Perfect For Me
32 Penúltimo Capítulo
Notas iniciais
Bella
Encosto meu rosto no vidro frio do carro de Alice. A chuva apesar de fraca, ainda está caindo lá fora. Observo o tempo cinzento e me permito derramar algumas lágrimas, enquanto relembro do meu momento mágico na minha primeira ultrassom.
Não permiti que Alice entrasse comigo. Eu sei que foi um tanto egoísta da minha parte, no entanto, eu sentia como se esse momento apenas pertencesse a mim. A mim e ao Edward. Poder ver o pequeno ser dentro de mim, mesmo que em uma imagem borrada da pessoinha que já era meu mundo, fora algo além do inexplicável e, eu teria dado qualquer coisa para poder compartilhar esse momento com o Edward.
Fecho os olhos, enquanto as lágrimas de alegria e de tristeza rolam por minha face. Há mais de uma semana não sei nada sobre o Edward. A última vez que o vi fora no dia em que fui ao apartamento da Irina e ele me disse todas aquelas coisas. Coisas essas, que continuam revirando minha cabeça e me fazendo questionar minha decisão de tirar o Edward da minha vida.
Parte de mim o entende agora. Parte de mim, entende o quanto fora difícil para ele passar por cima de tudo e me amar. Todavia, existe uma parte de mim que não o perdoa por isso.
Ele disse que não desistiria de mim e eu acreditei. Acreditei e esperei que isso fosse verdade. Mas, ele fora embora no dia seguinte de nossa conversa. Alice me disse que ele tinha partido. Disse que ele queria me dar tempo. Eu não quero tempo. Eu não quero continuar com essa dupla jornada de fingimento. Eu não quero ter que acordar todos os dias e tentar me convencer que eu não sinto sua falta. Por vezes eu desejei que ele me ligasse ou me mandasse uma mensagem. No entanto ele não o fez. Ele simplesmente se foi. E agora, eu não sei mais o que devo fazer. Não posso simplesmente pegar o telefone e ligar. O que eu direi a ele?
Talvez tenha sido melhor assim. Talvez ele tenha se dado conta que ele não me amava.
–Bella! Chegamos. – A voz de Alice me traz de volta dos meus devaneios.
Respiro fundo e enxugo as lágrimas, antes de tirar o cinto de segurança e voltar-me para ela, que me olha com seus grandes olhos calorosos.
–Obrigada por ir comigo! – Digo baixinho.
Alice sorri e segura minhas mãos.
–Você sabe que não precisa ficar assim. Sabe, você tem tantas coisas para viver... Tem uma vida longa que você pode ter ao lado do Edward. Já pensou em como seria perfeito vocês dois juntos construindo uma família? – Pergunta ela sorrindo.
Sorrio entre lágrimas, enquanto as imagens de uma vida perfeita passam diante dos meus olhos.
–São sonhos que ficaram no passado, Alice. – Digo simplesmente. Minha voz sai embargada e arrastada e, um pequeno soluço faz com que eu me cale. – Tudo está acabado. Não consigo encontrar um jeito de tudo volta a ser como antes.
–Não precisa ser como antes. Precisa ser melhor. Vocês dois aprenderam com os erros e eu sei que não os fariam novamente. – Alice respira fundo. – Bella, vocês têm um filho agora. Você precisa contar ao Edward e deixar que ele volte para sua vida. Se não for por você, que seja pela criança.
Faço que sim com a cabeça e mordo o lábio inferior.
–Eu sei. – Digo, antes de olhar para fora do carro. Além do vidro encharcado da chuva. Um volvo prata está parado a alguns metros de distância da minha casa.
Volto-me para Alice, que está esbouçando um sorriso que mal cabe em sua face.
–Quando ele voltou? – Pergunto, quase em um grito.
–Ontem à noite.
Abro a boca para lhe perguntar o motivo por ela não ter me contado antes, no entanto ela é mais rápida do que eu.
–Ele queria te fazer uma surpresa.
Sinto meu coração bater descompassado em meu peito e eu tenho certeza de que se eu não estivesse sentada, eu iria cair dura a qualquer momento.
Minhas mãos começam a suar frio e minha respiração fica irregular.
–Acho que essa é sua chance de contar a verdade ao Edward e, decidir se vale apena ou não continuar assim.
Olho para ela, mas nada digo.
–Está na cara que você sente falta dele e que não é isso que você quer. Acha que já passou da hora de deixar o orgulho de lado e se permitir viver esse amor?
