Perfeitamente Imperfeitos
5 Quer Apostar?
Ele me achou.
Eu tenho que sair daqui, grita minha mente. Eu tenho que correr, ele não pode estar aqui, meu Deus! Como ele me achou? Como sabe meu numero?
Olho para todos os lados, eu estou apavorada, eufórica, o ar está saindo meus pulmões e por um momento acho que vou desmaiar, sinto vontade gritar, mas não sai voz, parece àqueles pesadelos horríveis que algo terrível está acontecendo, mas você não pode se mover ou falar, apenas chora silenciosamente. Só que aqui não é um pesadelo e sim é a realidade.
Coloco todas as coisas de um jeito desarrumado dentro da bolsa, fecho a sombrinha e faço um sinal para o Pietro vir até aqui, ele me olha confuso e eu insisto. Ele sai da água com a Penny e vem até mim.
–O que houve? – Pergunta.
–Temos que ir – falo eufórica.
–O que? Por quê? Chegamos não faz nem duas horas.
–Por favor, me tira daqui agora! – As lágrimas começam a cair por meu rosto.
–Tudo bem – ele diz confuso e aparentemente preocupado. – Me da às coisas.
Ele coloca a Penny no chão e eu entrego as coisas para ele. Penny ergue os braços para mim e eu a pego.
...
Pietro estaciona na frente de casa, e entramos. O caminho a única voz que se ouvia era a da Penny cantando as musicas do brinquedinho dela. Minha mente estava na voz do telefone “Vamos ficar juntos para sempre, nós quatro de novo”.
Não, não, não!
Estou na sala, o Pietro falo que vai dar um banho na Penny e diz que pediu uma pizza, mas eu não ligo, não estou com fome. Não sinto nada de novo, além de medo e eu odeio sentir isso. Eu jurei, jurei que nunca o sentiria de novo.
Minutos depois Pietro desceu as escadas segurando a mão da Penny, ela correu até mim.
–Mel, brinca comigo? – ela sorri.
–Daqui a pouco – forço um sorriso.
–Não, agora! – Choraminga.
–Penn, fica assistindo ai que depois a Mel brinca com você tá? Vou falar com ela ali. Sente ai e assisti – Pietro sorri para ela.
Penny assente e se esforça para subir no sofá.
–Podemos conversar? – Pietro me olha.
Assinto com a cabeça e pela mão ele me leva até a cozinha.
–Ok, o que aconteceu Melanie? – Pietro me faz sentar em uma das cadeiras.
–Nada – olho para o chão.
–Nada? Você saiu de lá chorando, tava com medo. O que houve?
–Não foi nada.
–Eu vi você falando ao telefone, quem era? – Ele puxa uma cadeira para minha frente e senta.
–Ninguém.
–Melanie, se você não falar eu vou ligar para sua mãe e falar sobre isso.
–Não! – Grito. – Você não pode falar para ela.
–Então me fala, eu estou preocupado – Pietro ergue meu rosto com a mão e me olha nos olhos.
–Não posso, por favor, apenas... Esquece. Não me faz passar por isso! –Imploro.
–Tudo bem. Você pode falar comigo quando sentir que pode confiar em mim – ele me da um meio sorriso e sai da cozinha.
Fico ali por mais alguns minutos e vou para a sala. Pietro está sentado no sofá com a Penny no colo, ela está impressionada com alguma coisa que o Pietro está segurando.
–Oi – digo. – O que estão vendo?
–O gatinho fala Mel, ele fala tudo que eu falo – Penny ri.
Sento ao lado do Pietro e vejo que ele está segurando o Ipad e que o gatinho que fala é um aplicativo.
–Nossa, que legal! – finjo estar impressionada.
–É – ela grita de felicidade. – Qual o nome dele?
–Não, sei. Pode escolher – Pietro sorri.
–Vai ser Lolly – Penny diz.
–Que nem o gatinho da Soph? – ri.
–Sim – ela ri.
À tarde ficamos da piscina com a Penny, ela estava batendo os pés loucamente enquanto o Pietro a colocava para boiar, pedimos comida, assistimos Monstros S.A com a Penny, então ela dormiu. Eu fui para o meu quarto e também dormi.
...
Acordo com meu celular tocando embaixo do meu travesseiro e gemo. Quando eu finalmente consigo dormir essa droga toca. Olho a tela, o nome do Nick aparece na tela, deslizo o slide e atendo.
–Oi – falo.
–Te acordei? – Nick pergunta.
–É – sorri.
–Desculpa – ele diz. – Liguei pra avisar que a gente já chegou. Eu vou ter que dormir no sofá – ele choraminga. – Livie pegou o quarto com a cama, o outro quarto foi transformado em alguma coisa parecido com um jardim, armário de roupas que não servem e o colchão está fedendo tanto que parece quem tem algo morto. Eu e a Livie concordamos de revezar o quarto que sobrou hoje quem dorme é ela.
–Quando eu fui ai a última vez todos os quartos estavam perfeitos – sorri.
–Porque com você tudo é perfeito – ele ri.
–Isso foi muito tenso, mas fofo – ri.
–Nós vamos para a festa da piscina dos vizinhos, eles perguntaram por você, a Mary e o Will.
–Fala que eu mandei um ‘oi’ para eles – digo.
–Claro. Linda, eu tenho que ir, beijo, eu te amo – ele diz.
–Beijo – sorri.
Deixo o celular cair ao meu lado e levanto da cama. Dou uma olhada no espelho e meu cabelo está uma bagunça, o arrumo com os dedos e desço para a sala.
