Notas iniciais
Como demorei a postar, caprichei no capítulo. Espero que gostem. :) Boa Leitura.

Edward

Havia se passado cerca de quarenta minutos, desde que liguei para Alice.

Eu não tinha certeza se o meu plano de resolver as coisas iria dar certo, no entanto eu estava contando com isso.

Tomo outra dose de uísque. Já havia acabado praticamente com toda a garrafa, na tentativa de me acalmar ou de certa forma, poder clarear meus pensamentos. O que eu faria, quando essa campainha tocasse, não seria fácil.

Sirvo-me de outra dose e encaro a grande pintura na minha frente.

Era um quadro grande que ocupava quase toda a parede. A imagem de Irina estava pintada com perfeição. Cada traço era uma lembrança dolorosa da mulher que eu amei.

Respiro fundo e fecho os olhos por alguns segundos. Minha mente estava dando algumas voltas. Meus pensamentos estavam confusos e meu peito doía.

Ergo-me do sofá e caminho pela sala. Eu tinha que fazer isso. Eu precisava.

Nunca em todos esses anos, me senti tão necessitado de contar minha dor a alguém, como eu estou me sentindo agora.

É como se cada pedaço do meu passado estivesse pesando toneladas em meus ombros e eu não conseguisse mais suportar carregar esse fardo sozinho.

O som da campainha me tira do meu devaneio.

Essa era à hora de encarar os fatos e me permitir viver uma nova vida.

Caminho com passos longos até a porta e respiro profundamente antes de abri-la.

Isabella me olha confusa. Provavelmente estava esperando ver Alice e não a mim.

Seu olhar perde o foco e sua mandíbula se contrai.

Ela ainda está furiosa comigo pelo ocorrido de mais cedo.

–Entre. – Digo com a voz baixa sem tirar os olhos dos seus.

–Onde está Alice? – Sua voz é tão fria quanto seu olhar.

Sinto um frio percorrer meu corpo. Ryan tinha razão, eu iria perder a única coisa boa que me aconteceu em anos, se eu continuasse agindo como um idiota.

–Ela não está aqui. Na verdade, eu que precisava falar com você.

Isabella morde o lábio. Um sorriso sem humor nasce em seus lábios.

–Você é inacreditável, Edward. – Ela me lança um olhar furioso e passa as mãos nos cabelos. – Não temos mais nada para falar. Pensei que tivéssemos deixo isso bem claro.

Em outra ocasião, eu teria deixado meu orgulho falar mais alto e provavelmente teria fechado a porta em sua cara. No entanto, eu não podia mais deixar que meu orgulho e meu medo, me afastassem dela. Não ira permitir que nada mais me afasta-se dela.

–Eu sei que você está com raiva e eu não tiro sua razão. Mas eu não lhe chamei até aqui para discutirmos. Preciso lhe contar uma coisa. Se depois que você me ouvir, ainda assim quiser ir embora, eu vou entender. –Dou um passo para o lado abrindo ainda mais a porta. – Mas, por favor, me ouça. – Minha voz é quase uma súplica e eu me amaldiçoo por isso.

Isabella olha-me intensamente e pela primeira vez desde que abri a porta, ela parece realmente me enxergar. É como se ela agora conseguisse me ver. Isso é reconfortante e terrivelmente assustador.

Um suspiro cansado escapa entre seus lábios.

–Seja breve. – Diz ao passar por mim.

Fecho a porta e caminho logo atrás de Isabella.

Ela está usando uma calça jeans escura, uma camiseta e uma jaqueta preta por cima. Seus cabelos estão soltos e o rosto está livre de maquiagem. Ela não se parece com a mulher que fez amor comigo em uma limusine e tampouco com a pessoa que estava trabalhando comigo há alguns dias atrás. Essa mulher era a mesma que bateu sua lata velha no meu carro. A mesma que sangrou em meus braços enquanto eu a carregava para um hospital. Essa era a garota tímida e determinada que eu obriguei a trabalhar comigo.

Essa era a Bella. A garota de olhar inocente, que despertou em mim tantas emoções e sentimentos que me deixaram confusos. Essa era a garota pela qual eu me apaixonei loucamente e me vi obrigado a tê-la comigo. Como um capricho. Um brinquedo.

Essa era a menina insignificante que bagunçou toda a minha vida e me fez querer mais.

