Pergaminhos íntimos
12 Nothing without you
Durante toda a viagem, Gabrielle não conseguia se controlar. Seu coração pulava dentro do peito e a respiração era rápida e forte. Era por coisas assim que ela não gostava de ficar esperando em outro lugar.
Não conseguia evitar de se culpar por ter deixado sua guerreira sozinha e machucada num lugar estranho.
O homem que a acompanha explicou que o exercíto era realmente fraco e chegaram a depender quase que exclusivamente dela, sendo que seus inimigos eram jovens, saudáveis e numerosos. Um dos “soldados” dela perdeu a espada e ficou parado, congelado de medo, enquanto dois avançavam em sua direção. Xena viu a cena e gritou para que ele se movesse mas não adiantou, então ela tentou salvá-lo mas não conseguiu conter os soldados inimigos e acabou muito ferida. Mas assim que viram Xena caída não chão, as tropas inimigas se retiraram a mando de seu comandante que observava tudo de longe.
Se eu estivesse lá, isso não teria acontecido... – pensava a Barda.
Os poucos homens que sobraram vivos improvisaram um acampamento e colocaram o corpo de Xena em uma cama feita às pressas. Um deles foi até a cidade mais próxima em busca de suprimentos e de um médico.
Chegando ao lugar, Gabrielle saltou do cavalo e correu em direção à tenda que o homem apontou.Entrou como um furacão e se debruçou sobre o corpo da sua amada, beijando seu rosto.
Xena abriu os olhos lentamente, soltando alguns gemidos de dor. Seus olhos encontraram o da Barda e abriu um sorriso de alívio.
-Amor... – disse tentando erguer a mão para acaricia-la, mas não tinha forças.
-Eu to aqui agora, Xena. Desculpa não estar do seu lado antes. Mas vai ficar tudo bem. Eu prometo.
O médico entrou na tenda trazendo panos limpos e olhando friamente para Gabrielle.
-Ela precisa descançar.
-Não! Ela precisa de uma pessoa competente para cuidar dela, isso sim! Você que fez esses pontos? Olha que horror. Até uma criança faria isso melhor! – gritou Gabrielle com raiva, pegando os panos das mãos dele.
O homem continou a olhar pra ela com frieza e indiferença e saiu de lá. A Barda começou a preparar o que precisava para cuidar direito da sua guerreira. Pegou algumas ervas que ajudariam a amenizar a dor e desinfectariam aqueles machucados. Desfez os pontos, limpou com cuidado e os refez, dessa vez da maneira certa.
Limpou outros machucados menores e preparou uma infusão com as ervas para que Xena bebesse.
-Eca...- reclamava a guerreira.
-Você tem que beber,Xena. Vai ajudar.
Ela bebeu à contragosto, fazendo uma careta. Gabby ria e olhava para ela, acariciando de leve seus cabelos negros.
-Deita aqui comigo...
-Xena...essa “cama” nunca vai aguentar nós duas.
-Ahh, Gabby...claro que vai. Você é levinha...a não ser que tenha comido demais enquanto eu tava longe.
-HA HA HA...pelo jeito o chá já te deixou muuuito boazinha, né?! Tá até fazendo piada.
-Vai deitar?
-Xena....não sei se você viu, mas você tá deitada num monte de palha amarrada em quadrados e cobertas por um pano. Mal tá aguentando você aí.
-Aguenta sim..vem cá...
-Para ou eu faço um chá pra você dormir. O que você precisa agora é descançar.
Xena reclamou um pouco por não ter seu desejo atendido, mas a Barda a silenciou com um beijo profundo e puxou uma cadeira para sentar ao seu lado e ficou acariciando-a até que adormecesse.
Ainda bem que ela está bem...Eu nada seria sem você, Xena.
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