Perdidas entre Sonhos
4 Está muito estranho...
Notas iniciais
- Poxa Jana, eu já entendi! Você já me disse umas mil vezes que era uma péssima idéia, me desculpa vai?
- Tá bom.. mas só porque você pediu com jeitinho. – E abraçou a amiga. Assim que adentraram a sala tiveram uma grande surpresa. Sentado na poltrona a frete a mãe de Francine estava uma jovem que conversava animadamente com ela, ao seu lado uma pequena mala arrumada.
- Ah Jenna, está é Francine minha filha, e a amiga dela Janaina. – Apresentou Marlene.
- Olha só para você Fran, como está grande, a última vez que te vi era apenas um bebê. – Embaraçada Francine se limitou a sorrir.
- De quem é esta mala, mãe? – Perguntou Fran.
- É da Jana.
- Minha?!
- É querida, sua mãe passou aqui e a deixou, falou que era para você ir para a pensão de seus primos. Parece que você vai passar um tempo por lá, ela até pediu para matricular você no colégio daqui.
- Mas por quê? Aconteceu alguma coisa? A pensão de meus primos? Eu nem fazia idéia de que tinha primos aqui, quem dera então com uma pensão!
- Olha Jana, aí eu já não sei, foi dona Fátima que me disse; Jenna até se ofereceu para deixar você lá.
Francine e Janaina ainda surpresas se despediram, ambas ainda muito abaladas com os acontecimentos do circo dos horrores, e, mas essa agora Janaina iria morar com os primos que ela nem sequer conhecia por um tempo indeterminado.
- Chegamos, eu acho. – Falou Jenna estacionando em frente a uma casa, a arquitetura antiga, com pedras, bonita e misteriosa, ao mesmo tempo assustadora; não combinava com exatamente nada ao seu redor.
- Obrigada pela carona. – Agradeceu Janaina descendo do carro, pegando sua mala e mochila e caminhou até a pensão. Hesitou ao bater, pois a noite tornava aquilo ainda mais assustador, como se o encontro com todas aquelas criaturas bizarras já não tivesse sido o suficiente, agora ela ia ter que morar com primos que nem conhece. E se eles fossem maníacos, velhos ranzinzas ou até mesmo pedófilos?
“Ai meu São Jorge! Aonde tu me enfiaste!”
Mesmo com o pé atrás, Janaina apertou a campainha, e segundos após a porta da pensão já estava sendo aberta.
Sua respiração falhou quando viu o belo jovem, cerca de dezesseis anos abrindo a porta, cabelos castanhos acobreados, topete e olhos esverdeados. Arqueando uma sobrancelha e gaguejando um pouco conseguiu dizer:
- É.. oi.
- Janaina, correto? Eu sou Stefan. – Falou o garoto esticando a mão para cumprimentá-la que ainda surpresa continuava o fitando. – Sou seu primo, sua mãe pediu para você passar uns tempos por aqui. Seja bem-vinda. – E convidando a entrar pegou a mala que estava ao seu lado.
- Ah.. obrigada! – Janaina adentrou o lugar, surpreendendo-se com a bela decoração, antiga, sombria mais incrivelmente bela.
- Você sabe o que aconteceu com minha mãe, para ela pedir que eu ficasse aqui? – Perguntou curiosa.
- Sinto muito, mas não. Ela simplesmente pediu que eu a acolhesse. Mas algum problema?
- Não, de forma alguma, é que eu só fiquei preocupada. – Falou enquanto olhava ao seu redor, retirando o casaco com a ajuda de Stefan. – Quem mais mora aqui?
- Somente eu e meu irmão. Seu quarto fica no terceiro andar, o mesmo andar que o meu e o de Damon.
- Damon?! – Exclamou intrigada.
- Você o conhece? – Stefan perguntou preocupado.
- Não é que... é apenas um nome diferente. “Assim como Stefan.. sem contar que ambos fazer parte de um livro”. – Pensou consigo mesma.
- É mesmo. – Concordou Stefan.
- Se importa se eu for para meu quarto? Foi um dia cansativo. “Tá mais pra um dia apavorante e surreal, mas acho que ele cai nessa.” — E deu um pequeno sorriso ao primo.
- Mas é claro, me deixe acompanhá-la. – Depois de abrir a porta do quarto de Janaina, Stefan beijou sua testa e quando já estava saindo disse:
- Sinta-se em casa, pela manhã irei acordá-la para escola. – Antes que fechasse a porta Janaina falou:
- Boa noite Stefan! Obrigada.
- Durma bem, Jana.
E a porta de madeira foi levemente cerrada. Caramba o garoto tinha classe, e como podia ser tão gracioso? Ainda perdida em pensamentos, Jana colocou a mala sobre o baú que havia no quarto, jogou-se sobre a cama e tirou o celular o bolso, digitou uma mensagem rápida e enviou a amiga.
