Notas iniciais
Mais um capítulo com muito carinho, esse é o mais explicativo que já escrevi mas tem importância fundamental. Boa leitura e abraços de urso!

Fazia exatos três meses que meus pais estavam separados, e minha vida tinha mudado completamente. Meu pai comprou uma casa para a minha mãe em seu último esforço, e eu passava a maior parte do tempo com ela.

Embora James Vougan não fosse meu pai biológico ele havia me criado, então continuei o chamando de pai, principalmente após o mesmo afirmar que no seu coração iria ser sempre sua filha.

Mas nem tudo é um mar de flores, ele tinha anunciado há dois dias seu recente namoro com Briget McWood, e de fatos estávamos mais distantes. No fundo eu sabia que ele ainda amava a minha mãe, mas tentava da seu modo superar o baque da traição. De qualquer maneira queria apenas sua felicidade.

A única coisa que permanecia em paz era meu namoro com o Nathan, que me apoiou bastante após a notícia. Infelizmente perdi muitos ´´amigos``, mas já esperava isso, a maioria tinha interesse apenas no meu dinheiro. O que eles não sabiam é que meu pai depositava todos os meses uma quantia exorbitante na minha conta todos os meses.

´´ Você é uma Vougan, não deixe ninguém dizer o contrário``, ele havia dito depois que toda a elite empresarial ter caído em cima de mim por não ser a herdeira biológica e fruto de uma traição. Ele realmente ganhava muito dinheiro com a sua de publicidade a Visionary Corporation, além dos mais diversos prêmios empresariais. Nem preciso dizer do que chamaram a minha mãe.

O mais engraçado, é que meu pai não pretendia que soubessem disso, e mesmo assim fomos descobertos. Alguém tinha espalhado para os principais tablóides de San Diego. Mas eu só havia contado para meus amigos mais próximos e nenhum deles trairia minha confiança.

Eles não fariam isso comigo.

Balancei a cabeça espantando todos esses pensamentos da minha cabeça e terminei de me vestir, hoje iria ao bar novo aberto no Gaslamp Quater. E embora fosse proibido vender bebidas para menores de vinte um anos nós sempre dávamos um jeitinho.

― A onde pensa que vai?― Deitada no sofá estava Daisy Elliot, minha mãe, me observando segurando um copo de vodca.

― Sair. ― Respondi dando de ombros. Ela nunca se preocupou aonde eu ia mesmo.― E você deveria procurar um emprego mãe.

― O dinheiro que James deposita dá pra nós duas. ― Ela retrucou bebendo todo o conteúdo do copo e o enchendo novamente.

― Agora deixe eu afogar minhas mágoas e vá se divertir.

Balancei a cabeça contrariada.

― Tome cuidado okay? ― Ela avisou me encarando e deixando mais aparente suas olheiras. ― Eu te amo.

― Também amo você. ― Andei até ela e lhe dei um abraço.

Quando chegar vou me livrar das outras garrafas.

***

― Neta desmiolada, acorde! ― Dinah falou enquanto me balançava freneticamente. ― Nancy, acorde antes que eu te derrube desse sofá.

Resmunguei palavras incompreensíveis até mesmo pra mim enquanto me levantava a contra gosto.

― Pensei que tivesse morrido dinossaura. ― Disse coçando os olhos e então me toquei do que ela havia falado e abri um sorriso divertido. ― Você me chamou de neta.

O seu rosto foi ficando vermelho de vergonha.

A megera tem coração.

Ri da sua reação, Dinah Vougan corando era o acontecimento do ano.

Ela tentou se recompor e abanou as mãos como se não fosse nada demais.

― Meu filho ainda te vê como filha, então eu ainda sou sua avó, logicamente.

Sei.

― Admita que gosta de mim. ― Provoquei e seus olhos ficaram raivosos.

― Nem sob tortura. ― Retrucou calma. ― Agora levante a bunda e vá dormir no seu quarto que amanhã tem aula.

E foi exatamente isso que eu fiz.

***

A música tocava suavemente pelo pub, me dando uma paz fora do comum, era um rock indie de uma banda que eu não conhecia.

― Senti saudades. ― Nathan disse no meu ouvido passando os braços pela minha cintura assim que me viu.

