Perdição
1 Capítulo Único: Possessibilidade
Perdição
Eles são o caminho para o meu inferno particular.
O meu doce inferno particular.
São lábios carnudos, macios e quentes. Extremamente quentes. Tão quentes quanto as noites de verão, as quais eu particularmente detesto.
São de uma suavidade agressiva, uma doçura semi amarga, é o paradoxo do encontro de nossas bocas. Tensão inicial, perdição final. Como uma reação em cadeia, sendo sempre o mesmo fogo que parece estar em combustão eterna.
Eu quero mais.
Eu a beijo. Duas, três, quatro, cinco, incontáveis vezes, oito, nove. Beijos rápidos, eu os perco a conta. Beijos rápidos, apenas para sentir o seu calor. Beijos rápidos, para lhe mostrar o meu próprio calor. Beijos rápidos, para demonstrar com agressividade a minha necessidade.
Ah... Quente.
Eu a sinto derreter quando as nossas línguas se encontram. Um choque inicial, não deixando de serem tão harmônicas, tão perdidas, tão carentes... Mas o calor também me faz derreter.
Me sinto um escravo de seus beijos.
Mas eu preciso de ar. Eu quase me sinto sufocar com tanto calor. Mas não deixo de detestar essa parte. Detesto ficar sem fôlego por causa de uma viciada em beijos. Nesse meio tempo, eu apenas consigo inalar o cheiro que emana dela, me sentindo revigorado para que depois ela una nossos lábios de novo.
É uma guerra, sempre foi.
Nossas línguas dançam novamente, um ritmo frenético e sincronizado, cada um sabendo cada canto da boca do outro. A doçura está aqui, presente em cada toque, em cada mordida, em cada estocada, em cada respiração ofegante.
No momento, ela me domina. Ela brinca comigo, me faz como uma pequena diversão, me usa como se eu fosse um escravo.
Talvez o viciado seja eu.
Se fosse apenas essa boca contra a minha, se fosse apenas essa língua querendo tomar pose da minha sanidade, se fosse apenas esse cheiro parando pelo ar... Mas não. São diversos os fatores que permitem a minha dominação. Fatores que eu nunca te contarei.
É o meu inferno particular.
A possessividade vem toda de mim. Apenas eu. Possesso sobre esses beijos, sobre esse corpo, sobre esse calor, sobre esse cheiro... Sobre essa alma.
Sua hora de ser submissa, Katarina.
Eu não me pronuncio, mas no momento que ela larga meus lábios, ela sabe disso. Eu seguro suas duas mãos, elas não me atrapalharão. Os olhos verdes estão límpidos à minha frente, suplicantes, olhos tragados. Tão mansos... Tão submissos. Eu uno nossos lábios novamente, com a mesma carícia de um animal faminto.
Pena que não aguento ficar em apenas beijos.
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