Perdida Na Tempestade
72 Partindo o coração de gelo...
Notas iniciais
Souten passou noite em claro, o que não era necessariamente um problema para um youkai adulto. Entretanto, seus pensamentos e sentimentos estavam cada vez mais confusos, e isso sim, era algo perturbador.
As lembranças anteriores lhe consumiam, e ela simplesmente não sabia como agir à partir daquele momento.
Ela lembrava-se de ter dançado com o kitsune ruivo que tanto lhe encantara, por curtas horas, e de que saíram para caminhar juntos após isso. Shippöu esmerou-se em cuidados por ela. Levou para o shiro, e ficou no aposento até que ela “dormisse”, deitando-se com ela e acalentando-a em seu peito para fazê-la se acalmar.
Agora o sol já estava prestes a nascer e ela já ouvira as carruagens e as despedidas. E o Kitsune permanecia ao seu lado, deitado na cama, dormindo profundamente.
O seu tempo acabara. Os convidados estavam de partida e Shippöu também teria de ir. Sua jornada para encontrá-lo, e se mostrar a ele como uma nova fêmea acabara antes mesmo de começar, e ela passara todo o resto de seu tempo tentando fugir de seus sentimentos e consequentemente, de Shippöu. E agora ele estava ali, e mesmo assim, ela sentia-se impotente diante da constatação que perdera a oportunidade de finalmente conquistá-lo.
Suas lágrimas rolaram sem que ela percebesse, despertando de maneira amena o Kitsune ruivo.
—Você não conseguiu dormir, não é Souten? Não quer me contar o porquê? –Sussurrou o youkai raposa, ao pé do ouvido de Souten, que virou-se lentamente, surpresa com o fato dele estar acordado.
—Shippöu...?! Eu... Eu tive um pesadelo, apenas isso... Você não precisa...-Souten começou a falar, mas logo foi calada por um beijo caloroso e abrasador de Shippöu.
Souten tentou reagir, mas o kitsune colocou-se sobre ela, segurando seus pulsos acima da altura de sua cabeça, enquanto pressionava seu sexo contra o dela, para fazê-la sentir sua excitação.
—Não me venha com desculpas e mentiras Souten! Você me ama, não é? Veio atrás de mim, para me mostrar o quão encantadora você se tornou, não foi? Como eu poderia resistir à tudo isso? Você era a minha amiga, mas agora, é a fêmea que eu mais desejo... –Shippöu sussurrou entre beijos ainda mais quentes.
—Shippöu... Eu queria te mostrar que me tornei uma fêmea feminina, com todos os requisitos que uma lady tem de ter... Mas... Eu não sou assim... Eu gosto de lutar! Não me vejo esperando meu macho voltar de uma batalha, e sim, indo com ele lutar até a morte se for necessário! Eu não sou a fêmea que você merece ter ao seu lado... Perdoe-me, Shippöu... –Souten disse com sinceridade, olhando nos olhos do raposinho, e vertendo ainda mais lágrimas.
—Bobinha... Você não percebeu?–O Ruivo sorriu.
—Hã?... –A youkai exclamou surpresa.
—Eu sempre gostei de você do jeito que era... Eu a admiro por sua força, e te desejo pelo mesmo motivo... Se você fosse de outro jeito eu jamais me sentiria tão atraído por você... – Shippöu admitiu sorrindo docemente.
—Mas... Porque, não me disse isso antes? –Souten murmurou desconfiada, com as doces palavras dele.
—Porque... Tive medo de você se afastar ainda mais... Na noite em que você fugiu do meu quarto, eu tive certeza de seus sentimentos por mim, mas... Sei o quanto você é orgulhosa Souten. E seu ferisse seu orgulho, mesmo sem querer, isso nos afastaria ainda mais. Por isso, esperei a oportunidade perfeita, para fazer você se abrir para mim... E aqui estamos... Eu não conseguiria ir embora sem ao menos tentar ter você... –Balbuciou o raposinho sorrindo ainda mais encantador.
E diante das palavras dele, a Youkai de olhos cor de sangue, suspirou aliviada. Em um gesto rápido, derrubou o kitsune e subiu sobre ele, tomando a posição que ele exercia anteriormente, com precisão.