― Você viu ela hoje de manhã cara. ― A pessoa mais desagradável do nosso grupo tinha que estar lá, pensei revirando os olhos.

― Querido deixe de ser estraga prazeres. ― Lilian reclamou e eu a agradeci mentalmente.

Onde ela estava com a cabeça quando decidiu namorar Edric Lamartine?

― Como vai minha sogra? ― Questionou Nathan quando nos sentamos em uma mesa.

― Tentando superar o recente namoro do meu pai. ― Suspirei cansada. ― Ela está bebendo cada vez mais.

― É temporário. ― Ele tentou me tranqüilizar. ― Sua mãe está apenas cansada com tanta coisa acontecendo no último mês.

Assenti, mesmo não acreditando no que tinha dito.

Conversamos e bebemos algumas cervejas, era incrível como conversávamos fácil.

― Vocês são tão fofos juntos, parece que Nathan é o namorado perfeito.― Lilian disse brincalhona bebendo um gole de sua cerveja. ― Sem ofensas Edric.― O mesmo apenas revirou os olhos.

Ela tinha razão Nathan era perfeito. Perfeito demais. E últimamente parecia estar me evitando...ou escondendo algo de mim.

Isso é coisa da sua cabeça.

― Nancy, minha razão de viver.

― Logan. ― Exclamei surpresa, ou melhor, nem tão surpresa assim.

Logan Miller era o melhor amigo de Nathan. O conhecia muito antes de namorar com Nathan e ele tinha sido o principal cupido que nos juntou. Com sua pele negra e sorriso fácil conquistava mais mulheres que notas vermelhas no boletim. E acredite, eram muitas.

― Cara pare de assediar minha garota. ― Nathan reclamou fingindo ciúmes.

― Não tenho culpa se ela me ama mais do que você.

Levei a garrafa de cerveja à boca provando mais um pouco da bebida, enquanto os dois ao meu lado iniciavam uma animada conversa sobre os jogos estaduais.

Leila se levantou e foi ao banheiro deixando Edric na mesa com o olhar perdido. No início fui totalmente contra o seu namoro com minha melhor amiga, mas com o tempo percebi que ele realmente gostava dela.

― Está muito quieto hoje Lamatine. ― Contatei, fazendo-o sair do seu topor.

― Ora essa Vougan, sempre fui o mais quieto dos seres humanos. ― Disse se inclinando na mesa, e em um segundo seu sorriso debochado estava de volta. ― Além disso, você também está muito calada hoje.

― Impressão sua. ― Retruquei. ― Quero apenas um momento de paz.

Edric Lamartine era muito inteligente, parecia prever o comportamento de qualquer pessoa e tinha um falso descaso ao escutar as coisas, armazenando tudo em sua cabeça. Por isso evitava falar qualquer coisa pessoal perto dele.

― Algo está te preocupando.

Não era uma pergunta.

― Espera que eu lhe conte? ― foi a minha vez de inclinar sobre a mesa encarando seus sagazes olhos caleidoscópicos.

― Não. ― Respondeu. ― É mais interessante descobrir sozinho, o que não vai ser muito difícil.

― Que humilde. ― Disse irônica.

― Humildade e honra em excesso podem deixar de ser virtudes e virarem suas maiores fraquezas. ― Retrucou em ar poético, deslizando em seu leve sotaque italiano.

― Posso saber do que estão falando? ― Lilian surgiu sentando de frente pra mim ao lado de Edric com mais duas cervejas na mão.

― Sobre a filosofia de vida do seu namorado. ― Resmunguei.

― É bom saber que estão se dando bem. ― Disse me oferecendo uma bebida, que eu recusei.

Os dois realmente formavam um belo casal, Lilian com seus cabelos loiros platinados contrastava com o ruivo de Edric.

― Até eu estou surpreso.― Falou Nathan se metendo na conversa, há essa altura Logan já devia ter saído atrás de alguma mulher. Galinha até a alma.― Pensei que se odiassem.

― Eu que estou surpreso. ― Edric rebateu sorrindo cinicamente para o meu namorado. ― Não achei que pensasse Nathan.

