Perdido em outro mundo
4 Em outra realidade
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Multiverso é um termo para descrever um hipotético grupo de universos possíveis. A realidade em que vivemos pode ser apenas mais uma entre um infinito de variações.
Existem um número imensurável de versões de nós mesmos, algumas fazendo exatamente a mesma coisa que fazemos agora. Outras, vivem vidas completamente diferentes.
O que alguém pode encontrar quando atravessa a barreira entre os universos?
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Nunca antes, em toda a sua vida, Harry Potter estivera em uma situação tão irreal — e olha que ele já tinha passado por muita coisa até ali.
Estava sentado na cabine de uma caminhonete que seguia por uma estrada escura, derrapando levemente na neve vez ou outra. Ao seu lado, sentada ereta e com os punhos cerrados sobre o tecido da calças encontrava-se Lílian Parker, uma mulher idêntica à sua mãe.
Dirigindo o carro estava Tiago Parker, o marido, que mirava a estrada quase sem piscar, as mãos apertando o volante e os ombros tensos.
Harry fitava os dois pelo canto do olho. Era difícil acreditar que aqueles não eram realmente seus pais e ele ainda estava em dúvida.
Sua mente pensava rápido e mil coisas passavam por sua cabeça naquele momento.
Por que aquelas pessoas eram iguais aos Potter? Para onde a Pedra Elisiana o transportara? Onde estariam Dumbledore, Rony e Hermione uma hora dessas? Será que estavam procurando por ele? Era provável que sim.
De repente, sem mais nem menos, sua barriga roncou tão ruidosamente, que o fez olhar para baixo e levar a mão ao abdômen. Teve a impressão de que havia um buraco ali.
Lílian Parker o encarou, com as sobrancelhas erguidas e, no escuro, Harry sentiu a bochecha arder.
— Desculpem... — disse ele, sem jeito.
A mulher sorriu. Depois se abaixou e mexeu em uma sacola que estava perto de seus pés.
— Que bom que sempre trago um lanche nessas viagens — falou, ao se erguer e estender a mão ao garoto. — Espero que goste de maças.
— Gosto. Obrigado — agradeceu, apanhando a fruta e dando uma mordida tímida.
Ele mastigou o pedacinho, armando-se de coragem antes de iniciar uma conversa.
— Vocês estão viajando?
A Sra. Parker olhou para o marido antes de responder, mas este permaneceu com os olhos fixos na estrada, como se temesse que outro garoto surgisse do nada e pulasse na frente do para-brisa.
— Na verdade, não — respondeu a mulher pausadamente, agora menos confiando do que quando entregou-lhe a maça. — Fomos na cidade vizinha à negócios. Para buscar um novo motor para nosso refrigerador, na verdade.
Ela apontou para a caçamba da caminhonete e pela janelinha de trás, Harry viu a sombra do objeto.
— Temos uma mercearia — explicou Lílian, distraída ao olhar para o rosto dele.
— Mercearia? Isso é bom...
— Bem, com a guerra, comida é a única coisa que ninguém deixa de comprar, não é?
Harry piscou.
— Guerra?
Foi a primeira vez desde que entrou dentro do automóvel, que o Sr. Parker desviou a atenção da estrada para fitar brevemente o rosto de Harry, com um olhar descrente.
— Como assim "guerra"? Vai dizer que não se está sabendo nem disso?
— Tiago, o garoto está confuso — a esposa defendeu. — Se ele não sabe nem de onde veio como vai se lembrar de uma guerra?
— E quem esquece de uma coisa dessas, Lílian? Não se pode simplesmente apagá-la da memória!
— Desculpem, mas de que guerra é essa que estão falando?
Tiago Parker deu um muxoxo de impaciência e voltou a atenção novamente para a estrada escorregadia. Foi Lílian quem explicou a Harry:
— Você está confuso por isso não deve se lembrar, mas estamos em guerra a cerca de sete anos.
— Com quem?
— Com os países vizinhos: Germânia e Balcânia.
O queixo de Harry caiu.