–Você sabe... Sabe que não é tão fácil assim. – Digo, ofegante.
–É, eu sei. Sei também, que vocês dois estão sofrendo e que esse término não está fazendo bem a ambas as partes. Vocês estão agindo como crianças. Você está escondendo coisas dele. Eu sei que ele errou e errou feio. Mas, sei também o quanto ele está sofrendo por isso e, o quanto ele te ama. Sei também que você o ama e que você está sofrendo com isso também. Eu vejo em seus olhos agora, o quanto você quer sair correndo por essa porta e ir ao encontro do Edward.
Olho para o volvo e em seguida para minha casa. Alice tinha razão. Apesar de tudo, eu o amo e estou lutando contra tudo para não ir ao encontro dele e, dizer o quanto eu senti sua falta.
–Por mais que eu queria isso. Não é o que farei. –Respiro fundo. –Eu não posso esquecer tudo o que ele fez, Alice. Perdoar ele agora, é o mesmo que está apagando tudo o que aconteceu. – Toco minha barriga. – Eu tenho prioridades agora e o Edward, não é uma delas.
Alice solta um suspiro cansado. Ela vem tentando me convencer há dias a perdoar o irmão.
–Pelo menos conte a ele sobre a gravidez? Ele merece saber.
Faço que sim com a cabeça e mordo o lábio.
–Eu vou contar.
Me despeço de Alice e saio do carro. Meu coração descontrolado em meu peito, impedi que minha respiração saia normalmente.
Fico parada fitando minha casa, enquanto Alice dá partida no carro e vai embora.
Eu não sei ao certo o que esperar dessa visita inesperada do Edward. Há dias que não o vejo ou sei qualquer coisa a seu respeito.
Respiro fundo. Eu tinha que enfrentá-lo. Já havia se passado muitos dias desde que eu descobri que estava grávida. Eu sei que a princípio eu quis esconder isso dele. Sei o quanto fui egoísta em querer guardar esse segredo. No entanto, já está mais que na hora de contar-lhe que ele será pai.
Passo as mãos por meus cabelos e respiro fundo novamente. Eu tinha que fazer isso. Por mais que todo o meu ser gritasse para que eu saísse correndo para longe da minha casa. Eu precisava enfrentá-lo. Eu precisa fazer isso.
Caminho com passos curtos e lentos até o pequeno lance de escadas que levam a porta da minha casa. Girar a maçaneta nunca fora uma tarefa tão difícil como está sendo agora. Minhas mãos estão trêmulas e suadas e, por uma fração de segundos, penso que não serei capaz de abrir a porta.
–Droga! – Exclamo. Fecho os olhos e mordo o lábio. – Não seja covarde. – Digo a mim mesma, antes de abrir à porta. Eu não podia mais voltar atrás.
Edward e Charlie, estão sentados na pequena sala. Edward ocupando o sofá e Charlie em sua poltrona. Eles estão imersos em uma conversa que eu poderia jurar que era íntima. Edward, está com o corpo curvado para frente e seus cotovelos estão apoiados nas pernas e, suas mãos enlaçadas. Sua postura é insegura e suas feições indecifráveis.
–Ela vai entender. – Diz Charlie, antes de se voltar para mim.
Edward segue seu olhar. Seus profundos olhos cinzentos encontram com os meus e eu tenho a ligeira impressão que o mundo inteiro parou nesse momento. Apoio minha mão na mesinha ao lado da porta e prendo a respiração.
Como eu senti falta desse olhar.
Edward ergue-se do sofá. Seus olhos nunca deixando os meus.
–Vou deixar vocês dois conversarem. – Essa foi a única coisa que consegui ouvir de Charlie. Se é que eu ouvi direito.
Meu coração bate tão forte no meu peito, que a sensação que eu tenho é que a qualquer momento sairá por minha boca.
Edward dá um passo na minha direção e para. Ele parece perdido e confuso, como se não soubesse ao certo o que fazer. Eu também não sei.
Parte de mim, quer se atirar em seus braços e sentir o calor do seu corpo. No entanto, a outra parte, quer apenas sair correndo para bem longe dele.
Ele continua sendo minha maior fraqueza, mesmo agora, depois de tudo. Está perto dele ainda é perigoso e eu sei que nunca seria capaz de resistir a ele, caso ele tentasse se aproximar.
–Oi, Bella. – Diz ele, com a voz rouca e sensual.
Sinto um arrepio percorrer todo o meu corto. Há algo na forma como ele me olha, que me faz perder completamente a noção de como respirar.
