Notas iniciais
Postando adiantado, pois não sei se domingo terei tempo. Escrevi ouvindo " Let Her Go Passenger" Boa Leitura!

Bella

Sinto que a bandeja pesa toneladas em minhas mãos. Sei que o que acabei de ouvir não fora imaginação da minha cabeça.

Eu havia deixado a porta aberta quando saí e a mesma continuava do mesmo jeito.

Tanya está de frente para Edward, próxima demais.

Meu coração bate forte contra meu peito e o ar parece impossível de ser absorvido.

–Era apenas isso que eu queria ouvir. – Tanya aproxima-se de Edward e lhe beija nos lábios.

Fecho os olhos com força na tentativa em vão de não assistir aquela cena, no entanto é tarde demais, as palavras de Edward e aquele beijo já estavam registrados em mim.

Forço meus pés a se moverem para longe daquele lugar, mas eles são teimosos, parecem que estão colados no chão.

Giro meu corpo e a bandeja esbarra na lateral da porta. O som de metal colidindo com o chão e de porcelana se estilhaçando, faz com que Edward empurre Tanya para longe.

Seu olhar ao encontrar com os meus é de surpresa.

Meu coração bate com mais força e minha visão fica turva. Eu não podia continuar ali. Não podia deixar que eles vissem o quanto aquela cena havia me afetado.

–Isabella...

Forço meus pés a seguirem meu corpo. Não me importo com o olhar interrogativo de Lauren ao ver-me passar por sua mesa com lágrimas nos olhos e quase tropeçando nos meus próprios pés.

Eu não podia acreditar. Não depois de nossa noite linda em Nova York, onde ele me pediu que fosse dele. Ele havia me dito que não era apenas por uma noite.

Respiro fundo quando as portas do elevador se abrem.

–Bella. – A voz de Edward é alta demais pelo corredor e logo em seguida, ele aparece quase chegando a tempo de forçar à porta a continuar aberta.

Cubro o rosto com as mãos enquanto as lágrimas rolam por minha face. A dor que me atingia o peito era descomunal.

Um soluço abafado escapa de meus lábios antes que eu possa detê-lo.

“Eu não sinto nada por ela.” – As palavras de Edward assombravam meus pensamentos. Elas se repetiam paralelamente na minha cabeça causando um efeito diferente em meu coração a cada segundo.

Respiro fundo, tentando controlar minhas lágrimas antes das portas do elevador se abrir.

Minhas pernas estavam trêmulas e as lágrimas teimavam em embaçar minha visão.

Saio do elevador e caminho no hall em direção a saída com muita dificuldade. Minha respiração estava presa em minha garganta e eu sabia que não iria demorar muito para que toda essa dor e decepção se transformassem em lágrimas.

–Isabella. – Edward chama meu nome com a voz ofegante. Provavelmente desceu os vinte andares pela escada.

Continuo andando, ignorando-o completamente.

A porta estava a pouco mais de três passos. Eu conseguiria sair antes que ele me alcançasse.

–Isabella. – Sua voz agora é firme e próxima. Ele segura meu braço forçando-me a parar.

–Solte-me, Edward. – Digo por entre dentes soltando-me de sua pegada.

–Por favor, ouça-me. – Sua voz é desesperada. Ele segura meu braço novamente, quando começo a me afastar. – Eu não sei o que você ouviu, mas eu posso te explicar.

O tom de súplica em sua voz faz com que eu erga meus olhos em sua direção.

Um suspiro cansado e derrotado escapa de seus lábios e ele passa as mãos pelos cabelos.

Analiso seu rosto de anjo. Seus olhos semicerrados e as feições retorcidas. Ele parecia um garoto perdido.

Eu nunca o vi desse jeito.

–Explique. – Digo com a voz baixa. Por mais que eu quisesse fugir daquele lugar, eu sabia que depois de tudo que vivi ao lado dele eu merecia uma explicação.

Seu olhar se torna sombrio e o cinza de seus olhos se tornam escuros, como noites de tempestades.

