Perdido na Neve

3 Capítulo III: Frio Perfurante


Notas iniciais
Olá pessoal! Como estão? Mais um capítulo para vocês. Espero que gostem. Boa leitura!

Após se recuperar, o homem limpou seu facão no pelo de um dos lobos, o guardou e continuou sua caminhada. Ao olhar para cima, ele se preocupou.

— Não, não, não! – Dizia repetidas vezes, correndo, enquanto fincava o cetro no chão, olhando para o alto vez ou outra.

O desespero tomou conta de todo seu corpo, mas principalmente de suas pernas que se apressavam em passos largos, até que um desses passos foi mais longe do que deveria. Ao pisar em falso, o homem escorregou na borda de um precipício, caindo na grande e obscura cratera, mas não antes se pendurar na borda do buraco que parecia querer o sugar rumo a sua escuridão desconhecida, o que parecia ser fatal. Ele então, esforçando-se para não cair enquanto olhava para a vastidão da névoa negra que cobria o local que lhe paralisava de medo, jogou seu cetro para a borda, deixando suas mãos livres para escalar novamente de volta ao lugar seguro. Ao subir novamente à superfície, ele tomou o cetro em mãos e o estendeu até a cratera tentando iluminá-la, ao lançar uma onda de luz, o que viu o assustou de certa forma que ele se afastou imediatamente da beirada, colocando a mão na boca, amedrontado. Após sua adrenalina diminuir um pouco, ele olhou novamente para cima, colocando a mão na cabeça e se ajoelhando no gelo.

O céu, outrora iluminado pela fumaça densa e faíscas, estava desfazendo, por conta da nevasca, o único indicativo de direção para o andarilho, tornando-se escuro novamente deixando o homem completamente desnorteado. Como se não bastasse, à sua frente, uma cratera o impedia de seguir em frente, não apenas pela altura, mas também pelo que havia dentro dela. Quando iluminada novamente pelo homem que se atreveu a espreitar pela beirada, foram revelados vários corpos congelados, ou melhor, restos deles. Membros mutilados e cadáveres preservados pelo gelo lotavam a cratera. Sem ter outra escolha, o andarilho decidiu contornar a cratera em busca de alguma casa ou local que pudesse achar alguém. Ele então decidiu quebrar o silêncio e começou a gritar por ajuda. Sua voz ecoava em todos os cantos, mas não havia sinal algum de civilização. Intrigado pelo que tinha visto dentro daquela enorme fenda na terra, ele decidiu prender o cetro entre seu casaco e sua camisa para que o mesmo fosse iluminando ao redor e tomou o rifle em mãos.

No horizonte, em uma região alta, bem distante, o homem conseguiu perceber a formação do que parecia ser uma silhueta humana. Sem hesitar, ele começou a gritar, cada vez mais alto, porém a silhueta permanecia imóvel. A cada passo ele confirmava suas esperanças de se tratar de uma pessoa, até que, ao chegar mais perto, a sombra se mexeu e, bem discretamente pôde-se ouvir um barulho semelhante a um uivo, porém não vinha de um lobo. A silhueta se moveu para longe do homem que continuava a gritar pedindo-o para esperar. Ele então pensou que o rifle pudesse ter o assustado se caso a pessoa realmente tivesse o visto, fazendo com ele o colocasse de volta nas costas. Ao se aproximar de onde ele havia avistado aquela sombra, uma nova silhueta apareceu, desta vez, com mais uma ao seu lado. Achando que pudesse ser alguém ajudando-o ele continuou avançando à medida em que novas silhuetas apareciam.

— Ei! Por favor, me ajudem, eu... Eu não sei onde estou. Vocês falam a minha língua?! – Dizia, na tentativa de se comunicar, porém, não obtinha resposta.

De repente, ele vê um movimento diferente de uma das silhuetas: ela estava balançando seu braço direito acima de sua cabeça enquanto matinha o esquerdo parado próximo ao seu tórax, foi quando ele sentiu algo prendendo sua perna no mesmo momento em que a silhueta parou com o braço que direito estendido em direção ao homem. Ao olhar a sua perna direita, uma corda com espinhos feitos de ossos se fincou em sua carne e, mal dando tempo dele gritar de dor, seu membro inferior foi puxado violentamente, derrubando-o e fazendo perder seu rifle enquanto era puxado pela corda. O homem então pegou seu facão e cortou a corda tentando correr na direção oposta enquanto era acompanhando por um grupo impossível de se identificar por conta da escuridão. Ao levantar e tentar correr, quando foi pegar o rifle, outra corda de presas de ossos se fixou em seu braço, porém, ao invés de cortar imediatamente, o homem puxou a corda com firmeza em sua direção enquanto pegava o rifle e quando se virou novamente para quem o puxava, apontando o rifle e levantando o cetro, percebeu que se tratava de duas crianças que caíram ao serem puxadas, o que o fez hesitar em atirar. Porém, atrás delas, um homem encurvado como um macaco, lançou o que parecia ser um machado improvisado contra o homem que desviou com maestria, cortando a corda e tornando a fugir.

Ao perceber que estavam se aproximando o homem se viu encurralado, pois ele corria na borda da cratera até que chegou no fim da linha, no mesmo lugar em que escorregou e quase caiu em meio aos corpos. Sem ter para aonde ir, ele tinha duas opções, ou se entregava ao grupo que o caçava fervorosamente, ou se jogava no amontoado de corpos. Ele então, ao olhar para frente, viu que se tratava do que parecia ser uma tribo, onde havia vários homens com vestes de animais, e armas improvisadas de pedras, ossos e outros materiais.

— Tudo bem, tudo bem, olhem... – Disse o homem jogando seu rifle e seu facão no chão e tomando em mãos seu cetro – Eu me entrego, ok? Eu me entrego. Por favor, precis...

Antes que pudesse terminar a frase, o andarilho foi atingido na cabeça por um golpe de um dos homens que mais pareciam selvagens. Eles não se importavam quem era o homem, seu propósito ou o que estava falando, eles simplesmente o atacaram com socos e chutes e um deles, ao vê-lo caído, perfurou sua mão esquerda com o seu próprio facão, fazendo-o exclamar de dor. Enquanto as duas crianças tentavam pegar o cetro, o selvagem que o atingiu segurava seu braço para que o homem de vestes sujas de sangue e usando o que parecia ser um óculos de proteção contra neve pudesse, usando seu machado de tamanho intimidador, arrancar um dos braços do pobre andarilho. Então, ao ver o selvagem levantar o machado, enquanto proferia palavras indecifráveis, o homem apertou bem forte seu cetro dizendo:

— Vai, me ajuda de novo, agora!

O cetro então brilhou como fez com os lobos e atordoou a todos, menos o homem de vestes de sangue que parecia ser imune ao brilho e se preparou para mutilar o andarilho que ao ver o movimento tirou seus braços do controle das crianças e do homem que o acertou, jogou o cetro no chão e arrancou o facão de sua mão, desferindo um golpe horizontal na perna direita do selvagem. O homem então chutou seu cetro para o abismo ao ver que uma das crianças tentava o pegar, tomou seu rifle e se jogou na cratera, batendo de costas e rolando nas pedras das laterais que formavam uma espécie de rampa.

Os selvagens o procuravam, porém, ao ver que havia caído naquele lugar e sem ter nada para iluminar, desistiram de continuar as buscas.

Notas finais
E aí, o que achou?! Deixe seu comentário, vamos lá, são só 60 segundos e me ajuda MUITO MESMO ♥. Obrigado por ler, nos vemos na próxima, até mais! BEIJOS DO THE!