As semanas estavam passando, eu estava me sentindo muito mal, sentia muito sono, enjôos intensos, havia emagrecido muito, mas minha barriga crescia a cada dia.

Mudei toda minha rotina de trabalho, adaptei um quarto em escritório, e uma secretária trabalhava em casa, até Derek as vezes trabalhava em casa, pois ele estava muito preocupado com meu estado.

A Júlia estava cada dia mais linda e esperta, como sentia muito sono, durante o dia ela dormia comigo, ficavamos abraçadas, eu tinha pouca disposição para minha rotina diária.

Eu sentia que as coisas não iam bem, mas para não preocupar Derek eu me esforçava para parecer bem, até que um belo dia, tudo aconteceu.

Naquele dia eu me sentia muito cansada, com muito sono, uma moleza sem tamanho, não conseguia nem sair da cama, Derek me tirou da cama e me banhou, fomos tomar café, eu só conseguia tomar chá de hortelã, comer bolacha salgada ou tomar iorgute, só isso parava em meu estômago.

Depois do café minha moleza e sono melhorarão, mas então eu sentir uma tontura intensa, não conseguir me segurar e cair no sofá, Derek correu até mim, ligou para minha médica e me levou correndo ao hospital, no meio do caminho eu desmaiei.

Acordei algumas horas depois, estava num quarto do hospital, com camisola da maternidade, tomando soro, Derek estava ao meu lado, sua expressão era um misto de cansaço e preocupação.

Levei a mão em seu rosto e disse.

— Oi, você parece tão cansado, o que aconteceu.

— Você passou mal em casa, então estávamos vindo para o hospital e você desmaiou no carro, meu Deus eu fiquei desesperado.

Então levei a mão até minha barriga, senti o volume dela, me lembrei que havia me sentido mal, não conseguir conter uma lágrima que escorreu pelo meu rosto

— Como estão os bebês, me diga que eles estão bem, por favor.

— Calma Aline, você não pode se estressar, está tudo bem com eles, mas a médica logo virá conversar conosco.

— Eu não acredito está acontecendo de novo, o mesmo pesadelo, será que eu não vou ser capaz de gerar vidas, eu não quero perder nossos bebês.

— Eu já te falei Docinho, fique calma, sua pressão pode subir devido ao estresse, então relaxa está tudo bem com os bebês.

Ele me deu um beijo muito carinho na testa, nesse momento a Dra. Amanda entrou no quarto, com um pasta nas mãos.

— Oi Aline que bom que acordou, como você está se sentindo?

— Oi Dra. Agora estou bem, só com muito medo pelos bebês.

— Eu entendo, agora me conta como vem se sentindo nos últimos dias.

— Bom venho me sentindo muito cansada, com sono e enjôos intenso, pouquissímas coisam param em meu estômago.

— Bem percebi que perdeu peso, mas os enjôos e sono são comum nessa fase, o cansaço temos que investigar, pois ele corresponde a uma fase mais avançada da gestação, por hora está tudo bem, apenas recomendo que nas próximas duas semanas você faça repouso, não se estresse, não pegue peso, daqui duas semanas temos consulta de pré-natal, vamos ver como você passa esse tempo, mas qualquer alteração me ligue imeditamente.

Voltamos para casa eu seguir a risca toda as recomendações da médica, me cortava o coração quando a Júlia abria os braçinhos para eu pegá-la, então Duda ou Derek pegava ela e colocava em meu colo, ou então eu brincava com ela no chão, tentei me manter calma mas no fundo estava muito preocupada.

Quando completei 12 semanas, minha indisposição foi passando, meus enjôos terminaram, meu cansaço tinha diminuido, meu sono estava controlado.

Minha consulta com a Dra. Amanda foi muito detalhada, ela fez exames de sangue e ultrasson, os bebês estavam bem, pelas semanas de gestação eles estavam desenvolvendo bem, ela detectou minha pressão arterial um pouco alta, então me receitou aspirina para controlar um pouco a pressão, sai da consulta um pouco mais aliviada, mas eu tinha um presentimento ruim.

