Gabrielle se levantou antes do sol, e saiu de fininho debaixo das peles para que Xena não acordasse. Pegou uma bolsinha pequena com os dínares e guardou na sua bolsa, fazendo o maior silêncio possível. Colocou um de seus antigos pergaminhos onde estava deitada antes, para que Xena ficasse entretida por alguns minutos e não viesse atrás dela, tentando descobrir seu presente antes do tempo.

Foi caminhando para a cidade mais próxima, porque com certeza sua guerreira acordaria com o cavalgar.
Chegando no mercado, começou imediatamente a vasculhartodas as barracas. Queria um presente original, diferente e útil, pelo menos.

Não encontrava nada além de tecidos, roupas, grãos exóticos e jóias duvidosas. E todos os vendedores tentavam empurrar seus produtos pra cima dela, achando que isso faria alguma diferença.
Já estava começando a ficar desanimada, até ver uma barraca mais ao longe, em que ninguém se aproximava mas todos olhavam com curiosidade, a vendedora usava o mínimo de roupa possível mas era cordial e educada.

-Olá...o que você tem aqui?

Gabrielle observou osobjetos estranhos, pareciam cilindros de madeira com a ponta arredondada, de diferentes tamanhos e formatos, que a lembravam vagamente de alguma coisa que ela não sabia o que era.

-Oh, bem...eu pensei que eles já falavam por si mesmos...mas, bem, eu os trouxe de uma terra distante...

-São armas, não são?! Eu sabia que eram armas...-Interrompeu Gabby

Eu devia avisa-la que não são armas, mas se ela acreditar que são eu posso finalmente faturar alguma coisa nessa cidadezinha –pensou a vendedora

-Claro que são armas! Finalmente alguém percebeu...

-E como funcionam? – perguntou, segurando um dos cilindros em suas mãos e procurando alguma lâmina escondida.

-Hmm..bem...você pode...golpear alguém na boca....ou....entre as pernas...bem, pode golpear em quase qualquer lugar. – A vendedora ria por dentro

-Não parece muito letal, mas é bem diferente e a Xena adora coisas diferentes. Eu vou levar.

Ela estava orgulhosa de si mesma por ter encontrado algo interessante pra sua guerreira. Pagou, embora achasse o preço um tanto abusivo, e depois foi procurar um tecido bonito para enrolar o presente.

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Xena acordou realmente descançada, era o melhor sono que tinha em dias. Virou-se para envolver Gabrielle mas suas mãos não a encontraram.

-Gabby?!

Tentou abrir os olhos, ainda sonolenta,viu o pergaminho no lugar da sua amada e compreendeu que ela provavelmente tinha ido atrás de um presente.

Já disse que não quero presentes. Agora vou ter que arranjar alguma coisa pra ela também.

Começou a desenrolar o pergaminho e se encostou numa pedra para poder ler

[Pergaminho XI]

Nossa, você não vai acreditar.
A Xena teve que entrar num concurso de beleza. Foi a coisa mais engraçada que eu já vi. Tudo bem que ela não entrou por vontade própria e sim porque o Salmoneus ficou pedindo nossa ajuda, porque ele era responsavel pelo concurso, mas alguém estava tentando machucar as participantes.

Então a Xena se inscreveu como Miss Amphipolis para poder investigar e eu fingi ser sua agente, para falar com os outros e saber o que pretendiam.
Mas foi muito, mas muito engraçado ver a Xena toda maquiada, com o cabelo todo arrumado e fingindo se importar com brincos, unhas e tudo o mais.
Mas tenho também que admitir que ela estava maravilhosa. Quando ela pisava no palco e olhava diretamente pra mim, eu sentia meu corpo inteiro estremecer.

Uma hora estavamos num dos quartos e ela estava se preparando para uma apresentação, e começou a trocar de roupa na minha frente, e embora eu já tenha visto ela sem roupa algumas vezes, fiquei congelada. Morri de vergonha de mim mesma, porque uma parte de mim queria toca-la. Lembrei do beijo que tinhamos dado no solstício, dos lábios dela invadindo os meus, suas mãos fortes me segurando, seus seios contra os meus...

Ahhhh...eu preciso dar um jeito nesses meus pensamentos. Nunca me senti assim com ninguém...

(...)

Tenho que escrever rápido porque ela veio sentar aqui do meu lado e acho que tá querendo ler o que está aqui. Se ela ler, eu morro.
Aiai...ela tá encostada em mim e com uma das mãos na minha coxa...nem preciso dizer que mal estou conseguindo escrever. Qual é o poder dela sobre mim? Não sei se quero mesmo descobrir...

Gabrielle

Xena riu, nem ela mesma sabia que tinha causado todo esse impacto na jovem Barda. Lembrou-se que precisava arranjar um presente pra ela. Correu até o lago e pescou alguns peixes, preparou-os sem muita habilidade, era Gabrielle quem sempre fazia isso.

Mesmo assim, escondeu as partes queimadas dos peixes e os ajeitou sobre algumas folhas, colocou numa pedra, enfeitou com algumas flores e frutas, lavou a frigideira e pegou água fresca para beberem.

Gabrielle chegou, sorridente com o presente em mãos, e viu o jantar maravilhoso esperando por ela.

-Você fez isso?

-Sim...Por que a incredulidade?

-Por nada, hehe. Parece delicioso, estou morrendo de fome. Mas, as primeiras coisas primeiro.

Entregou orgulhosa o presente.

-Eu nunca tinha visto isso antes. A vendedora falou que é uma arma de uma cidade distante.

Xena desembrulhou e assim que viu o objeto começou a rir, a gargalhar, sem conseguir se controlar.

-O que foi? Não gostou? –Gabby perguntou com uma cara tristonha.

-Amor...a vendedora te falou que isso é uma arma? Isso...bem...poderia ser uma arma, mas não do tipo que você tá pensando. –Continuava a rir.

-Como assim? Ela falou que dava pra golpear alguém na boca, entre as pernas, não entendi bem o porquê, em qualquer lugar.

-Hahahahahahahahahahaha...Essa vendedora foi muito esperta. E você é muito ingênua, amor.

-Por que?? O que é isso então?

Xena segurou o cilíndro:

-Isso não te lembra nada?

-Hmm...não.

-Nada? Pensa no...no Pérdicas...no Virgil...nada?

-Por que eles? Não me lembra de nada.

-Tá...então pensa na gente...Algo que eles tem e nós não...nada ainda?

-Xena..seja clara...eu não consigo pensar em....PELOS DEUSES! OHHH...EU...EU...ISSO...

-Finalmente. Se demorasse mais eu ia começar a dúvidar das habilidades do Pérdicas.

-Mas...como? Pra que? Eu....Como que você sabe?

-Bem...-Xena sentiu o rosto corar um pouco- Isso vem de Chin...e quando eu estava lá a Lao Ma me...mostrou...

-Ah...Era isso que você ficava fazendo lá?

-Ei...não...não era isso...Vamos comer?

-Hunf...sei. Está bem...estou faminta.

Sentaram-se ao redor da pedra onde estavam os peixes e comeram. Gabby riu do peixe que estava quase todo carbonizado, mas ainda assim estava delicioso.
Depois se recostaram e ficaram comendo frutas.

-Sabe...esse foi o melhor presente que você já me deu, Xena.

-Ahh..eu digo o mesmo do seu, Gabby. Nós deviamos testá-lo.

-Cala a boca.

(...)

-É...definitivamente...deviamos testá-lo.

[Continua]

Notas finais
Demorei, mas espero que gostem