Perdidas entre Sonhos
6 Tá de sacanagem, né?
Notas iniciais
Pogue viu Janaina desaparecer por entre os portões do colégio e deu um sorriso travesso.
Janaina voltava para o corredor perto de seu armário quando ouviu o sinal anunciando o final da aula soar, e o barulho dos alunos saindo de suas salas.
Eles enchiam os corredores, até que uma gritaria chegou aos seus ouvidos, garotas e garotos gritavam uma correria, fugiam de alguma coisa. Ao longe avistou Lucas correndo como um lunático com uma vassoura na mão tentando matar alguma coisa e Darren o impedindo.
Correndo contra o fluxo de pessoas, Janaina se misturou a multidão no meio dela Francine gritava, pois a aranha Octa havia pulado em cima de sua cabeça, ela se sacudia igual a um boneco de posto de gasolina o que fez com que o bicho pulasse para cima dos armários.
Quando Lucas acertou o aracnídeo e estava prestes a matá-lo, Darren arrancou a vassoura de suas mãos. Octa fugiu em direção a janela e quando ela já estava quase passando Lucas fechou a janela. Todos prenderam a respiração quando não avistaram o animal, de repente um movimento começou sob a roupa dele e a aranha surgiu subindo por sua nuca e mordendo-o na altura da maça de seu rosto. O garoto caiu no chão desacordado e a aranha Octa conseguiu escapar. Depois de muito rebuliço, o corredor estava novamente vazio, somente sendo ocupado pelas duas amigas que andavam silenciosamente até Francine quebrar o silêncio:
- Espero que ele fique bem.
- Eu também, vou indo pra minha sala, aula de história. – Disse Janaina.
- Se prepara que tem redação sobre o Renascentismo para fazer, vou para tortura de matemática, até depois.
Jana estava indo em direção a sua sala quando parou e olhou pra trás como se houvesse esquecido alguma coisa.
- Fran! – Chamou.
- Hein?
Janaina começou a andar em direção a sua sala mais parou e olhou para trás.
- O que acha irmos ao novo bar para esquecermos um pouco os últimos acontecimentos?
- Demorou! – Respondeu Francine feliz – Saindo da escola, zarpamos pra lá.
No final do dia após as cansativas aulas, as meninas saíram e se encontraram, reclamaram um pouco sobre as aulas e não demoraram nem cerca de trinta minutos para chegar ao Grill, o bar era mais perto do que elas imaginaram.
- Chegamos ao caminho da perdição. – Francine faltou soltando uma risadinha pervertida. – Essa noite promete.
- Você é doida, Fran. – Janaina agora ria da amiga, elas estavam prontas para começar a farra.
Francine já querendo ir com tudo entrou no bar com o pé direito. O ambiente estava lotado, pessoas sentadas em todas as cadeiras, e só havia duas banquetas no bar. Janaina pegou o braço da amiga e a levou até as banquetas se jogando em uma delas. A música estava super alto e mal dava para que as meninas conversarem.
- Jana? Quanto você tem aí? O que tenho aqui deve dar no máximo para uma ou duas bebidas. – Falou Fran tirando quinze dólares do bolso.
- Tenho... hum... deixa eu ver aqui.. – Disse vasculhando os bolsos – Dois dólares e trinta centavos e aí, acha que ajuda? – Perguntou colocando suas moedas junto ao dinheiro da amiga. – Fran ergueu os ombros e o procurou o barman, nesse caso era uma garota.
- Oh moça? Senhora? Senhorita? Ei garota! – Balcão Francine chamava depois um pouco irritada se esticou e cutucou a moça que parecia ocupada demais colocando cerveja entre vários outros copos para os outros fregueses. Quando a mulher se virou, ela pode ver o nome em seu crachá “Ellen”, ela as olhou de cara emburrada o que fez com que a menina se encolhesse em seu acento novamente. – O que você tem para duas pessoas como nós duas para podermos nos deliciar?
- Julgando pela a sua aparência.. deixe me ver aqui – Falou em um tom sarcástico – virou-se e colocou dois copos com gelo e um liquido transparente. – Tenho isso aqui.
- Água? – Indagou Janaina, olhando surpresa para ela.
- Tá de sacanagem com a gente né? – Perguntou Francine cheirando o liquido. – Poh eu quero algo que aqueça a garganta.
- Ora não seja por isso, temos chá. – Falou virando as costas e se preparando para atender outra pessoa.
- Ellen? — Perguntou Francine.
- Quem quer saber? – Perguntou virando e mirando as garotas.
- Ellen, que é prima da Marlene e amiga do Dean? – Continuou Fran, sentindo que não havia sido uma boa idéia tocar no nome do “gato” que havia lhe dado uma carona, Ellen olhou-as com suspeita e desviou os olhos para um rapaz que estava sentado a duas banquetas após elas.
- Francine? Filha da Marlene? Bem que eu não estava te achando muito estranha. Sua mãe faz idéia de que está aqui? – Falou tentando disfarçar, e trocar de assunto.
- Isso aí, essa sou eu, minha mãe? Lógico que sabe, ela que falou para eu vir aqui, falou que o lugar era o máximo e que íamos adorar. – Respondeu, distorcendo um pouco o que sua mãe realmente havia falado.
- E aí, vai liberar alguma coisinha pra nós ou não?
- Agora que não, mesmo. Imagina se a sua mãe descobrir que eu deixei uma coisa dessas, perco a amizade dela.
- Pode deixa que eu não conto, vai Ellen, umazinha só? – Implorou Francine até de mãos juntas para ela.
- Vai Ellen só uma. – Disse uma voz estranha por trás das meninas; era um homem alto, cabelos na altura das bochechas e olhos penetrantes.
- Ora vamos Ellen... – E o garoto sorriu, arqueando uma sobrancelha.
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