Como eu tinha que fazer repouso moderado, Karina fez seu chá de bebê em nossa casa, eu e a Júlia estavamos nos divertindo muito, estava precisando desse entretenimento, os homens ficaram confraternizando na casa de Luís e como sempre a Taty serviu de minha babá, com os olhos atento em mim.

Karina estava linda em suas 33 semanas de gestação, ela irradiava luz, plenitude, amor, eu intimamente a invejava, gostaria muito de poder chegar aquela altura da gestação com tanta saúde e felicidade.

Com o passar dos dias minha pressão estava subindo, a Dra. Amanda estava me examinando a cada quinze dias, ela disse que gravidez gemelar tinha seus cuidados mas que apesar da minha pressão alterada, tudo estava em ordem.

O momento mais marcante da gestação foi quando eu estava no jardim brincando com a Júlia e com Derek, era um sábado, estavam muito felizes, apesar dos pesares minha gravidez estava correndo bem, então eu senti um movimento na minha barriga, seguido por um chute.

Perdi o ar por um momento, então levei a mão na barriga, Derek ficou em alerta e veio em minha direção rápido então peguei sua mão e coloquei em minha barriga, como mágica os bebês mexeram outra vez, nós sorrimos emocionados, era uma vitória conseguir segurar os bebês.

Aquele dia foi mágico, parecia que Júlia estava curtindo minha gravidez, ela beijava minha barriga, quando os bebês mexiam ela ria alto.

No outro dia Taty e Bruno nos fez uma surpresa, eles nos disse que iriam formalizar a relação deles, marcando a data do casamento deles para daqui um mês, depois do casamento eles pretendiam adotar uma criança.

Eu estava muito feliz pela Taty e o Bruno, eles estavam construindo um futuro juntos, tudo que eu queria era a felicidade absoluta de Taty.

Naquele dia iriamos tentar saber o sexo dos bebês, a doutora começou o exame analisando as dimensões dos bebês, a quantidade de líquido aminiótico, enfim tudo que o exame pedia, até a surpresa chegou.

— Aline e Derek estão preparados para saber o sexo dos bebês?

— É possível vê-los doutora? Perguntei esperançosa.

— Claro querida, olhem para o monitor, veja que um bebê é um pouco maior,certo, bem esse bebê é um menino, agora olhem para o outro, reparem que é um pouco menor, pois esse bebê é uma menina, parabéns papai vocês terão um casal de filhos, que estão muito bem e desenvolvendo satisfatóriamente.

Minha alegria não tinha tamanho, Derek me beijou na testa e sussurou em meu ouvido o quanto estava feliz, finalmente nossa família ficaria completa.

Nos próximos dias eu estava até me sentindo melhor, mais calma intimamente, com o passar dos dias e da gravidez eu acreditava que tudo iria dar certo, que nossos bebês iriam nascer no tempo certo, bem e saudáveis, minhas esperanças estavam renovadas.

Algo muito especial aconteceu para renovar minhas esperanças….

Eram cinco da manhã, estavamos dormindo, quando o celular do Derek tocou, estranhamos pela hora, então ele atendeu, era o Luís, ele estava chorando emocionado, nos avisando que seu filho tinha acabado de nascer.

Derek pois o celular no viva voz, então ouvi a ligação emocionada do Luís, não pude conter uma lágrima que caiu em meu rosto, sua felicidade me contagiou e renovou minhas esperanças, fomos ao hospital e conhecemos Felipe, ele era lindo, com 3.250 kg, 49 cm, pele bem clara, poucos cabelos, era uma verdadeira belezinha, fiquei encantada com o Felipe, então tivemos outra surpresa.

Luís e Karina nos convidou para sermos padrinhos do bebê, nossa eu fiquei muito emocionada, até sentei na cadeira pois fiquei um pouco tonta, Derek ficou tão preocupado que já estava ligando para a médica.

— Que exagero Derek, estou bem, foi excesso de emoção.

— Tem certeza, posso chama-la, já estamos no hospital ela te examina.

— Claro que tenho, deixa ela em paz, está tudo bem.