—Ahh Shippöu! Eu estou tão feliz... Você não tem ideia do quanto você me faz feliz com estas palavras! Eu... Quero que aceite um presente meu... –A youkai disse sorrindo, antes de levantar-se e ir até a gaveta do criado mudo, pegar uma caixa. Dentro dela um quadro, de madeira emoldurava um desenho feito de maneira simples, com lápis de cor, e retratava o próprio Shippöu, ainda criança.
—Souten isso, é para mim? É muito bonito... –O Kitsune respondeu tocando a imagem, surpreso com o presente.
—Sim... Shippöu eu viajei até aqui, apenas para te dar isso... Eu fiz logo depois que nos despedimos... Eu... Tinha que entregar isto, porque esta imagem sua, me fez ser o que sou hoje... – Murmurou a youkai de cabelos negros, com sua face corada. Shippöu estava surpreso, e em um gesto súbito, e inesperado, beijou Souten de maneira intensa fazendo-a perder o ar, e encará-lo atônita.
—Não acredito que fez tudo isso, por mim... Souten... Eu não sei se mereço possuir uma fêmea tão incrível quanto você, mas juro... Juro pelas memórias de meus pais, que vou compensá-la por toda a sua dedicação para comigo Souten... Eu vou fazer de você a minha fêmea, se me aceitar... –Shippöu sorriu ainda emocionado, enquanto encarava-a mantendo seus rostos muito próximos. Assim que ele terminou de falar, Souten atirou-se sobre ele deitando-o na cama, e cobrindo o com seu corpo.
—Sim, Shippöu... É claro que eu aceito! Você a partir de agora é só meu! –A youkai sorriu triunfante. Mas de súbito, o kitsune refez o movimento anterior dela, e ficou novamente por cima, segurando os braços dela acima na altura da cabeça. A youkai encarou-o assustada com o fato de sequer ver os movimentos dele, e constatar que dessa vez não conseguia sair.
—Sim, Souten... E o melhor disso, é que você, é também só minha... Prometo que serei sempre seu amigo e seu protetor. E vou esmerar-me para ser seu macho e o único, capaz de domar você... –Sussurrou o kitsune ruivo, antes de tomar os lábios de Souten com fúria e paixão, e encontrando em cada gesto dela, reciprocidade.
No aposento de Hokuto, as emoções estavam afloradas. O youkai grifo permanecia estático lembrando-se cuidadosamente das palavras de Emi. O rosto de Hideaki lembrava muito o de Arina, e ele percebera que Satori mentira novamente, ao chamar o filhote de “filhote de grifo”, pois Hideaki nascera um Inu youkai exatamente como sua mãe, o que não era surpresa. Tendo em vista as raças muito diferentes era óbvio que o filhote só poderia puxar um lado.
—Meu filho... –Murmurou finalmente o grifo, sentindo-se extasiado.
Emi chorava copiosamente, nos braços de Kagura, e nada parecia conseguir consolá-la. Ao vê-la naquele estado de total tristeza, Katashi sentiu seu peito queimar de uma maneira que nunca havia sentido. Tentou aproximar-se dela, mas faltou-lhe a coragem de encará-la depois de tudo o que havia feito. Na sua concepção achava que ela precisava de tempo. Deste modo, eles poderiam partir, e após algumas semanas, conversariam em casa, e resolveriam suas pendências de uma maneira mais amena. Mas seus planos foram por água abaixo quando ela novamente se pronunciou.
—Kagura... Por favor... Ainda ontem à noite eu lhe disse que seria sua mãe, não importasse as circunstâncias... Hoje sou eu que lhe peço, para que seja a minha filha... Deixe-me ficar aqui em Meikakuna mun com você, por favor... Eu não tenho mais para onde ir... –Balbuciou ela, com voz embargada.
—Emi, no que depender de mim, pode ficar o tempo que desejar... Mas se Meikakuna mun não puder recebê-la, não se preocupe... Eu vou estar com você, aonde quer que você vá... –Kagura disse de maneira altiva e carinhosa, deixando algumas lágrimas rolarem, em solidariedade à Emi.