Ele nunca fora muito bom em geografia, mas tinha certeza que países com esses nomes definitivamente não existiam n o mapa. E muito menos eram vizinhos da Inglaterra.
— Sei que parece estranho perguntar, mas onde exatamente estamos?
— Estamos na República da Bretanha — esclareceu Lílian, tentando situá-lo no tempo e no espaço. —, na região central da grande ilha.
— República, você disse... — repetiu Harry, franzindo o cenho. — Não estamos no Reino Unido?
Tiago Parker achou graça.
— Garoto, deixamos de ser uma monarquia em 1834. Há mais de um século e meio que somos uma república.
— E... e que dia é hoje? — perguntou Harry, um tanto quanto ofegante.
— Seis de janeiro de 1997 — respondeu a Sra. Parker.
Harry se largou no banco de couro, mirando o nada com os olhos arregalados.
Definitivamente a Pedra Elisiana o levara para muito longe de Hogwarts.
As palavras que Dumbledore lhe dissera naquela mesma tarde invadiram sua mente:
"... acredita-se que são capazes de fazer seu portador viajar para terras inexploradas, lugares fantásticos nunca vistos, outros mundos..."
Ocorreu-lhe, de súbito, a lembrança de algumas revistinhas em quadrinhos que ele lera no quarto de Duda, anos e anos atrás, onde os heróis viajavam por portais para terras paralelas, onde encontravam outras versões deles mesmos.
Por mais absurdo que soasse, o mesmo parecia ter acontecido com ele.
A Pedra Elisiana havia transportado Harry para um tipo de mundo paralelo onde existia um casal que era a cópia exata de seus pais. Possivelmente, deveria haver uma cópia do próprio Harry, por isso eles ficaram tão assustados ao vê-lo parado em uma estrada deserta no meio da noite, perambulando na neve.
Era uma explicação melhor do que simplesmente estar morto.
— Algo errado? Está se sentindo bem?
A Sra. Parker o fitava com um quê de preocupação.
— Estou sim.
Ela então se encostou no banco e voltou a prestar a atenção do caminho do veículo.
Ainda estava um pouco pálida e ansiosa, mas muito menos do que quando viu o garoto caído.
Ao seu lado, Tiago Parker continuava tenso e, talvez, assustado. Mas para não o demonstrar, assumira uma postura séria e fechada. Permanecia calado e de olho na estrada, mal ousando virar a cabeça para o lado onde Harry se sentara.
Eles não conversaram mais e, por um bom tempo, um silêncio constrangedor reinou na cabine da caminhonete.
Todos estavam absortos em seus próprios pensamentos.
Só tornaram a falar quando pequenos pontos de luz surgiram no horizonte, indicando a presença de uma pequena cidadezinha.
— Veja, já estamos chegando — comentou Lílian, quase aliviada.
Não demorou muito para que a caminhonete alcançasse a entrada da pequena cidade e seguisse por entre as ruas de pedra, ladeadas por casinhas e lojas pequenas. Harry vislumbrou o letreiro de um consultório dentário, uma sapataria e uma lojinha de presentes. Apesar de estarem todas fechadas, o garoto estranhou a falta de iluminação. Havia apenas um ou outro poste de luz e os pontinhos luminosos que ele vira a distância vinham das janelas das casas. Não havia sinal de ninguém fora das residências naquela hora.
A caminhonete dos Parker avançou pelas ruazinhas cheias de neve, virando algumas esquinas até chegar em uma pequena casinha, muito parecida com as outras que Harry vira minutos antes.
O Sr. Parker estacionou diante da garagem, desligou o veículo e tirou a chave da ignição.
— Em fim, estamos em casa — anunciou ele, com um suspiro cansado. Abriu então a porta e saltou para fora da cabine.
Harry o imitou e saiu do automóvel, com Lílian logo atrás dele.
Eles haviam parado logo a frente de uma casinha de pedra com uma porta e janelas brancas, o jardim da frente recoberto por uma grossa camada de neve branca e fofa.