— Tudo bem, mas vou ficar de olho.

Nós quatro demos risadas pelo jeito que ele disse, ele já ficava de olho em cima toda hora.

Meus pré-natais eram feitos a cada quinze dias, o desenvolvimento dos bebês estavam dentro do normal, só minha pressão que teimava em ficar alta, a doutora disse que eu teria que controla-la pois era muito perigoso pressão alta na gestação.

Taty e Bruno se casaram no cartório, Bruno fez as vontades da Taty, ela não queria festa, nem casamento na igreja, então casaram no cartório, eu e Derek fomos os padrinhos,como Taty não queria festa, então fiz um jantar em casa para comemorar a data, depois eles sairam direito para lua de mel, a felicidade dela era muito importante para mim, afinal Taty era mais que uma amiga, era minha irmã.

As semanas estavam passando, eu estava muito feliz com o desenvolvimento da gestação, os bebês estavam muito bem, nós escolhemos seus nomes, o menino se chamaria Anderson e a menina seria Alecxandra, nossa decoradora fez um projeto bem legal para o quarto dos bebês, enquanto crianças iriam compartilhar o mesmo quarto, depois cada um teria o seu.

Ela então montou cada berço estilos diferente, nada com cores azuis e rosas, eles teriam cores mistas, na cabeçeira do berço do Anderson tinha um desenhos de carrinhos e bola de futebol, no berço da Alecxandra tinha desenhos de bichinhos, estrelas e lua, no meio do quarto entre os berços havia uma poltrona onde eu iria amamentar, em uma parede um close com roupinhas, fraudas e utensilhos deles, um troucador e banheira, cada berço tinha um móbile com músicas para acalmá-los, eu estava muito ansiosa, não via a hora de tê-los em meus braços.

Eu estava com 32 semanas, Taty resolveu que fazer uma surpresa, ela me convidou para lanchar com ela, aceitei na hora, Derek me levou e me deixou no restaurante deles, quando entrei no restaurante, percebi que estava muito vazio, só alguns funcionários circulando, mas enfim não me importei, me dirigi até a cozinha, onde normalmente ela ficava, então tive uma baita surpresa, havia umas vinte pessoas esperavam eu chegar, Taty me presenteou com um chá de bebê.

Foi uma tarde muito divertida e agradável, a cozinha do restaurante foi toda decorada com balões em tons de rosa e azul, fiquei toda pintada de baton, mesmo com toda diversão, Taty me monitorava de perto.

Três dias após o chá de bebê, acordei de madrugada me sentindo um pouco estranha, sentia enjôo, dor de cabeça e minha visão estava turva, corri para o banheiro, vomitei o que tinha no estômago, depois lavei o rosto e voltei para a cama, fechei meus olhos na esperança de amenizar a dor de cabeça, vinte minutos depois outra ânsia de vômito me fez pular da cama e correr ao banheiro, desta vez Derek acordou assustado, vendo meu estado ele ficou desesperado, eu estava fraca, pálida, mal conseguia abrir os olhos tamanha dor de cabeça,fomos correndo ao hospital, no caminho ele ligou para a doutora Amanda.

Assim que chegamos fui levada para uma sala de exame, doutora Amanda me fez várias perguntas, respondi sem abri os olhos pois a dor de cabeça era grande e também a vista turva me incomodava, logo após os exames ela me aplicou um soro para dor e disse que precisava fazer um ultrasson, para saber o estado dos bebês.

Os remédios que tomei me derrubaram, acordei o sol já estava alto no horizonte, Derek estava sentado ao meu lado segurando minha mão, abrir meus olhos e notei que não sentia mais dor de cabeça e que minha visão estava boa, apertei a mão de Derek, ele levantou a cabeça, quando nossos olhos se encontraram, percebi um misto de cansaço, alegria e preocupação.

— Oi Docinho, que susto me deu!!! Como está se sentindo?

— Agora estou me sentindo melhor, os bebês estão bem, né?

— Sim estão, mas a doutora disse que precisa fazer um ultrasson, ela estava esperando você acordar.