–Eu... Eu sei o que você ouviu... Mas... Bella eu... Não era o que eu queria dizer. – Ele tropeça nas palavras. Sua voz é baixa e aflita.

–E o que você queria dizer? – Pergunto com a voz baixa. Meus olhos se prendem aos seus e tudo o que eu consigo enxergar é confusão. Ele não tem respostas.

Edward passa as mãos nos cabelos e aperta os lábios numa linha fina.

–Eu posso explicar, Bella.

–Então explique. – Digo num fio de voz. – Por favor, explique. – Minha voz falha e eu tento lutar contra as lágrimas.

Edward olha para todos os lados, como se estivesse procurando respostas.

–Você disse que queria que eu fosse sua. Disse que não seria apenas por uma noite. Disse que... – Mordo o lábio na tentativa de fazê-lo parar de tremer. – Era tudo mentira?

–Não. Claro que não. – Diz com a voz baixa. – Eu a quero muito, mas... – Edward deixa a frase no ar. Olha para as pessoas que passam, lançando olhares curiosos em nossa direção e endireita a postura. – Vamos conversar em outro lugar. Aqui não é apropriado.

–E onde é apropriado? Numa limusine? Quem sabe num quarto de hotel em Nova York, longe dos olhos de quem te conhecem ou na mesa do seu escritório? Porra Edward! O que você sente por mim? O que merda temos? – As palavras saem altas demais, mas eu não me importo. Eu estou cansada desse jogo. Estou cansada de fazer exatamente tudo o que ele quer.

–Por favor, me diga o que temos. – Minhas palavras é um murmúrio baixo quase inaudível. –Diga-me que tudo que foi real...

Edward mantém o olhar fixo no meu. Sua expressão é indecifrável e seu olhar é sombrio.

Seu silêncio diz tudo.

Sinto que meu coração vai explodir a qualquer momento.

Ele não tinha respostas. Ele não sentia nada por mim e o que tivemos não passou de sexo.

–Você é um monstro, Edward. Você... – Respiro fundo, passando as mãos pelos cabelos.

–Bella...

–Não. Não diga mais nada. – Digo erguendo uma mão. – Eu não quero mais lhe ouvir.

–Eu sinto muito, Bella. – Sua voz é um misto de dor e desespero. Edward ergue uma mão para me tocar, no entanto eu me afasto, não suportaria que ele voltasse a me tocar.

Dou-lhe as costas e começo a caminhar, enquanto as lágrimas voltavam com tudo aos meus olhos.

Eu sabia que partes importantes de mim ficariam com Edward. Partes que eu nunca soube que existiam e que agora eu sabia que me fariam falta.

Edward não disse nada, não me impediu de partir, no entanto eu conseguia sentir seus olhos em mim enquanto eu saia de sua vida.

Caminho a esmo durante horas. Eu sabia que voltar para casa depois do que aconteceu não era a melhor solução e mesmo se quisesse não poderia. Minha bolsa havia ficado no escritório de Edward e voltar até lá para pegá-la estava fora de questão.

As lágrimas haviam cessado a horas, porém a dor em meu peito parecia não ter fim.

Eu estava me sentindo enganada. Traída. Partes de mim não queriam acreditar que tudo o que vivi com Edward fora uma mentira, no entanto a outra parte, a parte racional, me mostra que a ilusão só estava sendo vivenciada por mim.

Edward nunca me prometeu nada. Nunca me disse uma palavra de amor.

Estava tão claro que o que tínhamos era sexo, tendo em vista todos os nossos momentos juntos.

Eu estava cega. Deixei-me levar pelo sentimento forte que sinto por ele e fantasiei que ele sentisse o mesmo por mim.

Eu estava enganada.

Todo esse tempo tudo não passava de uma mentira.

Eu não fui a mulher que ele amou... Fui apenas mais uma de suas conquistas. Apenas mais um dos seus casos.

Quando o sol se põe, começo a andar rumo à minha casa. A caminhada é longa e cansativa, mas me ajuda a esvaziar a mente e não pensar nos últimos acontecimentos.

–Bella, aonde você estava? – Questiona-me Charlie, assim que eu entro.