Enquanto o garoto mirava com curiosidade os contornos da habitação no escuro da noite, a Sra. Parker passou rápido por ele, correndo para ajudar o marido a desembarcar o motor do refrigerador que estava na traseira da caminhonete. O Sr. Parker abandonara a bengala e subira na carroceria, empurrando o tal motor para perto da beirada. Quando aproximou o objeto o bastante, desceu com certa dificuldade e puxou-o para si.
Harry logo percebeu que devia ser um pouco pesado e apressou-se a ajudá-lo.
Tiago lhe lançou um olhar a contragosto, mas aceitou o favor.
Cada um dos dois pegou de um lado do motor e juntos carregaram para dentro da garagem, cuja porta havia sido aberta por Lílian. Eles entraram e o depositaram no chão sem grande esforço.
O garoto se ergueu, dando uma olhada ao redor.
Havia uma lâmpada elétrica iluminando a garagem e algumas caixas estavam encostadas à um canto. Uma estante de metal encontrava-se disposta na parede oposta à porta, com várias prateleiras abarrotadas de ferramentas, algumas latas de tinta e pedaços de madeira. Parecia material para um eletricista ou mesmo um carpinteiro.
Harry fitou o casal.
A Sra. Parker entregava bengala ao marido, que parara diante dela, com as mãos na lombar, esticando as costas.
Ele mirou novamente as coisas na garagem.
Bruxos não teriam todos aqueles instrumentos para trabalhos manuais. De fato, bruxos não dirigiriam caminhonetes na neve, nem precisariam de motores para refrigeradores e muito menos usariam os braços para carregá-los para a garagem. Eles sequer precisariam de luz elétrica em casa.
Foi então que Harry se deu conta de que ficara tão chocado com toda aquela situação estranha que mal reparara que os Parker eram trouxas.
Tiago apanhou sua bengala e mancou para fora da garagem, acompanhado por Harry e Lílian, que ocupou-se em abaixar e trancar a porta atrás deles. O Sr. Parker caminhou até a casa e o garoto o ouviu chaves tirar a chave do bolso e girá-la na fechadura da entrada.
Quando a porta se abriu, ele voltou-se para Harry:
— Pode entrar.
A casa dos Parker estava escura e silenciosa, quando Harry Potter adentrou pelo hall.
Lílian Parker avançou pelos cômodos do andar térreo, apertando interruptores para acender as luzes enquanto seu marido, Tiago, deixava-se ficar para trás para trancar a porta.
O garoto seguiu pelo corredor até chegar a uma sala iluminada.
Havia sofás confortáveis, uma estante de livros, uma mesinha de canto, alguns jarros de flores e uma lareira apagada com algumas fotos no batente, que atraíram sua atenção. Atravessou a sala e parou para examiná-las.
Em cada uma das fotografias estavam os Parker: marido, esposa e, como Harry já suspeitava, um filho que era uma cópia idêntica à ele.
Henry Parker aparecia em todas as fotos: bebê risonho com cabelos negros e olhos verdes nos braços da mãe, um garotinho magro e sorridente ao lado do pai, um menino pálido e de óculos sorrindo para a câmera segurando um avião de brinquedo.
Harry procurou imagens de seu outro eu mais velho, mas elas pareciam acompanhá-lo somente até certa idade. Terminavam quando o menino atingira 12 anos e depois não havia nenhuma outra.
Ele então pensou na casa vazia quando chegaram. Depois lembrou-se da reação apavorada do casal ao vê-lo e ficou imaginando o que teria acontecido com o jovem Henry.
— Você deve estar com fome — exclamou a Sra. Parker na cozinha. — Vou preparar uma sopa
— Obrigado. É muita gentileza — agradeceu Harry, desviando a atenção das fotos. Foi quando percebeu que Tiago Parker estava de pé do lado oposto da sala, encarando-o com um olhar indefinido.
Todavia, quando o garoto fitou-o de volta, ele desviou o olhar e foi em direção a cozinha.
