Perdidos no inferno

5 Episódio 1: Gritos - Capítulo 2A


Notas iniciais
Já acabou a demora, o capítulo 2 já está aqui, dessa vez não vai ser muito entediante que nem os capítulos anteriores. Espero que vocês gostem.

Ricardo Silveira

Depois de sair daquele terror, eu preferia ir diretamente para casa, mas percebi que as pessoas que estavam perto do hospital entraram em pânico também e muitos policiais atiravam, sendo que a maioria continuava em pé. Eu parei e observei um pouco o carro, o relógio do radio marcava 9:51, quase meia hora de pânico. O extintor de incêndio estava jogado no banco de passageiro, não era uma boa arma, mas serviu para alguma coisa. Pensei mais um pouco em Mariana, ela tinha uma família, mas não voltou a ver isso, ainda lembro de seus gritos de dor, tentei parar de imaginar isso. Abri a porta e desci do carro, um grupo de policiais continuavam atirando, derrubando apenas poucos, os outros levantavam facilmente e voltavam a atacar.

– Merda! Eles não morrem! — Um deles fala.

Eu me aproximo deles, cada vez que eles conseguiam matar um, vinha dois para substituir, (esse hospital já era) penso pra mim mesmo.

– Eles já estão mortos. — Eu aviso.

– O quê? — Ele pergunta.

– Eles eram pacientes, quando eles morreram, eles voltaram a vida e agora está atacando todo mundo. — Eu respondo.

O policial atira na cabeça de um deles, matando ele na hora, talvez de verdade.

– Como você sabe? — Ele pergunta.

– Eu estava aqui, eles primeiro morreram depois voltaram a vida e começaram a atacar todo mundo. — Eu respondo.

– Então é impossível matar eles? — Um outro policial pergunta desesperado.

– Vocês já perceberam que eles morrem quando acertado na cabeça? — Eu tento ajudar os policiais, que estavam ficando desesperados com a idéia que eles possam ser imortais.

Um deles me lança um olhar, parece que só ele entendeu o que eu queria dizer, os outros continuavam atirando sem parar. Aquele que prestou atenção mirou na cabeça, mas acabou errando.

– São muitos, não vamos conseguir matar todos. — Uma mulher avisa.

– Ricardo, quantos pacientes esse hospital tinha? — Um homem policial pergunta olhando para o meu crachá.

– Aproximadamente 500 pacientes, e acho que só poucos conseguiram escapar. — Eu respondo lançando um olhar de desprezo.

– Isso é loucura! — Um outro policial fala.

– Tenho culpa que esse é o único hospital da cidade? — Eu respondo.

Mesmo que a cidade tenha aproximadamente 50 mil habitantes, ainda acho que é muita pessoa que fica internada. Eu olho para os militares, que continuam atirando, um deles focam em acertar a cabeça (parece que finalmente fizeram o certo: ouvir). Mas uma coisa me espantou, metade deles tinha sido mordido, um deles estava com um pano no lado direito do pescoço, parecia ter uma marca de mordida lá, o outro estava com o tornozelo esquerdo mordido e mancava toda vez para dar um passo, e tinha mais um que tinha sangue saindo da manga do braço direito.

– A mordida… — Eu falo surpreso.

– O que tem? — Um homem com cabelo grisalho pergunta.

– Depois eu te explico, temos que sair daqui. — Eu aviso.

– Está brincando? Precisamos deixar isso em controle. — Um policial de cabelo preto liso fala, ele tem uma mordida no tornozelo esquerdo.

– Vocês não ouviram? Tem quase 500 desses e eles não estão saindo só por aqui, não podemos deter todos, estamos perdendo muitas balas, a gente tem que avisar todo mundo para ficar em casa. — Eu discuto.

– E deixar todos esses monstros destruírem a cidade? — O mesmo policial pergunta.

Percebo que a munição está acabando, e apenas 50 desses monstros foram detidos, parecia tarde demais.

– A munição já está quase acabando, não vamos conseguir destruir todos eles. A melhor coisa que a gente pode fazer é evitar que esses monstros saiam. — Eu aviso.

Eu esperava que eles começasse a discutir comigo, mas em vez disso, eles me escutaram (finalmente). Dois deles se aproximaram da horda que saia, enquanto os outros continuavam gastando o resto das balas nos mortos que saiam. Os dois policiais conseguiram fechar o portão, deixando apenas uma duzia do lado de fora.

– Não tenho bala! — O policial que fechou o lado direito do portão avisa.

– Rodrigo! — O policial grisalho grita.

Rodrigo é logo pego por um no braço que já está mordido, depois é pego por outro e é derrubado, a maioria dos mortos vão em cima de Rodrigo e começa a devorar ele. O policial do outro lado atira nos três que estavam indo na direção dele, mas acabou ficando sem munição, dando apenas cliques, os outros policiais também tentaram dar um tiro, mas também só saiu cliques.

– E agora? — Uma policial de cabelo escuro pergunta desesperada.

– Agora temos que fugir. — Eu aviso ela.

Nós começamos a correr de volta para o carro numa luta desesperada de sobreviver, uns dos mortos pararam de devorar Rodrigo e foram na direção dos policiais, parecia fácil correr, mas de repente um dos policiais caiu.

Carolina Vieira

Depois de almoçar, eu voltei para a sala, não tinha nada na TV, então apenas fiquei deitada no sofá e comecei a pensar.