Respiro lento e demoradamente. Eu estava exausta e tudo o que eu menos queria no momento, era responder os questionamentos do meu pai. Eu não era uma criança. Eu era uma mulher adulta que acabara de ser traída pelo homem que ela amava. Eu não precisava dar satisfações da minha vida.

–Eu estava caminhando pai. – Digo com a voz firme. Caminho até ele e o beijo na bochecha. – Estou cansada. Vou subir e descansar.

–Você está bem, Bella? – Charlie me avalia atentamente.

Estava claro que eu não estava bem. Eu gostaria de dizer a ele que eu estava arrasada e que partes de mim estavam em pedaços.

Eu queria alguém com quem conversar e pedir conselhos.

Eu queria que minha mãe estivesse aqui.

–Eu estou bem pai, apenas cansada.

Charlie sorrir e afaga meus cabelos.

–Boa noite filha.

Forço um sorriso e me afasto em direção as escadas.

Após um banho demorado e mais uma sessão de lágrimas, volto para o quarto e para minha surpresa, Alice está em pé, em frente a minha penteadeira segurando o porta-retrato nas mãos.

–Alice.

Ela volta-se para mim com o olhar triste. Coloca o porta-retrato em seu lugar e caminha até onde estou, envolvendo-me num abraço apertado.

Sinto que todas minhas resistências foram por água abaixo e mesmo pensando que não tinha mais lágrimas para chorar, elas vem à tona mostrando-me o quanto eu estava enganada.

–Eu soube o que aconteceu. – Diz. Ela afasta-me o suficiente para me olhar nos olhos. – Eu imagino como você deve está.

Balanço a cabeça em negação. Não sabia exatamente o que poderia lhe dizer.

Eu não conseguia entender o que eu estava sentindo.

Alice me arrasta até minha cama e sentamos frente a frente. Ela não solta minhas mãos.

–Como soube? – Pergunto com a voz trêmula.

–Hoje é o aniversário do Edward. Fui parabenizá-lo e eu o encontrei num estado lastimável. – Ela aperta os lábios e espera que eu diga alguma coisa. Eu não digo. Suas palavras me deixam ainda mais confusa do que já estou. – Ele me contou tudo, Bella.

Então ela sabia que todo esse tempo eu era apenas uma diversão para ele. Ele havia lhe contanto.

–Eu já deveria esperar isso dele. – Digo passando as mãos pelos cabelos. – Olha para mim. Eu não sou ninguém. Como eu pude achar que ele sentiria alguma coisa por mim?

–Isabella, você não entende.

Sorrio tristemente.

–Acho que já entendi tudo.

–Bella, você precisa ouvir o Edward. Ele tem uma explicação para o que ele disse a Tanya.

Sorrio ironicamente.

–Ele não tem explicações a me dar. E também... Não tínhamos nada. Ele... Ele estava beijando a Tanya.

Alice arregala os olhos surpresa por minhas palavras.

–Essa parte ele não me contou.

–Alice, o fato de que eu fantasiei um sentimento por seu irmão, não significa que ele tenha que sentir o mesmo.

–Mas ele sente. – Diz com convicção. Eu também pensei assim hoje pela manhã quando ele me tomou em seus braços. Quando ele agiu como se realmente tivesse sentido minha falta.

–Não, ele não sente. – Respiro fundo. Não podia chorar novamente. Já tinha chorado demais. Agora teria que seguir em frente.

–Quero que me faça um favor. – Fecho os olhos com força. Essa seria uma escolha sem voltas. – Quero que diga a ele que não voltarei. Eu estou me demitindo.

Alice me olha incrédula por minhas palavras.

–Mas você o ama.

As lágrimas acumuladas rolam por minha face.

–É exatamente por amá-lo que não vou mais voltar à empresa.

Continua...

Notas finais
Gente, eu estava louca que esse momento chegasse. Todas reclamam da personalidade submissa da Bella, agora vamos ver um outro lado dela. Espero que tenham gostado. Bjus e até a próxima. Não deixem de comentar.