Perfect For Me
31 Capítulo 30
Notas iniciais
Edward
Eu mal posso acreditar em meus próprios olhos. Depois de semanas que mais pareceram eternidades, ela estava realmente aqui.
Analiso-a com atenção, desejando poder parar o tempo para que eu pudesse eternizá-la em minha memória.
Ela é exatamente a mesma de dias atrás e ao mesmo tempo tão mudada. Seus olhos cor de chocolate, apesar de estarem tristes, tem um brilho diferente. Um brilho que eu nunca vi. Ela está mais magra, porém seu corpo adquirira curvas que eu nunca reconheci. Os quadris estão mais largos e os seios mais fartos. Deus! Ela estava irresistivelmente linda.
Sinto meu corpo todo reagir com a forma intensa como ela me olha. Não existem traços de paixão no seu olhar, ao contrário, há tanto amor, saudade e tristeza, que me fazem perder o equilíbrio e por alguns segundos perco totalmente minha linha de raciocínio. Eu já não sei o real motivo pela qual eu a chamei aqui. Tudo o que eu quero agora é poder envolvê-la em meus braços e poder sentir o calor do seu corpo junto ao meu.
Tudo o que eu quero, é poder apagar toda a nossa história que fora construída sob tantas tragédias e mentiras e, começar tudo novamente.
Eu quero poder escrever uma história sem dramas ou lágrimas. Apenas amor e felicidade. Mas, isso é impossível. E por mais que doesse saber dessa realidade, eu tinha que ser forte o bastante para enfrentar o meu passado e despejar de bandeja toda a minha história aos pés de Isabella. Ela precisava me ouvir. Ela tem que saber por tudo o que passei até chegar aqui e porque tantas vezes eu me deixei levar por minha culpa e a tratei de maneira tão mesquinha. Eu não merecia seu perdão. Deus! Eu nem merecia tê-la aqui nesse lugar novamente. No entanto, eu a amava tanto, que a mera possibilidade de quem sabe tê-la de volta, já me dava esperanças de continuar lutando por ela. Por nossa história e por tudo o que ainda podemos construir juntos.
Há semanas eu venho lutando contra todos os meus demônios e dizendo a mim mesmo que eu tenho que enfrentar de uma vez por todas o meu passado de frente.
Abrir meus olhos e reconhecer o quão errado eu estive durante todos esses anos, não fora fácil. Reconhecer, que eu deveria me perdoar e deixar o meu passado para trás, fora uma das coisas mais difíceis que tive que enfrentar em toda a minha vida. No entanto, nada do que eu vivi esses dias, fora difícil o bastante, se comparado com a dor de saber que eu tinha perdido a única mulher que um dia eu amei. Enfrentei o inferno de frente e percebi que nada do que eu tinha vivido durante esses sete anos, fora doloroso como agora. Perder Irina fora muito difícil para mim. Deus, sabe que ainda sofro por sua perda. Todavia, perder Isabella, fora a dor mais real que eu tive que enfrentar. O sentimento de perda, me consumia por inteiro a cada segundo dos meus malditos dias. Era devastador saber que eu tinha fracassado. Que todos os sonhos que eu tinha sonhado para nós, nunca seriam vividos. Eu queria dar o céu para ela e agora eu não tinha nada.
Essas três semanas se arrastaram e cada dia parecia ser infinito. Eu nunca tinha vivido algo tão desesperador como agora. Eu precisava de Isabella, como eu preciso do ar para respirar. Cada fibra do meu corpo clama e grita por ela a cada segundo.
Tê-la aqui, mesmo que não seja da forma como desejo, é reconfortante. Saber que apesar de tudo o que a fiz passar, ela ainda se importa comigo e que está me dando uma última chance de falar sobre meu passado é... É tão importante para mim. É como se de alguma forma, eu conseguisse ver uma pequena luz no final desse túnel.
