Peregrinos de corações

2 Uma bela manhã no centro de nada.


"As pessoas estão cegas demais pra se olharem no espelho. Não querem se ver naquilo que realmente são."

Thomas acordou vazio, seu peito não ardia mais, ele ousava até mesmo a acreditar que seu coração nem sequer batia. Os cacos do espelho, ainda estava em sua mão, lembrando-o do que fizera na noite passada. Lembrando-o de tudo que o atormentara a ponto de...

Não quis mais pensar, a resposta ficou presa nas linhas de seus pensamentos que agora não estavam mais amargurados, nem mesmo ressentidos, apenas vazios. Um vazio imenso preenchia aquele campo sem fim de céu transfigurado de vermelho. Um céu que parecia sangrar enquanto a chuva caia firmemente sobre o corpo de Thomas, mas ele não se sentia molhar. Resolveu levantar-se e olhou em volta. Não conhecia aquele campo, muito menos o castelo em ruínas que se erguia próximo a ele e de onde vinha um barulho que lhe era familiar. Que mundo era esse de céus vermelhos que sangram e castelos que parecem pulsar? Apurou melhor os ouvidos, sim aquilo era um pulsar de um coração, mas de onde vinha se em seu peito não batia mais nenhum?

Caminhou lentamente até o castelo, adiando o inevitável. A chuva de sangue continuava caindo pesada e deixava a caminhada mais desconfortável, mas Thomas prosseguia. Lenta e lânguidamente. A cada passo que dava, o pulsar ficava mais forte até que na porta do castelo, o barulho era ensurdecedor. Ele abriu a porta pesada e adentrou o castelo escuro onde apenas se podia ver um átrio com uma estranha escultura de onde se podia ouvir o barulho que vinha atormentando Thomas.

Ao chegar mais perto, pode ver o que era a escultura, e para seu torpor viu que se tratava de um coração humano. Um coração vivo. Que pulsava insistentemente. Abaixo da estranha escultura havia uma placa onde podia-se ler:

"Aqui jaz o coração de Thomas Limbo. Aquele que amou e partiu sem mais palavras para deixar."

Thomas não sabia o que pensar. Colocou a mão em seu peito e sentiu o vazio que agora habitava o lugar onde antes pulsava seu coração. Sim aquela placa falava realmente do seu coração que por algum motivo lhe fora arrancado e de que forma ele não sabia como.

O barulho da chuva diminuía lá fora, mas o barulho do coração escultura ainda era ensurdecedor e a cada novo pensamento de Thomas ele se acelerava e parecia bater cada vez mais alto. Um raio de luz entrou por uma janela e iluminou o hall onde Thomas estava e agora ele poderia ver melhor. Estava numa sala com teto alto, de paredes claras e bem decorado para um castelo em ruinas. Bem atrás dele estava a porta por onde entrou, que agora pode ver, era feita de espelhos que refletiam um Thomas que ele nunca tinha visto. Um Thomas vazio. As outras áreas do castelo estavam intransitáveis devido os desmoronamentos, mas aquela sala estava intacta.

Thomas vazio saiu pela porta-espelho, esperando encontrar lá fora respostas para o que não entendia aqui dentro. Olhou para o seu coração, ainda acelerado e bem depressa fechou a porta...as respostas teriam que estar em algum lugar.

Notas finais
Ai gente to ansiosa pelos reviews. Estão gostando da confusão de Thomas? Quero que vocês se descubram com ele através dos capítulos...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.