Perfectionist
1 Almost prologue.
Notas iniciais
– Espero não ter feito você esperar demais.
Olhei para o lado e constatei que ela sorria, com seus cabelos vermelhos e esvoaçantes, enquanto seu perfume me embriagava na medida em que se aproximava. O fato de não estar usando os óculos costumeiros deixava à vista os seus olhos avermelhados, que contrastavam perfeitamente com seus lábios, quase da mesma cor. Seus seios fartos, escondidos atrás de um mínimo biquíni, eram convidativos. Suas pernas se cruzaram de forma sensual quando ela se sentou ao meu lado, e seu sorriso alargou ao mesmo tempo que o meu. Ela me entregou uma das bebidas, enquanto eu ainda mantinha presa a minha atenção para suas coxas descobertas.
– Devo cobrir minhas pernas antes que você as devore com o olhar? – ela sussurrou, baixo e sensualmente, ao meu ouvido – Ou talvez possamos usufruir desse seu apetite.
Ela mordeu de leve o meu lábio inferior, me provocando. Deixei a bebida de lado, puxei-a para mais perto de mim envolvendo sua cintura e selei os nossos lábios. Minha língua explorava sua boca com destreza, enquanto minhas mãos percorriam suas curvas sinuosas. A ruiva afagava meus cabelos e arranhava minhas costas. Encontrei o laço que sustentava a parte de cima do seu biquíni – era puxá-lo e ela estaria livre dele.
– Ou talvez vocês devessem “usufruir” desse apetite em um local mais íntimo – a voz rouca soou, de repente, em nossos ouvidos – Em um motel, por exemplo.
A ruiva se separou de mim lentamente, e fitou os olhos azuis que nos observavam ironicamente. Arqueei uma de minhas sobrancelhas quando um sorriso zombou nos lábios do loiro que falara.
– Talvez você devesse cuidar da sua vida, Dobe – eu disse, sorrindo ironicamente – Aliás, ninguém convidou você. Está carente, por acaso?
Karin abafou uma risada e Naruto alargou o sorriso.
– Tsc, cale a boca, Teme – ele disse, cruzando os braços por trás da cabeça – Hinata já está vindo, então eu peço para que você “brinque” com o seu brinquedinho em outro lugar.
– Isso é sério, então? – eu sorri, debochado – Uzumaki Naruto finalmente se firmou em um relacionamento?
O loiro cruzou os braços e me encarou.
– Diferente de você, Uchiha Sasuke, eu tenho um objetivo. Não perco o meu tempo com pessoas desnecessárias – ele disse, e acenou a cabeça em direção à ruiva, que ainda me abraçava – Espero que um dia você também consiga algo bom, Teme.
Naruto olhou novamente para Karin e riu desdenhoso. A ruiva deu de ombros e virou-se para mim.
– Sasuke-kun – a voz de Karin soou enjoativa aos meus ouvidos – Talvez o Naruto tenha razão. Que tal subirmos ao quarto para nos divertir um pouquinho?
– Agora não, Karin – eu disse, emburrado.
Desprendi seus braços da minha cintura e me levantei. Fui até a espreguiçadeira e peguei a toalha, colocando-a em cima do ombro. Logo, eu estava caminhando pela borda da piscina em direção à porta da cozinha.
Não demorou muito para Naruto vir aos tropeços em meu encalço.
– Sasuke, eu-
– Eu já disse pra cuidar da sua vida, Naruto – eu o interrompi, quando ele me alcançou.
Ele suspirou, cansado. Mas, como era de se imaginar, ainda não havia desistido.
– Foi mal, Teme – ele disse – Eu não quis te aborrecer.
Olhei de esguelha para o loiro, e pude ver que seu olhos me fitavam, piedosos.
