Notas iniciais
Boa leitura!

Estava ativando a válvula dos tubos condutores de água quando escutou um ruído proveniente de cima. Fitou o céu seco e visualizou helicópteros pousando no Memorial Jefferson. Nancy sentiu um calafrio escorrer pela sua espinha, junto com um sentimento visceral, que corroeu seu coração com agonia. Algo estava vindo, ela pressentia. Retirou a shotgun do coldre nas costas e a recarregou, antes de atravessar a área oposta para alcançar a Loja de Souvenirs. Agachada, avistou um trio de soldados da Enclave, e seu coração palpitou com a explosão de adrenalina. Ativou os VATS e explodiu as três cabeças, suspirando ao se recuperar.

Correu até a porta da Rotunda e adentrou a sala, fitando a Câmara de Controle. Subiu um par de degraus e visualizou seu pai junto com um homem estranho, escortado por dois soldados da Enclave. Disparou em direção à sala, e por um milésimo de segundo antes de alcançá-la, a trava de segurança se lacrou.

O homem misterioso começou a falar. Nancy começou a bater na porta, tentando abri-la.

- Pai? Pai, abra a porta.

Ele direcionou o rosto à filha e os dois conseguiram se comunicar usando somente seus olhares. Nancy sabia que todo aquele esforço para encontrar a única família, a única fonte de calor que existia no planeta iria se esvairar em pouco tempo. Seus olhos transbordaram, o coração gelou por um instante. Ela não escutava as palavras que o homem estranho proferia, concentrada em bater na porta, entrando em desespero. Sentiu um tremor momentâneo e viu uma das câmaras de radiação estourar. O ritmo de batidas na porta aumentou assim que observou seu pai cair de joelhos no chão.

- Corra... corra!

- Não, não... PAI! — ela tombou contra o chão. James fez todo o esforço que pode para se aproximar da porta, colando o palmo da sua mão no vidro. Nancy fez o mesmo, tendo seu último contato com o amado pai.

- Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim...

- ...a quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida. — Eles continuaram ao mesmo tempo. James caiu por completo no chão e lágrimas escorreram dos olhos de sua filha.

- NÃO! Dra. Li, abra essa porta agora!

- James... ele se foi.

- ABRA. A. PORTA! — ela não conseguia controlar as lágrimas muito menos seu tom de voz.

- Nancy... — Madison suspirou. — Precisamos ir. Eles virão atrás de nós.

- Eu não vou deixar meu pai aqui! — levantando-se, puxou a shotgun do coldre e atirou contra a porta até acabar com a munição. A radiação já tinha lhe dado uma intoxicação leve. Madison se aproximou da garota e puxou-a, desesperada. A filha de James chovara em alto tom, gritando. Tudo parecia se mover em câmera lenta.

Nancy acordou em um grito. Apertava os travesseiros em volta de si, ofegante. Estava ensopada de suor. Levantou-se da cama depois de checar seu Pip-Boy. Duas horas da manhã. Caminhou até um balde de água e mergulhou seu rosto. Sacodiu a cabeça e enxugou o rosto com uma toalha ligeiramente suja. Vestiu sua roupa de mercenário e saiu do quarto de hotel que tinha alugado em Rivet City. The Weatherly Hotel, se lembrou. Ela precisava beber.

Descendo as escadas com rapidez, Nancy esfregava os olhos, tentando espantar as memórias revividas pelo sonho. Abriu a porta do The Muddy Rudder e bocejou. Caminhou lentamente até o bar e se sentou em uma das banquetas.

- O que vai querer, garota? — a garçonete perguntou, rudemente.

- Uísque, malte. Deixe a garrafa. — a atendente acenou com a cabeça e deu à Nancy um copo e a garrafa cheia, com uma folha desenhada junto da palavra "Scotch" engravada. Nancy puxou a rolha da garrafa com os dentes e serviu a bebida no copo até quase transbordá-lo. Agarrou-o, e fungando, virou o líquido na boca em um gole só. — Essa é pra você, meu velho.

- Carne nova aqui, eh? Q--

- Puta que pariu... — o rosto de Nancy se contorceu em uma expressão de nojo, surpresa e irritação ao reconhecer a voz do homem que se aproximou dela. — Butch, o que você está fazendo aqui?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.