Notas iniciais
Heey gente, voltei.. E dessa vez com memórias da Sakura

Os pequeno olhos verdes observavam silenciosamente mais uma briga de seus pais. Seu pai havia chegado bêbado novamente, apesar de ser uma criança, a pobre garotinha teve que amadurecer cedo demais, ainda com 5 anos descobriu o sentido da palavra traição. Seus pequeninos olhos presenciaram tal ato feito por seu pai.

Hey girl, open the walls
Play with your dolls
We'll be a perfect family

(Ei garota, abra as paredes,

Brinque com suas bonecas

Nós seremos uma família perfeita)

A menininha acordou no meio da noite, havia tido um pesadelo... Estava indo em direção ao quarto de seus pais quando ouve um barulho estranho por trás da porta, parecia ser gemidos.

Imediatamente a garota ficou preocupada, ela pensara que sua mãe estava passando mal..

Ela abriu levemente a porta, apenas para ver o que estava acontecendo, e viu uma outra mulher deitada na cama de sua mãe,ela estava cabelos vermelhos e ela esta, seu corpo parecia suado, e seu olhos estavam fechados, enquanto barulhos estranhos saiam por sua boca borrada de vermelho, que a certo tempo atrás estariam tingidos de vermelho.

Já seu pai estava por cima dela, fazendo movimentos desconhecidos para a garotinha, ele estava com uma mão no seio direito da garota, enquanto a outra estava apoiada ao lado da cabeça da jovem. Ambos estavam nus, ambos estavam com respirações ofegantes..

Mom, please wake up

Dad's with a slut

(Mãe, por favor, acorde

Papai está com uma vadia)

E a garotinha inocente, logo fechou a porta, não acreditando no que seu pai estava fazendo.

"Quem era aquela moça? Cadê a mamãe?"

O que a garotinha não sabia, era que sua mãe estava em uma boate de Strip Tease. Sim, ela era uma Stripper... Era nisso em que ela "Trabalhava" durante a noite, e seu marido, a traía todas as noites com uma nova prostituta, foi assim que ele começou a adquirir dívidas, e foi nessas dívidas que ele encontrou sua morte.

Em seu enterro, sua mãe não chorou, ninguém da família do falecido compareceu, foi apenas a mãe da Haruno e a própria Sakura que agora, mais do que nunca, chorava abraçada a boneca de pano. No dia seguinte, sua mãe já havia se "recuperado" da morte de seu esposo, voltando assim, a fazer suas danças. Chegando tarde em casa, normalmente bêbada.

Hey girl, look at my mom

She's got it going on

Ha, you're blinded by her jewelry

When you turn your back

She pulls out a flask

And forgets his infidelity

(Ei, menina, olhe para a minha mãe

Ela está com tudo em cima

Ha, as jóias dela ofuscam seus olhos

Quando você vira as costas

Ela pega uma garrafa

E esquece a infidelidade dele)



Porém, aquilo não era o suficiente para sustentar ela e sua filha, assim, ela começou a trabalhar durante o dia em uma fábrica, entrando às 5 horas da manhã e saindo as 5 da tarde. Nesse tempo, Sakura ficava sozinha em casa, nisso ela tinha 8 anos.

Essa foi umas das poucas memórias que Sakura fez questão de guardar, talvez para se lembrar, que não se deve confiar nem na própria família.

10..11...12....13...

Os anos iam passando....

Hey, girl, open your walls

Play with your dolls

(Ei menina, abra as paredes

Brinque com suas bonecas)

E nada mudou.. Sua mãe continuava ausente, ficando o dia todo fora de casa. Com isso, a garota não tinha uma refeição adequada, e acabou por ficar um tanto quanto gordinha. Na 7ª Série foi quando ela conheceu o quanto seus "colegas" eram falsos.

Everyone thinks that we're perfect

Please don't let them look through the curtains

(Todos pensam que nós somos perfeitos

Por favor, não deixe que olhem através das cortinas)

Estava andando pelos corredores com um de seus livros contra o peito, estava sorrindo por encontrar suas amigas na escola, estava quase chegando a sala de aula quando ouve uns cochichos na porta, foi quando parou e silenciosamente ouviu o que estavam dizendo.

''Por que ainda andamos com ela?

Cara, você é sonsa hen..É porque se andarmos com ela, iremos parecer mais magras e mais bonitas..

Ahh, uma boa estratégia, e ela é muito monga, nem entende que ninguém quer ela por perto..''

Sakura soltou um sorriso triste, e então virou, aparecendo na frente daquelas garotas que até poucos momentos atrás, considerava suas amigas. Elas olhavam levemente surpresas, mas em seus não tinham qualquer vestígio de arrependimento, pelo o contrário, em seus lábios tinham até um certo alívio, talvez por não terem mais que fingirem.

"Não posso confiar em ninguém."

Foi da pior maneira, mas Sakura aprendeu isso... Primeiro seu pai, agora suas amigas...Sim, não deveria confiar em ninguém..

