Perfeitamente Imperfeitos
8 Culpa
E estamos lá. A nossa respiração é tudo que eu ouço, seus olhos verdes perfeitos são tudo que eu vejo, seu rosto está próximo demais, e então eu fecho os olhos e quase já sinto o beijo, mas uma única imagem passa por a minha cabeça e eu me afasto rápido. Nick. Eu tenho namorado, eu não posso fazer isso com ele. Eu me afasto.
-Não! – falo.
-Desculpa – Pietro arregala os olhos. – Desculpa, não vi o que estava acontecendo.
-Eu preciso de alguma coisa forte para beber – sussurro. – Vou pegar alguma coisa para beber.
Não o deixo e responder e saio correndo para o bar, peço alguma coisa chamada ‘Lucidez’. Pietro está me olhando do outro lado da boate, uma garota loira e com um vestido que não cobre nem metade do seu corpo vai falar com e ele segundos depois eles estão dançando e ela se esfrega nele como uma esponja lavando um prato.
-Aqui está sua bebida linda – o barman diz. – Você é nova por aqui, não é?
- Ah, sou – sorri.
-Aproveite sua bebida – ele abre um sorriso malicioso.
Pago a bebida e volto a dançar. O drink tem gosto de cereja com morango e tequila, é uma delicia, eu acabo rápido e coloco o copo em uma das mesinhas ao lado. A música que está tocando é Work Bitch, e quando termino de terminar a bebida me sinto muito mais animada, meu corpo está leve e apesar da leve tontura que eu sinto estou melhor que nunca. Danço como se minha vida dependesse disso, eu amo dançar e principalmente quando estou sendo observado e posso sentir os olhares de várias pessoas em mim. Fecho os olhos e deixo a musica me levar, mexo os quadris, jogo os braços para cima, desço e subo, passo a mão nos cabelos e desço e levanto novamente. Quando volto a abrir os olhos vejo os olhos esmeraldas do Pietro me observando, ele me olha enquanto a galinha loira beija seu pescoço, seus olhos estão escuros cheios de desejo e eu tenho um fogo dentro de mim por conta da bebida, me viro de costas para ele e aprecio a musica que agora está tocando, tão dançante quando a outra e ainda melhor. Meu cabelo balança como folhas de arvore quando o vento forte bate, estou ciente que provavelmente estou vermelha de calor, mas não ligo e não sinto nada, tinha alguma coisa muito legal naquela bebida que me deixou assim, não ligo para nada só quero dançar.
Vou até o bar e peço ajuda ao barman para subir no balcão, ele gosta da ideia, tira as coisas de cima e me ajuda a subir. Estou em cima agora e os olhares são atenciosos enquanto eu danço uma versão remixada da musica Toxic, e riu igual uma idiota, não ligo para nada mais.
As pessoas começam a gritar enquanto danço e eu fecho os olhos, o fogo que eu estou sentindo parece um incêndio e eu nunca senti nada tão forte assim, eu gosto. Ouço alguém chamar meu nome e abro os olhos, Pietro está gritando por mim e me mandando descer. O ignoro e continuo dançando, a música muda para uma que eu não conheço, mas tão ótima quando as outras.
Então alguém agarra minhas coxas e me coloca no ombro como um saco de batatas, eu começo a gritar para me botarem no chão e bater nas costas e então eu sinto o seu perfume e sei que é o Pietro, ele está me levando para fora por uma porta diferente da que entramos.
-Me põe no seu chão seu idiota – reclamo.
-O que diabos você tava fazendo lá em cima? – ele pergunta e me põe no chão.
Arrumo meu cabelo e ajeito meu vestido.
-Dançando, você é cego ou o que? – coloco a mão na cintura.
-Eu sei o que você estava fazendo – diz. – Mas porque inferno você foi lá para cima?
-É legal, você devia experimentar – sorri. – Agora se me der licença eu vou voltar lá para dentro e terminar minha dança, dessa vez no chão já que algum idiota acabou com a minha festa. – Começo a andar de volta para lá.
