Perdida no tempo
3 Será?
Notas iniciais
Eu abri meus olhos e me vi em um quarto diferente do meu, meu estômago começou a protestar, pedindo por alimento, mas não..Não iria comer.
Logo me levantei, observando a cama imensa na qual estava deitada, os móveis antigos em muito bom estado, sem o desgaste do tempo.. O quarto era enorme, tinha paredes em um tom verde claro, e eram bizarramente altas. Voltei a me deitar no colchão um tanto duro demais (por um momento me bateu saudades de minha casa), e comecei a procurar respostas sensatas para o que estava acontecendo.
Acho que deveria considerar demência
Uma batida sutil na porta me fez sair de minhas teorias bizarras
—Ehh ...Pode entrar?- Tentei meio sem jeito, ainda perdida de como eu fui parar naquele quarto.
Pela porta dupla o rapaz que me ajudou entrou no quarto a passadas largas e diretas, seu rosto continha uma expressão séria e determinada, mas qual era o nome dele mesmo?
Atrás do moreno, uma mulher baixinha com alguns cabelos grisalhos presos em um coque alto e bem feito (Eu nunca iria conseguir fazer um daqueles), usando uma saia bufante que ia praticamente ao chão (Como ela não estava sentindo calor?) Me olhava com um olhar horrorizado, como se eu fosse uma pecadora com chifres e etc. Mas o que havia de errado comigo?
— Como está se sentindo Senhorita Sakura? — Ele parecia desconfortável ali em pé ao lado da cama.
Logo me sentei, soltando um suspiro por sentir uma leve tontura.
— Tô bem.. — Falei automaticamente, odiava preocupar as pessoas.
— Fico feliz em ouvir isso, o doutor disse que a senhorita poderia ter desmaiado devido ao choque, também pudera, a Senhorita fora assaltada.. — Ele pareceu sincero, mas tudo aquilo era mentira correto? De qualquer forma, meio inconscientemente do que estava fazendo, comecei a encarar ele, e não era que ele parecia um daqueles mocinhos de livros.
Ele pareceu ficar constrangido. Também né, eu encarava ele igual a uma idiota..
Depois de limpar a garganta, o moreno parecia não saber onde cruzar seus braços, decidindo por colocar eles cruzados atrás de suas costas.
Logo me lembrei da mulher que estava logo atrás de.....Itaki? Itamaki? Ahh.. Itachi.... Ela ficou calada até agora, deve ter reparado que eu estava pálida, logo dizendo:
— Gostaria que eu lhe prepara-se algo senhorita? Você parece ter fome... — Falou se aproximando mas logo corando ao ver minhas calças.
— Não, tô legal.. — Falei soltando um suspiro tentando relaxar.
— Tem certeza senhorita? Parece estar passando mal.. — Dessa vez foi Itachi que decidiu falar.
— Já disse, to bem.. — Falei dando um ponto final naquilo.
A mulher logo se retirou, provavelmente por causa de um grito meio abafado em um quarto no andar de baixo.
— A senhorita tem um jeito bastante peculiar de se comunicar.. — Dizia o moreno se sentando em uma poltrona do quarto, como raios eu não notei ela?
— Não tenho não, você que fala como meu avô! — Disse meio distraída
Itachi ficou constrangido e confuso, porém mudou de assunto.
— Fiquei preocupado com o estado no qual te encontrei senhorita.. Por algum acaso fora saqueada? — Perguntou diretamente, credo, me assustei agora..
— Saqueador...?
Ele apenas acenou que sim.
— Acho que não, mas sério, cansei dessa pegadinha, eu preciso ir para a faculdade... — Falei meio desinteressada, me levantando da cama.
— Não sei bem o que disse, mas não é nenhuma brincadeira senhorita.. — falou ofendido.
Mas se não era.... Então ele realmente era um rapaz do século 19? Mas é impossível, é totalmente sem lógica, eu preciso acordar desse meu sonho maluco e voltar para a minha vida pacata e totalmente deprimente.