Aquele momento eu não aguentei e me entreguei as lágrimas, sem medo ou pudor, eu estava apavorada, tinha medo por mim e pelos meus filhos, minha vontade era de segura-los bem firme, para ter certeza que nada de mal iria acontecer a eles.

Derek me abraçou firme, me consolando, dizendo que essa fase ruim iria passar, tudo iria dar certo, nossos filhos iriam nascer forte e saudavéis, então fiz ele me prometer algo muito importante para mim.

— Derek preciso que me prometa uma coisa, se você tiver que escolher entre a minha vida e dos bebês, por favor escolha eles, também seja feliz, não pare sua vida, meu coração é seu e sempre será, por favor respeite minha vontade.

Com os olhos marejados de lágrimas, ele soltou minha mão e andou até a janela, ficou por um tempo olhando para fora, depois se virou de frente para mim e me respondeu.

— Eu não vou prometer nada, você não vai….., eu me recuso a cogitar essa possibilidade, você está proibida de pensar nisso, onde já se viu, eu não vou criar três filhos sozinho, não sem você.

— Mais ai que tá, você não estará sozinho, você sempre terá meu coração, e também minha metade nos bebês, por favor respeita minha vontade.

— Pare por favor, eu não quero pensar nisso, lute por nós, lute por mim, pois eu sempre lutarei por você Aline.

Ele se abaixou e me beijou com tanta vontade e amor como se estivesse me mostrando que estava lutando por nós, dei o assunto por encerrado por hora, então a doutora entrou no quarto, dizendo que estava tudo pronto para o ultrasson.

Durante o ultrasson, ela disse que estava tudo bem com os bebês, estavam se desenvolvendo bem, tamanho compativel com a idade gestacional, enfim tudo certo com eles, o problema era eu, minha pressão estava muito alta.

Dra. Amanda disse que eu estava apresentando um quadro de pré-aclâmpsia, eu teria que ter alguns cuidados maiores, pois meu estado era delicado para mim e para os bebês, tive alta, mas com uma lista bem detalhada de cuidados e repouso.

Nas semanas seguintes, Derek trabalhou em casa, quando ele saia sempre tinha alguém me vigiando, eu nunca mais fiquei sozinha, meus dias eram brincar com a Júlia, sem esforço, ajudar a cuidar dela, pois eu não podia dar banho nela, nem pegá-la no colo, eu estava desgastada com essa situação, estava ficando muito triste, pois me foi proibido fazer muitas atividades, sexo então não podia nem falar, Derek tinha medo que de tocar em mim, estavamos os dois com medo, mas nunca mais tocamos no assunto da promessa, eu sentia seu sofrimento e ele sabia minha vontade, por mais que fosse difícil para ele, eu sabia que iria respeitar minha vontade.

Estavamos no dia 20 de Novembro, eu havia completado 35 semanas de gestação, como andava muito triste, nossos amigos marcaram de jantar conosco, Taty preparou todo o jantar, ah que saudade de sentar no banquinho da cozinha e conversarmos enquanto ela prepara o jantar, era um prazer que sentia muita falta, mas naquela tarde matei minha saudade, e fizemos exatamente isso, depois Bruno, Luís, Karina e o lindo Felipe chegaram, ah eu já disse como Felipe estava lindo, ele era um bebê muito fofo, ele adorava o colo do Derek, era incrível como ele gostava do padrinho.

Nosso jantar serviu para me animar bastante, recebi uma injeção de ânimo, nós nos amávamos, éramos uma grande família, isso me deu força, coragem e ânimo para enfrentar qualquer obstáculo no futuro, mas para meu engano o futuro bateu em minha porta bem cedo.

Naquela mesma noite depois do jantar fomos todos para a sala, Júlia estava brincando no cercado, Felipe dormia no quarto de Júlia, nós estavamos conversando, de repente senti uma cólica muito forte e minha barriga endureceu, na mesma hora percebi que estava sangrando, meu desespero e medo foi tão grande que acabei me apavorando, minha pressão subiu muito, então só me lembro de Derek me pegando no colo e me levando ao hospital, então apaguei.

