Perfeitos Opostos
12 Visita
Notas iniciais
Os pingos fracos caiam sob o rosto de Alexander e ele só conseguia pensar em voltar e terminar aquele beijo, mas era loucura. Ele e Lohana não pertenciam ao mesmo mundo, nem pareciam ter nada em comum.
Um homem esbarrou em Alexander que ainda estava parado na calçada em frente ao prédio de Lohana. Ele voltou a si e saiu andando de volta para casa. Mais tarde, quando a noite começava a cair, a campainha da casa de Alexander tocou. Ele e seus pais estavam na sala conversando, mas sua mãe mais do que depressa levantou e atendeu a porta.
— Olá, senhora Wallace. – Disse Lohana sorridente.
— Olá, querida. Entre, vou chamar o Alexander. – Simone retribuiu o sorriso.
Lohana entrou e ficou aguardando Alexander, logo em seguida ele apareceu.
— Oi. – Ele disse. – Você quer subir?
Lohana assentiu e o seguiu pela escadaria até o quarto de Alexander. Quando entraram ele fechou a porta e sentaram-se na cama.
— Você parece estranha. Está tudo bem, Hana?
— Na verdade não. Denise, ou melhor, minha mãe, foi internada no hospital de novo. Meu pai me ligou, ela fica pedindo para ver eu e Max. Ela acha que tá morrendo, mas na verdade ela teve uma overdose de alguma droga e a cabeça dela tá confusa.
— Porque não vai vê-la? – Alexander estava confuso.
— Ela nos abandonou quando éramos crianças, eu tinha 8 anos e Max 11. Ela sumiu sem dar notícias, mas alguns dias depois a polícia achou ela em um beco desmaiada numa cidade vizinha. Ficou alguns dias internada numa clinica de reabilitação, mas aprontou tanto que foi expulsa e sumiu de novo. Ficamos anos sem saber dela, mas quando ela perdeu tudo que tinha procurou meu pai pedindo ajuda, então às vezes ele compra comida pra ela e leva no apartamento dela. E ontem ele foi e encontrou ela quase morta, ele disse que foi por pouco. – Uma lágrima escorreu no rosto de Lohana, mas ela rapidamente a limpou com a mão. — Desculpa estar despejando isso em cima de você assim, mas eu preciso de um conselho e eu sei que você vai ser sincero comigo, Alex. Sei que ela é minha mãe, mas não consigo perdoa-la pelas coisas que fez. Meu pai trabalhava duro pra nos sustentar e ela gastava o dinheiro com drogas e bebidas, deixava eu e Max sem comer o dia todo. Às vezes ainda batia na gente quando pedíamos comida. Meu pai chegava tarde, cansado e tinha que cuidar da gente. Foi quase um alivio quando ela foi embora.
Lohana olhou para Alexander e depois ficou cabisbaixa olhando para o nada. Alexander, depois de alguns segundos de silêncio olhando para ela, respondeu.
— Acho que deveria ir até lá, você não precisa perdoar ela agora, ou sequer um dia perdoar, mas se acontecer algo com ela você vai se sentir mal depois.
— Mas eu não vou saber o que falar.
— Não precisar dizer nada, Hana. Sei que ela vai ficar feliz só em te ver, e acho que deveria ir agora mesmo.
— O que? – Lohana olhou para Alexander de olhos arregalados. — Agora?
— Sim, não estou te forçando nem nada do tipo, mas porque não? Eu vou com você. – Alexander levantou da cama e estendeu a mão para Lohana. — Qualquer coisa que acontecer eu vou estar com você, somos amigos.
Alexander deu um sorriso que Lohana retribuiu enquanto pegava na mão dele. Alexander pediu o carro do pai emprestado e em poucos minutos os dois já estavam parados em frente a porta branca do hospital que marcava o número 102 na porta. Lohana respirou fundo.
— Quer que eu entre com você? – Perguntou Alexander.
— Quero, e se ela começar a surtar ou algo do tipo você me tira de lá correndo.