De: Jana Ferreira
Para: Fran MaVeloso
Fran, amoré.. Tá tudo bem por aí?
Vou te fala as coisas estão muito, mas muito estranhas...
Se acredita que tenho dois primos que se chamam Stefan e Damon?
Bizarro é pouco, né?
Xoxo,
Jana
Minutos depois o celular vibrou avisando a chegada de uma nova mensagem.
De: Fran MaVeloso
Para: Jana Ferreira
Ainda estou um pouco assustada.
Ah tá e o sobrenome deles e Salvatore?! Kkkkkk
Você ta pirando garota...
Como é aí? E eles?
Bjuu,
Fran
De: Jana Ferreira
Para: Fran MaVeloso
Pirada é a mãe, sem ofensas...
Não sei o sobrenome deles, e com certeza não é Salvatore. Eles não existem, são apenas personagens de um livro. ^^
Até que aqui é bem bonito... Ah esquece.
O Stefan é lindo e muito simpático. O Damon, bem esse eu não o conheci. :P
Janaina enviou a mensagem e largou o celular sobre a cama indo para o banheiro.
“Sempre quis um banheiro só pra mim”pensou.
Lavou o rosto na pia, e o estava enxugando quando o toque de seu celular ecoou pelo quarto, Bring me to Life do Evanescence preenchia o ambiente, sem olhar o visor, mas já sabendo quem encontraria do outro lado da linha atendeu.
- Oie Fran.
- Stefan e Damon, você tem certeza?
- Certeza do quê?
- De que eles não são o Stefan e o Damon Salvatore?
- E depois eu que to pirando, Franzinha.. eles não existem miga. – Disse Janaina deitando-se na cama.
- Ah, vai lá que eles existam! Até algumas horas atrás a gente jurava que o gigante, a mulher barbada e a mulher reciclável não existiam, sem contar aqueles anõezinhos, agora você vem me dizer que não acredita neles?
- Sei lá Fran! To meio cansada pra pensar agora, amanhã a gente conversa melhor tá? Tivemos um dia cansativo e ainda tenho que enfrentar a nova escola amanhã, onde eu simplesmente não conheço NINGUÉM! Então, boa noite.
- Está bem! A gente se fala amanhã. Beijos!
- Beijinhos.
Francine mal dormir aquela noite, os acontecimentos do circo percorrendo sua mente, não pelo fato de terem sido aterrorizantes, mas pelo simples fato de aquilo ser um dèjá vu, sentia como se tudo aquilo já houvesse acontecido, exceto pelo fato de que nem ela ou Jana estavam lá antes.
Revirou-se na cama durante horas, abriu os olhos e fitou o relógio de cabeceira que marcava 4h, sabendo que não adiantava muito continuar tentando ela então pegou seu diário, no qual ela não escrevia há meses.
Colocar a data é completamente desnecessário, quando os dias parecem horas para mim.
Agora são exatamente 4h da manhã de uma segunda feira, e em menos de 3h deverei estar pronta para escola, não que isso seja alguma novidade, é somente mais um ano novo.
Faz tempo desde a última vez que escrevi aqui, mas hoje foi mais do que necessário, o dia de hoje, digo de ontem, foi surreal e estranho demais; Jana agora mora aqui perto, somente algumas quadras daqui, e estuda na mesma escola que eu. Inusitado, eu sei, a mãe dela não deu explicação alguma para essa súbita mudança, ela apenas está aqui; morando com os primos que mal conhece, se isso fosse realmente o grande problema. O que me chamou a atenção foram seus nomes, os mesmos nomes dos personagens de Vampire Diaries, os irmãos Salvatore, se eles têm o sobrenome Salvatore é outra história, porque a Jana não perguntou ainda, droga, vou morrer de curiosidade.
Ontem tio John nos levou ao circo dos horrores, e juro que vi Josh Hutcherson lá, mais não foi apenas ele, acho que vi muita coisa, que não era pra esta aqui na minha vida.
To ficando louca, e, eu acho que sim.
Mais hoje vai ser um pouco diferente. Vou enfrentar, e descobrir.
Jogou o caderno e a caneta dentro da gaveta da cabeceira, e pegou seu celular, viu se tinha mensagens novas, e nada. Então decidiu mandar uma para sua amiga.
De: Fran MaVeloso
Para: Jana Ferreira
Jana, não saia da pensão.
Estarei ai, antes das 7h
Quero tirar essa história a limpo!!
Bju
Aguardou alguns minutos e nada de Janaina responder deixou o celular sobre a cama e foi ao banheiro se arrumar. Depois de pronta desceu as escadas, o mais devagar possível, sua mãe ainda não havia acordado, mas decidiu sair assim mesmo.
O sol já estava nascendo quando ela bateu a porta da frente, virou-se e estava já colocando seus fones de ouvido com a música já alta tocando, pronta para a longa caminhada até a pensão onde a Janaina estava, Fran deu de cara com um rapaz alto, cabelos loiro escuros quase castanhos, e olhos verdes e uma aparência bela, o que fez com que a garota parasse e o fitasse sem piscar.