Derek

Meu Deus quando vi Aline sangrando meu mundo caiu, mas controlei meu desespero e medo, levei ela ao hospital, Taty avisou a doutora, que nos esperava na porta do hospital, ela levou Aline desmaiada para uma sala fechada com vários médicos, ficamos eu, Taty, Bruno e Luís na sala de espera, eu não acreditava que estava acontecendo de novo, meu medo era que Aline não aguentasse esses episódios de pressão alta, e agora o sangramento, pensei na nossa conversa sobre escolha,eu não poderia escolher os bebês, como viveria sem ela, ela era meu mundo, mas por outro lado como não respeitar sua vontade, eu estava perdido, nesse momento Luís sentou ao meu lado e disse.

— Calma irmão, vai dar tudo certo, Aline é forte e te ama, pense positivo, ela está em boas mãos, a doutora não deixará nada de ruim acontecer a ela ou os bebês.

— Não aguentei e soltei as lágrimas represadas em meu coração, contei a ele sobre a escolha, como meu coração ficou dividido com a notícia da gravidez, meu pressentimento estava certo, algo estava muito errado, mas uma coisa eu tinha certeza, Aline lutaria pela vida com força, pois tinhamos uma família, ela amava essa família.

— Então acredita no que acabou de dizer, ela vai lutar e vocês criarão os filhos e serão muito felizes, tenha fé irmão, acredite.

Minutos depois a doutora apareceu na sala de espera, sua cara não era boa, mas pelo menos levava notícias de minha Aline.

— Sr. Kingsley, vamos fazer uma cesareana de emergência na Aline, fiz um ultrasson, e os bebês estão em sofrimento, preciso tirá-los agora, por favor faça a internação dela, assim que terminarmos volto com notícias.

— Dra. Por favor como é o estado dela, ela está bem, né?

— Eu não vou mentir Derek, o estado dela é grave, por isso vou adiantar o parto, para salvar ela e os bebês, farei o possível, tenha fé, dará tudo certo.

Quando a doutora saiu meu desespero foi tamanho, meu Deus meu mundo estava caindo eu não podia fazer nada, apenas esperar, me senti pequeno, impotente, vazio, eu me recusava a viver num mundo onde Aline não existia.

Taty e Bruno foram em casa buscar documentos da Aline, roupas e artigos pessoais para ela e para os bebês, Luís ficou comigo, pois eu fiquei em estado de choque, não conseguia falar, não conseguia chorar, eu paralisei na cadeira, minha cabeça funcionava tão rápido, que meu corpo não obedecia, fiquei paralisado na cadeira.

Ouvia ao meu lado as pessoas conversarem, Luís ligava para Karina informando sobre tudo, Taty conversava alguma coisa com Bruno em meio as lágrimas, mas eu não conseguia distinguir nada, eram apenas vozes.

Uma hora depois, uma enfermeira veio até mim e disse que os bebês haviam nascido, eles estavam bem, mas como eram prematuros iriam para a encubadora, perguntei sobre Aline, ela me disse que estavam estabilizando ela que assim que possível a doutora viria conversar comigo.

Meu nervoso aumentou,como estabilizando, estava tudo bem ou não estava, minha confusão me deixou mais apavorado, Luís tentou me acalmar, tentou colocar minha cabeça no lugar, meu estado de choque, transformou em fúria e pavor, comecei a andar de um lado a outro sem parar, fiquei muito vermelho, nervoso e até agresivo, na minha cabeça Aline estava morrendo a alguns passos de mim eu não podia fazer nada, meu desespero era total, então Luís tentou me segurar, mas eu parecia uma fera enjaulada, só via preto na minha frente, sem perceber dois seguranças enormes seguraram meus braços, um enfermeiro me aplicou uma injeção, me soltaram devagar, Luís me fez sentar na cadeira e disse.

— Desculpe irmão, mas você precisava se acalmar, você agora tem três filhos, e sua mulher está sendo tratada muito bem, tenha fé e muita calma, ela precisa de você inteiro, então se recomponha por ela.