Sinto um aperto no peito. Eu não queria lhe falar mais nada. Eu queria tomá-la em meus braços e abraçá-la forte contra meu peito. Queria sentir a maciez de sua pele e sentir o seu perfume único e embriagado. Eu queria amá-la e não permitir que jamais voltasse a se afastar de mim. No entanto eu sabia que para isso acontecer, eu teria que ser honesto, não apenas com ela, mas comigo mesmo.

Fecho os olhos e passos as mãos pelos cabelos. Eu tinha que fazer isso.

–Quem mora aqui? – A voz confusa de Isabella me traz de volta a realidade. Ela olha ao redor e seus olhos param na pintura de Irina.

Seu corpo fica tenso. Ela volta-se para mim com os olhos em chamas.

–Esse é o apartamento da Irina? – Pergunta incrédula.

Faço que sim com a cabeça. Todas as palavras pareciam travadas em minha garganta. Pego meu copo e viro o líquido âmbar de uma só vez. Eu precisava engolir o maldito nó que se formara em minha garganta.

–O que diabos você pretende trazendo-me até aqui? – Ela sorri tristemente. – O que você quer Edward?

Passo as mãos pelo rosto. Está sendo mais difícil do que pensei.

Isabella morde o lábio e balança a cabeça em negação. Em seus olhos brilhavam as lágrimas que ela queria esconder. Eu precisava falar. Precisava, antes que fosse tarde.

–Ela mora aqui? – Sua voz soube algumas oitavas. – Ela mora aqui, Edward? – Pergunta dando mais ênfase em cada palavra.

Respiro fundo e fecho os olhos.

–Não, Bella. – Passo as mãos pelo rosto. – Ela não mora aqui. – Olho-a por um momento. Seus olhos estão sem emoções e úmidos. – Ninguém nunca morou aqui.

Ela abre a boca para falar, mas a fecha no momento seguinte.

Sinto a necessidade de falar tudo de uma vez, mas eu sei que preciso ir devagar.

–Isabella... – Engulo em seco e olho para o quadro na parede. Era como se o que eu estivesse prestes a fazer, fosse me levar o resto das lembras que me sobraram de uma vida que já não parece ter sido minha. – Eu...

–Eu não quero ouvir... – Diz quase num grito aflito, antes que eu forme alguma frase. – Seja o que for... Eu não quero saber.

Franzo o cenho. Ela estava assustada. Não existia raiva em seu olhar, apenas uma sombra de um sentimento desconhecido.

–Edward, eu não preciso ouvi-lo falando do seu amor por essa mulher... Eu não preciso ouvi-lo dizendo que não sente nada por mim... – Ela funga. Sua expressão fica indecifrável. – Porque eu já sei de tudo isso... Sei que você nunca me amou ou vai amar...

–Não diga isso. – Aproximo-me dela e seguro seu rosto entre as mãos. – É exatamente por... Por... – Olho-a diretamente nos olhos e seus olhos escurecem. Uma lágrima se acumula no canto do seu olho e desce suavemente por sua face. – Deixe-me te contar... Falar-te do meu passado... Quero que você entenda o motivo por eu ser assim.

Ela morde o lábio e faz que sim com a cabeça.

Afasto-me dela mesmo contra minha vontade. Tocar sua pele, mesmo que por uma breve fração de segundos, era reconfortante depois de dias longe.

No entanto, eu sabia que ela merecia saber de toda a verdade sobre mim. Sobre meu passado. Caminho até o quadro, ficando de costas para Isabella. Meus olhos se encontram com os olhos da pintura e meu corpo estremece.

–Conheci a Irina, quando eu ainda estava na faculdade. Eu era amiga de sua irmã Tanya e ela acabou nos apresentando. –Sorrio perdido em minhas lembranças. – Quando nos vimos, nos apaixonamos de imediato. Começamos a namorar e depois de um tempo, noivamos. – Volto-me para ela, que está me olhando com grandes olhos de chocolates, apavorados. – Eu não vou te contar todos os detalhes... Creio eu que você não vai querer me ouvir falar do quanto eu a amei.

Seus olhos encaram o chão, o que me levam a acreditar que ela não iria mesmo querer o relato do quanto fui apaixonado por outra mulher.

–Este apartamento era... Era o lugar onde moraríamos depois do nosso casamento. — Mordo o canto da boca por dentro tão forte, que quase consigo sentir o gosto do sangue.

–O que aconteceu? – Isabella usa as palavras com cuidado. Meus olhos encontram com os seus por uma fração de segundos, antes que eu desvie o olhar e volto-me a encarar os olhos dourados da pintura.