-Não, você não vai – ele diz e me puxa por o braço.
Meu corpo fica colado no dele, seu braço vai para minha cintura e ele me aperta mais ainda, não sobra nenhum espaço entre nós. Sinto sua respiração na minha bochecha.
-Eu quero voltar para lá – falo.
-Você está bêbada.
-Eu estou legal, foi só tequila demais na minha bebida – dei de ombros.
-Não!
-Olha, você vai poder voltar para a sua loira com vestido de vadia e eu vou poder voltar a dançar, prometo que não subo no bar de novo – digo e olho nos seus olhos – Por favor.
-Tá – ele suspira ainda me olhando.
Nenhum de nós se move para sair e eu continuo o olhando fixamente e sentindo o seu delicioso e forte perfume, mas aos poucos e com certa relutância seu braço vai deslizando da minha cintura, mas os olhares continuam fixos.
-Obrigada – sussurro e saio correndo de lá. Volto para as luzes coloridas e o gelo seco, eu não posso ficar perto dele com o excesso de álcool que eu tenho no meu sangue agora e com a atração inegável que eu sinto por ele. Tá, o conheço há seis anos, ele nem sempre foi tão lindo e quente, quando nossos pais se conheceram até senti uma quedinha por ele, mas agora? É quase como se ele fosse um ferro e eu um imã que não consegue resistir à atração que sente e para melhorar as coisas eu tenho namorado, n-a-m-o-r-a-d-o, Nick é um cara muito fofo e legal e não faria isso comigo, então eu não posso fazer isso com ele, é horrível.
Volto a dançar muito mais sútil dessa vez, quase não me notam e ainda bem que não viram meu rosto direito.
-Uma bebida? – um garoto aparece na minha frente.
-Aceito – falo.
-Aqui – ele sorri e me entrega uma taça de Martini com um liquido rosa dentro. – Então, aquele seu amigo... Ele joga em que time?
-Oi? Que amigo? – tomo um gole da bebida e engasgo.
-O que te tirou do balcão, eu estava lá na frente, reconheço seu rosto – ele diz. – Ele é bonitão.
-Ah, Pietro gosta de garotas – falo.
-Ah – ele parece decepcionado. – Tá bom, valeu.
Ele sai decepcionado e eu ri. Ai meu Deus, Pietro gay? Seria um desperdício para a humanidade, ok e isso é o álcool falando.
...
A três da manhã Pietro e eu estamos saindo da boate. Estou mais animada que antes, dançamos juntos e não tivemos nenhum quase beijo nem olhares ardentes.
-A última música te animou hein? – ele diz.
-Katy Perry sempre anima – sorri.
-Sei que sim – ele sorri.
-Já dancei aquela musica, no aniversário de uma amiga, ainda lembro como era a coreografia inteira, mas a parte que eu mais gostava era quando ela cantava Kiss me, ki-ki-Kiss me, infect me with your Love – faço a parte da coreografia e quando olho para o Pietro ele está olhando fixamente para mim.
Chegamos ao carro e um carro estacionou próximo demais do carro então não tem como abrir a porta do passageiro sem bater no outro carro.
-Eu entro por a sua porta – falo.
-Tá – ele diz. – Melanie... Antes de entrar eu quero fazer uma coisa enquanto eu ainda estou bêbado e com coragem.
-O que? – pergunto.
-Isso.
E então ele me beija e para minha surpresa eu não resisto. Ele me encosta na parede, uma de suas mãos na minha cintura e a outra na minha nuca, envolvo seu pescoço com minhas mãos. Naquele momento somos apenas nós, nossas línguas em uma dança perfeitamente sincronizada, eu não conseguia mais parar, aquele momento estava perfeito, a música da boate, o céu escuro sob nós e o vento gélido batendo contra nós, mas eu estava incrivelmente aquecida e paramos o beijo.
E eu perco nos seus olhos verdes.
E então eu lembro o que eu havia esquecido por alguns segundos.
E ai vem à culpa.
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