Perfect isn't easy
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ser perfeito não era fácil, mas era ele. Tinha essa palavra como um propósito de viver desde criança, por conta de sua família, uma que por gerações ficou encarregada da defesa de Hoshido, aquela terra farta regada pelo sol. Lutava diariamente enquanto crescia para mantê-la daquela forma perfeita que se lembrava, cheia de vida e sorrisos, protegendo a princesa Sakura junto a sua colega Hana.
Não que não houvessem dias difíceis, mas se haviam não era pelas pessoas a sua volta, certamente, mas por conta daquele reino frio que quando podia colocava uma nuvem sobre aquela terra ensolarada, sua última aquisição sendo retirar o irmão mais velho de sua protegida, o príncipe Corrin, de sua família e terra natal. Mantendo-o naquele reino sombrio até que todos eles nem ao menos lembrassem de seu rosto.
Que alívio foi para todos quando, apesar de viver tantos anos com outros irmãos e irmãs, Corrin escolheu por lutar ao lado deles, defendendo Hoshido contra Nohr. Também, Subaki não estava presente quando o incidente aconteceu, mas ouvir o relato da princesa Sakura havia sido o suficiente, como o príncipe poderia confiar em Nohr quando seu rei quase o havia matado ao enviá-lo em uma missão suicida?
Contudo, entendia um pouco a expressão pensativa que Corrin tinha quando achava que ninguém o estava vendo. Se o mesmo tivesse acontecido com Subaki, que não tolerava cenários menos que perfeitos, ele ficaria perdido, no mínimo.
Entretanto, aquele rapaz os liderava no campo de batalha com não menos confiança, com a intenção de resolver o conflito da forma mais pacífica possível, o que não o impedia de utilizar a sua espada Yato quando não houvesse outra alternativa. Para ser sincero, pelo menos consigo mesmo, Subaki o admirava por isso. Desse modo, talvez fosse menos pela insistência do príncipe e mais por essa admiração que o tivesse feito permitir aquela aproximação inusual.
Subaki não tolerava que uma pessoa como ele, que sempre estava concentrado em atingir um grau cada vez mais alto de perfeição, cometesse erros. Ficava tão obcecado com isso por vezes que quando inevitavelmente algo acontecia ele podia tomar algumas decisões drásticas. Falhar em frente as pessoas era pior que morrer, ainda mais se uma dessas pessoas se tornava tão importante para ele.
Corrin, no entanto, não parecia se incomodar com o estômago dele roncar nos momentos mais inapropriados.
— Ei, a gente podia conseguir algo para comer no Mess Hall. — O príncipe teria dito com um riso leve, as bochechas avermelhadas pelas carícias que estavam trocando antes da interrupção, sem tentar ferir mais aquele ego já tão ferido.
— Ah, não precisa... que humilhante. — Nesses momentos, Subaki nem tentava disfarçar com seu tom convencido, sentindo seu rosto tão vermelho quanto estaria se estivesse com febre.
Sentou-se na beira da cama do casal se sentindo deprimido. Observou com surpresa as roupas espalhadas pelo piso de madeira e pela cama. Desde que tinham se aceitado mutualmente como amantes, Subaki tinha tentado relaxar mais esse peso nos ombros de tentar ser perfeito o tempo todo. De certa forma, apesar de se sentir quase morrendo de embaraço no momento, ele tinha feito alguns avanços.
Antes de conhecer Corrin pessoalmente, Subaki nunca teria feito aquele tipo de bagunça. Seu cabelo devia estar em uma bagunça similar, e só de pensar nisso o incômodo começou a aparecer mais, uma vez que só porque estava tentando relaxar esse lado não queria dizer que abandonaria aquela parte tão importante sua.
Talvez lendo seus pensamentos, sentiu as mãos de Corrin em seus cabelos. Ao tentar virar o rosto para vê-lo, Corrin pediu para que permanecesse onde estava que não demoraria. Seu cabelo foi penteado e preso na forma como geralmente se apresentava ao grupo, com o cabelo ruivo amarrado em um rabo de cavalo alto, majestoso, perfeito.
— Agradeço, Corrin — Subaki falou com um sorriso mais contente —, já estou me sentido um pouco melhor.
— Bom saber. — Corrin disse em um tom aliviado, pegando a parte superior de seu uniforme e começando a vesti-lo, a outra parte já colocada há algum tempo. — Vamos? Não aceito “não” como resposta. Agora que penso, viemos direto da reunião para cá e mal tínhamos saído de uma batalha.
— Ah, mas eu não podia esperar para ver a sua expressão perfeita de...
— Não precisa dizer isso em voz alta. — Corrin cortou com o rosto um pouco vermelho.
— Minhas desculpas. — Subaki disse com um sorriso de que não estava muito arrependido. Pegou suas roupas do chão para vesti-las, não sem antes dar algumas batidas para tirar o pó. Por Corrin o quarto ficaria do jeito que estava, mas assim que possível iria dar um trato naquele lugar, já que agora também era seu. — Em um instante...
❀ ✿ ❀ ✿
Para a surpresa dos dois, não havia ninguém no Mess Hall, seja nas mesas do refeitório, ou na cozinha. Até se darem conta de que a reunião devia ter terminado tarde e devia ser madrugada naquele momento. Uma ideia se passou pela cabeça deles por um instante, e eles trocaram um olhar rápido. Para então serem interrompidos mais uma vez pelo estômago de Subaki roncando.
Corrin iria provavelmente falar mais uma vez que aquilo não tinha importância. Mas Subaki não poderia continuar a permitir que sua fome atrapalhasse os momentos perfeitos entre eles. Até que teve uma ideia brilhante, perfeita, drástica quem sabe, digna dele mesmo.
Ele beijou Corrin, sua expressão ainda mostrando sua frustação pela nova pausa, mas havia determinação ali também.
— Você parece ter tido uma ideia preocupante. — Corrin disse, com as bochechas vermelhas pelo beijo súbito, ao que Subaki voltou ao seu sorriso confiante rotineiro.
— Eu não escolheria essas palavras, mas realmente tive uma ideia surpreendente! Um momento! — Subaki disse e se virou em direção a cozinha com uma graça que não tinha desde que envolvia seu príncipe mais cedo.
Não demorou muito para que Corrin deduzisse o que seu amado estava tramando. Ao segui-lo, seu rosto acabou esquentando ainda mais ao ver o outro cozinhando seu prato favorito na cozinha pequena.
“É bem difícil recusar com Surf ‘n’ Turf na história”
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Era reconfortante para Subaki ver que tanto os moradores mais humildes de Hoshido como o próprio exército que fazia parte acreditavam naquela ilusão que criava. Afinal, se não fosse ele o mais perfeito, quando se preocupava e investia tanto nisso, quem mais seria indicado? Era um título que ele daria a vida para defender.
Mas quando a nova recruta, Caeldori, começou a mostrar um potencial que se mostrou superior até mesmo ao dele no campo de batalha, ele não se sentiu tão atingido quanto achou que seria. Questionou-se por um pequeno instante, depois balançou a cabeça voltando aos seus afazeres, uma vez que tinha se lembrado das próprias palavras que tinha dito para o príncipe que reinava absoluto em seu coração, em seu lugar de direito, quando tinham se comprometido.
Que juntos poderiam ser aquela imagem da perfeição que sempre teria buscado.
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