Perdidos no inferno
2 Episódio 1: Gritos - Capítulo 1A
Notas iniciais
Jonathan Bayley
Meus gritos de dor não adiantavam nada, eu estava sendo devorado rapidamente pelos meus próprios pacientes, eu sabia que era o meu fim. Ouvi a porta bater, mesmo que o barulho pareça baixo comparado com o som dos pacientes me devorando.
Jonathan! — Eu ouço uma voz masculina gritando.
Eu percebo que parei de ser devorado pelos pacientes, eles começaram a ir em direção a voz masculina, eu não conseguia nem mover minha cabeça, apenas ouvir o grito da voz masculina. Minha visão estava embaçada, eu consegui ver algo caindo no chão, poderia ser da voz masculina ou um dos pacientes, mas a figura logo se levantou.
Socorro! — A mesma voz masculina grita.
Ricardo! — Uma voz feminina responde.
Tira esses pacientes de mim! — Ricardo grita.
Eu vejo mais figuras caírem no chão, mas duas delas já levantaram. Consegui virar o pescoço um pouco, Ricardo e uma mulher faziam de tudo para derrubar os dois pacientes que ainda estão vivos, eu tentei falar alguma coisa, mas nada saia da minha boca além de sangue. Eu achava que eles seriam comidos vivos que nem eu, mas Ricardo conseguiu acertar um deles na cabeça com a ponta de uma fina barra ferro, que logo caiu, e derrubou o outro, ele ainda tentou se mexer, mas Ricardo pisou em cima dele e enfiou a barra de ferro em cima da cabeça dele, acabando com sua miséria.
Jonathan! — A voz feminina grita.
A mulher se aproxima e se ajoelha perto de mim, minha visão estava muito embaçada para enxergar ela direito, ela tinha cabelo castanho claro e pele clara. Ricardo aparece atrás dela e faz o mesmo.
Jonathan, o que está acontecendo? — Ele gagueja.
Eu...não...sei… — Eu começo gaguejando.
Eu tosso e sinto mais sangue escorrendo pela minha boca.
Eles morreram...e reanimaram...e começaram...a me atacar. — Eu gaguejo.
Isso não pode estar acontecendo, vamos cuidar de você, eu prometo. — Ele continua, eu ouço a mulher atrás chorando.
Não...eu já morri… — Eu gaguejo e começo a tossir de novo.
Ainda dá tempo. — Ele tenta estimular.
Ricardo...saia do hospital...tem mais pacientes por ai...eles podem começar a te atacar...não tente salvar eles nem eu...apenas saia do hospital e...salve sua vida. — Eu gaguejo
Ricardo fica em silêncio, a mulher ainda está chorando, senti uma mão segurando minha nuca, mas eu rapidamente perdi a sensibilidade. Fechei os olhos, eu ainda conseguia ouvir choros, até eu não ouvir mais nada (adeus).
Ricardo Silveira
Eu continuei olhando para o cadáver de Jonathan, ele estava apagado e seu coma só devia ser eterno. Mariana ainda chorava baixinho perto dele, devia ser difícil aguentar ver um companheiro de muito tempo morrer assim de repente. Eu me lembrava de quando eu fazia cirurgias importantes com Jonathan e Mariana, mas agora Jonathan está morto. Ele avisou que deveríamos sair daqui, e se os pacientes voltaram assim de repente depois de mortos, isso quer dizer que pode acontecer o mesmo com os outros pacientes.
Mariana, precisamos sair daqui! — Eu aviso ela.
Ela fica em silêncio, mas depois levanta, suas mãos estão cheias de sangue. Eu pego uma toalha e dou pra ela.
Obrigada. — Ela fala, sem mesmo olhar pra mim.
Vamos sair daqui. — Eu aviso.
Eu puxo ela pelo braço e saio da sala, eu dou uma olhada na sala 1110, uma mulher cheia de feridas aparece e começa a mancar na minha direção.
Todo mundo! Saia do hospital agora! — Eu grito ainda mais alto, parecia loucura fazer isso em um hospital, mas eu tinha que salvar a vida dos outros.
Eu não fiquei parado esperando, eu corri com Mariana atrás de mim até o elevador e apertei o botão do 1º andar e a porta foi lentamente fechando.
Vamos porta estupida! — Eu influencio a porta a fechar mais rápido baixinho, mas Mariana ouve mesmo assim.
Um dos pacientes conseguiu colocar o braço bem quando a porta fechou, Mariana deu um gritinho histérico. O elevador começou a ir pra baixo, o braço que ficou preso caiu no chão e espalhou sangue pela porta e no chão do elevador, Mariana se encolheu no canto evitando olhar. Cada segundo parecia horas naquele elevador, mas finalmente abriu, eu puxei Mariana pelo braço e saímos do elevador, chegando até o saguão do hospital, uma grande areá cheia de sofás, mas tinha alguns pacientes devorando outros, aquele lugar logo virou cenário sangrento. Nós corremos para fora do hospital, eu conseguia ouvir gritos da Mariana e de outras pessoas, eu não queria nem imaginar o que estava acontecendo, eu apenas queria fugir daquele lugar.
Ricardo! — Mariana gritava.
Calma! Estamos quase chegando. — Eu aviso.
Meu Corsa branco estava logo ali, perto do portão, eu só precisava correr mais um pouquinho. Eu soltei o braço de Mariana e peguei minha chave, apertei o botão para abrir o carro, mas eu ouço Mariana cair, ela não parava de gritar. Os pacientes mortos estão quase chegando perto dela, eu tinha que fazer alguma coisa.
Eu poderia tentar salvar Mariana antes que aqueles mortos fedorentos chegassem ou eu poderia entrar no carro e dar o fora daqui, sem perder minha vida.
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