Uzumaki Naruto era a pessoa mais irritante que eu já havia conhecido, de todas as maneiras possíveis. Ele também não era muito inteligente, o que me obrigava a ser sarcástico com ele grande parte do tempo. Entretanto, ele nunca guardava rancor, por mais que eu agisse friamente ou o menosprezasse. Ele era o meu melhor amigo, e ambos sabíamos disso, embora eu nunca tivesse admitido.
Respirei fundo e desamarrei um pouco a cara.
– Hn – respondi, monossilábico. Pelo canto dos olhos, vi que ele voltou a sorrir, aliviado. E correu para dentro de casa.
A campainha tocou, assim que meus pés adentraram a cozinha. Karin me alcançou e agarrou-se no meu braço, entrelaçando nossas mãos. Revirei os olhos e me manti calado, até chegarmos à sala, onde Naruto já sorria abobalhado enquanto abraçava Hyuuga Hinata, sua tímida — porém gostosa — namorada. Atrás deles, encontravam-se Hyuuga Neji, atacante do time de futebol da universidade e primo ciumento de Hinata, e Mitsashi Tenten, sua namorada. Não pude me conter ao ver a cara emburrada do moreno enquanto Naruto abraçava sua protegida.
– Ora, ora — eu disse, arqueando uma sobrancelha e cruzando os braços, soltando a mão de Karin — O Hyuuga ainda trabalha de babá? Ou veio apenas pela carona?
Seus olhos como pérolas me encararam, frios — não mais que os meus olhos costumavam fazê-lo, obviamente.
– Não seja infantil, Uchiha — ele disse — Foi o Naruto quem me chamou aqui. Culpe a ele.
– Que seja — eu disse, dando de ombros — Vou me vestir. Desço em instantes.
Senti um puxão quando Karin segurou novamente o meu braço e pediu para que eu a esperasse, enquanto Naruto e Neji trocavam olhares insatisfeitos abraçados às suas respectivas namoradas.
Observei Karin sorrir e virei o rosto na direção contrária.
– Talvez agora eu possa satisfazer a sua fome — ela sussurrou sensualmente em meu ouvido, e seus olhos se fecharam quando selou os lábios no meu pescoço. — Ótimo — ela disse, quando viu o sorriso largo que se formou em meu rosto.
Meus braços envolveram sua cintura e eu a puxei rapidamente pela escada, adentrando o quarto no segundo andar e trancando a porta, para que não fôssemos interrompidos quando Naruto viesse reclamar da nossa demora.
Karin era, de fato, muito bonita (Claro. Uchiha Sasuke jamais saiu com uma garota que não fosse atraente). Era chefe das líderes de torcida e, de longe, a mais desejada pelos caras da faculdade. Ela tinha longos cabelos vermelhos, que caíam alguns centímetros sob sua cintura fina e estonteante. Seus seios fartos eram o motivo dos sussurros entre os rapazes. As curvas, muito bem delineadas sob as roupas justas, eram as mais belas de todo o campus, como o Inuzuka teimava em repetir aos quatro ventos. A mim, porém, eram suas pernas que agradavam. Eram sempre descobertas e tentadoras. Talvez, eu pensava, eu tivesse sorte por tê-las exclusivamente para mim. Mas nenhuns desses motivos são os reais a me prenderem à Karin. Talvez nunca fossem.
Ela era o mais perto possível da perfeição. E eu, perfeccionista como sou, me orgulhava disso. Eu não gostava realmente dela, tampouco a amava. Ela, porém, me satisfazia e eu a desejava, sem poder negar. Seu corpo sinuoso me enlouquecia e ela sabia disso. Ao meu ver, não era uma namorada com quem eu quisesse passar o resto da minha vida. Era como se fosse descartável. Sempre foi assim e continuaria sendo, independente da opinião do Uzumaki ou de qualquer outro.
Se era errado o que eu estava fazendo? De forma alguma. Ela conhecia as regras, por ser eu a ditá-las, e aceitou cada uma delas de bom grado. Karin era o meu brinquedo e a minha distração, e eu não a descartaria tão cedo.
Era perfeito.
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