Uma hora depois a doutora Amanda apareceu muito preocupada e abatida, quando a vi levantei na hora, mas pela sua expressão pressentia que não teria notícias boas.

— Sr. Kingsley Aline teve uma complicação após o parto, durante a gravidez ela desenvolveu pré-eclâmpsia, isso levou os problemas durante a gestação e também ao parto prematuro, mas depois do parto por causa da pressão alterada, ela teve duas paradas cardiacas, hemorragia e seu útero não contraia, então fui obrigada a fazer uma histerectomia, ou seja a retirada do útero de Aline, por causa de seu estado delicado, optei por deixá-la na UTI, ela irá passar pelo menos 48 horas.

Eu estava muito perdido, a única coisa que eu precisava naquele momento era vê-la, enfim minha voz saiu eu conseguir perguntar a médica.

— Por favor doutora qual o real estado de saúde dela, eu posso vê-la?

— Bem o estado dela é estavel, quanto a vê-la, só pelo vidro, eu sinto muito, mas ela e os bebês por enquanto só por um vidro, se quiser me acompanhar te levo até ela, mas só por uns minutos.

— Gostaria muito, por favor.

Então ela me levou a uma ala no hospital onde tive que por uma roupa toda azul, lavar as mãos por luvas e touca, ela parecia dormir, envolta em fios presos em seu braço, tinha também um aparelho que monitorava sua frequência cardiaca, em tese ela parecia bem, mas minha vontade era de tomá-la em meus braços e protegê-la de tudo, fiquei observando ela por dez minutos, fazendo uma prece silênciosa, pedindo que Deus não a tirasse de mim, uma enfermeira me tirou de meus devaneios e perguntou se eu gostaria de conhecer os bebês, fui levado a outra sala onde pude vê-los em uma caixa de vidro, o menino era maior, num papel de identificação estava escrito o dia de nascimento, peso de tamanho: 20 de Novembro/ 22:46 hs/1.643 gr/40 cm,ele era lindo, pele bem clara, quase nenhum cabelo, olhei para ele alguns tempo, depois me dirigi a caixa ao lado, lá estava ela com a mesma identificação: 20 de Novembro/22:50hs/1.235 gr/32cm, ela também era bem clarinha, mas notei uma mancha de nascença em sua coxa, era uma mancinha bonitinha, os dois dormiam calmos, olhando-os meu coração se encheu de felicidade, eu era pai biológico dessas gracinhas, eles eram minha metade e de Aline, fruto de nosso amor.

Como Aline e os bebês ficariam no hospital por tempo indeterminado, voltei para casa, precisava cuidar da Júlia, pois afinal já tinha uma filha me esperando em casa, e nós a amavamos muito, Luís me deixou em casa, tomei um longo banho, fui então para o quarto da Júlia, fiquei observando ela dormir, nossa ela era linda, e o mais importante, ela era nossa, nossa filha, concebida pelo nosso coração, peguei ela no colo e levei ao meu quarto, fiz uma barreira de travesseiros, pus ela no meio da cama e deitei ao seu lado, conseguir dormir sentindo seu cheiro, não podia negar, ela me acalmava, renovava minhas esperanças, Deus não iria por um ser tão abençoado no nosso caminho para depois tirar Aline desse mundo, minha fé estava renovada.

As 48 horas se passaram, a doutora estava muito otimista, dizendo que a pressão da Aline havia se estabilizado e que iria tirar os medicamento aos poucos, assim ela acordaria naturalmente, estava muito nervoso, minha expectativa para ver Aline acordada era tamanha, finalmente algumas horas depois ela acordou, ela estava pálida, mas seu sorriso continuava lindo, a médica a avaliou e disse que estava fora de perigo, ela foi transferida para o quarto, todos nossos amigos foram vê-la, ela estava ansiosa para conhecer os bebês, mas a doutora disse que talvez no fim do dia ela poderia ir de cadeira de rodas ver os bebês pelo vidro.