Ele apenas assentiu e então Lohana abriu a porta. Denise estava deitada na maca e acordou quando viu a filha entrando no quarto. Seus cabelos loiros e cacheados não passavam de um emaranhado de fios, e estava magra e com muitas olheiras. Alexander ficou parado próximo a porta, enquanto Lohana aos pés da maca.
— Lohana, é você mesma? Ou estou apenas alucinando? – Perguntou Denise em choque.
— Sou eu mesma. Meu pai disse que você estava aqui e queria me ver. – Lohana não esboçava nenhuma reação.
— Oh, Daniel sempre tão bom... Mas você está tão bonita e crescida, sente aqui perto de mim.
Em passos lentos, Lohana vai até a poltrona branca ao lado da maca e senta.
— Como você está? – Pergunta ela para Denise.
— Péssima, mas eu não quero falar de mim, eu quero saber como você está. E onde está seu irmão?
— Estou bem. – Lohana deu de ombros. – Max tá por aí, você não podia esperar que ele viesse. Ele é como você, teimoso e impulsivo.
— Soube que não é só nisso que ele é parecido comigo. Também anda metido com coisas que não deveria, e não vai bem na escola.
— Nisso tem razão. Max é um tanto quanto complicado, mas sempre esteve comigo quando precisei. – Lohana olhou fundo nos olhos verdes de Denise. — Você é quem deveria estar lá.
— Eu sei, Lohana. Não tem um dia da minha vida em que eu não me arrependa das coisas que fiz naquela época. E por muitos anos eu tentei ser uma pessoa melhor, queria me reaproximar de vocês, tentar ser um pouco da mãe que eu deveria ter sido, mas eu não consegui. Esse vicio me consome e acaba um pouco mais comigo a cada dia. Eu não espero que você ou seu irmão me queiram por perto algum dia, mas eu gostaria muito que me dessem esperança de me perdoar em algum momento. – As lagrimas brotaram eu seus olhos.
— Eu não posso te perdoar agora. – Lohana pegou a mão de Denise. — Mas talvez se você se esforçar de verdade, eu possa. Um discurso não apaga as coisas que aconteceram, mas daqui para frente pode tentar ser o que você queria ser. Fique na clinica de reabilitação, prometa que vai se comportar, e eu vou te visitar. Não posso falar por Max, mas quem sabe, vendo que está se esforçando, ele possa querer lhe ver.
— Você é como seu pai. – Denise falou sorrindo, mas as lágrimas ainda caiam em seu rosto.
— É, as pessoas costumam me dizer isso. – Lohana sorriu também, e só aí lembrou que Alexander ainda estava ali. — Ah, eu esqueci de lhe apresentar meu amigo Alexander. – Lohana apontou para ele.
— Olá, senhora. – Alexander se aproximou e estendeu a mão para Denise.
— Meu Deus, eu nem tinha lhe visto aí. Mil perdões por toda essa situação meu jovem. – Denise segurou a mão de Alexander por alguns segundos, depois soltou e enxugou as lágrimas.
— Acho que agora deveríamos ir. – Disse Lohana. — Temos aula amanhã. Quando você for transferida peça para papai me avisar.
— Claro, querida. Fico feliz que tenham vindo, se cuidem.
Lohana passou a mão no cabelo de Denise, depois pegou Alexander pela mão e saíram dali apressadamente. Lohana só parou quando chegaram no estacionamento, jogou-se nos braços de Alexander e deixou as lagrimas virem.
— Está tudo bem. – Ele disse acariciando os cabelos de Lohana sem jeito. — Eu estou aqui.
— Você não sabe o quanto foi difícil, Alex. Difícil ver ela naquele estado. – Disse entre soluços.
Alexander afastou o rosto de Lohana e o segurou entre suas mãos.
— Eu tenho certeza que você não teve culpa de nada, e se ela realmente te amar, ela vai tentar. Eu vou te deixar em casa, ok?
Lohana assentiu e os dois foram até o carro.
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