–Ela morreu. – Digo as palavras, no entanto mal reconheço minha voz. Sinto uma dor insuportável ultrapassar meu peito. –Ela morreu uma semana antes do nosso casamento. –Um nó se forma em minha garganta e sinto dificuldades para respirar. Minha visão fica embaçada e eu me odeio por me sentir tão fraco.

–Edward... Eu sinto muito. – A voz de Isabella parece soar muito distante. É como se ela não estivesse mais no mesmo ambiente que eu.

Fecho os olhos com força e apoio minhas mãos no quadro.

–Quando ela morreu... Ela levou tudo de mim... Ela levou tudo. – Olho diretamente para os olhos dourados que me encaram sem nem uma emoção. – Ela era tudo para mim e quando ela se foi... Eu me senti perdido... Era como se eu já não pudesse mais viver... Eu não soube mais viver, porque eu a amava... E não era justo... Não era justo ela ser arrancada de mim... – Fecho os olhos e o líquido quente molha minha face. – Eu jurei... Jurei que nunca voltaria a amar novamente. E eu cumpri minha palavra. Tornei-me um homem frio e insensível. Não permitia que ninguém me amasse e eu não me permiti sentir nada além de atração por outra mulher. –Volto-me para ela. Isabella está com os lábios contraídos e seus olhos estão úmidos e tristes.

Eu sabia o que eu havia acabado de lhe contar e eu esperava ver algo como compaixão ou pena em seu olhar, no entanto a única coisa que eu conseguia ver era tristeza. Não pelo o que eu acabei de lhe dizer, mas por ela mesma.

–No entanto, tudo mudou quando você entrou na minha vida. – caminho em sua direção parando a alguns centímetros de onde ela está. – Você tirou tudo o que era certo de mim... Você trouxe dúvidas e incertezas... Você me fez questionar tudo e a querer mais. – Sorrio sem humor. – Você me fez sentir coisas... Coisas das quais eu pensei que jamais voltaria a sentir outra vez. – Um pequeno sorriso nasce nos lábios de Isabella, enquanto as lágrimas rolam por sua face. – Tudo em você era novidade... E sempre que eu tentava me afastar, algo me puxava de volta... Você é diferente de todas as mulheres que eu já conheci. – Olha de relance para o quadro. Isabella era diferente de todas... Até mesmo da Irina. – Quando você me olhou pela primeira vez... Eu senti algo despertar dentro de mim... Era como se depois de anos vivendo no escuro, eu pudesse ver a luz novamente. Você me fez sonhar, Isabella. Fez-me querer algo a mais... E eu me odiei por isso. Porque eu estava quebrando minha promessa. E eu te odiei por não conseguir me afastar. Porque eu me sentia atraído por você e te queria a cada segundo. — Dou os últimos passos que me afastam dela. Ergo a mão e toco seu rosto. Isabella fecha os olhos com força. – Eu não sei como agir para ficar com você. Porque eu tenho medo. – Afasto minha mão e ela abre os olhos. – Eu não queria sentir... Sentir isso que eu sinto por você. Eu não queria sentir esse medo miserável de perder você e essa necessidade de ter você comigo. – Mordo o lábio e fecho os olhos. Meu coração bate forte contra meu peito a cada palavra dita. – Mas eu sinto. – Abro os olhos e lhe encaro. – Eu sinto toda essa dor e todo esse amor se misturando e eu não sei o que fazer... Não sei ficar sem você por que... Porque eu te amo. Te amo como nunca pensei que seria capaz de amar alguém. – As palavras saem da minha boca arrastando tudo dentro de mim. Sinto uma dor e um alívio no peito.

Isabella arregala os olhos surpresa com minha confissão.

–Eu sinto muito, Bella, por ter sido um idiota e ter te feito tanto mal... Eu sinto muito, por não ter enxergado logo o que sentia... Eu sinto muit... – Minhas palavras são interrompidas pelos lábios de Isabella.

Suas mãos enlaçam meu pescoço e seus dedos afundam-se em meus cabelos. Aperto-a com força contra meu corpo, enquanto nossos lábios continuam pressionados um contra o outro, incapazes de se mover.

–Perdoe-me. – Digo com a boca ainda junto da sua.

Um pequeno soluço escapa de sua garganta.

Ela me afasta o suficiente para que nossos olhos se encontrem.

–Não precisa me pedir perdão. Eu... Se talvez... – Ela respira fundo e sorrir. –Eu estou aqui com você e por você... Não importa o quão sofrida sua vida foi e o quanto você sofreu ou está sofrendo. Eu estou aqui com você. Você não está mais sozinho.