Pietro não está lá. O céu já está escuro, então é obvio que já passou das cinco. Vou para a cozinha e Pietro está lá no fogão mexendo alguma coisa.
–Você cozinha? – arqueio uma sobrancelha.
–Você acordou – ele sorri. – Já estava quase indo lá em cima para ver se você ainda estava viva, e sim eu cozinho. Quando se mora sozinho não se pode viver a base de pizza.
Sento em uma dos bancos do balcão e apoio meu rosto na mão.
–A Penny já acordou? – bocejo.
–Sim, ela acordou há uma hora e está lá fora brincando. – Ele me olha.
–Que horas são?
–Oito.
–Eu dormi por cinco horas? – arregalo os olhos.
–É o que parece – ele da de ombros.
–O que você tá fazendo? – levanto e vou até ele.
–Macarronada – ele me olha.
–Isso não vai prestar – eu sorri.
–Claro que vai – ele diz.
–Bom, acho melhor eu fazer alguma coisa que encha a barriga para comer de sobremesa – arqueio uma sobrancelha.
–Tá duvidando que eu saiba cozinhar? – ele cerrou os olhos.
–Sim.
–Eu também duvido que alguma coisa que você faça fique boa – ele faz careta.
–O que? A Penny adora as sobremesas de chocolate que eu faço.
–Porque a Penny gosta de tudo que é de chocolate e ela tem um ano e meio – ele revira os olhos rindo.
–Eu duvido que você faça alguma coisa melhor que a minha – faço bico.
–Quer apostar? – ele abre o seu lindo e sexy sorriso de lado. Meu deus, como pode só um sorriso ser perfeito assim?
–Claro – falo.
–Ok. Se o meu ficar bom, você vai ter que se jogar na piscina do jeito que estiver – me olha.
–Tá. Se o meu ficar bom, você vai ter que jogar Just Dance 3 comigo, e minha pontuação é sempre maior – pisco.
–Vamos ver – ele ri.
...
Eu fiz cookies de Nutella e coloquei para assar, Pietro está terminando de fazer o molho, enquanto eu brinco com a Penny.
–Penny, amanhã é o aniversário da Vivy não é? — pergunto.
–É – ela senta no meu colo. – A tia Júlia vai levar eu e a Maya para dormir na casa dela, vai ser uma festa do pijama.
Minha irmã com nem dois anos já está indo para festas do pijama, claro que com hora pra dormir e filmes da Barbie ou qualquer outro desenho que elas gostem.
Eu ri.
–Acho que os cookies estão prontos, Melanie – Pietro grita da cozinha.
Vou até a cozinha com a Penny. Ela vai para perto do Pietro que está terminando de colocar o molho na macarronada. Coloco uma luva e abro a porta do forno, tiro a bandeja e coloco na pia.
–Pronta para pular na piscina? – Pietro me desafia.
–Não vou precisar – pisco.
–Não teria tanta certeza se fosse você – sorri.
–Vamos ver – sorrio.
...
–Ai meu Deus — eu ri. — Sua macarronada tá doce.
–O que? Não tá não — ele faz careta.
–Tá sim. Tá horrível, acho que prefiro viver a base de pizza do que ter que comer sua macarronada outra vez.
Pietro come um pouco do seu prato e faz uma careta horrível e eu riu mais ainda.
–Porque você colocou açúcar? — perguntei.
–Eu não coloquei açúcar — ele diz. — Coloquei sal. Olha o pote ali.
Levanto da mesa e vou até a pia, abro o pote, coloco meu dedo lá e depois na boca.
–Isso é açúcar refinado — ri descontroladamente.
Pietro coloca o rosto entre as mãos rindo muito também.
–A Penny gostou — Pietro sorri.
Olho para Penny que está pegando tudo com a mão e enfiando na boca, ela está toda cheia de molho e continua comendo.
–Penny você gostou? — pergunto para ela.
Ela levanta o rosto todo lambuzado para mim e balança a cabeça afirmativamente.
–Você que vai dar banho nela — falei.
–Porque eu? — reclamou.
–Porque você foi idiota o suficiente pra deixar o prato perto dela — sorri.
–Agora eu preciso tirar esse gosto da minha boca — Pietro fala.
Ele pega um cookie e morde, depois pega um guardanapo e coloca pra fora de novo.
–Isso tá mais salgado que o normal, acho que eu preciso de água — ele vai na geladeira, pega a garrafa de água e coloca no copo.
–Eu não coloquei sal — falo. — É pra ficar doce.
Pego um cookie e mordo.
–Ok, tá um pouco salgado sim — falo.
Pego a garrada da mão do Pietro, coloco água no copo e bebo tudo.
–Um pouco? Isso aqui tá sal puro — ele ri. — Vamos ver se a Penny gosta.
Pietro parte um pedaço pequeno de cookie e da pra Penny comer.
–Tá bom? — O Pietro pergunta.
E ela balança a cabeça afirmando que sim.
–Essa menina come de tudo — Pietro ri.
...
–Ela dormiu — suspiro enquanto desço as escadas.
–Finalmente — Pietro sorri. — Hora de pagar a aposta, só que agora eu quero trocar a minha. É muito besta.
–Nós dois perdemos querido — falo. — Você também tem que pagar. Por o que você quer trocar?
Ele abre um sorriso lento e malicioso. Se aproxima do meu ouvido e sussurra.
A sua resposta faz meu estômago gelar.
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