—Emi, como general, posso lhe garantir que você ficará o tempo que desejar... E Kagura... Agora sei o porquê de Minara hime, e Kaede, terem tanta consideração e carinho por você. Seu coração e sua honradez, saltam aos olhos e me fazem querer acreditar em dias melhores... –Hokuto afirmou reverenciando respeitosamente à youkai dos ventos, seguido por Inu no Taishou.
O antigo lorde das terras do oeste caminhou até suas fêmeas estavam, e pediu a Izayoi que levasse Satori para seus aposentos pois teria uma conversa definitiva para com ela mais tarde. Enquanto as duas deixavam o aposento, Katashi permanecia perplexo com as palavras de Emi, que lhe feriam de uma maneira nunca antes sentida por ele.
—Emi?! O que está falando? Você vai pra nossa casa, comigo, e está decido! Essa youkai dos ventos só esta dizendo isso para ganhar suas graças e se aproximar de Hideaki! Eu sou seu macho Emi, e você vai me obedecer! –Katashi vociferou, tentando aproximar-se da doce youkai. Entretanto foi impedido por Hokuto, pelo altivo olhar de Kagura e pela determinação de Inu no Taishou que ordenou que o Karasu, mantivesse a calma.
—Katashi, se Emi quer ficar, então é melhor deixá-la em paz, pelo menos por enquanto... –Disse o Inu Dai Youkai seriamente para desespero do Karasu.
—Deixá-la em paz? Ela é minha fêmea marcada! Eu nunca permitirei que ela ouse pensar que pode me abandonar! Emi vai para a casa comigo, e lá resolveremos nossas diferenças, e está decidido! Nem mesmo o lorde das terras do oeste pode contestar minha decisão no que se refere à minha fêmea! Saia da minha frente, seu maldito grifo... Você não vai me impedir de pegar a minha fêmea! –Katashi vociferou ainda mais irritado, conjurando suas Katanas.
Hokuto rosnou mostrando suas presas, prontas para atacar. E apesar da presença de Inu no Taishou os antigos generais, não mais se conteram. Katashi saltou sobre Hokuto que se defendeu como pôde já que não estava armado com sua espada. Apesar da velocidade extrema do Karasu, o youkai grifo esquivou-se e acertou um poderoso soco na face de Katashi.
—Sempre um covarde, não é mesmo, Katashi? Pois saiba que eu vou acabar com você, com ou sem minha espada! –Esbravejou Hokuto, avançando contra o Karasu, não ouvindo, pois os apelos de Inu no Taishou, para que eles parassem.
—Você é que é o covarde aqui! Você não foi macho o suficiente, para manter sua fêmea consigo, e agora quer levar a minha? Vou acabar logo com você, seu amaldiçoado, de uma vez por todas! –Katashi disse com seus olhos estreitados.
Logo após isso desferiu um golpe que prontamente foi evitado, por Hokuto, seguido por outro, dado com a bainha de uma das espadas, que acertou em cheio o rosto do Youkai grifo, abrindo, o supercilho de Hokuto. Emi gritou assustada ao ver o rosto ensanguentado de Hokuto, que não se abalou. Desferiu outro soco no Karasu, que usou as espadas para defender-se, cruzando-as na sua frente. Entretanto as duas armas quebraram por conta da força desferida contra elas, para incredulidade de Katashi. Após isso, Hokuto que agora também tinha as mãos ensanguentadas, usou suas garras para fazer um grande corte no peito do Karasu. O sangue de ambos tingia o chão de mármore de vermelho, mas ambos sequer pensavam em parar a luta. Nada doía mais em Hokuto, do que o fato de ter tido seu filho roubado. Assim como Katashi mal sentia suas feridas, comparadas a dor que o abandono de Emi lhe causava.
—Parem agora! Vocês dois vão se matar! –Disse Inu no Taishou ao perceber que o confronto persistiria mesmo depois que ambos conseguiram se ferir. Decidido a dar fim ao embate, colocou-se entre os dois e usou as bainhas de suas espadas para golpeá-los e jogá-los contra a parede em direções opostas.