Sorrio e as lágrimas molham meu rosto. Eu a amava. Sim eu amava. A amava com toda a minha alma. Como pude ser tão tolo a ponto de não enxergar isso antes?

Toco sua face capturando uma lágrima.

–Eu não a mereço, Isabella. Tudo o que eu te fiz e tudo o que eu sou... Eu...

–Shh! –Isabella coloca um dedo sobre meus lábios fazendo-me calar. – Eu o amo e você me ama. Acho que isso é tudo o que precisamos para começar uma nova vida.

Sorrio buscando novamente o conforto dos seus lábios.

Dessa vez nossos lábios se movem de uma forma lenta aquecendo-me completamente.

–Eu te amo. – Digo baixinho, experimentando a sensação desconhecida de pronunciar essas palavras depois de tanto tempo.

–Eu também te amo. – Sussurra, contra meus lábios.

Bella

Algumas horas haviam se passado, desde que chegamos ao apartamento de Edward.

Ele estava dormindo nos meus braços em sua cama. Seu corpo parecia frágil demais aninhado ao meu.

Minha cabeça ainda está confusa com os últimos acontecimentos. Eu estava confusa sobre tudo o que Edward havia me dito.

Tudo o que ele era... Tudo o que eu via nele, era resultado da sua dor. Da dor da perda da mulher que ele amava.

Sinto uma dor ultrapassar meu peito. Eu não deveria sentir essa insegurança. Ele havia me dito que me amava e a Irina está morta. Eu não posso sentir ciúmes de uma pessoa que não está mais aqui. No entanto, é como se ela ainda estivesse viva. Cada lembrança de Edward a mantêm viva e aquele apartamento... Sinto um arrepio. Aquele apartamento é como um santuário. Um lugar que ele manteve para conservar a lembrança da mulher que fora a sua vida.

Sinto uma angústia no meu peito.

Por mais que ele diga que me ame, algo dentro de mim, me diz que não importa a intensidade dos seus sentimentos por mim, ele sempre vai lembrar dela, sempre vai amá-la.

Eu não sabia se era capaz de enfrentar esse passado. Eu não sabia se conseguiria conviver com tudo isso.

No entanto, eu não podia deixá-lo, ele precisava de mim.

Eu disse a ele que estaria com ele. Que ele não estaria só.

Eu tenho que ser forte, por mim e por ele.

Edward se mexe e seus olhos se abrem lentamente.

–Ainda acordada? – Sua voz é sonolenta e arrastada.

Sorrio e acaricio seus cabeços.

–Eu não estou com sono. – Minha voz soa mais engasgada do que eu imaginava.

Edward abre totalmente os olhos e se afasta de mim o suficiente para me olhar.

–O que há de errado?

Forço um sorriso e mordo o lábio.

Edward segura meu rosto com ambas as mãos.

–Bella...

Faço que não com a cabeça e meus lábios tremem. Eu não sabia como agir, não depois de tudo o que ele me disse.

–Eu estou bem. – Minto. Afasto-me dele e levanto-me da cama. – Eu preciso ir embora. – Respiro fundo. Eu tinha que respirar e colocar meus pensamentos no lugar. Eu precisava pensar em tudo o que ele me disse. Longe dele. Longe de toda essa bagunça que está nossa vida. – Eu preciso respirar... Eu preciso pensar em tudo o que você me disse.

Sinto suas mãos tocando meus ombros e um tremor percorre o meu corpo. Não importava o quão confusa eu estava, seu toque sempre seria minha maior fraqueza.

–Não vá embora Bella, por favor. – Sua voz é uma súplica baixa. Sua voz é rouca e triste.

Fecho os olhos com força e volto-me para ele. Eu precisa ir. Não apenas por mim, mais por ele. Eu precisava ser forte... Forte o bastante para conseguir lidar com tudo isso. Tinha que ser forte por ele e para ele.

Quando abro os olhos, me deparo com um olhar triste e angustiante. O mesmo olhar que ele me lançou quando estava me implorando que eu o perdoasse.

–Eu sei que você está magoada comigo e sei que está assustada... Mas, por favor, não vá embora. – Ele respira fundo e fecha os olhos. – Eu... Preciso de você. – Ele abre os olhos e me fita profundamente. Há tanta tristeza acumulada em seu olhar, que eu sinto-me impotente e egoísta. – Eu sinto muito, Bella... Sinto muito por tudo.