–Ainda não entendo por que me trouxe aqui. – A voz que eu tanto senti falta e desejei ouvir durante todo esse pesadelo, me traz de volta a realidade.
Isabella olha para o apartamento atentamente, antes de focar seus olhos novamente nos meus, em busca de respostas.
Deus! Eu precisava tanto abraçá-la. Eu precisava tanto sentir seu cheiro. Sentir cada fibra do seu corpo de encontro ao meu. Deus! Eu precisava tanto dela.
Dou um passo em sua direção determinado. Isabella percebe o que estou prestes a fazer e dá um passo para trás.
–Edward, não. – Diz. Sua voz sai mais alta do que o normal e eu vejo em seus olhos a batalha que ela está travando com o seu corpo.
–Por favor. – Imploro, dando outro passo em sua direção. – Eu só preciso abraçá-la. – Digo com a voz quebrada. Eu estou desesperado e se eu não fizer isso, sinto que poderei enlouquecer a qualquer segundo. Não importa o quanto eu tenha que dizer-lhe. O quanto preciso lhe explicar. Eu preciso abraçá-la agora. – Por favor. Eu não sei se depois do que eu tenho para lhe contar, eu terei uma outra chance de tê-la em meus braços.
Isabella não desvia os olhos dos meus quando dou ou últimos passos que nos separam. Seu corpo fica tenso quando fico a centímetros dela.
Ergo uma mão e toco gentilmente seu rosto. Ela fecha os olhos e solta um suspiro pesado. Escovo o lado direito de sua bochecha com o polegar, antes de escorrer a mão para trás de sua cabeça, puxando-a para mim. Enlaço sua cintura com a outra mão, prendendo-a apertado junto ao meu corpo. Seu corpo todo fica tenso. Seus braços estão presos ao lado do seu corpo e pela forma que sua respiração está saindo, eu tenho certeza do quanto ela está lutando para continuar resistindo ao meu contato.
Eu não me importo com sua resistência. Tudo o que eu quero é poder continuar lhe abraçando e sentindo o calor do seu corpo e, o seu perfume. Deus! Como eu senti falta dela.
Aperto-a com mais força. Desesperado. Ela é meu bote salva-vidas. Meu porto seguro. Ela é minha casa. Eu nunca me senti tão completo como estou me sentindo agora. É como se eu nunca tivesse estado completamente com Isabella. Me libertar de todas os meus laços, me fez perceber o quanto eu preciso dela. O quanto eu sou completo com ela.
Pressiono minha boca em seu ouvido e fecho os olhos.
–Eu senti tanta a sua falta. – Digo, ofegante. Meu coração bate descompassado e eu tenho a sensação que ele a qualquer momento vai soltar para fora de minha boca.
Beijo suavemente seu pescoço e ela solta um suspiro. Sua respiração acelera e eu continuo trilhando beijos por seu pescoço, até está com os lábios pressionados nos seus.
As pequenas mãos de Isabella seguram minha camisa com força e por alguns segundos eu penso que estamos na mesma página, no entanto ela me empurra para longe.
Com a respiração ofegante e os olhos ligeiramente úmidos, Isabella me encara confusa.
–Eu não devia ter vindo. – Diz com a voz rouca.
Passo as mãos pelos cabelos. Eu tinha que me controlar. Não podia perder o controle agora. Não quando eu tinha tanto para lhe dizer.
–Eu sinto muito. – Múrmuro. – Eu não tinha a intenção... Eu... É só que... – Respiro fundo frustrado. – Porra! Isabella. Eu senti sua falta.
Isabella abre a boca, no entanto nada diz. Enxuga uma lágrima que rola sorrateiramente por sua face e passa as mãos pelos cabelos.
–É melhor eu ir embora. – Diz, sem me olhar. Ela me dá as costas e começa a caminhar em direção à saída.
–Por favor, não vá. Pelo menos, não até ouvir o que eu tenho a lhe dizer. – Suplico desesperado.