Somados aos seus apelos, os gritos de Emi ecoaram pelos corredores, e trouxeram Isamu, Ritorïri e Hideaki, que haviam sido avisados por Izayoi que seus pais estavam em uma importante reunião.
Os três aproximaram-se primeiramente de Emi, pois ela estava mais próxima à porta, sendo amparada por Kagura. Entretanto o cheiro do sangue fez os dois jovens machos procurarem por Katashi que se erguia com dificuldade do outro lado do grande aposento, próximo à porta da varanda. Enquanto Ritorïri também amparava sua sogra, Isamu correu na direção do pai, e Hideaki parou no meio do cômodo, voltando-se para encarar Hokuto, que ainda estava sentado no chão, encarando-o de volta com lágrimas nos olhos.
Sem pensar muito, o jovem Inu youkai caminhou até o grifo, e o ajudou a levantar.
—Por... Porque você... Me ajudou? Você salvou minha vida, durante a guerra... E agora... Você veio me ajudar... Porque? –Hokuto questionou-o emocionado.
—Porque... Porque em uma guerra, salvar os aliados é a prioridade... Meu pai me ensinou isso... E agora, é porque você está machucado, e precisa de minha ajuda... Ser generoso, foi a maior lição que minha mãe, me ensinou... –Hideaki disse sorrindo timidamente.
Diante das palavras dele, o youkai griffo abraçou fortemente, afundando o rosto no ombro de Hideaki que sentia-se estranhamente familiarizado com Hokuto, mas surpreso com o gesto dele.
—Seu cheiro... É muito parecido com o dela... Pelos deuses... Eu passei tantos anos, procurando por esse cheiro... Como pude não me lembrar de quando o senti em você? Como pude não ver o quanto vocês se parecem? A minha Arina estaria orgulhosa de você... –Hokuto disse contritamente, encarando Hideaki que mesmo sem entender o que ele queria dizer, sentiu seu coração apertado.
Katashi observava a cena, enquanto um misto de alívio e amargura invadiam seu coração de maneira quase brutal. Ver seu amado filho, descobrindo a triste verdade de seu nascimento, daquela maneira tão abrupta, era tudo o que ele não queria. Queria poder arrancá-lo dalí, aliás não só ele. O olhar triste de Katashi recaiu sobre Emi, que neste instante, tomada de emoção era amparada por suas noras, e com a ajuda delas, ficava de pé.
—Hideaki... Meu filho... Hokuto... Hokuto é o seu verdadeiro pai... –Disse finalmente Katashi, para surpresa de todos os presentes.
—O que está dizendo meu pai?Como pode ser isso? –Murmurou Hideaki, encarando o Karasu, que olhava para ele com seus olhos marejados.
—Isso não importa Hideaki... Tudo o que você precisa saber é que eu sou seu pai, e que sua mãe, Arina, lhe amava muito... Katashi e Emi criaram você, e te protegeram de tudo aquilo que eles consideravam perigoso. Inclusive eu mesmo... Mas... Eles tinham lá suas razões para fazê-lo... –Hokuto sussurrou chamando a atenção de Hideaki para si.
—Eu amei a sua mãe Hideaki... Arina a prima-irmã de Inu no Taishou, era minha prometida... Mas ela amou outro e tornou-se a fêmea dele... Por isso quando tive a oportunidade, encorajei-a a fugir, e ajudei-a a fugir do seu macho, o general Hokuto... Eu só não esperava que ela fugisse também, de mim, e ainda prenhe, se colocasse em perigo... Eu criei você, como se fosse meu, por que... Em meu coração, você era o filho que Arina, me deu... Eu escondi a verdade de você, e de Emi... Por que... Não queria perdê-los... Perdoe-me, meu filho... –Katashi disse resignado, enquanto lágrimas quentes lhe desciam pela face, surpreendendo ainda mais os presentes.
O silêncio voltou a pesar no ambiente, e neste momento Inu no Taishou caminhou até o Karasu e o reverenciou respeitosamente.
—Você me honra com sua hombridade, general... –Disse o Inu Daí youkai, encorajando Katashi a prosseguir com sua resignação.