- Oi, você de ser a filha da dona Marlene, sou Dean, amigo da Ellen, ela me disse que eu poderia deixar o meu carro aqui por alguns dias, que a sua mãe havia deixado, então pensei, porque não falar com ela pessoalmente? – Dean estendeu a mão para a garota ainda estupefata com o rapaz, ela desviou o olhar dos dele e olhou rapidamente para mão dele. – Desculpe incomodar mais a sua mãe não está em casa?
- É.. é.. minha mãe está dormindo no momento. Volte depois das 8h que ela já deve estar acordada. – Falou piscando algumas vezes, para ter certeza de que não estava sonhando, ela deu meia volta no homem e foi para rua, balançando um pouco a cabeça, o deixando falando sozinho. Não pode ser que é tão lindo desse jeito, é apenas um sonho, um sonho, é isso apenas um sonho. – Pensou ela.
Francine já havia passado dois quarteirões quando ouviu uma buzina, olhou para o lado e viu o Impala preto, Dean dentro, ela parou no mesmo momento que o carro.
- Quer uma carona? Ou não aceita carona de estranhos? – Disse soltando uma risadinha sarcástica.
- Aceito sim. – Falou já entrando no carro. – Só que pra onde eu quero ir, é um pouco longe daqui, você deixa eu perto do cemitério se preferir.
- Não, falei que te daria uma carona, te levarei até aonde você quer ir. Que seria?
- Vou a uma pensão, visitar uma amiga.
- Então tá. – Sorriu, dando a partida no carro, que com um comando automático ligou o rádio que começou a tocar For those about to Rock do AC/DC, quase no último volume.
– Me desculpe, pelo som. – Falou diminuindo um pouco o volume.
- Que isso não se desculpe, eu gosto de AC/DC. – Disse sorrindo, ele logo voltou o volume como estava antes e retribuiu o sorriso.
O caminho todo, não foi um silêncio, os dois começaram a cantar todas as músicas que surgia no rádio, Francine rachava de tanto rindo com as letras das músicas, que eram trocadas, por desafinação de ambas as partes. Os dois se divertiram muito, apenas cantando as músicas.
Quando deram por si eles já estavam na frente da pensão. Francine já tinha descido do carro, Dean abaixou o volume pra escutar o que ela estava falando.
- Muito obrigada por tudo Dean, espero ver você novamente, pra me dar mais caronas. – ela riu, colocando a cabeça dentro do carro. – Empresta seu celular.
Ele nem perguntou o para que e já foi dando o celular para ela, quando o pegou, foi logo discando seu número e dando uma breve chamada, para marcar o número dele no celular dela também.
- Esse é meu número, se quiser saber quando é a melhor hora de ir lá falar com minha mãe por causa da garagem, é só dar um toque pra mim. – Ela sorriu e entregou o celular de volta pra ele. Afastou-se do carro, para que o Dean conseguisse fazer a manobra pra dar retorno, acenou pra ele, e ele deu com a mão pra ela.
Francine ficou ali para por uns estantes, a pensão, fazia sua espinha gelar, tinha um ar antigo, mal assombrado, era inteiro feito por pedras, três andares. Quase que ela não teve coragem de ir até a porta para chamar sua amiga. Abriu o portão super devagar, que fez com que ele rangesse mais que o necessário, subiu os poucos degraus que tinha e ficou parada olhando para a porta. Tinha campainha, mas ela optou para bater na porta, naquela hora todos deveriam estar dormindo.
Na primeira batida, a porta se abriu, ela deu uma olha lá dentro e abriu mais um pouco a porta.
- Jana... Jana – Chamou baixinho, já entrando na casa. – Janaina.
Nenhum sinal de vida dentro da casa, por cada cômodo que ela passava mais maravilhada ela ficava, ela entrou em um cômodo que era praticamente uma biblioteca, vários livros, estantes cheia dele. Ela ficou super maravilhada com a quantidade de livros, deu uma corridinha até uma prateleira e começou a ver os títulos que tinha lá.
O ar ficou diferente ali, e Francine percebeu isso, ela virou-se de imediato quando sentiu alguém chegando atrás dela.
- Veio na minha casa roubar livros? Acho que teria coisas melhores pra roubar, mais não tenho certeza se você conseguiria tira-las daqui. – Disse o homem, prendendo a na prateleira.
- NÃO, não! Vim ver minha amiga, só que ninguém tinha atendido, quando bati na porta ela estava aberta, não quis e não quero roubar nada. – Disse apavorada. – Você pela descrição deve ser Stefan. Sua prima, Janaina, ela é minha amiga, me disse que estaria aqui que eu podia buscá-la pra irmos pra escola.
— E por que eu deveria acreditar? – Falou ameaçando-a.
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