Isabella para com a mão na maçaneta.
–Eu não sei se ainda temos o que conversar. Você já me disse tudo o que tinha para me dizer. – Ela volta-se para mim. – E eu também lhe disse tudo.
–Nem tudo foi dito. – Digo com a voz baixa. –Há algo que eu preciso que saiba.
Isabella me olha confusa.
–Como o quê?
Olho em torno. O apartamento que um dia fora como um altar de adoração para Irina, agora está completamente vazio. Não restou nada. Nem uma fotografia ou quadro. Não restou nenhum vestígio dela. Nem mesmo as paredes estavam como um dia ela deixou.
O lugar estava completamente vazio dela.
–Por que me trouxe aqui, Edward? – A voz de Isabella me traz de volta. – Será que tudo o que aconteceu não foi o suficiente? – Ela coloca-se a minha frente. Seus olhos me fitam com mágoa e desgosto. – Por que me pediu para voltar a esse lugar? Você acha que suas palavras não me machucaram o suficiente, por isso resolveu me trazer de volta? – Ela sorriu. Um sorriso triste e magoado. Seus olhos me acusando mais do que qualquer uma de suas palavras.
Fico em silêncio, processando em minha cabeça a melhor forma de lhe contar toda a história que eu lhe escondi durante todo esse tempo.
–Você é inacreditável. – Diz ela com desdém, antes de me dá as costas novamente e seguir em direção à porta.
Respiro fundo e obrigo as malditas palavras a escorregarem para fora da minha boca. Eu preciso ser honesto comigo e acima de tudo, ser honesto com ela.
Passo as mãos por meus cabelos e respiro fundo.
–Deus! Isabella. Não foi por isso que a trouxe aqui. –Caminho até ela antes que ela possa sair pela porta. – Você precisa me ouvir. – Digo, segurando-lhe o pulso, antes que ela girasse a maçaneta.
–Deixe-me ir, Edward. – Diz, por entre dentes.
Puxo-a para longe da porta.
–Não até você me escutar.
Isabella balança a cabeça em negação e um pequeno soluço escapa de sua garganta.
–Eu não quero lhe escutar. – Diz, com a voz engasgada.
Seguro seu rosto com ambas as mãos.
–Você precisa. – Mordo o lábio e luto contra a vontade de beijá-la. Eu preciso desesperadamente arrancar a dor de seus olhos e do seu coração. Deus, sabe o quanto eu sofro, por saber que ela está sofrendo. – Eu preciso que escute. Preciso que entenda, que tudo o que fiz. Tudo o que eu disse, foi apenas porque eu me sentia culpado. Eu tinha medo de enfrentar meu passado e aceitar a verdade.
–Eu não entendo. Do que você está falando? – Questiona-me confusa.
Respiro fundo e afasto-me dela. Isso seria mais difícil do que eu imaginava.
–Quando eu te disse, que nunca a amaria como amei a Irina... Eu estava falando sério.
Isabella deixa escapar uma pequena risada. Uma risada irônica e extremamente magoada.
–Não acredito que me fez vir até aqui para dizer isso.
Volto-me para ela.
–Sim, eu a trouxe para isso. – Aperto minha mandíbula e respiro fundo. – Eu nunca a amarei como um dia eu amei a Irina. Sabe por quê?
Isabella me lança um olhar incrédulo. Seus olhos estão transbordando as lágrimas e eu sei o quão confusa ela está.
–Você é um idiota. – Grita ela. – Eu não acredito...
–Eu deveria ter lhe dito isso antes. – Eu a corto. – Eu deveria ter sido honesto com você a respeito dos meus sentimentos. – Aproximo-me dela, tomando seu rosto entre minhas mãos. – Isabella... Eu nunca amei alguém como eu amo você. Nem mesmo a Irina. -Ela pisca os olhos confusa, no entanto nada diz.
