Quando amanheceu, parecia que o terror da noite anterior não tinha passado de um pesadelo. O calor da manhã renovava e confundia, fazendo com que as lembranças parecessem muito distantes e surreais.

Como de costume, Xena foi tomar seu banho matinal. Não importava o que acontecesse, ela sempre tomava seu banho, ou parecia outra pessoa.

Uma vez teve que acordar e ir direto para uma cidadezinha que estava sendo atacada, e seu humor estava tão terrível que quase começou a ataca-los também, só parando quando Gabrielle jogou um balde de água fria nela.

A Barda preferia tomar banho de noite, gostava de se sentir limpa antes de dormir, mas normalmente tomava de manhã por ter um certo receio do lago escuro. Estava se sentindo inspirada para escrever, então pulou o banho, se sentou à beira do lago com seu pergaminho e sua pena e começou a esboçar uma poesia, enquanto observava sua guerreira se banhar.

-Gabby, a água tá uma delícia. Você não sabe o que tá perdendo.

— Hahaha, tudo bem. Eu passo.

-Ahh, vem cá. Você não quer ficar fedendo, né!? – Disse Xena se aproximando da beira

— Eu nunca fico fedendo, engraçadinha. E não chega perto, você vai molhar meu pergaminho.

-E se eu molhar, você vai fazer o que?

-Nem pense nisso, Xena. Nem pense nisso...

-Você vai me bater?

-Eu poderia, você sabe que eu poderia.

-Aham...claro! Mas eu aguento. – Disse puxando a barda para dentro do lago, molhando suas roupas e seu pergaminho.

-XENA! Eu não acredito! Olha o que você fez!

Gabrielle deu alguns tapas e socos no ombro de Xena, que ria do pergaminho se despedaçando nas mãos dela. Pensou que Gabrielle entraria na brincadeira e ficaria para tomar banho, mas esta saiu irritada, deixou as roupas em cima de uma pedra ao sol para secarem e se enrolou com uma das peles que ainda estava no chão. Xena saiu do lago, se vestiu e foi ao encontro da Barda que não lhe dirigiu o olhar.

-Desculpa, Gabby. Não pensei que você fosse se irritar.

-Devia ter pensado duas vezes. Não teve graça, viu?! Aquela poesia era pra você e você simplesmente estragou.

-Own...me desculpe mesmo, amor. Eu não sabia.

Xena sentou-se ao seu lado e passou o braço sobre seu ombro, enchendo sua face de beijos. Pegou um dos pergaminhos na bolsa dela e o abriu.

-Posso ler?

-Pode.- respondeu ainda meio emburrada.

[Pergaminho VI]

Bem, faz um tempinho que não escrevo nada.

Os dias tem sido bastante tumultuados. É incrível essa vida de guerreira. Antes levavam anos até acontecer algo de interessante, e agora acontecem zilhões de coisas em segundos.

Ontem conhecemos uma mulher, um tanto louca (BEM louca) chamada Callisto. Ela é extremamente maldosa e cruel, e é obcecada pela Xena. Ela diz que foi a Xena que a criou, porque quando a Xena ainda era má, matou toda a família dela. Mas eu não fiquei com pena, quer dizer, ela pode ter sofrido mas só é má porque ela quer. Ela poderia ter sofrido e lutado para evitar que outros sofressem também.

Foi uma enorme confusão, ela conseguiu me capturar e me prendeu numa corda que estava queimando enquanto ela e a Xena lutavam. Um dia acho que ainda vou ter um ataque do coração.

Preciso admitir que me senti um pouco...enciumada. Não sei se é bem essa a palavra, mas a Callisto parecia tão louca pela Xena, que cheguei a pensar que parte dessa loucura era amor. Um amor doentio, violento, mas amor. E não sei porque me senti meio estranha quanto a isso.

Todas as noites, antes de dormir, não consigo evitar de pensar naquele beijo e tentar encontrar um significado para ele. Penso, penso, mas não encontro nada. Esses dias, dormimos bem perto uma da outra para fugir do frio congelante que estava fazendo. Deitamos uma de frente para a outra, e ela me encarava de uma maneira tão forte e indecifrável que senti meu rosto todo arder de vergonha. Ela passou sua mão forte sobre a minha cintura e me puxou para bem perto dela, senti seus seios contra os meus e sua respiração em cima de mim.

-“Deixe-me te esquentar”

Foi a única coisa que ela disse, e eu tentei evitar pensar em segundas intenções da parte dela, não que eu não as queira, mas não sei como lidar com isso. Simplesmente adormeci em seus braços. E tenho que dizer que foi uma das melhores noites em muito tempo, me senti calma, segura...e quentinha.

Bem, agora preciso parar. Tenho que dormir porque amanhã teremos que acordar bem cedo..Aiai.

Gabrielle

-Você achava que a Callisto me amava? – perguntou erguendo a sombrancelha

-Na verdade, eu ainda acho.

-Se ela me ama, então você me idolatra.

-Besta!

-Me perdoa pelo pergaminho?

-Vou pensar.

-Ah...qual é?! Me desculpa, Gabby.

-Só se você lavar a frigideira hoje.

-Você e essa frigideira. Deixa de fazer chantagem.

-Vai lavar e não quero nem saber. Ou vou dormir bem longe de você.

-Tá bom...tá bom...eu lavo.

[Continua]

Notas finais
Espero que gostem. Obrigada pela paciência^^