Enxugo uma lágrima e toco seu rosto.

–Edward, não é isso... Eu só estou confusa... Foram muitas coisas... Seu passado e... Tudo o que aconteceu entre nós... Eu preciso pensar... Respirar... – Fecho os olhos com força. – Eu quero muito ficar com você. Eu quero que tenhamos mais do que uma noite de sexo... Mas, para que isso aconteça, eu quero ter certeza que o que você sente por mim é realmente amor. – Toco sua face e ele fixa o olhar no meu. Os olhos tristes e úmidos. – Eu preciso... Ter certeza de que tudo o que você me disse não foi apenas... Apenas carência ou fragilidade do momento.

–Não foi Bella. Acredite em mim. – Ele segura uma de minhas mãos e a coloca de encontro com o seu peito. Sinto seu coração bater forte. – Sente isso? Cada batida do meu coração é por você. – Ele morde o lábio e uma lágrima rola por sua face. – Eu a amo, Isabella. E eu não sei como vou fazer você acreditar em mim.

Engulo em seco.

–Me dê um tempo. – Digo com a voz engasgada.

–Quanto tempo? – Suas palavras saem arrastadas e trêmulas.

Respiro fundo e pisco algumas vezes.

–Eu não sei. – Enxugo as lágrimas antes que elas rolem por minha face. – Eu sei o que eu te disse e eu prometo que estarei ao seu lado, sempre. Entretanto... Eu preciso colocar minha cabeça no lugar... Preciso de um tempo... Para processar.

Edward morde o lábio e faz que sim com a cabeça.

Ele baixa o olhar e as lágrimas rolam por sua face. Eu nunca o vi tão derrotado e frágil.

–Você não vai me perder, Edward. – Digo com convicção, porque essa era a verdade.

Ele olha-me e força um sorriso.

–Você me promete?

Sinto uma aperto no peito. Eu queria tanto arrancar sua dor. Queria tanto esquecer todo o seu passado e começar do zero, no entanto eu sabia que era necessário me afastar e ter a certeza de que dessa vez eu poderia confiar nele.

–Não preciso prometer nada, Edward. – Aproximo-me dele e seguro seu rosto com as mãos. – Eu sou sua... E você não vai me perder, nunca.

Edward envolve meu corpo em um abraço apertado e eu me amaldiçoo por está indo embora, mesmo que por algum tempo. Ele precisava de mim e eu precisava dele. Onde eu estou com a cabeça?

–Eu te amo. – Digo ao me afastar dele.

–Eu te amo. – Sussurra com a voz baixa.

Dou-lhe um beijo suave na face e vou embora.

Os dias passam se arrastando e eu tento me manter ocupada, procurando por empregos e dando assistência ao meu pai.

Edward havia me ligado algumas vezes. As nossas conversas eram longas e a cada segundo ele me mostrava o quanto eu precisava estar com ele.

Ele estava presente em meus dias, mesmo na distância que eu impus.

Ele me mandava flores, com cartões com palavras bonitas e sempre me mandava mensagens de texto.

Era estranho e reconfortante esse novo lado dele.

Acho que já estava na hora de encarar os fatos. Nós nos amávamos e não podíamos mais ficar longe um do outro.

Meu celular toca e eu atendo de imediato, eu não reconhecia o número.

–Alô.

–Isabella Swan? – Pergunta uma voz melodiosa do outro lado da linha.

–Sim.

–Aqui é Mellisa Fill. Sou a secretária do Senhor Jones, da Editora Good Books.

Sinto meu ar fugir dos meus pulmões.

–Gostaria de agendar uma entrevista com a senhora amanhã às oito. O Senhor Jones gostou do seu currículo e das recomendações. – Ela faz uma pausa. – Está tudo bem esse horário para a senhorita?

Solto o ar e tento controlar o leve tremor em minhas mãos.

–Claro. Eu estarei ai às oito. – Digo com a voz apressada e um pouco trêmula.

–Certo. Tenha um bom dia. – Diz de forma gentil e desliga.

Aperto o celular com força entre minhas mãos. Essa é minha chance de começar a correr atrás do meu futuro.

Estava esperando por essa ligação há alguns dias. Talvez essa fosse realmente minha chance. Nem tudo está perdido. As coisas aos poucos parecem está voltando ao lugar certo.