— A você não me parece muito bem, irei pedir uma xícara de chá para a senhorita. — Eu não disse nada, apenas comecei a andar de um lado para o outro, ignorando novamente a tontura que me vinha. Logo Itachi saiu do quarto, me encarando preocupado, e eu parei, fechando os olhos, tinha que ser um sonho..Tinha que ser...
Nada, eu estava no mesmo lugar..
Olhei para a minha bolsa, e vi um objeto prateado ser refletido pela claridade do quarto, meu novo celular. Caminhei até ele lentamente, mas afinal, desde quando eu estava descalça? Ah, não importa..
Peguei o objeto gelado na palma de minha mão, algo dentro de mim me dizia que tudo isso havia acontecido por culpa dele. Era o que eu ganhava por tentar ajudar as pessoas. Confirmando as suspeitas a tela do celular se acendeu, e um número desconhecido apareceu em uma ligação. Mas ninguém tinha esse número, nem eu mesma tinha..
Apertei em uma parte do celular que estava em verde, atendendo a ligação, e lentamente levei ao meu ouvido.
—Alô? — Falei desconfiada
— Olá Sakura, como está se saindo por ai? — Como uma estranha poderia saber meu nome?
— Hãã.. Será que poderia me ajudar? Eu to meio perdida... — Solto um sorriso nervoso.
—Perdida? — Ela falou normalmente.
— Sim.. Estou em um lugar muito estranho, as pessoas acham que tão no século 19, dá pra acreditar?? — Soltei uma risada nervosa novamente.
— Claro que dá, afinal é onde você deveria estar.. — Ela falou docemente..Mas que desgraçada..
Eu juro que tentei soltar alguma coisa, mas meu cérebro parecia gelatina.
— Hein? — Foi tudo o que conseguir fazer sair de minha boca.
— Fico feliz que tenha começado sua jornada querida. — Querida? quem ela pensa que é?
— Jornada? Como assim? — Eu não estava entendendo bulhufas nenhuma.
— Você precisa fazer essa jornada, descobrir quem você realmente e, em que lugar pertence. — Meu kami, o que tinha naquele café que minha mãe tinha feito??
— Mas eu sei quem eu sou, e sei de onde pertenço, quero voltar para minha casa, para a minha vida completamente idiota...- Falo soltando um suspiro triste, e eu realmente espero que ninguém ouça, senão iram achar que eu estou falando sozinha.
— Precisa sim, só não sabe.. — Estou começando a ficar descontrolada.
— Olha...Me ajuda a sair daqui, e depois conversamos sobre isso, que tal? — Tentei persuadi-la.
— Mas eu estou lhe ajudando, não percebe?
— Me ajudando?? — Falo indignada, desde quando me fazer perder um dia de aula na faculdade era me ajudar??
— Você nunca acreditou em romances, nem em contos de fadas não é? Sempre sendo prática, aceitando tudo com um tanto faz, estava na hora de eu intervir... — Por acaso ela leu meu diário?
— E não, não li seu diário... — Ela respondeu, e isso estava começando a me assustar — Conheço cada canto de sua alma, seus segredos mais íntimos... Por isso intervir em tudo..
— Intervir? — Meu cérebro estava virando mingau..
— Sim Sakura.. Você não voltará até encontrar o que procura, até acabar sua jornada.. Vai ficar ai até lá, e acredite, você não está sozinha.
— Mas o que eu tenho que procurar?? — O que raios estava acontecendo?
— Isso você terá que descobrir sozinha querida..E não tente usar o celular, ele só irá servir para quando eu for te orientar, não o perca por favor...
Espera..O celular.. O clarão... O lugar onde estou..
— Sim, tudo culpa do celular...
— Quem é você? O que quer de mim?
— Apenas sua felicidade querida, agora trate de começar logo sua busca, quanto mais cedo começar mais cedo irá acabar e eu poderei te trazer de volta de um jeito ou de outro...
— Mas eu não estou entendendo nada.. — Falei desesperada.
— Não precisa querida, apenas se misture, e não diga nada que veio do futuro, ninguém irá acreditar em você.. — E então ela desligou.
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