A cozinha era um pouco maior que a sala de estar e tinha um estilo meio rústico, que Harry gostou. Fazia-o lembrar da cozinha da casa dos Weasley, só que menos apertada e com mais espaço para circular.
O Sr. Parker se recostara em uma cadeira perto do fogão e fechara os olhos atrás dos óculos como se estivesse cansado demais para conversar. A Sra. Parker ocupara-se em preparar uma sopa, mexendo no conteúdo de uma panela que já borbulhava no fogão.
— Sente-se. — disse ela, por cima do ombro. — Não vai demorar muito. Só um minuto...
Harry puxou uma cadeira e sentou, os braços apoiados na mesa e os dedos entrelaçados, aguardando quieto e meio sem jeito.
Não demorou muito para que a cozinha se enchesse um delicioso aroma de comida caseira e poucos minutos depois, um prato quente de sopa de legumes estava bem diante de Harry. Lílian lhe entregou uma colher e ele agradeceu maus uma vez antes de atacar o jantar.
A sopa era meio rala e sem muito tempero, mas com a fome que estava, Harry a considerou a mais deliciosa que já provara. Comeu rápido e com vontade, o que deixou a Sra. Parker muito satisfeita.
Ela o serviu uma segunda vez, antes de se sentar diante dele para observá-lo melhor. Permaneceu em silêncio por um longo momento, vendo-o levar a colher à boca repetidas vezes até que resolveu entrar no assunto.
— Hum... Então seu nome é Harry, não é?
— Sim. Harry Potter — respondeu ele.
— E você não se lembra como foi para naquele lugar, Harry?
O garoto hesitou. Os Parker eram trouxas, portanto não adiantava dar uma justificativa mágica de como ele aparecera no meio do nada numa noite gelada de inverno. Pensou rápido e decidiu contar somente o necessário a ponto de não mentir, mas também não ser chamado de louco.
— Hum... Eu só me lembro de ter aberto meus olhos e me ver sozinho na floresta — aquilo não era mentira.
— Você sabe se tem família?
— Meus pais morreram quando eu tinha um ano de idade — ele contou. Não via mal algum em dizer aquilo.
— E alguém que cuida de você?
— Eu tenho um tio, uma tia e um primo. Eles ficaram comigo desde a morte dos meus pais — Harry omitiu deliberadamente a frase "cuidaram de mim" da sentença. — Mas desde os onze anos estudo em um colégio interno. Chama-se Hogwarts. A última lembrança que tenho antes de aparecer naquela floresta era de estar na escola. Não sei explicar a vocês como fui parar lá.
Fora o fato de ter não revelar que era bruxo, tudo o que dissera era verdade.
— Hogwarts... — repetiu a Sra. Parker, com uma ruguinha entre os olhos. — Nunca ouvi falar dessa escola.
Harry ficou desanimado. Mesmo sabendo que eram trouxas, ele ainda tinha alguma esperança de haver algo parecido com Hogwarts naquele mundo. Agora não conseguia pensar em nada que pudesse ajudá-lo a voltar para casa.
— Mas me diga, Harry — continuou Lílian, interessada. — Você tem alguma foto da sua família com você? Digo, do seus pais?
— Tenho fotos deles, mas não aqui comigo.
— Entendo... E, hã... Eles eram... bem, você sabe... "parecidos" com a gente?
Lílian indicou rapidamente Tiago e ela mesma com o dedo.
— Hum... Na verdade eram sim...
— Muito parecidos?
— Poderia dizer que eram exatamente idênticos — falou Harry, meio sem jeito.
A Sra. Parker, no entanto, pareceu muito contente ao ouvir aquilo.
— Rá! Eu sabia! — exclamou ela, batendo com a mão espalmada sobre a mesa. — Eu já imaginava. De que outra maneira você seria tão parecido com o meu filho, Henry? Quando o vi na floresta cheguei a pensar que era ele, mas seria impossível. Você viu as fotos dele na sala. A semelhança não é extraordinária?
Harry fez que sim com a cabeça.
Queria perguntar uma coisa e, por sorte, Lílian o poupou disso.
