Agarrei o antebraço do Pietro enquanto sentia minhas pernas fraquejarem, ele me olhou alarmado e passou o braço em volta da minha cintura me segurando.

–Mel – Pietro fala. – Você está bem?

–Claro que ela está – o outro fala. – Não é Lie?

Levanto o olhar para ele e vejo seu sorriso no rosto.

–Enzo – sussurro.

–Eu te liguei esses dias, queria te encontrar já que estou na cidade – ele sorri. – Milão é ótimo, mas estar em casa melhor ainda. Você e sua mãe se mudaram? Fui na sua antiga casa, mas quem mora lá agora é um casal de asiáticos.

–Sim, nos mudamos – falo.

Pietro olha a cena confuso e então Enzo percebe a presença dele aqui e arregala os olhos.

–Quem são esses? – olha do Pietro e da Penny para mim. – São seus...

–Namorado e filha – digo rápido.

Pietro nos olha mais confuso ainda e está prestes a falar, mas eu o interrompo antes.

–Vamos querido? – Falo para o Pietro.

–Hm, é, claro – Pietro murmura.

–Mel? – Enzo fala com sua voz gélida. – Que tal nós nos encontrarmos amanhã para relembrarmos os velhos tempos?

–Não acho que seja uma boa ideia – falo sem olhar para ele.

–Um abraço de despedida? – Enzo abre os braços.

Com relutância me aproximo dele e ele me abraça forte, diferente de alguns anos atrás ele está mais forte e duro, ele aproxima sua boca do meu ouvido.

–Você é minha esqueceu? – sussurra. – Porque eu não.

Me solto dele e volto para perto do Pietro, pego ele pela mão e saio o puxando para longe, olho para trás e Enzo está lá sorrindo para mim.

–O que acabou de acontecer? – Pietro para na minha frente.

Penny parou de brincar com seu ursinho e está com a cabeça encostada no ombro do Pietro obviamente com sono.

–Eu te explico quando chegarmos em casa, agora me tira daqui – falo.

–Tudo bem – ele diz.

...

Depois de colocar a Penny para dormir e eu ter colocado minha camisola de seda preta, uma das únicas que eu tenho e que foi a minha mãe que comprou e ter pensando no que dizer eu bati na porta do quarto do Pietro, ele mandou entrar e eu abri a porta. Pietro está sentado escorando as costas na cabeceira da cama, seu notebook está no criado-mudo e ele está só com uma bermuda.

–Não precisa bater – ele me olha.

–Nunca se sabe quando você vai estar mais indecente que isso – aponto para ele com o queixo.

–Não estou indecente, apenas confortável – ele da de ombros. – Senta aqui.

Vou para o outro lado da cama e sento ao seu lado, tiro as sandálias e puxo as pernas para cima da cama.

–Acho que você me deve uma explicação – ele diz.

–Eu sei, só não sei o que dizer e como explicar isso – estremeço.

–Que tal começar do começo? – ele arqueia uma sobrancelha. – É sempre melhor.

–Eu conheci o Enzo quando eu tinha dez anos, ele era mais velho tinha treze, mas apesar da idade nós erámos muito amigos e com ele foi meu primeiro beijo e depois disso ele meio que ficou mais em cima de mim, na época só erámos eu, ele, Sophie e Kaio, então o Nick chegou e virou meu melhor amigo, eu e o Nick não nos separávamos, meus pais o adoravam e o Enzo ficou com ciúme, sempre fazia coisas ruins com o Nick, uma vez o empurrou na frente de um carro, era quase obsessivo.

Um dia Enzo foi na minha casa para assistirmos a um filme, e ele começou a me fazer perguntas bem intimas, só estávamos nós dois em casa e ele me beijou, eu me afastei, mas ele foi em cima de novo e eu era pequena demais, ele era alto e mais forte, ele continuou me beijando enquanto eu queria me soltar e depois ele tirou meu vestido e foi tirando a roupa dele, quando ele estava quase... lá, o Nick entrou no meu quarto e tirou o Enzo de cima de mim, Nick fazia karatê então sabia o que fazer e só parou quando o Enzo ficou inconsciente.

