Perdê-la É O Meu Maior Medo

1 Capítulo 1: Perdê-la é o Meu Maior Medo


Notas iniciais
A historia foi baseada no capitulo 512 do mangá do volume 57.

Fria, assim eram as gotas da chuva que batiam em meu corpo fincado as pedras, misturando-se com o meu sangue. Pisquei os olhos quase mortos, vendo uma sombra pairar no chão quebradiço. O líquido vermelho escorreu por meus lábios quando abri a boca, forçando para sair as palavras.

– Rukia... e Renji... – disse vagarosamente. – Estão vivos?

– Sim. – pude ouvir a voz do shinigami daiko a minha frente. – Eles estão bem. Estão vivos. – garantiu-me.

O humano, Kurosaki Ichigo, estava insatisfeito com a guerra entre os Quincy tanto quanto eu. A inquietação em seus olhos âmbar nos meus era perceptível demais.

Esse moleque...

- ...entendo. Que bom. – tentei sorrir. – Eu não devo... resistir por muito tempo... – fui direto ao ponto. – Mesmo sendo um capitão das 13 Divisões... – fiz uma breve pausa sem conseguir respirar direito. – Eu fui incapaz de derrotar o inimigo que invadiu a Seireitei. Permiti que vários soldados honrosos morressem, causando o sofrimento de seus subordinados e de suas famílias. E no fim, – meus olhos tornaram-se vagos. – fui derrotado de forma miserável. Me envergonho profundamente de tudo isto.

E, o que eu pensei que nunca sairia de minha garganta, com todo o peso do meu orgulho, saiu:

– Por favor... – pedi quase em um murmúrio. – Proteja a Soul Society, Kurosaki Ichigo.

O silencio foi tudo o que me restou.

Kurosaki Ichigo não me respondeu, mas eu sabia que poderia confiar isto a ele, mesmo sendo uma vergonha para mim.

Eu realmente mereço o título de Capitão? Não consegui proteger nem a mim mesmo!

Juntei o pouco de força que me restava e me impulsionei para frente, retirando meus músculos dos escombros. Apenas consegui dar dois passos antes de perder a força nas pernas. Inspirei com dificuldade, sentindo nitidamente cada parte de meu corpo doer intensamente enquanto meu coração batia devagar.

Me concentrei para achar a reiatsu de Rukia. Estava fraca, mas ainda estava ali. Senti um alívio em meu peito ao saber que realmente estava bem. Eu poderia partir e deixá-la nas mãos de Kurosaki Ichigo? Renji também a protegeria com a mesma força? Ah, como eu desejo poder lhe tirar daqui e levá-la para um lugar seguro. Mas, esse é um pensamento egoísta de um mero irmão. Eu não poderia me dar ao luxo de pensar em algo tão emocional assim. Estamos em guerra.

Por favor, seja forte Rukia.

Levantei a cabeça para o céu chuvoso, inspirei pela ultima vez aquele ar gélido e cheio de sofrimento antes de fechar lentamente meus olhos. A espada escorregou de meus dedos tilintando no chão antes de eu o atingir com o meu peso.

Tudo ficou preto... e de alguma forma, minha mente estava cheia. Uma voz a preenchia, mas...

Que voz é essa? Será que isso prova de que é o fim?

– Nii-sama!

Pisquei os olhos vagarosos, vendo embaçado o contorno de uma garota de curtos cabelos negros ajoelhada ao meu lado. Aquela voz... Rukia berrava desesperada, gritava dolorosamente em meio ao choro e a chuva forte.

– Nii-sama! – chamou-me aos berros mais uma vez. – ...por favor não me deixe sozinha. – murmurou ela entre as lágrimas ao encostar a cabeça em meu peito.

Porque toda essa tristeza...?

– ...R-Rukia? – chamei quase inaudível.

Ela rapidamente se ergueu direcionando os olhos azuis para mim. Vê-la me doeu o coração. Estava com o olho esquerdo fechado, o sangue escorrendo como água por sua bochecha.

Como eu pude deixá-la sofrer tanto?

– O que... – sussurrei ao estender a mão tremula para tocar em seu olho. – O que fizeram com você? – perguntei temendo o pior.

– Nii-sama! – sorriu aliviada, ao segurar minha mão. – Você está bem? – perguntou preocupada. – O que aconteceu com você!? – sua voz voltou a sair em tom de desespero.

– Eu vou ficar bem. – a acalmei. – Apenas... me prometa... me prometa que vai para um lugar seguro.

– O que está dizendo? Eu não vou a lugar algum!

– Rukia, não seja teimosa... Eu preciso que você fique a salvo.

– Não! Eu não vou deixá-lo aqui! Eu não posso fugir e dar as costas numa situação como essa!

Abafei um riso.

– Tão sábia... – murmurei.

– O que disse? – perguntou sem ouvir.

Balancei a cabeça negativamente piscando os olhos. De repente, Rukia colocou uma das mãos na garganta, onde tinha um profundo corte até seu peito. Ela respirou fundo, o ferimento em sua garganta a estava impedindo de respirar. Aos poucos, a vi abaixar a cabeça enquanto tossia ao deitar enfraquecida ao meu lado. Rapidamente, estendi a mão para prender meus dedos sujos nos seus.

– Acalme-se. Respire devagar. – avisei. – Renji... Onde ele está? – perguntei na esperança dele poder tirá-la daqui.

– Os paramédicos o levaram. – me respondeu com a voz baixa e rouca. – Eu vou te levar até a 4º Divisão. – forçou-se para levantar e puxou-me por um dos braços.

– Não, eu estou bem. – segurei seu pulso, a impedindo de prosseguir. – Vá até lá e cuide-se primeiro. Eu ficarei aqui esperando.

– Eu vou ficar aqui com você, nii-sama. Não há nada, exceto você que me tire daqui. – por um instante, ela sorriu arqueando as sobrancelhas. – Você precisa de mais cuidados do que eu...

Eu a encarei. Ela estava certa, e sabia que não haveria outro jeito de levá-la para longe se eu não fosse junto. Rukia havia herdado a persistência e a teimosia de sua irmã, minha falecida noiva.

– Acho que consigo levantar... – esforcei-me para sentar.

Tossi o sangue que subiu por minha garganta junto com os ferimentos que voltaram a escorrer. Rukia me olhou calada por alguns segundos, os olhos atordoados e tristes.

– Não me olhe assim, Rukia. – ordenei friamente. – Não é...

Arregalei os olhos. Meu coração bateu forte contra o peito quando senti seu corpo tão próximo ao meu. Ela me abraçou delicadamente encostando a testa em meu ombro, engolindo o choro enquanto entrelaçava os dedos atrás de meu corpo como se agradecesse por algo.

Ela estava tão preocupada assim? Porque ela... se deu ao trabalho de vir até aqui por alguém que nem ao menos pode protegê-la.

O leve cheiro de ferrugem impregnada suas roupas, mas o calor de seus braços estava tão aconchegante, tão quente!

Eu queria ao menos tê-la poupado dessa dor. Rukia.

– ...obrigado por vir, Rukia. – sorri colocando as mãos em suas costas. – Eu nunca vou te deixar... – enrosquei os dedos em seu cabelo, apertando o pequeno corpo contra o meu. – Perdê-la é o meu maior medo...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentários?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!