Respiro fundo algumas vezes. Eu queria poder compartilhar essa novidade com Edward. Eu queria muito fazer isso. No entanto, eu sei que é melhor esperar mais um pouco, talvez esperar até amanhã, depois da segunda entrevista.

–Você está muito calada. Está acontecendo alguma coisa? – A voz de Charlie me traz de volta.

Volto meu olhar para ele e paro de brincar com as ervilhas em meu prato.

–Eu estou bem. – Digo forçando um sorriso.

Charlie torce a boca, num gesto reprovador. Ele sabia que eu estava mentindo.

–Parece que o Sr. Cullen não te mandou flores hoje. – Diz como quem não quer nada, no entanto eu lhe conheço, sei que é a forma dele especular o que de fato está acontecendo entre mim e o meu ex-chefe.

Solto um suspiro alto demais. Charlie tinha razão. Edward não me mandara flores hoje. Tampouco me ligara ou mandara uma mensagem. Talvez ele estivesse desistindo de mim.

Sinto um aperto no peito com esse pensamento. Eu não queria está certa dessa vez.

–Não me importo. – Minto. Volto a atenção para meu prato que mal toquei e começo a brincar novamente com as ervilhas.

–Você gosta dele. – Isso foi uma pergunta? Não, não foi. Charlie estava afirmando o óbvio.

Ergo meus olhos novamente para ele.

–Bella... Ele é um homem bom. Ajudou-nos no momento em que mais precisávamos, no entanto... Ele vive em um mundo totalmente diferente do nosso.

Engulo em seco. Durante todos os momentos vagos e intensos que tive com o Edward, nunca pensei nesse fato. Eu e ele éramos muito diferentes.

–Eu sei. – Digo com a voz baixa. – Eu sei. – Repito ainda mais baixo, dessa vez não para que meu pai ouça, mas para que eu entenda isso.

–Mas... Se existe amor de ambas as partes... A diferença social não é nada. Contudo que ele saiba respeitar os seus limites no mundo dele e você saiba respeitar os dele. – As palavras de Charlie me pegam de surpresa. Ergo meus olhos a tempo de ver um lampejo de um sorriso satisfeito em seus lábios. Ele toca minha mão apertando os nós dos meus dedos. – Eu só quero que seja feliz filha.

Sorrio e seguro sua mão.

–Obrigada.

Charlie levanta-se da cadeira inclinando-se sobre a pequena mesa e deposita um beijo na minha testa. Não somos de trocar afeto, então o seu gesto sai um pouco desajeitado. Mesmo assim não importa. Eu amava o seu carinho do mesmo jeito, mesmo que fosse um pouco desajeitado.

A campainha toca quebrando aquele momento embaraçoso e emocionante.

–Eu atendo. – Diz Charlie com um meio sorriso e se afasta em direção à porta.

Respiro fundo e enxugo as lágrimas que haviam se acumulado no canto do meu olho. Eu sempre fora muito emotiva.

Levanto-me da mesa e retiro os pratos e os coloco na lava-louça.

Ouço os passos de Charlie enquanto ele sobe as escadas preguiçosamente.

Quem quer que seja que tocou a campainha, deveria ser engano.

–Senti saudade da normalidade dos seus atos. – Uma voz rouca e aveludada soa atrás de mim. Edward.

Sinto um arrepio percorrer todo o meu corpo. Meu coração começa a bater feito louco em meu peito e minhas mãos começam a suar.

Paro o que estou fazendo e volto-me para ele.

Havia dias que não nos víamos e ver ele aqui, longe das minhas lembranças e dos meus sonhos era um presente. Um sonho.

Ele está trajando, calça social preta, camisa branca sem a gravata com os dois botões abertos e o paletó preto moldando o contorno dos seus ombros.

Seus cabelos estavam bagunçados e até maiores do que da última vez que eu o vi.

Ele estava lindo.

–Edward. –Minha voz sai engasgada.

Ele puxa a boca no seu sorriso torto que faz meu coração bater mais forte.

–Bella. – Sua voz é um sussurro aveludado e musical, chegando aos meus ouvidos.

Respiro fundo. Tudo o que eu mais queria naquele momento era poder mover meus pés em direção a ele e poder abraçá-lo. Queria enfiar meus dedos em seus cabelos e sentir a maciez dos seus fios em contato com meus dedos. Queria beijá-lo e saborear o seu gosto. Queria apertá-lo forte contra meu corpo e não deixar espaço entre nós. Queria me fundir a ele. Queria ser dele.

–O que faz aqui? – Essas não eram as palavras que eu queria usar. No entanto essa foi a única frase que consegui formular.