—Não sou mais um general... –Murmurou Katashi, soltando-se gentilmente dos braços de Isamu, e caminhando na direção de Emi, antes de continuar.
—Emi... Perdoe-me, por ter te enganado. Eu... Não queria magoar você... Se ficar longe de mim, é o que você deseja... Então... Volte para o Dai Go no Shiro... Isamu e Ritorirï, vão precisar de você por perto, e... Agora... Também Hideaki, Kagura e a criança youkai dela, precisarão de você, mais do que nunca... Eu vou voltar para as montanhas dos Karasu. E respeitarei a sua vontade... –Katashi afirmou contritamente. E em resposta, Emi apenas balançou a cabeça de modo afirmativo, sem sequer olhar na direção onde ele estava.
Hideaki permanecia perplexo, assim como Isamu, e não se atrevia a discutir ou questionar os pais. Assim que o Katashi terminou de falar, o silêncio esmagador voltou a reinar, e Inu no Taishou, caminhou até o Karasu, novamente.
—Venha, meu velho amigo. Eu levarei você até seu destino, e não aceito um não, como resposta... –Disse o Inu dai youkai. Katashi sorriu de volta, e estendeu seu braço sobre o ombro de Inu no Taishou. O antigo lorde, ajustou-o no braço, e com um sorriso melancólico ajudou o Karasu a caminhar para fora do aposento.
Após a porta se fechar, Emi implorou a Isamu que preparasse a partida para casa, de forma imediata, e após a saída dele, ela desculpou-se mais uma vez com Hokuto, antes de ir ao aposento de Kagura, preparar a partida dela, e da pequena Kanna. Ritorirï ficou encarregada de ajudá-la, e logo em seguida procurar Brunhilde e contar o ocorrido, bem como esclarecer a partida antes da hora.
No aposento ficaram Hideaki, Kagura e Hokuto, e enquanto a youkai dos ventos saiu rapidamente para pedir alguma serva para limpar os aposentos de Hokuto, o youkai grifo pode ficar alguns minutos sozinho com Hideaki que permanecia transtornado.
—Hideaki... Sinto muito por tudo isso... Hokuto começou a falar.
—Não precisa sentir nada... Você não teve culpa... Ou será que teve? –Hideaki respondeu rispidamente.
—Não tive... Amei sua mãe, verdadeiramente... Mas ela não acreditou em mim... –Hokuto murmurou.
—Minha vida toda eu quis saber quem eu era... E agora descubro que o meu pai, mentiu para mim a vida toda... Por mais que eu queira fingir que tudo está bem... Não está... –Hideaki disse dando as costas para o youkai grifo.
—Hideaki... Eu acredito em Katashi quando ele diz que não queria te magoar... Por favor... Tente entendê-lo, meu filho... –Hokuto aproximou-se do inu youkai e colocou a mão sobre seu ombro.
—Desculpe Hokuto... Mas... Preciso de tempo para digerir tudo isso... Eu... Verei você na união dos Lordes Inu youkais? –Perguntou Hideaki voltando-se para Hokuto de maneira formal.
—Estarei lá com certeza... Você terá o tempo que quiser Hideaki... Só não esqueça que eu estou aqui, para o que você precisar... E que... Orgulho-me muito de tê-lo como meu filho... –Hokuto disse finalmente antes de reverenciar o Inu Youkai da mesma maneira formal que ele lhe falava.
Após isso, Kagura entrou no aposento, com Kaede e outra serva do shiro.
—Hokuto! O que lhe aconteceu meu querido? Você está sangrando!-Gritou Kaede assustada, ao constatar o estado em que ele se encontrava. Após isso correu para amparar o general grifo.
— Calma Kaede... Eu estou bem... Já estou começando a cicatrizar... –Riu-se o general quando ela o abraçou.
—Eu tentei dizer isso à ela mas, ela não me ouviu... Acho que os sentimentos da velha para com o general a ensurdeceram! –Kagura fez piada, para amenizar os ânimos.