–Eu deveria ter lhe dito isso na festa, enquanto discutíamos. Eu deveria ter lhe dito o quanto você é importante para mim. O quanto eu a amo e preciso de você.
–Eu não entendo. –Diz, ela confusa.
Afasto-me dela.
–Eu não queria me casar. Quero dizer... Eu amei a Irina. Só que o casamento começou a se tornar algo assustador. Éramos tão jovens e a família dela estava apressando as coisas. – Encaro a parede que outrora estava o quadro com a imagem de Irina e me recordo daquele dia. Há anos atrás.
–Irina estava tão empolgada com o casamento. Estávamos noivo há pouco tempo e o combinado era esperar até o fim da faculdade para nos casarmos. Eu não queria depender dos meus pais, nem muito menos dos dela para sobrevivermos. No entanto, ela e a família começaram a me pressionar. Ela queria casar logo. Eu tentei persuadi-la para esquecer disso e esperarmos mais um pouco... Eu não consegui tirar isso da sua cabeça e deixei que ela e a Sasha, fizesse o que quessem. Foi só naquela noite que eu tomei coragem para lhe pedir para adiar o nosso casamento. Faltava apenas uma semana e eu estava surtando. Por mais que eu a amasse, eu não estava pronto para dar um passo tão sério.
Fecho meus olhos, na tentativa de afastar as lágrimas.
–Quando ela chegou aqui... – Abro os olhos e olho para o apartamento vazio. Minha mente me leva para aquele dia e a lembrança é dolorosa demais para que eu possa suportar. Fecho os olhos com força, tentando bloquear as lembranças. É inútil. Respiro fundo algumas vezes. – Eu tentei conversar com ela... Tentei dizer que precisávamos adiar o casamento... Entretanto... Ela me disse o real motivo para tanta pressa.
–Ela estava grávida. Grávida de quase três meses. – Olho para longe de Isabella. Eu não podia olhar-lhe nos olhos agora. Não quando eu estava despejando toda a fodida verdade sobre meu passado. – Eu não podia adiar... Não diante desse fato. Eu teria uma vida inteira para me acostumar ao casamento e a ideia de ser pai tão jovem. Quando eu voltei para casa... Eu estava me pressionando para aceitar essa situação da melhor forma. Irina precisava de mim ao seu lado e eu não podia lhe abandonar agora, apenas porque eu acreditava que estávamos nos precipitando. Eu a amava... Só tinha que me acostumar a ideia que seria um jovem de 20 anos ainda na faculdade, casado e pai de uma criança... – Fecho os olhos e puxo umas rajadas de ar para meus pulmões. A lembrança ainda doía. – Então ela morreu. Ela morreu e eu simplesmente me senti culpado. Eu não tinha sido a pessoa mais cúmplice dela. Estávamos noivos e enquanto ela lutava desesperadamente para nos casarmos, antes que o pai dela descobrisse a gravidez, eu estava procurando uma forma de lhe fazer desistir do casamento. Nós simplesmente não estávamos na mesma página e eu me amaldiçoei por isso quando ela se foi.
E me amaldiçoei ainda mais quando você entrou na minha vida. Porque eu a queria de uma forma que eu nunca quis ninguém. Eu te desejei de uma forma que eu nunca pensei que fosse capaz. Eu te amei além do que eu poderia pensar que fosse capaz de amar. – Volto-me para ela. Isabella, está parada com o rosto banhado em lágrimas. – Você me fez sentir tudo o que ela nem ninguém me fez sentir antes. – Respiro fundo e enxugo as malditas lágrimas que rolam por minha face. – Eu estava tão ciente do que eu queria quando estava com você. Por isso que sempre fui tão estúpido. Por que eu te amei, mais do que eu amei a Irina. Eu te desejei desde o primeiro momento que a vi e esse desejo era tão avassalador. Eu nunca tinha sentindo nada parecido. Eu tentei te afastar de mim, porque você me fazia sentir e querer coisas que a Irina nunca foi capaz de fazer. Eu nunca tinha me sentindo tão feliz e vivo, como eu me sentia ao seu lado. –Respiro fundo e mordo o lábio. – A dor que eu senti ao perder Irina, não se compara com a dor que venho sentindo desde que você me deixou.