Ao passar pelas garotas, sussurou no ouvido de uma delas.

Posso até ser monga, mas pelo menos não sou uma pequena vadia feito você.

A garota ficou sem reação fisicamente, mas psicologicamente já planejava acabar com a vida de Sakura naquela escola, conseguiu esboçar um sorriso, não iria perturbar mais ela, não diretamente, iria acabar com ela aos poucos. Enquanto isso, Sakura desabava por dentro, não acreditava que suas amigas, aquelas que conhecia desde criança acha aquelas coisas dela... Estava magoada, irritada..

Tanto que não conseguiu se concentrar nas aulas, nenhuma palavra entrava em sua cabeça, a não ser as palavras que continuavam a ecoar em sua mente, que já era perturbada pelo seu passado conturbado com seu pai.

"Preciso ser magra.....Assim ela não irá mais falar nada..."

No dia seguinte, Sakura decidiu fazer uma dieta, que consistia em não comer nada, e se fosse desmaiar, comeria um pedaço mínimo de uma bolacha diet que levava na bolsa. Loucura? Talvez, mas ações imediatas mereciam medidas extremas, era isso que Sakura acreditava desde 12 de abril, quando descobriu que não poderia confiar em ninguém.

Estava com uma blusa de frio grossa, mas estava quente o dia, sim, ela queria suar, para facilitar a queima de calorias.. O dia passou, e Sakura ignorou todo mundo, apenas prestando atenção na aula, era uma ótima forma de se distrair, de esquecer tudo o que aconteceu no dia anterior.

A garotinha andava pelos o corredores, estava começando a ficar quente, porém a mesma se recusava a tirar a blusa, era aquilo mesmo o que ela queria..Suar...Perder peso, acelerar o metabolismo...Foi um dica incrível que viu na internet..

Ela abriu seu armário, e uma folha com insultos caiu no chão, e ao fundo, uma risadinha que conhecia bem. Ao abrir..

GORDA MONGA

INÚTIL BURRA

NINGUÉM TE QUER AQUI

SAIA DA ESCOLA.

Com um sorriso triste, Sakura amassou o papel, e então o guardou na bolsa, repousando seus livros em seu armário e o fechando, e quando se virou novamente para ir embora, suas "colegas" a fecharam em uma rodinha contra os armários, por um momento sua bolsa caiu no chão, e suas costas se encostaram nos armários, havia vários olhares voltados para ela, sua respiração se tornou rápida...Observou rapidamente o local, não havia ninguém no corredor, os inspetores estavam no pátio, ninguém iria ver...

Um soco em seu estômago foi o que a atingiu primeiro, seguida de um puxão forte no cabelo a fazendo bater a cabeça com força no armário, logo em seguida escorrendo até o chão; Enquanto ponta pés de todas as direções vinha e encontro contra seu corpo. Sakura sentia seu corpo fraquejar, sua cabeça doía como nunca, junto com uma forte tontura.

Aos poucos eles foram parando, mas a garota não se movia, seu corpo estava todo dolorido... Então ficou lá, estirada no chão, ninguém iria ajudar ela, ninguém iria sentir pena, afinal, ela era só mais uma vítima delas, quem iria ligar?

Soltou um sorriso fraco, seu corpo inteiro doía, um nó na garganta se formava, e então chorou baixinho enquanto as pessoas iam embora, debochando da cara dela.

Não tinha amigos.. A garota sentiu seus olhos fecharem, e então a Sakura só viu a escuridão.

Ao acordar, estava em um lugar muito claro, um cano de oxigênio estava em seu nariz, seu corpo doía muito, igual a sua cabeça.

Estava no hospital..

Sua mãe lixava suas unhas pintadas em um tom de vermelho escarlate, e ao perceber que sua filha tinha acordado, foi até a cama com um olhar reprovador.

— VOCÊ SABE QUE NÃO TEMOS DINHEIRO, E VOCÊ AINDA ME FAZ SAIR DO SERVIÇO PARA TE BUSCAR?? VOCÊ DEVERIA TER VERGONHA SAKURA! — Dizia a mulher aos berros enquanto apontava para a garota atordoada.

— Mas....

— NÃO TEM MAS, CALE ESSA SUA MALDITA BOCA INGRATA! — Ela queria dizer que não tinha feito nada..Porém ninguém a escutaria..

Logo um médico residente que estava de plantão no horário ouviu tudo, e então adentrou o quarto, encontrando a garota chorando silenciosamente enquanto a mãe berrava para a garota.

— Senhora, queira se retirar... — Dizia mostrando a porta para a mulher, que saiu à passadas pesadas do quarto.

— Desculpe.. — Dizia Sakura entre soluços.

— Não tem porque se desculpar.. — Dizia o médico com um leve sorriso.

Sakura soltou um leve suspiro, e então fechou os olhos, rezando para que tudo aquilo fosse um sonho.

Notas finais
Gostaram? Comentem por favor... A música é Dollhouse da Melanie Martinez.