Vendo ela conversar com nossos amigos, me afastei fui até a janela, olhei para o céu, então fiz uma prece de agradecimento a Deus, por devolver minha Aline para mim, naquele momento, todos meus sonhos estavam realizados, minha esposa fora de perigo, se recuperando bem, nossos filhos, se desenvolvendo bem, e a Júlia que era nossa alegria, a luz que iluminava nossas vidas.

Aline

Acordei um pouco desorientada, meu corpo estava todo dolorido, parecia que tinha levado uma surra enorme, então vi alguns enfermeiros circulando na sala uma mulher de branco me perguntou como estava me sentindo, então a doutora Amanda apareceu, disse que eu havia sofrido complicações no parto, mas que tudo estava bem agora, os bebês estavam na encubadora, mas logo teriam alta, disse também que Derek estava ansioso para me ver.

— Agora está tudo bem doutora? Vou poder voltar as minhas atividades normais?

— Aline você sofreu muito na cirurgia, por causa do seu quadro de pressão alta, não tive opção, para salvar sua vida, precisei fazer uma histerectomia, ou seja retirar seu útero, infelizmente, você não poderá mais engravidar, devido ao seu estado durante a gravidez, seria muito arriscado tentar outra gravidez, portanto iria sugerir uma laqueadura, mas não tive tempo de abordar esse assunto com vocês, mas mesmo assim eu sinto muito.

— Dra. eu tenho que lhe agradecer, você salvou minha vida e dos bebês, Deus sabe o que faz, minha gravidez foi muito arriscada, talvez não sobreviveria a outra, muito obrigada, agora por favor posso ver meu marido, estou morrendo de saudades dele.

— Você poderá voltar suas atividades normais assim que completar sua recuperação, quanto ver o Derek, só quando for transferida para o quarto,mesmo por que tem uma turma muito animada para vê-la.

Rimos juntas de seu último comentário, estava ansiosa para ver Derek, também queria muito conhecer meus filhos, a enfermeira que falou comigo me transferiu para o quarto, então me ajudou a tomar banho, não sabia que horas eram mais me trouxeram comida, me alimentei, então Derek entrou no quarto, ele estava lindo, mais parecia profundamente cansado, meu Deus como eu amava este homem, ele era minha vida, nos abraçamos longamente, ele então passou os dedos delicadamente pelo meu rosto e disse o quanto estava aliviado pela minha recuperação, disse a ele que sabia sobre a cirurgia e o que me importava era nossa vida família bem.

Todos nossos amigos chegaram, foi aquela festa no quarto, num determinado momento vi Derek se afastar e caminhar até a janela, ele olhou para o céu e ficou profundamente em silêncio, seu semblante mudou parecia em profunda paz, percebi todo o sofrimento que ele passou esses dias, meu coração se encheu de felicidade e paz.

Estava quase escuro a doutora entrou no quarto com uma cadeira de rodas, dizendo que eu poderia ver os bebês, nossa minha ansiedade estava nas altura, também pudera, com todo mundo me contando como os bebês eram, só eu que os carreguei em meu ventre por 35 semanas ainda não os conhecia, não era justo, né?

Conforme iamos chegando perto do berçario, minha ansiedade aumentava, queria ver com meus próprios olhos como eles eram, mas nada havia me preparado para a visão que tive.

Eles estavam em duas caixas de vidro, o menino era forte, esperto e para minha surpresa quando falei com ele, abriu os olhos, eu e Derek ficamos encantados com o que vimos, Anderson tinha um olho de cada cor, era nossa mistura exata, um olho verde, outro azul, era lindo, perfeito, saudável e meu, na outra caixa estava a menina, ela era menor, mas tão linda quanto o irmão, conversamos com ela, ela abriu os olhos e vimos que ela tinha a mesma cor que os meus, azuis, pele bem clara ,com olhos azuis, Alexsandra era menor que o irmão, mas era linda e saudável e minha.

O pediatra nos disse que eles estavam incrivelmente bem, se continuassem nesse ritmo, em uma semana teriam alta, eu só fiquei triste pois não pude amamentar, devido os remédios que estava tomando.

Dois dias depois tive alta, estava dividida entre minha casa e a saudade da Júlia e deixar os bebês no hospital, mas sabia que eles precisavam de recuperar bem, que já era um milagre eles estarem vivos.