–A dor de perder você foi mil vezes mais intensa. E eu me amaldiçoei por isso. Me amaldiçoei por te amar e te querer mais do que eu a quis.
– Foi por isso que você esvaziou o apartamento? Para me mostrar que me amava mais do que a ela?
–Não. Eu esvaziei o apartamento, porque eu precisava dizer adeus ao meu passado e me perdoar. Cultivar lembranças da Irina, nunca me fez me sentir menos culpado. Essas lembranças, eram apenas provas da minha deslealdade a ela. Era apenas um lembrete da minha culpa. – Limpo as lágrimas e pressiono os lábios em uma linha fina. – Esvaziar o apartamento, foi apenas a forma que eu encontrei de me perdoar e deixar que ela vá embora. Talvez nunca tivéssemos sido felizes juntos. Eu não me sentia preparado para me casar com ela, e sabe lá Deus, se nós tínhamos sequer conseguido chegar até aqui. –Respiro fundo.-Eu perdi muitos anos me culpando e dizendo a mim mesmo que eu não podia ser feliz. Dizendo a mim mesmo que jamais voltaria a amar alguém. Passei tempo demais, afastando pessoas de mim, por medo de me apegar. Então você apareceu. – Dou um passo em sua direção e toco sua face. – Você é a melhor coisa que me aconteceu e eu sinto muito por tê-la feito sofrer. Eu não devia ter deixado meu passado e minha maldita culpa, interferir no que eu estava sentindo por você. Eu sei que eu não mereço nada... Sei que fui cruel e que te disse palavras que a magoaram. Mas, eu preciso que você acredite que eu a amo. Que você me completa e eu preciso desesperadamente de você. Esses dias longe, foram os mais tortuosos e desesperador de toda a minha vida. – Enxugo uma lágrima que rola por sua face. Isabella fecha os olhos e morde o lábio. – Eu não consigo imaginar minha vida sem você.
Um pequeno soluço escapa da garganta de Isabella e ela cobre o rosto com as mãos.
–Eu sinto muito. Eu daria minha vida para poder voltar ao tempo e mudar tudo isso...
–Mas, você não pode. – Diz ela entre lágrimas. – Você não pode mudar o que aconteceu.
–Eu sei.
Ela pressiona os dedos na têmpora e fecha os olhos.
–Todo esse tempo... Todo esse tempo em que você me usou, me humilhou e disse coisas... Coisas que me machucaram... Tudo isso foi por que você se sentia culpado por me amar? – Ela me lança um olhar acusador.
Baixo o olhar, incapaz de continuar lhe encarando.
–Eu sinto muito.
–Você acha que só porque você me disse toda essa história, eu vou esquecer suas palavras e tudo o que você me fez e, voltar para você?
Ergo o olhar para lhe encarar.
–Eu só queria que você soubesse a verdade. – Digo, depois de uma longa pausa. – Você merecia saber a verdade sobre mim e meu passado.
–Eu já sabia o suficiente, Edward. –Diz, num murmúrio baixo. – Eu não precisava ouvir toda essa merda... De toda forma eu estava certa. O seu passado foi o responsável por tudo o que eu passei. Você e esse sentimento... – Ela morde o lábio, como se para não permitir que suas palavras saíssem.
–Eu posso imaginar o quanto foi difícil para você, perder duas pessoas ao mesmo tempo... Porém isso não justifica suas atitudes comigo.
–Bella...
–Eu não posso, Edward.
