Perfect Lover
1 Prólogo
Aquele era mais um dia. Apenas isso, um dia normal de rotina. Eram quase dez horas da noite quando Elena Gilbert chegou em casa, depois de um dia exaustivo de trabalho. A mulher, de trinta anos de idade, era absolutamente dedicada ao trabalho, era a Diretora mais jovem na empresa onde trabalhava. A primeira vista, podia ser considerada uma pessoa de sucesso e com vida incrível, mas, sua vida resumia-se ao trabalho. Trabalhava quase doze horas por dia, não tinha um namorado e quase não saía mais com suas amigas, afinal, todas elas estavam namorando ou casadas. Nem sempre tinha sido assim, Elena tinha sido noiva por três anos, ao todo foram seis anos juntos, até que seu noivo terminou tudo. E ela estava solteira desde então. Tinha se focado exclusivamente no trabalho como uma forma superar o rompimento.
Tirou os sapatos, deixando-os no corredor, jogou a bolsa no sofá, caminhou até o seu quarto e se deitou na cama. Ligou a TV, a única coisa que lhe fazia companhia nos últimos meses, escolheu o canal. Naquela noite, nem sua série preferida a estava ajudando a relaxar. Não era apenas por conta do vazio que sua vida tinha se tornado, ela estava ansiosa porque em poucos dias teria que viajar para New Orleans para comparecer a festa de casamento de Caroline, uma de suas melhores amigas e ele estaria lá. Seu ex estaria lá, afinal, ele também era um dos melhores amigos de Caroline e ainda seria um dos padrinhos. Elena ficava nervosa só de pensar que o iria reencontrar e ele ainda a veria daquele jeito. Ela estava triste e solteira. Ela não queria que a vissem como uma solteirona de trinta anos. Suspirou profundamente. Estava inquieta. Pegou, na mesinha de cabeceira, uma revista feminina. Comprava sempre esse tipo de revista, achava que ali, talvez, pudesse encontrar alguma fórmula mágica para ter sucesso em sua vida amorosa. Foi, então, que ela viu uma reportagem que lhe chamou a atenção. Tratava-se de uma entrevista com um garoto de programa, ou melhor, com um acompanhante de luxo, acostumado a sair com celebridades e empresárias de sucesso. Ele falava sobre amor e, principalmente, sobre sexo. Ao ler, Elena teve uma ideia, da qual, com toda a certeza, ela se arrependeria depois, mas na hora, pareceu a melhor ideia de todas.
Para uma mulher poderosa como ela, não era difícil conseguir o telefone dele. Tentou falar várias vezes, mas ele simplesmente não atendia. Deixou alguns recados, esperou uma ligação, mas isso não aconteceu.
Dois dias haviam se passado e Elena agradeceu por ele não ter retornado. Aquilo tudo era uma loucura, o que tinha acontecido com ela para ela ligar para um garoto de programa? Ela devia estar ficando louca mesmo. Só podia ser isso. Tentou esquecer o assunto, tomou um banho rápido, secou os longos cabelos castanhos com secador, passou chapinha. Maquiou-se. Vestiu seu terninho, calçou um scarpin e estava pronta para ir trabalhar.
No escritório, o dia seguiu repleto de reuniões, conference calls, projetos para aprovar. Pelo menos assim ela conseguia esquecer o seu noivo e todo o vazio da sua vida amorosa e principalmente, podia esquecer que no dia seguinte estaria embarcando para New Orleans sozinha. Entre uma reunião e outra, Elena estava em sua sala, respondendo alguns e-mails, quando o seu ramal tocou.
–Srta. Gilbert? –Era a secretária.
–Sim?
–É o Sr. Salvatore, retornando a sua ligação, posso passar?
Elena ficou em silêncio por um longo momento.
–Srta. Gilbert? –A secretária a chamou novamente, pensando que a linha tivesse caído.
–Claro. –Finalmente respondeu. Suspirou profundamente, tomando coragem para falar com o rapaz. –Alô? –Finalmente quebrou o silêncio.
–Elena, desculpe-me por não ter ligado antes. –A rouquidão na voz dele, o tom, tudo era extremamente sedutor e envolvente.
–Eu pensei que você não iria me ligar... –Ela respondeu um tanto sem jeito. Ao menos, ele não estava vendo o quanto ela estava envergonhada.
–Eu jamais deixaria de te ligar. –Damon flertou. A forma como ele falava soava tão verdadeira que fez com que o coração dela acelerasse. Ele era realmente bom no que fazia. E ela deveria estar realmente carente, ela concluiu.
Elena suspirou e então, retomou o controle. -Como eu já expliquei nas minhas mensagens, eu gostaria que você fosse meu acompanhante no casamento...-Iria continuar, mas estava nervosa demais. Nunca se imaginou passando por uma situação assim. Nunca imaginou que iria querer mesmo contratar um garoto de programa.