— Olha só quem fala! A amiga traidora que vai embora com o capitão belezoca, e me deixar aqui! –Disse Kaede com suas bochechas coradas, fazendo com que Kagura também ficasse constrangida.
— Ora sua velha! –Kagura disse enervando-se.
—Sua youkai maluca! –Kaede enervou-se, e encarou-a.
Mas logo as duas se abraçaram e começaram a chorar como crianças.
—Eu vou sentir muito a sua faltaaa... –Disse Kaede.
—Também vou... Mas sei que você vai ficar bem! –Kagura Afirmou secando as lágrimas.
—Acho que já está na hora de irmos, Kagura... Minha mãe... Foi enfática quando disse que queria partir imediatamente. –Hideaki disse com cuidado, aproximando-se da youkai dos ventos, e pegando-lhe a mão com delicadeza.
—S...Sim.... Está na hora... General Hokuto.... Por favor, cuide da minha amiga Kaede... E eu Prometo... Que cuidarei de Hideaki... –Balbuciou a youkai dos ventos constrangida, mas de maneira séria.
—Então estamos prometidos... Cuide de meu filho, e eu cuidarei de Kaede com a minha vida... –Disse Hokuto, enquanto a reverenciava de maneira respeitosa, antes de abraçá-la paternalmente.
Após isso, Hideaki e Kagura saíram de aposento de mãos dadas. Enquanto Kaede ajudava Hokuto com seus ferimentos e era informada por ele, sobre a paternidade de Hideaki.
Janis estava de pé junto à janela, e acabara de ler pela terceira vez, a mensagem de Leodora que como líder da sociedade dos oito, a respondera, após ela ter comunicado sua ida em definitivo para as terras do Dai sho no shiro, pertencente ao general Tatsuo e seu irmão, o seu prometido Yashiro.
A hanma morena mandava as felicitações pelo compromisso de Janis e a encorajava a contar para seu prometido, assim que se unissem sobre sua condição como chave do destino. Pois desta maneira, Janis poderia ficar mais segura. Também pedia que a hanma voltasse à meikakuna mun uma vez por ano, justamente no festival da lua de outono, para que elas se mantivessem unidas e seguras, na data em que todas ficavam mais poderosas.
Ao terminar a leitura, Janis suspirou, lembrando-se de todas as aventuras que tivera naquele lugar. Estava absorta em seus pensamentos quando Yashiro aproximou-se dela, e a abraçou pelas costas, aproveitando-se para beijar-lhe a ponta da orelha.
—No que, a fêmea mais linda deste shiro, está pensando? –Sussurrou ele, de maneira carinhosa.
—Humm... Que gostoso esse seu abraço... Não estou pensando em nada demais... Apenas me lembrando das coisas que vivi aqui, neste shiro... –Janis disse voltando um pouco o rosto para beijar rapidamente o youkai dragão, enquanto falava.
—Eu entendo que não deve ser nada fácil para você... Mas quero que você confie em mim Janis... Prometo que vou fazer você muito feliz... –Murmurou o youkai, enquanto virava a hanma de frente para si, aproveitando-se para beijá-la intensamente.
—Ora será que estamos interrompendo algo? Hihihi... –Disse Igraine, ao entrar no aposento subitamente, sendo seguida por Tatsuo.
—Igraine! Você devia ter batido na porta... –Murmurou Tatsuo, ao ver o constrangimento de seu irmão e de sua cunhada.
—Ora, e eu ia perder a oportunidade de deixar o Yashiro sem graça? Nunca! Além disso, vamos ficar algum tempo sem nos vermos... Eu tenho que aproveitar isso! –Riu-se a hanyou loura.
—Ha, muito engraçado Igraine... Mas... O que quer dizer com ficarmos um tempo se nos virmos? Você não vai conosco? –Questionou Yashiro, passando de debochado, à preocupado.
—Eu vou... Mas... Acho que vou ficar um pouco com meus pais primeiro... Daqui há menos de um mês, teremos de reunir novamente para a união da Kagome e da Rin, então eu preferi deixar para ir com vocês depois disso... –Igraine disse com certo desconforto.
—O quê? Mas Tatsuo, você vai deixá-la fazer isso? –Questionou Yashiro surpreso.