Seu sorrio se desfaz e uma sombra de dúvida ultrapassa seus olhos, deixando o cinza escuro.

–Eu... Eu pensei que... Talvez você já tivesse tido seu tempo. – Ele força um sorriso.

Tinham se passado quase duas semanas, desde que ele me contara o que tinha acontecido com sua... Noiva. Havia sido dias difíceis, onde toda confusão e medo me atormentaram, e me deixara sem saber o que pensar ou o que fazer.

No entanto, esses dias também serviram para me mostrar o quanto eu o amava e o quanto eu o queria do meu lado. Eu havia tomado minha decisão, certo? Eu havia decidido procurá-lo amanhã depois da minha segunda entrevista com o Sr. Jones.

Respiro fundo e deslizo minhas mãos por meus cabelos.

Talvez... Ele estivesse certo.

Seus olhos confusos encontram-se com os meus e meu corpo todo fica tenso.

–Eu ia te procurar amanhã. – Mordo o lábio e apoio meu quadril no pequeno balcão do móvel.

–Amanhã. – Repete ele com a voz suave.

Cruzo os braços sobre o peito e tento parecer natural.

Edward dá um passo na minha direção.

–Acho que temos que conversar.

Faço que sim com a cabeça. Ele estava a alguns passos de mim, no entanto seu perfume ao qual eu senti tanta falta, atinge-me em cheio, deixando-me tonta e inebriada.

–Queria que essa conversa pudesse ser em outro lugar. – Ele sorri. Um sorriso simples, mas que faz meu coração pular no meu peito.

–Edward. – Mordo o lábio, porque não sei o que eu vou dizer. Eu nem sei o que eu concluí com toda essa confusão. – Eu...

–Eu sei. – Ele dá outro passo na minha direção. – Eu sei que toda essa confusão te deixou... Confusa. – Ele sorrir um pouco e dá outro passo. Agora ele está perto o bastante para me tocar. Pelo menos é isso que eu quero. Que ele me toque. Mesmo que seja apenas um roçar de seus dedos na minha bochecha. – Eu sei o quanto isso deve ter martelado em sua cabeça e eu sinto muito... Sinto muito por ter despejado tudo daquela forma em cima de você.

Ele ergue a mão e eu fecho os olhos. Minhas mãos apertam o tecido da minha camiseta com força.

Seus dedos roçam o contorno da minha face, minha bochecha e por fim meus lábios. Seu toque é suave, como uma brisa ou uma pena, deixando minha pele em chamas por onde ele passa.

–Eu a amo, Isabella. Não importa o quanto fui idiota antes. O que importa é o agora. E o agora eu estou aqui... Quero te amar. – Ele sussurra a última frase.

Abro os olhos e encontro seu olhar fixo em mim. Seu rosto está perto demais do meu e sua respiração quente se mistura com a minha.

–Por favor, Isabella. Você não acha que já tivemos tempo demais para pensar?

Abro os olhos e o encaro. Ele parece está mais velho. Sua barba está por fazer e agora o vendo de perto, percebo as manchas roxas ao redor dos seus olhos, causadas por noites mal dormidas.

Seus olhos suplicantes fitam-me profundamente. Perco-me no cinza dos seus olhos e me dou conta que nada mais importa. Sempre foi ele. Sempre será ela, independente do seu passado ou do quanto ele foi um cretino bipolar e arrogante.

–Você tem razão. – Digo com a voz trêmula. Solto meus braços e toco seu rosto. Sinto a maciez da sua pele em contato com meus dedos. Os pelos da sua barba arranha as pontas dos meus dedos. É reconfortante. – Já tivemos tempo demais. – Digo quase num sussurro.

Edward esboça seu sorriso torto perfeito.

Seus dedos traçam caminho pelo meu pescoço até alcançar minha nuca.

Sua outra mão alcança meu quadril e me puxa suavemente para junto do seu corpo. Grande e forte.

Deixo que uma das minhas mãos se encaixe no contorno do seu peito forte e a outra, enlace seu pescoço puxando-o para mim.

Seus lábios encontram os meus suavemente. Sinto minhas pernas amolecer como geléia e me agarro a ele com força para não cair.

Sua língua quente e macia acaricia a minha com devoção. Saboreio o seu gosto e me dou conta que a saudade que eu senti dele era ainda maior do que eu imaginava.

Seu toque aquece toda a minha pele e meu coração bate forte em meu peito com as carícias íntimas de sua língua na minha.

