iria para um lar provisório até encontrarem um casal adequado.

No horário do almoço fui até o escritório do Derek, precisava urgentemente de um abraço, estava me sentindo sozinha, abandonada e também muito apreensiva com o assunto que eu precisava tratar com ele.

Derek me consolou, me acarinhou, me mimou de um jeito que só ele consegue, então criei coragem para expor meus sentimentos,mas qual foi minha surpresa, antes mesmo de abordar o assunto da adoção ele começou a falar.

— Aline você precisa se acalmar, a criança está bem, aos cuidados dos médicos e depois do conselho tutelar, agora me diga a verdade, o que você quer?

— Eu quero a bebê, eu quero adotá-la, eu sinto que não foi por acaso que abandonaram ela na porta do Abrigo, eu sinto uma necessidade louca de estar perto dela, de vê-la, de segurá-la, meu coração se enche de dor só de pensar que ela pode ir para um lar qualquer, eu a quero Derek!!!

Ele estava me olhando bem sério, sem esboçar nenhuma reação, pela primeira vez não conseguir imaginar o que ele estava pensando, ele estava sentado na minha frente, segurando minhas mãos, quando terminei de falar tudo, ele se levantou, foi até sua mesa e pegou uma pasta com vários papéis, me mostrou e pediu para abri-la.

Na pasta havia um pedido de adoção, documentos pessoais meus e dele, certidão de casamento, comprovante de residência, antedecentes criminais, enfim uma papelada sem fim, mas o mais me emocionou foi a delicadeza de suas ações, ele percebeu desde o início o que eu queria, ele concordou comigo, ele também desejava esse bebê.

— Eu percebi sua emoção, euforia, tristeza, indignação, enfim todos esses sentimentos conflitantes desde ontem, percebi que você mal dormiu essa noite e que assim que o dia amanheceu voltou ao hospital para vê-la. Eu também fiquei indignado com o abandono da criança, também me senti responsável por ela, como você disse, não foi por acaso que a deixaram na porta do Abrigo, eu também a quero, eu também a desejo como nossa filha. Por isso entrei com o pedido de adoção, Luís está nos ajudando com os trâmites legais. Derek disse emocionado.

Naquela tarde a assistente social me convocou para uma reunião, disse que era uma situação inusitada para ela, pois ela estava perante um casal que se dedicavam as causas nobres, mas que mesmo assim nós teriamos que passar por todo o processo de adoção.

Eu entendi sua posição, ela queria ter absoluta certeza que não era um capricho, que era nossa vontade legítima e real, um desejo sincero de cuidar de outro ser, agora eu a entendia, estávamos falando de uma vida, de um ser humano, mas eu tinha toda a certeza do mundo que aquela criança tinha que ser minha e ela seria.

Fiquei no hospital até tarde da noite, a enfermeira com o consentimento da assistente socal me deixou segurar a bebê no colo, eu fiquei muito emocionada com aquele serzinho pequenininho em meus braços.

Comecei a falar com ela, queria que ela soubesse que era muito amada e desejada, que teria pais que já a amava muito, então ela abriu os olhos e me olhou, eu não segurei meu choro e riso, ela era perfeita, pele clara, cabelos ralos e loiros e olhos cor de mel, ela estava prestando atenção na minha voz, eu cantei para ela dormir, assim que dormiu dei um beijo em sua testa, e voltei com ela no berço, sai do berçario com minha alma renovada, e com a certeza mais que absoluta que ela já era minha filha.

Os proxímos três dias foram complicados, a bebê teve alta e foi para um lar provisório, nesse tempo nenhum familiar reclamou sua existência, a investigação do Luís não dei em nada, foi impossível descobrir quem era a mãe da bebê, na redondeza do Abrigo nenhuma mulher tivera filhos na mesma data, por tanto Luís concluiu que era alguém de outros bairros, provavelmente uma adolescentes.

Eu e Derek fizemos muitas entrevistas com a assistente social, juiz e médicos, tivemos todas as aprovações, aproveitamos esse tempo para decorar o quarto da bebê, eu tinha tanta certeza que ela seria minha, que já providenciei tudo que precisava.

Mas três dias se passaram eu estava impaciente, pois nenhuma resposta nos foi enviada, eu já não tinha certeza se nós seriamos aceitos, então voltei a minha rotina, para tentar mascarar minha frustação.

Estava no meu escritório analisando um projeto, quando escuto um choro de bebê, identifiquei na hora, era minha bebê, eu reconheceria aquele choro em qualquer lugar, levantei correndo e abri minha porta, quando vejo Derek em pé com a bebê nos braços tentando acalmá-la.

Aquela cena foi tão linda, que eu queria ficar olhando a vida toda, mas minha emoção era maior, minha filha estava aqui, em meu escritório, nos braços do meu marido, isso só poderia significar uma coisa...ela era nossa finalmente.

Andei rápido até ele, estendi meu braços para pegar a bebê, quando comecei a falar com ela, ela simplesmente abriu os olhos e parou de chorar, ela reconheceu minha voz, fiquei muito emocionada.

Derek me deu um beijo na testa e disse.

— A adoção ainda não foi concluída, mas com alguma influência conseguir que ela ficasse conosco até o processo ser concluído, ela iria ficar num lar provisório, então por que não conosco, o juiz aceitou meu pedido, a assistente social não viu impecilho então ela me ligou para ir buscar a bebê, queria fazer uma surpresa.

— Você não poderia fazer surpresa melhor, estou tão feliz, finalmente a Júlia está conosco, eu a amo muito. Disse brincando com suas mãozinhas.

— Júlia, eu ouvi bem, você a chamou de Júlia? Derek me perguntou emocionado.

— Sim Coração, seu nome será Júlia, uma bela homenagem a sua mãe, que era uma mulher guerreira, dedicada, amorosa e eu a amava como uma mãe.

Derek me abraçou com os olhos cheios de lágrimas, me beijou com um carinho enorme, depois baixou e depositou um longo beijo na testa da Júlia e disse.

— Bem vinda a nossa família, pequena Júlia!!!