— Sei que deve estar se perguntando onde ele está — disse ela, subitamente triste. — Infelizmente, Henry já não estava entre nós. Ele partiu a quatro anos, entende? — havia uma dor indisfarçável na voz dela. — Se ele estivesse vivo, hoje teria a mesma idade que você. Tem uns dezesseis, não tem?
Harry novamente balança a cabeça em concordância.
— É, eu imaginei que teria — continuou a Sra. Parker quase distraidamente. — Não é um fato estranho que você tenha perdido pais tão parecidos conosco e que nos tenhamos perdido um filho igual a você? Que estranha é a vida para fazer com que nós nos encontrássemos...
Tiago, que até então estava com os olhos fechados e mal dando sinal de estar prestando a atenção na conversa, levantou-se de repente e se dirigiu a mesa onde eles estavam. Tinha uma expressão quase que irritada.
— O que quero saber é se você tem o endereço ou o número de telefone dos seus tios? — perguntou ele. — Podemos entrar em contato para que venham buscá-lo.
Harry disse o número da casa dos Dursley em Surrey e o Sr. Parker para apanhar o telefone e discou.
O número não existia.
Ele olhou ainda mais irritado para Harry, como se ele tivesse mentido o número real ou inventado aqueles parentes. O garoto esclareceu que os tios eram Válter e Petúnia Dursley e o primo tinha o nome de Dudley.
Lílian arregalou os olhos. Sua irmã também se chamava Petúnia, casada com Ricardo Verger, e eles tinham um filho, Benjamin, o Ben.
O Sr. Parker fez uma cara emburrada com aquilo, talvez achando que fosse um tipo absurdo de golpe.
— Pois, bem — falou ele, mal humorado. — Deixe-me ver sua autentificação. Pelo seu número de registro podemos descobrir de onde veio.
— A minha o quê?
— Sua autentificação — repetiu Tiago. — Deixe-me dar uma olhada.
— Mas eu não tenho nenhuma...
A expressão do Sr. Parker mudou completamente. Ele olhou para a esposa, que também ficara aturdida.
— Você... Você não tem?
— Não.
— Está sem documentos?
— Eu estava na escola — disse Harry, como se aquilo justificasse não ter uma identidade trouxa.
Os Parker olhavam-no horrorizados.
— Mas você tem de ter — disse Lílian, alarmada. — Esvazie os bolsos, depressa.
Constrangido, Harry apanhou a varinha de azevinho, a Pedra Elisiana e, para sua surpresa, o Mapa do Maroto, que mal se lembrava de ter posto no bolso mais cedo e que ali mantinha-se em branco e inútil. Ele se arrependeu-se de súbito por não ter pego a Capa da Invisibilidade no quarto antes de sair para ver Hagrid naquela tarde.
Os Parker examinaram aqueles objetos desconexos entre si, com as bocas abertas.
Tiago Parker apontou para a esfera de cristal.
— O que é que é isso?
Harry encolheu os ombros. Ele também não sabia mais explicar o que era aquela coisa.
— Um orbe de vidro — foi o que respondeu.
Tiago apressou-se a pegar o Mapa do Maroto, porém, deixou-o de lado quando viu que não era um documento, mas apenas um pedaço de pergaminho velho sem nada escrito.
Ele lançou um olhar preocupado à Lílian, que também se encontrava apreensiva.
— O que faremos, Tiago? — indagou ela, em voz aguda. — Ele não pode ficar sem autentificação.
— Droga! Vamos ter de arrumar uma para ele! Não pode ser pego circulando sem documentos!
Harry não estava entendendo nada.
— Desculpe, mas o que está acontecendo?
Tiago Parker voltou a ficar aborrecido e quando falou, seu tom era cheio de censura e irritação:
— O que está acontecendo é que estamos em guerra. Todos os cidadão tem documentação. Se você não tem documentos é porque não pertence ao país, portanto, é inimigo. Se é um inimigo tem de ser eliminado.
Naquela última palavra, Harry sentiu seu estomago afundar.
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