Pergaminhos íntimos

16 Now I see how much I love you...


Xena despertou assustada naquela manhã. Mais um dos constantes pesadelos que ela tinha, podia sentir sua pele rasgando, e pior de tudo, podia ver sua amada gritando seu nome, chorando.

Pegou um pouco de água e jogou no rosto para ter certeza que era apenas um sonho. Olhou para o lado e viu Gabrielle dormindo ainda, passou o braço sobre a cintura dela e beijou sua nuca.

-Bom dia, Xena – disse virando de frente para a Guerreira.

-Bom dia...Desculpa, não queria te acordar.

-Eu já estava acordada. Você tá bem?

-Sim. Tá tudo bem. Só...tive um sonho ruim...

-Outro pesadelo?

-Queria que fosse outro, mas é sempre o mesmo pesadelo. Sempre as mesmas imagens...

-Ah...não fica assim, Xena. São apenas sonhos. Vamos esquecer isso, tá?

A Barda olhou pra ela maliciosamente, colocou seu corpo por cima do dela e a beijou. Segurava sua cabeça com uma das mãos, quase a devorando. Sua outra mão explorava todo o corpo, as coxas grossas e fortes, a cintura...

-Ainda temos um presente para testar, lembra?

Xena mordeu o lábio inferior, tentando controlar a vontade.

-Isso é maldade, Gabby. Você sabe que temos que viajar hoje.

-E você prefere a viagem ou o presente?

-Gabrielle, infelizmente não depende do que eu prefiro, e sim do que temos que fazer.

-Hmm...está bem então.

Ela levantou repentinamente, jogando as peles pra cima da Xena e caminhando até as roupas, enquanto o corpo nu reluzia com a luz do sol, deixando a Guerreira cada vez mais arrependida de ter que sair.
Gabrielle sabia que tinham obrigações, e que não era culpa de nenhuma das duas, mas ao mesmo tempo ela queria que Xena renunciasse às obrigações, mesmo que no final acabassem indo. Só pra saber que ela era mais importante do que o resto das coisas. Se sentia egoísta por pensar assim, afinal Xena já fizera tanto por ela, e a salvara tantas vezes, que não era preciso muitas outras provas de amor, mas ela começara a se cansar daquela vida, de não ter tempo para ficarem a sós. Uma parte dela queria ter ficado no acampamento amazona quando tiveram chance. Ela, Xena e Eve poderiam estar lá em paz, lutando eventualmente, mas sem os constantes riscos de morte, viagens e deveres.

Xena organizou as coisas enquanto ela se vestia. Ela observou sua Princesa e como ela era perfeita. Tudo nela era maravilhoso, e mesmo depois de tantos anos, seu coração ainda acelerava quando aqueles olhos azuis pousavam sobre ela. Mesmo que tudo estivesse dando errado, aquele abraço sempre a acalmava. Ela a amava tanto que agora percebia que nem todos seus pergaminhos juntos seriam capaz de descrever, nem todos os poetas que ela tanto admirava poderiam colocar em palavras o que ela significava.

Saiu um pouco de seu devaneio e começou a guardar algumas coisas também. Xena se aproximou e a abraçou por trás, deitando a cabeça em seu ombro.

-Me desculpe, Gabby. Eu também queria que tivessemos mais tempo pra nós – Disse como se tivesse lido seus pensamentos.

-Tudo bem, amor. Não é culpa sua. Eu não devia ter ficado brava.

-Você tem todo o direito de ficar brava. E eu entendo se você não quiser vir comigo.

Gabrielle se virou, passando suas mãos pela cintura nua de Xena e beijando seu rosto.

-Xena, com você eu vou pra qualquer lugar. Só com você eu posso ter paz, mesmo no meio de uma guerra.

Xena sorriu, beijou a testa de sua pequena e se vestiu.

-Vamos...a viagem vai ser longa.

[continua...]

Notas finais
Desculpa o capítulo curtinho. Só pra ninguem me bater hehehe...Depois eu coloco mais. Espero que gostem