–Não diga isso, Bella. – Suplico, dando um passo em sua direção. – Podemos superar tudo isso. Eu sei que você me ama. Sei que podemos.
Isabella balança a cabeça em negação.
–Eu não posso...
Fecho meus olhos com força. Eu não podia perdê-la. Não depois de tudo. Eu não aguentaria perdê-la novamente.
–Eu sei que eu errei feio. Porra! Eu sei que fui um idiota. Mas, eu te amo. Eu te amo, Bella. Você não pode simplesmente me deixar. Temos uma vida pela frente... Podemos superar isso. Eu prometo que nunca, nunca vou deixar o passado interferir na nossa vida novamente.
–Edward...
–Eu sinto muito, por todas as malditas palavras que te disse e que te machucaram. – Seguro seu rosto entre minhas mãos. – Por favor, eu só te peço uma chance. – Suplico entre lágrimas. – Eu prometo que não vou decepcioná-la novamente.
–Edward, pare. – Isabella empurra meu peito e eu me afasto dela. – Eu não posso...
–Por que não? – Questiono-a. Eu estou desesperado e sem argumentos.
–Por que é o melhor no momento.
–O melhor para quem, Isabella? – Pergunto, com um sorriso triste nos lábios.
Ela baixa o olhar e abraça o próprio corpo com os braços.
–Para mim. – Diz, num fio de voz.
–Eu não posso perder você. Não posso deixar que você se vá. – Fito seus olhos cor de chocolate e sorrio entre lágrimas. – Você é a melhor parte de mim.
Isabella dá um passo em minha direção.
–Se você me ama, como disse que me ama... Então me deixe ir.
–Isabella, eu não posso perder você.
–E eu não posso ficar. Não depois de tudo o que me disse.
Seguro suas mãos.
–Eu só te peço uma chance. Deixe-me prová-la que eu posso lhe fazer feliz.
–Por mais que eu queira dizer sim... Eu não posso.
Sorrio sem entender.
– Por que não?
Isabella, afasta-se de mim.
–É complicado. Eu preciso absorver tudo o que aconteceu. Eu estou no meu limite, Edward. Eu passei por muitas coisas esses meses. Meu pai quase morreu, duas vezes. Descobri que minha mãe é uma pessoa sem escrúpulos e teve toda essa nossa história. Eu não sei o que fazer diante de tudo isso. Eu me sinto confusa e perdida. – Ela me olha demoradamente. – Eu preciso de tempo... Tempo para colocar tudo no lugar e preciso que você aceite isso.
Sinto uma dor ultrapassar o meu peito. Ela estava certa. Ela havia passado por muita coisa e eu não podia lhe exigir que me deixasse voltar para sua vida, pelo menos não quando eu fui causador de pelo menos oitenta por cento de todas as suas lágrimas.
–Eu não vou desistir de você. Não importa quanto tempo passar. Eu vou continuar lutando para lhe ter de volta. Vou te provar que sou digno do seu amor e da sua confiança.
Isabella não diz nada, apenas continua me encarando.
–Por favor, me diga que também não vai desistir de mim... De nós. – Suplico, dando um passo em sua direção.
Isabella desvia o olhar e dá um passo para trás.
–Eu preciso ir. – Diz. Ela passa as mãos por seus cabelos e afasta-se o quanto pode de mim.
Sinto todo o meu mundo desmoronar. Talvez essa seja a minha realidade agora. Talvez ela não queira mais lutar por um futuro ao meu lado.
Volto-me para ela, no entanto ela já está segurando a maçaneta da porta.
–Bella. – Digo com a voz engasgada. Ela não volta-se para mim. Apenas continua parada encarando a porta. – Mesmo que você esteja desistindo de mim... Eu nunca vou desistir de você.
Um pequeno soluço escapa de sua garganta e eu luto contra a vontade que tenho de correr ao seu encontro.
–Eu sinto muito. – Diz ela, antes de abrir à porta e ir embora.
Continua...
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