Seus lábios se encaixam perfeitamente nos meus e se mexem numa sincronia perfeita. Era como se tivéssemos sido feitos para nos encaixarmos um no outro.

Sua mão segura minha nuca enquanto sua boca explora meu pescoço. Solto um suspiro baixo e rouco, que mais parece um gemido abafado e agarro seus cabelos com um pouco de força. Sua mão que outrora estava em meu quadril, encontrou passagem pela barra da minha camiseta e agora massageia minha barriga, subindo traiçoeiramente por minha pele até encontrar a renda do meu sutiã.

Sinto meus seios ficarem rígidos e um formigamento se instala no meu ventre. Eu o desejava tanto. Eu precisava senti-lo por completo.

Sua boca busca a minha dessa vez com mais urgência. Seus dedos roçam no meu seio, fazendo correntes elétricas percorrerem todo o meu corpo.

–Edward... – Ele morde meu lábio e me ergue do chão me sentando no pequeno balcão. Minha cabeça bate no armário logo acima da minha cabeça e começo a rir.

Edward fecha os olhos e morde o lábio tentando reprimir uma risada.

–Desculpa. – Sussurra, beijando-me suavemente nos lábios.

Enlaço seu pescoço com os braços e lhe trago para junto do meu corpo. Ele se posiciona no meio das minhas pernas, suas mãos apoiadas no balcão onde estou sentada com o corpo meio curvo. Não quero correr o risco de machucar minha cabeça novamente.

–Acho que aqui não vai rolar, não é? – Sua voz é divertida e maliciosa, causando-me cócegas na pele.

Mordo o lábio e faço que não com a cabeça.

–Preciso de você... Eu... Quero te tocar e amar você.

Puxo-o para mim e nossos lábios se tocam.

–Eu também. – Digo enquanto lhe beijo suavemente. – Mas, aqui não é o lugar certo.

Ele aperta minha cintura por debaixo da camiseta.

–Que tal amanhã... Jantar no meu apartamento. Eu cozinho. – Ele ergue uma sobrancelha e morde meu lábio.

–Você cozinhando?! Vou pagar para ver.

Edward abraça-me forte e me beija.

Ficamos assim por muito tempo. Até concordarmos que o sofá era mais aconchegante, para namorarmos e darmos uns amassos.

Conto para ele sobre minha possível oferta de emprego e por sua expressão, ele não ficou muito feliz.

–Ainda preferia que você voltasse a trabalhar comigo. – Ele segura minha mão entrelaçando nossos dedos.

–Já conversamos sobre isso. –Digo simplesmente, porque é a verdade. Durante quase todos os dias em que estivemos longe, ele sempre dizia que eu podia voltar para o meu posto como sua assistente pessoal. No entanto, eu não havia dedicado anos da minha vida estudando para ser uma boa redatora, para ficar digitando e-mails para um homem lindo e arrogante. Aliás... Meu homem, lindo e arrogante.

–Eu sei que conversamos, mas é que... Eu sinto falta de ter você todos os dias comigo. – Ele diminui o tom de sua voz no final da frase. Seus olhos estudam atentamente nossas mãos entrelaçadas.

–Eu também sinto. Mas.... Podemos encontrar novas formas de ficarmos juntos.

Ele ergue seus olhos e um sorriso lindo nasce em seus lábios

–Isso significa que você me aceita de volta? – Pergunta com a voz rouca.

Toco sua face, delineio o contorno das suas sobrancelhas e desço por sua bochecha.

–Não. Nunca o tive de verdade antes. Mas isso significa que eu o quero agora. Quero que sejamos um do outro.

Edward segura meu rosto com ambas as mãos.

–Eu já sou seu.

–É tão bom saber disso.

Ele sorrir e beija suavemente meus lábios.

–Você é minha. – Diz com seu tom autoritário de sempre. – Apenas minha.

Suas palavras possessivas causam um efeito maravilhoso em meu corpo.

–Apenas sua. – Isso é a única coisa que consigo dizer, antes de seus lábios tomarem os meus com urgência. Me entrego as suas carícias e me derreto com seus beijos e me apaixono ainda mais com cada toque.

–Eu te amo, minha Bella. – Sussurra, ainda com a boca na minha.

Sinto meu corpo estremecer.

–Eu também te amo.

Continua...

Notas finais
Hmm! Espero que tenham gostado. Agora vamos torcer para que nada aconteça para atrapalhar. Beijos e comentem :)