Perigo Eminente
1 O inicio do terror
Quando acordei, estava caído no chão do meu quarto, o corpo encostado à cama. A cabeça doía. Os olhos flamejavam e tentavam se adaptar à visão dupla. Controlei a respiração descompassada, e assim consegui diminuir o coração acelerado.Tentei me levantar. Todos os músculos do corpo doíam intensamente. As pernas mal conseguiam me manter de pé. Quase caí. Após uma nova tentativa, sustentei-me. Olhei em volta. O quarto estava quieto e organizado, como era de esperar; mas, ao mesmo tempo, tudo parecia fora do lugar.Eu próprio parecia fora do lugar. De alguma maneira, a todo instante, minha vista incomodava. A visão chacoalhava, pontos luminosos surgiam, e logo depois voltava ao normal. Em definitivo, eu não me sentia bem. Caminhei com dificuldade, arrastando o peso do meu corpo em direção à porta. O movimento continuado ajudou a relaxar os músculos retesados. Comecei a ter maior controle sobre mim. Ainda era difícil me mexer, mas as dores estavam diminuindo.
Tossi. Um gosto ácido me subiu pela garganta, querendo se arremessar para fora da boca, mas engoli de volta. A tontura ainda dificultava os movimentos. Coloquei a mão sobre a maçaneta. Mal senti o gélido metal entre os dedos, mesmo assim girei. A porta se escancarou com um rangido mórbido, dando lugar ao longo corredor, que levava à sala de estar. Precipitei-me por ele, o corpo cada vez mais respondendo às minhas vontades.Quando cheguei ao final do corredor, ouvi uma porta logo atrás, sendo aberta. O som, embora distante e baixo, era óbvio. Voltei-me. Alguém acabara de sair do quarto. Aguardei para identificar quem seria. Consegui, em meio à visão tortuosa, compreender meu irmão, que parecia tentar me encarar. No entanto... Alguma coisa nele também estava fora do lugar. O rosto estava alterado. O corpo estava alterado. Era meu irmão e, assustadoramente, não era.Estava deformado. Os olhos e o nariz estavam misturados em uma massa de carne esverdeada. Dentes pontiagudos e sujos pendiam da abertura que um dia deveria ter sido sua boca. Lascas de pele estavam soltas dos braços, revelando os músculos apodrecidos. Encarava-me não com carinho e compaixão de irmão, e sim com fome.
Fale com o autor