Nick me ajudou a vestir minha roupa e me tirou de casa, ligou para meus pais e me abraçou enquanto eu chorava com medo até eles chegarem. Minha mãe se desesperou quando me viu assim, meu pai estava com muita raiva, eles falaram com os pais do Enzo, os coitados eram ótimas pessoas, se desculparam e tudo, no dia seguinte mandaram o Enzo para o internato em Milão.

Mas no dia que ele estava indo eu estava voltando da escola com o Nick, nós o vimos entrar no carro e ir embora. Desde então Nick e eu somos melhores amigos, ele me protegia de tudo e quando me pediu em namoro eu estava apaixonada e aceitei e agora deu isso... Entende porque ele é a única pessoa que eu não podia magoar? Ele me salvou quando eu pensei que tudo estava perdido.

Pietro me abraça de lado e eu encosto a cabeça no seu ombro.

–Queria que você tivesse me contado isso antes para que pudesse ter espancado a cara dele hoje mais cedo – Pietro diz com raiva.

–Já passou – digo.

–Obviamente não! – ele me olha. – Era só olhar para a sua cara que podia ver o que você estava assustada Mel.

–Eu não gosto de ficar relembrando e falando sobre isso – sussurro.

–Tudo bem – ele me da um meio sorriso. – Eu estou com fome, você também?

Faço que sim com a cabeça.

–E a Sarah e o Eric? Você avisou para eles que a gente voltou para casa? – o olho.

–Falei, falei que você tinha deixado o fogão ligado e a gente precisava voltar – suspira. – Está vendo? Ser irresponsável da nisso.

–Idiota – sorri. – Vamos comer, a Doroteia comprou tortelete de limão e brigadeiro, tem um monte.

Levanto da cama e arrumo a camisola, Pietro levanta também e me olha impressionado.

–Olha, você está até parecendo gente com essa camisola – ele ri.

–Que graça – mostro a língua.

–Que adulto da sua parte essa atitude – ele cruza os braços sob o peito.

–Deixa de ser chato – resmungo e passo por ele até a porta.

Desço as escadas e ele vem atrás de mim correndo para me alcançar.

–Ah, só para você saber, nossos pais ligaram hoje mais cedo – ele diz. – Estão se divertindo muito no cruzeiro.

–Paris, cruzeiro pelas Bahamas... Espero que a minha lua de mel seja legal assim – digo.

–Se você me convidar para ir junto será legal mesmo que seja ali na esquina – ele sorri.

–E eu te convidaria para a minha lua de mel? Vai ter sorte se eu te deixar ir para o casamento – pisco.

–Quero conhecer o pobre desgraçado que vai casar com você, vou dar a ele as opções de fuga e os motivos para isso – ele suspira dramaticamente. – Ele vai adorar ver você com aqueles pijamas e pantufas de criança, talvez até te confunda com a filha de vocês um dia.

–Você é muito chato – grito.

–E você é uma besta – ri.

Chegamos à cozinha e eu pego o prato de torteletes na geladeira, tem três de limão, duas de chocolate e duas de morango.

Sento em um dos bancos do balcão e pego uma tortelete de limão. Pietro senta na minha frente e pega uma de morango.

–Obrigada – falo.

–Hã? Pelo o que? – me olha.

–Por estar comigo lá e não desmentir a história que sou sua namorada e pais da Penny – sorri.

–Ah, isso – ele ri. – Não tem problema baby.

Reviro os olhos.

–Idiota.

–Linda.

-Ridículo.

-Gata.

–Para de zoar – choramingo. – Chato.

–Amor da minha vida – ele manda beijo.

–Vou te bater – ri.

–Tapa de amor não dói – ele ri também.

–Te odeio.

–Te amo – ele pisca.

–Eu sei — sorri.

–Você é irritante – ele fala.

–E você me ama mesmo assim – faço bico.

–Você que acha – Pietro me olha.

-Eu que sei — pisco.