Perfeitamente Imperfeitos
18 Namorada
Notas iniciais
Os cinco dias com a Livie o Pietro juntos foi no mínimo tenso. Ela flertava com ele de um lado e ele do outro. Sempre que eu os via juntos estavam rindo ou abraçados ou algo assim. Eu não ligo para isso, é besteira, não é como se nenhum do dois nunca tivessem feito isso antes, só que a Livie se ilude fácil demais as vezes e o Pietro é do tipo que sabe iludir, então não quero que ela se magoe, mas hoje é sexta, ela volta para casa e eu e o Pietro vamos para o hotel fazendo onde vai ser o casamento.
–Vamos Mel – Pietro grita da porta. – A gente vai chegar tarde lá.
–Já estou indo – grito de volta e dou um beijo no rosto da Penny. – Até domingo, bolinha. Tchal gente, cuidem dela como se ela fosse sua.
–Pode deixar – Sarah ri. – Vou cuidar dela como se você minha. A gente vai brincar de casinha, para treinar para daqui a alguns vinte anos.
–Pois é – Eric sorri. – Tchal Mel.
Sorri para eles e vou para a sala onde o Pietro está me esperando na porta com os braços cruzados e óculos de sol.
–Vamos? – ele pergunta.
–Sim – falo.
Passo por ele na porta, pego a chave do carro no bolso dele, aperto o botãozinho do destrava e entro no banco do passageiro e jogo minha bolsa de mão no banco de trás do carro e logo Pietro está ao meu lado ligando o carro e acelerando.
–Porque estava estranha a semana inteira? – Pietro pergunta.
–Eu não estava estranha – faço careta.
–Estava sim – me olhou de soslaio.
–Só que foi estranho ver você e a Livie flertando o tempo todo – ri.
–Por quê?
–Apesar de tudo, a Livie é uma pessoa bem iludida e você do tipo que sabe iludir, então... Eu só não queria que ela se magoasse. Eu sou uma pessoa bem protetora em relação às pessoas que eu amo – falo.
–Eu sou do tipo que sei iludir? – ele riu. – Como é?
–Cala a boca – eu sorri. – Eu vou dormir o caminho todo.
–Eu vou ouvir musica e eu gosto de som alto – ele diz.
–Eu quase sempre durmo por fones de ouvido no máximo querido – sorri.
...
–Acorda Branca de Neve, o efeito da maçã envenenada já passou e nós chegamos e aqui o único príncipe sou eu, então ou acorda ou eu vou ter que te dar um beijo. – Pietro fala no meu ouvido.
–Você parece um inseto chato que fica zunindo no ouvido das pessoas quando elas querem dormir – sussurro irritada.
–Eu também te amo – ele ri.
Abro os olhos e vejo uma enorme casa moderna com a parede de fora toda de vidro em todos os quartos, tem uns seis andares, gramado verde, arbustos com flores rosas, bancos espalhados por lá e uma lagoa grande com barcos do outro lado.
–Aqui é lindo – digo.
–É – ele sorri. – Vamos atrás da Doroteia ou da Olivia para nos mostrar os quartos né?
Saímos do carro, Pietro tira as malas do carro e nós vamos até a recepção e sentada em um sofá com lendo uma revista está a Doroteia.
–Doroteia – falo.
Ela ergue os olhos e sorri ao nos vê, levanta e vem até nós, me da um abraço e depois no Pietro.
–Que bom que chegaram – ela diz. – Vou pegar as chaves dos seus quartos.
Doroteia vai até o balcão e fala com o recepcionista. Olho em volta e a decoração é bem moderna, TV de LD em um painel, sofás em U marrom, uma poltrona também vermelha, um abajur grande, escadas de mármore branco de um lado e um elevador do outro. Doroteia volta com dois cartões na mão, me entrega um e da outro para o Pietro.
–Vocês estão no mesmo andar, o seu quarto Mel é ao lado do quarto do meu neto Dave e o seu Pietro é de frente para o da Mel. É no último andar e em cima tem o sollarium, é lá que vai ser o café da manhã amanhã e o jantar hoje à noite.
Seguimos a Doroteia até o elevador e ela aperta o botão. O elevador é espelhado e claro.
–Onde está a Olivia? – pergunto.
–Está como uma louca mostrando para a equipe de decoração o lugar do casamento – ela sorri.
–Imagino – sorri.
Chegamos ao sexto andar e é um corredor largo e com paredes brancas com papeis de paredes de videiras de flores vermelhas. O meu quarto é a última porta a esquerda e o quarto do Pietro na minha frente.