(Será que aquela doença realmente está fora de controle? Eu não acredito muito, mas e se estiver?) Eu penso (Nossa! Como meus pensamentos são ridículos). Eu penso mais um pouco nessa doença estupida, mas meu pensamento não funcionou bem, apenas cai no sono.

Nesse momento eu já tinha esquecido da realidade, mas ouvi um grito histérico lá fora, me fazendo abrir os olhos do nada. Meu cérebro avisava para eu ignorar e voltar a dormir, mas minha curiosidade falou mais alto, levantei da cama e olhei pela janela, eu não consegui ver nada. Ignorei e voltei a dormir, mas 15 segundos depois, eu ouvi outro grito, dessa vez era masculino. Não aguentei e fui lá fora ver o que era, fiquei de boca aberta. Imagine você andando assim na rua quando de repente aparece um monte de canibais famintos e selvagens atacando todo mundo que eles vêem e depois comendo sua carniça, é bem parecido com isso o que eu vi, era mais ou menos uma duzia atacando 5 pedestres indefesos. Eu não fiquei olhando essa cena de terror por muito tempo, mas percebi que esses canibais começaram a me olhar (Oh meu deus! O que é isso?). Eu olhei para minha casa, eu poderia me trancar lá e esperar que tudo isso acabe, ou eu poderia correr pelo outro lado da estrada em uma tentativa inesperada de sobreviver.

Eu decidi correr para o outro lado da rua, mesmo que seja mais seguro em casa, eu não queria ficar trancada lá sozinha e sem nada pra fazer. Meu espirito de adrenalina ficou em alerta, eu não achava que fosse uma piada de mau gosto, muitas pessoas estavam desesperadas e eu via sangue de verdade (De verdade! Não aquelas maquiagens que atores usam para simular sangue). Estava tudo tranquilo enquanto eu passava pelos primeiros quarteirões, eu fui diminuindo a velocidade para não me cansar muito, mas eu podia ver que muitas pessoas estavam correndo por sua vida, mas muitas delas acabavam sendo pegas e não tinham chance nenhuma contra aqueles canibais sangrentos (Espera! Sangrentos? Sim, parecia que sangue escorria deles, e não é o sangue os de suas vitimas. Deus! O que está acontecendo?).

Mas quarteirões depois, os canibais vieram pra mim, eu estava desesperada, agora eu não podia mais parar para descansar. E então o inesperado aconteceu, eu estava dobrando a esquina e eu me deparo com um canibal, eu tento evitar ele, mas acabou caindo na estrada e ele vai em cima de mim, mas eu seguro os ombros dele evitando ele cravar uma mordida no meu pescoço.

– Saia de mim! Socorro! — Eu gritava.

Eu achava que não ia adiantar nada, eu estava lentamente perdendo forças, mas o inesperado acontece de novo, a cabeça do canibal sangrento explode na minha frente, espirrando sangue na minha cara, eu continuava gritando, mas senti uma mão tapar minha boca. Olhei para o lado e vi alguém familiar no meu lado direito.

– Calma! Está tudo bem, só temos que sair daqui. — Ele avisa.

Ele tira a mão da minha boca e percebo que eu já não estou gritando mais. Eu olho para ele de novo, ele tem cabelo castanho claro e braços um pouco músculos.

– Matheus? — Eu pergunto.

– Sim, deixa eu te ajudar. — Ele responde estendendo a mão.

Eu pego e me levanto facilmente, olho de novo para o canibal que está o chão, com um grande buraco no lado direito da cabeça, foi o suficiente para me deixar enojada. Tirei o sangue da minha cara e olhei para Matheus. Ele estuda junto comigo na faculdade, ao contrario da maioria dos meninos da sala, ele é simpático, eu nunca considerei ele um namorado, mas nós já se relacionamos, eu me lembro do tempo que a gente se encontrou no primeiro dia da faculdade (Bom tempo). Mas a situação agora era sério, só se passou 30 segundos e já apareceu mais canibais do outro lado da rua.

– Temos que ir. — Eu aviso apressada.

– Eu já sei aonde podemos ir, me siga. — Ele avisa.

Eu sigo ele, quase nem mudou o trajeto que eu estava indo. Cada vez mais canibais apareciam, eu temia que ficássemos cercados, eu fiquei chocada quando ele matou o canibal em cima de mim, ele virou um verdadeiro assassino, mas graças a ele eu estou viva.

– Aonde estamos indo? — Eu pergunto, sentindo minhas palavras sendo levadas embora pelo vento.

– Para a Boate do Prazer, eles tem uma boa segurança, eu até avisei Chris. — Ele responde.

Eu fiquei quieta apenas correndo, muitos canibais apareciam e muitas pessoas corriam desesperadas, os motoristas podiam apenas dirigir para longe deles (Que inveja eu tenho neles), mas a maioria dos pedestres acabam sendo pegos, me deixando em muitas incertezas. Apenas continuei correndo desse inferno, na verdade, eu já estou perdida no inferno.

Notas finais
Demora: Eu já planejei o foco principal de cada capítulo do primeiro episódio (Isso não quer dizer que eu já planejei quem vai aparecer e quem vai morrer), então por isso eu não vou demorar muito para postar o resto dos capítulos. Fim da demora. Pergunta: Eu queria saber a opinião de vocês: O que vocês acham que vai acontecer no próximo capítulo? Espero que vocês gostem.