Seus olhos me avaliam milimetricamente, deixando-me tonta e sem saber o que fazer.
Eu precisava retomar o controle do meu corpo e minha mente. Eu precisava evitar que ele me deixasse assim. Que ele ainda tivesse cem por cento de controle sobre mim.
–Oi. – Digo, num sussurro quase inaudível.
Eu queria poder dizer tantas coisas. Coisas das quais eu sei que não vou poder dizer. Coisas que eu terei que guardar apenas para mim.
Respiro fundo, enquanto seus olhos cinzentos continuam a me avaliar, como se eles não me vissem há uma vida.
Obrigo meus pés a se moverem, no segundo seguinte que ele dá outro passo na minha direção.
–Estou surpresa que esteja aqui. – Digo, ao passar por ele, evitando a todo custo tocá-lo.
–Cheguei ontem à noite. – Diz ele, enquanto me segue para a pequena sala.
Volto-me para ele. Edward, está vestido com um terno preto, feito a medida. Ele é a imagem da perfeição. Eu tinha absoluta certeza, que mesmo que eu vivesse mil anos, meus olhos jamais veriam um ser mais lindo do que ele.
Ele era como um anjo. Um anjo arrogante, sensual e extremamente irresistível.
Apesar de toda a nossa história ter sido um fracasso e eu está profundamente magoada com o Edward, meu coração ainda pertencia inteiramente a ele. A esse homem que tomou para si toda a minha alma, deixando-me nua de mim mesma. Sim, é assim que eu me sento, enquanto o vejo tão próximo de mim e, ao mesmo tempo tão distante. Eu me sinto nua e vazia. Não houve um dia sequer, durante essas semanas que se passaram, que eu não sentisse como se minha alma tivesse sido arrancada do meu corpo. Era como se existisse um vazio enorme, que não poderia ser preenchido por nada além de Edward e, vê-lo aqui, agora, me faz sentir vontade de esquecer tudo e apenas abraçá-lo e lhe dizer o quanto eu o amo e, sinto sua falta. Lhe dizer que meus dias e minha vida já não têm sido a mesma, desde que ele foi embora.
Tudo o que eu queria, era eternizar esse momento e poder me perder na intensidade do seu olhar e, me sentir mais uma vez completa.
–O que veio fazer aqui? – Pergunto, tentando manter minha voz natural, no entanto há um leve tremor enquanto pronuncio cada palavra.
Edward passa as mãos por seus cabelos.
–Eu só queria conversar.
–Não acho que temos muito a dizer. – Digo, na tentativa inútil de fazer ele ir embora. Eu sei que há muito o que dizer, só não sei se estou pronta para isso agora. – Já dissemos muito no nosso último encontro.
Edward faz que sim com a cabeça e força um sorriso.
–Eu sei que você ainda está chateada comigo e...
–Esse é o problema, Edward. – Digo, antes que ele possa terminar sua frase. – Eu não estou chateada.
–Não? – Pergunta ele confuso. Seus olhos me olham com esperança.
–Magoada é a palavra certa. – Digo de imediato, antes que ele pense que tudo fora esquecido.
–Bella, eu... Eu não vim aqui para te pedir que me perdoe e me aceite de volta.
Sinto uma pontada de decepção tomar conta de mim, sobretudo, antes que eu sequer diga algo, ele continua.
–Eu sei que o que eu fiz foi terrível e egoísta e, que mesmo que eu passe minha vida toda te pedindo perdão, isso nunca será o suficiente. Eu sei que te magoei e vá por mim... Eu lamento todos os dias da minha vida, por ter feito você passar por tudo aquilo. – Ele dá um passo na minha direção. Seus olhos encontram-se com os meus, e há tantas palavras ditas através daquele olhar, que me deixa tonta. – Você sempre foi tão boa e compreensível comigo. Sempre esteve disposta a me amar, mesmo quanto eu tentava te afastar. Bella, você foi de longe a melhor coisa que aconteceu na minha vida e eu só lamento não ter sido inteligente o suficiente para ter percebido iss,o no dia em que você bateu no meu carro. – Suas palavras são tão suaves e sua voz tão profunda, que traz aos meus olhos lágrimas. Eu não sabia ao certo aonde ele queria chegar com toda essa conversa, entretanto eu sabia que não iria gostar do final, por mais que isso fosse o certo a fazer. – Eu amo você, Bella. Amo como nunca pensei que fosse capaz de amar um dia. Amo com toda a minha alma e é por amar você, que eu não vou pedir que você volte para mim. – Ele ergue a mão e toca a minha face. Seus dedos capturam uma lágrima que rolam em meu rosto. Meu corpo todo estremece com esse simples contato. – Eu te fiz muito mal e eu não quero mais te magoar novamente.