–Seus quartos são esses – ela diz. – Eu vou ficar lá embaixo, se acomodem e o jantar é ás sete.
Doroteia nos da um beijo no rosto e sai pelo corredor. Olho para o Pietro e ele da de ombros e sorri.
–Vamos ver os quartos – ele diz. – O seu primeiro.
–É a mesma coisa – digo.
–Vamos ver – revira os olhos.
Passo o cartão na porta, ela abre, retiro o cartão e entro. Coloco o cartão no negocio da parede e as luzes e o ar condicionado se ligam automaticamente. O quarto tem papel de parede metalizado lindo com alguns desenhos que eu não sei dizer bem o que é, cama de casal com quatro travesseiros e edredom, TV Led, poltrona, mesinha com duas cadeiras, banheiro enorme e frigobar.
–Eu adorei esse quarto – falo e coloco minha mala na parede. – Vamos ver o seu.
Tiro o cartão, as luzes se apagam, fecho a porta e puxo o Pietro para o quarto dele, ele faz o mesmo que eu e entramos lá. As luzes se acendem quando ele coloca o cartão dele é diferente do meu, mais ou menos, tem tudo igual, mas o papel de parede é azul escuro e tem luzes internas no teto.
–O seu é mais legal por causa das luzinhas – resmungo.
–É besteira – ele sorri.
–É né? – falo. – Vou para o meu quarto, quero dormir.
–Você só pensa em dormir? – ele ri.
–É pecado estar com sono? Não, não é – mostro a língua. – E também vou arrumar a roupa para o jantar e pendurar o vestido do casamento.
–Então tá. Faça isso antes das duas e meia, porque as duas e meia em ponto eu estaria na sua porta para irmos desbravar o hotel – ele pisca.
–Desbravar? – ri. – Você me faz rir muito Martins.
–Você é uma besta Devito – ele sorri.
–Dois beijos – mando beijinho com a mão e saio do quarto.
Entro no meu quarto e coloco o cartão no negocio. Coloco minha mala em cima da cama, ligo a TV e está passando algum clipe legal no VH1. Abro a mala, tiro a roupa de hoje à noite e coloco na cama e os sapatos no chão e o vestido de amanhã pendurado no cabide dentro do guarda roupa.
Deito na cama e fecho os olhos. Na minha cabeça não se passaram nem dez minutos e batem na minha porta. Pietro infeliz. Vou cortar a mão dele fora e pregar as pálpebras dele na sobrancelha com prego para ele ver como é quando você quer dormir e alguém não deixa. Ignoro, mas ele bate de novo e começa a me chamar. Levanto com raiva e abro a porta.
–Eu estava dormindo seu desgraçado – falo.
–Agora está acordada – ele sorri.
–Infeliz – resmungo.
–Vamos linda menina e gentil? – ele pisca.
Volto para dentro do quarto, coloco minha sapatilha, tiro o cartão e fecho a porta.
–Eu vou mandar cortarem suas coisas foras quando você tiver dormindo, depois mando cortas seus dedos e depois pregar seus olhos nas sobrancelhas com prego para você ver – digo.
–Ai, ai Mel – ele ri.
Pietro aperta o botão do elevador e enquanto espera vai para trás de mim e coloca as mãos em volta do meu pescoço e fala no meu ouvido.
–Você é adorável.
–Que bom que acha isso – forço um sorriso. – Você é um pé no saco.
A porta do elevador abre e ele ri de mim e nós entramos. Uma garota loira de batom vermelho e olhos azuis, vestido preto vintage, está lá nos olha surpresa e eu faço careta, então o Pietro olha para ela e também arregala os olhos.
–Pietro? – ela abre um sorriso enorme.
–Bela? – ele diz surpreso.
–Carne e osso bebê – ela diz e só então vê as mãos dele em volta do meu pescoço. – Quem é essa?
–Filha da esposa do meu pai, é a Melanie – ele diz ainda em choque. – O que você está fazendo aqui Isabela?
–Prazer em conhecer querida – ela me dá dois beijinhos no rosto. – Pietro insiste em não me apresentar para sua família ainda. Diz que é muito cedo.
–Isabela – Pietro a chama.
–Oi bebê – ela joga os braços em volta do pescoço dele e o beija, depois olha para mim. – Ah, desculpa Mel, eu nem me apresentei direito, eu sou a Isabela a namorada do Pietro.
Okay. Ele tem namorada.
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