Prendi a respiração e olhei instintivamente para Lilian e parecíamos pensar a mesma coisa: Vai dar merda. Mas Nathan se limitou a devolver o sorriso.

― Estou com vontade de dançar. Vamos? ― Indaguei segurando a mão de Nathan tentando acalmar a situação.

― Claro. ― Ele se virou para mim, e soltei o ar que estava prendendo.

Puxei-o pela mão e o conduzi para a pista de dança no piso de cima do bar, onde tocava uma música eletrônica que me lembrava vagamente, e várias pessoas dançavam animadas.

― Quase soquei a cara daquele idiota. ― Ele esbravejou segurando minha cintura enquanto dançávamos ao som da música. ― Mas ele não precisa com a vida de merda que ele tem.

Ao ouvir aquelas palavras tive uma sensação de como se algo pior que a separação dos meus pais iria acontecer.

Eu estava em um campo de guerra que chamava de vida, só não imaginava que o primeiro tiro viria mais cedo do que gostaria.

***

― Mãe, você está se sentindo bem? ― Perguntei ao vê-la se tremer e disfarçar logo em seguida puxando seu moletom sobre o corpo.

― Estou apenas com um mal estar. ― Resmungou se sentando na mesa quando coloquei uma panqueca que tinha feito em seu prato.

Cruzei os braços séria.

Ela não me enganava.

― Você está em abstinência. ― Disparei e ela imediatamente parou de comer.

― Eu não sou uma viciada. ― Falou com um olhar furioso. ― Pare de dizer isso, eu já te provei que posso ficar sem beber.

― E agora seu corpo está reclamando com falta de álcool. ― Puxei uma cadeira e sentei na mesa me juntando a ela. ― Faz dois dias que você não bebe e olhe o seu estado. Procurei uma clínica de reabilitação muito boa para você se tratar.

― Será que dá pra calar a boca?!― Gritou se levantando furiosamente da mesa derrubando a cadeira que estava sentada, e colocou as mãos no rosto alterada. ― Eu não sou alcoólatra.

Eu esperava seu descontrole, tinha sido assim nas duas últimas semanas, desde que tinha saído para o bar.

― Tudo bem, eu confio em você. ― Menti puxando um pequeno cantil metálico do bolso da minha calça jeans e coloquei na sua frente.

Minha mãe levantou a cabeça e me encarou confusa.

― O que é isso?

― Whisky Johnnie Walker Black Label. ― Respondi pausadamente analisando suas feições. ― Se tem tanto autocontrole não vai beber.

E sem dizer mais nada sai da cozinha e encostei-me à parede da sala esperando para conferir sua atitude.

― Merda! ― Escutei-a praguejar. E não era preciso investigar para saber que ela tinha bebido aquele whisky como uma pessoa desesperada em um deserto bebe água.

***

Sentada em uma lanchonete simples em uma rua sem movimento, estava eu e meu pai. Simples assim.

― Você pode ficar um tempo na casa da sua avó. ― Ele sugeriu, mordendo um pedaço do sanduíche.

― Dinah não é minha avó, e nunca gostou de mim mesmo. ― Retruquei.

― Minha mãe é rabugenta mesmo. ― Disse com o olhar nublado, como se tivesse lembrando da sua infância. ― Mas ela está tão só em Phoenix, e você irá amar visitar aqueles parques temáticos do velho oeste que não pude te levar nas férias de verão.

Faltava quatro dias para a minha mãe ir para a clínica e eu não queria ficar com meu pai, ficando no meio dele e de Briget, embora ela de fato fosse uma ótima pessoa.

― Vou pensar. ― Prometi. ― Tenho apenas uma coisa para fazer primeiro.

― O quê? ― Perguntou curioso.

― Visitar um amigo. ― Respondi dando de ombros, não era uma completa mentira.

Desde o momento que soube que não era uma Vougan legítima, passei a investigar quem era o meu pai biológico. Não que eu esperasse que ele me recebesse de braços abertos, mas eu tinha que colocar em panos limpos aquela situação que minha mãe tinha provocado. E eu tinha conseguido arrancar duas coisas dela. O nome dele era Lorenzo e estava em San Diego.

Já é alguma coisa.

Notas finais
Edric Lamartine *_*