—Fui eu que sugeri que ela fizesse isso, Yashiro. Igraine cresceu sem os pais, portanto, nada mais justo que passe algum tempo com eles, antes de se unir à mim, em definitivo. –Tatsuo sorriu para a Hanyou encorajando-a.
—Mas isso é contra as tradições! Todas as youkais prometidas, devem viver sob o mesmo teto do seu senhor, mesmo antes da união, para que aprendam o andamento da casa! –Yashiro disse ainda mais surpreso.
—Andamento da casa? Está querendo me dizer que eu estou indo para o seu shiro para aprender a ser uma empregada doméstica? –Janis proferiu irritada.
—É claro que não! Nós temos servos, mas você deve aprender a comandá-los! –Yashiro respondeu no mesmo tom.
—Ora seu... Como eu pude me envolver com um Youkai tão machista quanto você?! –Janis vociferou.
—Baby, eu não tive a intenção de ser machista! Eu só estou sendo realista! –Yashiro tentou ser mais amável.
—Não me chame de Baby quando estivermos discutindo! – Janis pediu um pouco menos irritada.
—Mas eu não quero discutir, my baby... Você sabe que eu sou louco por você, e jamais aceitaria que você fosse diminuída... Só quero que você seja a minha fêmea e cuide de mim, como eu cuidarei de você! –Yashiro apelou com voz macia.
—AHHH Yashiro! Eu vou cuidar de você, mas NEVER, can you hear me? Never, ouviu bem? Nunca, se atreva a achar que eu vou ser sua escrava! –Janis disse com um pouco menos irritação.
—Claro como água, my cute baby... Eu nunca ia querer isso... A não ser... Na nossa cama... –Murmurou o youkai no ouvido de Janis, para que apenas ela ouvisse, e fez com que ela se corasse inteira.
—Ahh esse é o meu irmão Yashiro, tradicionalista e opressor! Mas parece que com a Janis ele está aprendendo bastante... –Disse Tatsuo para Igraine, enquanto saiam constrangidos e sorrateiramente do aposento para que os dois se acertassem.
—AH sim... Mas eles são tão melosos! Você tem certeza de que vai conseguir suportá-los sozinho Tatsuo? –Igraine perguntou timidamente.
—Vou fazer o possível... Mas vou sentir muito, a sua falta, minha pequena hanyou... –Murmurou o general com carinho, antes de beijar demoradamente a sua prometida.
Não demorou muito para que Isamu, preparasse a viagem e um pouco antes da hora do almoço, a caravana com duas carruagens, partiu para o Dai Go no Shiro.
Na primeira, estavam, Nagato, Isamu e Hideaki. Na segunda, Emi, Ritorirï, Kagura e Kanna. Foi com uma crescente tristeza que Katashi, assistiu, à partida de sua fêmea e filhos.
Logo após isso, Inu no Taishou e suas fêmeas juntamente com Katashi partiam para o Mikadzuki no Shiro, onde Sesshoumaru os aguardava. Inuyasha, Kagome e Rin foram de carruagem para o Dai San no shiro, enquanto Shippöu e Souten foram voando em Köryu.
No início da tarde, Masato desposou Naelle, tendo como testemunhas, Minara e seus pais, Hikaru, Teigure e Claire, Aika, Leodora,Tatsuo, Igraine, Yashiro, Janis e a família de Naelle. A ocasião também foi marcada por despedidas, e Leodora pode desejar toda a felicidade para suas companheiras de longa data, inclusive Minara, que permanecia contrariada com o fato de deixar sua amada terra. Após a união, simples e delicada, exatamente como Naelle queria, foi a vez de Tatsuo e sua caravana partirem.
Igraine sentiu o coração apertado, ao ver Tatsuo partir, junto com Yashiro Janis e as gêmeas Aika e Akane. Mas não demorou muito para que a caravana de Hikaru partisse também levando na primeira carruagem Masato, Teigure e Agláia. Logo atrás deles, vinham Minara Claire, Igraine e Naelle. Hikaru foi à frente das carruagens, montado em seu cavalo youkai Kemono.
O presente de Souten
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