Eu estava ciente de cada palavra que ele disse, todavia, por mais que não houvesse mais nada entre nós, isso não foi o suficiente para não deixar meu coração demasiadamente ferido.
–Então é isso? Você está desistindo de mim? De nós?
Ele segura meu rosto com as duas mãos.
–Não. Eu estou fazendo o que é certo para nós.
Mordo o lábio com força e desvio o olhar. Eu não iria suportar lhe dizer adeus novamente.
–Então foi por isso que você foi embora? Porque acha que é o certo se afastar?
–Sim.
Volto a fitá-lo. Eu não devia deixar minhas emoções falarem mais alto. Eu não devia quebrar tão facilmente na frente dele. Eu não devia estar tão desesperada com a decisão que ele havia tomado. No entanto, eu estava. Eu estava desesperada e perdida.
–Então por que voltou?!- Exclamo, afastando-me dele.
–Eu queria te ver. Queria deixar as coisas no lugar. Não tivemos um término bom.
–Nenhum término é bom. – Digo secamente.
–Eu só quero me certificar que você está bem.
Faço que sim com a cabeça. Eu não conseguia acreditar no que ele estava me dizendo.
–Eu estou bem. – Estamos bem. Era isso que eu queria dizer. Queria jogar na cara dele toda a verdade e deixá-lo simplesmente partir. – Já viu o que queria. Agora pode ir embora.
Enxugo as lágrimas sem desviar meus olhos dele.
–Eu não vou, sem antes te pedir uma coisa. – Diz ele suavemente. Seus olhos me avaliando atentamente, como se ele não estivesse certo se acreditava ou não em minhas palavras.
–O que quer? – Pergunto com a voz baixa.
Um pequeno sorriso nasce em seus lábios.
–Eu vou voltar para Nova York no sábado e... Sábado é o seu aniversário. – Ele sorri tristemente. – Quero que você me deixe te levar para jantar na sexta. É o meu último dia aqui por muito tempo e eu quero passar ele com você.
Abro minha boca para protestar, no entanto ele é mais rápido que eu.
–Não precisa me dá nenhuma resposta agora. Pense se vale apenas e na sexta eu pedirei para o James vir te buscar. – Ele sorri e pega uma sacola preta, provavelmente de alguma loja e estende na minha direção. – É uma coisa para você usar, caso você aceite meu convite.
–Edward...- Começo a protestar, mas ele me corta novamente.
–Não diga nada. Apenas... Pense. Em todo caso, estarei lhe esperando na sexta.
Ele coloca a sacola em cima do sofá e aproxima-se mim.
–Não importa qual seja sua decisão... Eu vou entender caso você não aceite.
Edward segura meu rosto com ambas as mãos e pressiona seus lábios em minha testa, depositando um beijo suave. Sinto meu corpo estremecer com o contato tão próximo do seu corpo. Seus dedos afagam meus cabelos e meu coração dispara forte contra meu peito. Eu queria prolongar esse momento. Queria que seus lábios continuassem aonde estão, no entanto antes que eu possa fazer qualquer coisa, ele se afasta de mim e vai embora. A sensação que ele deixa em meu corpo é de total solidão. Continuo parada de olhos fechados enquanto toda a minha vida vai embora, sem que eu faça nada para impedi-lo.
Alguns dias depois...
–Até quando vai olhar para essa sacola sem abri-la? – A voz de Charlie me traz de volta a realidade. Solto um suspiro cansado e forço um sorriso.
Charlie senta ao meu lado na minha cama.
–Hoje é sexta-Feira. O que significa que amanhã é o dia que ele vai embora.
Olho diretamente para o meu pai. Eu não sabia o que ele queria me diz, mas sabia que essa conversa tinha algum significado.
–Você não vai abri-la? – Pergunta ele, fazendo menção para a sacola em cima da minha cômoda.
Mordo o lábio e sorrio.
–Não. Abrir essa sacola, significa que eu posso em algum momento considerar o pedido do Edward.
–E você não vai considerar? – Pergunta ele, com um sorriso.
Passo as mãos por meus cabelos e respiro fundo.
–Ele vai embora, pai. Ele esteve fora todos esses dias, tocando a vida dele. Eu não posso simplesmente aceitar que ele me pague um jantar, pelo simples fato de que hoje é sua última noite na cidade. – Ergo-me da cama e caminho até a janela. –Eu não quero me despedir dele novamente. Não posso mais vê-lo indo embora. – Digo num fio de voz.