–Eu já entendi. -Ele respondeu, o mesmo tom sedutor de antes. A verdade é que ele não costumava trabalhar em casamentos, não era esse tipo de "programa" que ele fazia, mas havia algo no tom da garota que fez com ele abrisse uma excessão e aceitasse. -Eu tenho certeza que o seu noivo se arrepender de ter te deixado.
Os dois combinaram o preço e como já estava muito perto da data, teriam que viajar no dia seguinte, os dois não puderam se encontrar antes como Elena gostaria que fosse.
...
Elena estava ainda mais ansiosa naquela manhã. Ainda não conseguia acreditar que tinha feito. Ela tinha mesmo contratado um acompanhante. Ela estava mesmo desesperada, mas o que ela podia fazer? Depois que ela se separou, não conseguiu outro namorado. Nenhum relacionamento. Ela não era mais interessante, talvez, nunca tivesse sido. Sua auto estima praticamente tinha deixado de existir. E agora ela estava pagando um cara para fingir que estava totalmente apaixonado por ela. Elena tinha chegado no fundo do poço. Estava tão no fundo do poço que ainda estava se preocupando em parecer bonita quando ele viesse buscá-la para que eles fossem juntos ao aeroporto. Como se isso fosse um encontro ou como importasse se ela estivesse bonita ou não. Escolheu um vestido rosa claro, com a saia bem rodada e com um decote sutil. Ainda estava se maquiando quando a campainha tocou exatamente as dez horas da manhã. Ótimo, ele já estava lá, ela estava atrasada e nem um pouco apresentável. Elena ficou mais nervosa ainda. Respirou fundo. Precisava terminar a maquiagem. Quando ela terminou de passar o delineador, a campainha tocou de novo.
Elena caminhou, com passos pesados, até a porta. Estava hesitante. Quando finalmente viu o rapaz que a esperava, ela não pode acreditar. Ele era realmente muito mais bonito do que ela sequer podia imaginar. A garota o analisou, em silêncio, por um longo minuto. Ele era alto, um físico atlético, e ficava ainda mais charmoso no terno preto que estava vestindo. Mas foi nos olhos, tão azuis quanto o mar, que ela se perdeu. Ela não pode definir o quão bonito ele era.
–É um prazer conhecê-la, Elena. -Damon finalmente quebrou o silêncio. Abriu um sorriso, não era qualquer sorriso, aquele era o sorriso, era tão sexy. Por um instante, Elena pensou que seu coração tinha parado de bater por um segundo.
–Uau, você é realmente muito bonito! -Elena corou imediatamente, não devia ter dito nada. Ele apenas a fitou, de um jeito convencido e extremamente sexy, ele sabia que era bonito, claro. Já tinha recebido milhares de elogios de suas clientes. Ela desviou o olhar. Estava se sentindo ridícula. Ela era bem mais velha do que ele, não deveria falar daquele jeito. Para começar, nem devia ter ligado para ele ou insistido naquela ideia maluca, mas não dava mais para voltar atrás. Ele já estava lá mesmo. Só que ela ainda continuava sem jeito com toda a situação. –Quero dizer...eu também fico feliz em te conhecer. –Pronto, sentiu-se ainda mais idiota. Não sabia o que falar. Droga, pensou. Aquilo seria um completo desastre! Todas as suas amigas iriam perceber que tinha algo de errado, iriam perceber a falta de jeito dela e falta de química entre eles.
Damon balançou a cabeça negativamente e riu, achou graça daquilo tudo. Ele já havia tido todo o tipo de cliente e havia dormido com mais mulheres do que podia contar, mas ela era mesmo diferente. Havia algo nela, ele só ainda não tinha entendido o que era. Recompôs-se e a fitou. –Você também é bem bonita. –Elogiou.
–Você não precisa mentir...-Elena o repreendeu. Por mais bonita, que ela pudesse ser, ela não se considerava bonita. Sua auto estima estava destruída demais para isso.
–Eu não estou mentindo. –E não estava mesmo, ele realmente a tinha achado bonita. Ela parecia uma boneca, os olhos castanhos, o cabelo cor de chocolate, o corpo curvilíneo. Ela era realmente muito bonita.
–Sério...-Elena rolou os olhos. –Eu sei que eu estou te pagando...-Fez uma pausa. –...vinte mil dólares. –Enfatizou o valor. Ainda não acreditava que tinha dado todo aquele dinheiro a ele. Não, não, não iria fazer falta. Ela ganhava bem mais do que aquilo por mês, mas ainda assim, era um bom dinheiro para se gastar daquela forma. -...mas você realmente não precisa fazer isso, tudo bem?
–Claro...sem elogios. –Concordou. Realmente ela era muito diferente.
–Obrigada. –Elena sorriu, visivelmente envergonhada. Por um minuto, ela quis saber se realmente ele não estava mentindo, se ele a tinha achado bonita. Ela precisava que alguém a achasse pelo menos “ok”,mas ela não iria perguntar. Ele não iria falar a verdade, não iria. E ela já sabia a resposta.
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