A Júlia quando me viu fez uma tremenda festa, ela estava na casa da Taty, pois o Derek estava muito comigo no hospital; também para distraí-la, pois não parava de perguntar por mim, nossa passei quase uma semana longe da minha menininha, ela estava grande, linda, feliz, saudável, ela era minha luz, minha renovação, eu a amava tanto, que meu coração doia, mesmo com minhas limitações físicas, deu muito carinho a ela, pintamos desenhos, montamos bloquinhos, brincamos bastante, até ela não aguentar e dormir; então foi a vez do Derek cuidar de mim, ele me banhou com todo carinho, me vestiu e me pois na cama, me abraçou carinhosamente e ficamos assim até dormir.

Todos os dias eu visitava os bebês no hospital, quando não era Derek a me levar era a Taty ou a Karina, mas nunca ficava sozinho, eu ainda era observada de perto, no dia marcado fiz minha consulta com a doutora Amanda, ela tirou os pontos da cirurgia e disse que tudo estava bem, eu só precisava continuar com os mesmos cuidados que logo minha recuperação seria completa, marcou minha próxima consulta para daqui um mês, se tudo estivesse bem me daria alta.

Para nossa imensa alegria os bebês tiveram alta, eu não acreditava, que poderia leva-los para casa, cuidar deles sozinha sem um vidro me atrapalhando, eu, Derek e Taty fomos buscar os bebês, era o dia mais feliz da minha vida, Anderson vestia um macacão branco com detalhes amarelo dizendo sou o garoto da mamãe e Alexsandra vestia um macacão amarelo com detalhes azul dizendo sou a princesa do papai, eles estavam lindo, minha emoção estava nas alturas, minha família completa e feliz.

Dois anos depois……

Estava sentada na sombra embaixo de uma árvore, observava de perto as brincadeiras de meus filhos, eles estavam lindos, Anderson continuava com um olho de cada cor, era loiro como Derek, forte no físico e no gênio, muito protetor com as irmãs, mesmo pequeno percebiamos essa proteção, já Alexsandra era parecida comigo, cabelos pretos e olhos azuis, muito delicada e gentil, adorava brincar com a Júlia que crescia cada vez mais linda, ela tinha cabelos castanhos claros, olhos cor de chocolate e pele levemente bronzeada, no começo ela ficou um pouco enciumada com os bebês, mas depois passou a curtir a idéia de ajudar a cuidar deles, as lembranças e o medo que passamos no nascimento das crianças me fez enxergar o quanto somos pequenos e o quanto temos que agradecer pelos nossos amigos e família, então passei a apoiar mais instituições que ajudam o próximo.

Karina e o Luís estavam planejando ter outro filho, Felipe era uma graça, adora ficar dias em minha casa com as crianças, mas sempre pedia um irmão, Taty e Bruno estavam na fila para adoção, também não tinham pressa, diziam que quando chegassem a hora, a criança certa estariam pronta para eles.

Taty e Bruno eram um casal admirável, eles eram totalmente fora do convencional, fugiam das convenções, viviam suas vidas para eles, como queriam, na cabeça da Taty, ela iria bater os olhos e iria se apaixonar pela criança destinadas a eles, já que não havia nenhuma restrição em relação a isso, quer dizer eles não tinham preferência de idade, cor ou sexo da criança, simplesmente queriam um filhos, eu amava essa personalidade na Taty, ela era direta, fazia o que seu coração mandava, ela era pura e íntegra.

Derek sentou atrás de mim, me abraçou e encaixou seu queixo no meu ombro, beijou meu pescoço e ficamos olhando as crianças brincarem e correrem pelo gramado, graças ao homem do meu lado eu construi minha família, minha felicidade, se um dia alguém me perguntar.

— Aline para você os fins justificam os meios?

Eu não terei a menor dúvida em responder.

— Sim, os fins justificam totalmente os meios.

FIM

Notas finais
Olá pessoal esse é o último capitulo, agradeço a todos que me acompanharam, Beijos....Tchauzinho......
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!