–Você sabia que durante todos esses dias em que ele esteve fora, ele me ligou apenas para saber como você estava? – A pergunta de Charlie me pega de surpresa.
Volto-me para ele e franzo o cenho.
–Como?
Charlie levanta-se da cama e caminha até mim.
–Não houve um dia sequer, que ele não tenha me ligado.
–Mas como? Por que não me disse nada? – Pergunto confusa.
–Ele queria te dá o tempo que você pediu. Acho que ele acreditou que no momento certo, você mesma ligaria para ele. –Charlie toca minha face. – Ele te ama, Bella. Não há nada nesse mundo que seja mais importante para ele do que você.
–Se ele me amasse tanto assim, não estaria indo embora. Não estaria desistindo de mim. – Digo com amargura.
–Será mesmo que é ele quem está desistindo? – Questiona-me ele. – Bella, eu não sei o que de fato aconteceu entre vocês para chegar aonde chegou. Mas, uma coisa eu sei. Não existe amor que dure quando há apenas um lutando.
Você está magoada e eu te entendo, filha. Não sei o que ele te fez para que você abrisse mão de tudo o que haviam planejado, mas eu lhe entendo. No entanto quero que saiba, que quando amamos de verdade, as vezes temos que passar por cima de dores e magoas, para sermos felizes. Temos que perdoar, Bella. – Charlie enxuga uma lágrima que rola por meu rosto. – Se você o ama, como eu sei que ama, então não desista de lutar por ele. Não desista de lutar por sua felicidade.
Um pequeno soluço escapa de minha garganta. Charlie estava certo. Eu não podia simplesmente culpá-lo de desistir de mim. Eu havia desistido primeiro. Eu tenho colocado minha dor e minhas magoas em primeiro lugar desde que eu o deixei. Por mais que ele tenha errado comigo, eu também errei. Errei tanto e por tanto tempo.
Eu não posso culpá-lo por tudo, quando cinquenta por cento da culpa pertence a mim.
–Você não acha que vocês dois merecem uma nova chance? Uma chance para começar do zero e fazer tudo diferente? – Pergunta Charlie, com um sorriso.
Mordo o lábio, na esperança de conter um soluço, mas é em vão.
Charlie pousa sua mão em meu ombro.
– Não deixe que o orgulho lhe impeça de fazer o que é melhor para você e para essa criança.
Ergo meus olhos para encará-lo. Eu não havia contado nada a ele sobre a minha gravidez. Ele havia saído do hospital há algumas semanas e eu não tive oportunidade de contá-lo.
–Como você...
–Eu não sou nenhum burro minha filha. – Diz ele, com um olhar compreensivo. – Você que mal comia, agora parece que vive esfomeada... Sem falar que está começando a ficar... Meio cheinha.
Olho para meu ventre, que está coberto por uma camiseta larga. Ele estava certo, apesar de estar com poucos meses, já dá para notar que minha silhueta está mudando.
–Pai, eu queria ter lhe contado antes... Só que eu...
–Não precisa explicar, filha. Você tem passado por muitas coisas nos últimos dias. Eu não sou cego. Vi a forma tensa com a qual você está vivendo. Isso não faz bem para você e para o seu bebê. – Ele sorri ao dizer a última palavra. –Nossa! Eu estou mesmo ficando velho. Já vou ser avô.
Não posso deixar de ri de sua última frase.
–Pai. – Digo. Um nó se forma em minha garganta e eu sei que vou desmoronar.
Charlie abre os braços, num convite irrecusável para um abraço.
Deixo que seus braços me acolham e eu choro. Choro por tudo o que eu tenho passado nos últimos tempos. Choro pela dor que eu tenho vivido por estar longe do homem que eu amo e acima de tudo, choro por não saber o que eu devo fazer.
–Tenho certeza que seu coração sabe o que tem fazer. – Diz Charlie, como se estivesse ouvido meus pensamentos. Suas mãos seguram meus ombros, afastando-me gentilmente. – Agora, enxugue essas lágrimas e vá em busca da sua felicidade.
Sorrio entre lágrimas.
–Eu te amo pai. Obrigada por tudo.
–Eu também te amo filha.
Volto a abraça-lo, dessa vez mais forte. Meu pai pode até ser um turrão as vezes, mas uma coisa é certa: Ele é a pessoas mais sábia que eu já conheci.
Continua...
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