Perdida Na Tempestade
23 Encontros e revelações
Notas iniciais
O dia estava já claro e todos se encontravam na mesa de refeições com exceção de Hikaru. Raijin ficou surpreso quando Kikyou juntou-se a eles. Ela estava linda. Assim que se sentou à mesa, ao lado dele, cumprimentou a todos normalmente, mas só lhe dirigiu um olhar congelante. Kagome olhava para ela com atenção, mas não conseguia dizer com precisão o que estava diferente nela. Mas havia algo. Talvez as roupas, já que Kikyou não fazia o estilo sexy. Estava mais para o despojado clássico. Portanto, um quimono que deixava os ombros parcialmente à mostra, mesmo isento de vulgaridade, não era uma de suas preferências. Talvez o “ar” de superioridade. Ou ainda o olhar frio que vez, por outra, invadia sua expressão serena de sempre. Os demais youkais olhavam para ela com certa reserva, provavelmente por conta de seu estado “civil”.
Sesshoumaru tomava seu chá de ervas, e encarava Rin de maneira discreta enquanto lia e relia o bilhete deixado por Hikaru.
“ Sesshoumaru,
você sempre me disse para não me envolver tanto com os humanos. Eu não o ouvi, antes, e não vou ouvi-lo agora. Eu a amo, e apesar de saber que isso para você significa uma grande perda de tempo, eu vou atrás dela, já que não consigo ficar parado esperando. Cuide de minha irmã eu lhe peço em nome, de nossa amizade que perdura tantos anos.
Sei muito bem que és um macho decidido, que sabe exatamente o que quer. E estou lhe escrevendo isso por que não quero que cometas o mesmo erro que eu. Não a deixe ir, ou pode passar o resto de sua vida se arrependendo. Pode ser, que nem todos nós tenhamos uma segunda chance, então é melhor não contar com ela. Agarre-a com suas mãos e nunca permita que ela se vá. Faça dela, aquilo que você tem de proteger com sua vida, ou sua vida acabará, junto com ela...”
“Hikaru, no Gōrudentaigā (O Tigre dourado).”
Ele não entendia como Hikaru percebera seu dilema com Rin, pois apesar de possuir poderes psíquicos, não era do feitio de Hikaru usar seus poderes, para bisbilhotar a vida alheia. Talvez estivesse sendo óbvio demais. Talvez não fosse preciso nenhum tipo de poder para enxergar que Rin era a fêmea que Sesshoumaru, desejava e precisava. Isso por si só o deixava incomodado. Mas ele tinha de admitir que Hikaru estava certo no que dizia respeito a não deixa-la partir. Sesshoumaru sabia que não suportaria ver Rin com outro macho. Olhou para ela novamente. Rin estava acometida de uma tristeza ainda mais doce. Mas conversava animadamente com Igraine. “Será que sou o motivo de sua tristeza, Rin?” Pensou Sesshoumaru. Lembrou-se da conversa fática de Janken. “quanto maior a mágoa, maior o sentimento por trás”. E não conseguiu segurar um pequeno sorriso. Do outro lado da mesa, Inuyasha observava incrédulo, seu meio irmão youkai, sorrindo! Pensou em dizer algo, mas resolveu procurar o motivo e notou que ele olhava para Rin. O hanyou automaticamente entendeu do que se tratava. Lembrou-se de uma frase que havia lido há alguns anos, assim que assumira o dai san no shiro. Uma carta escrita pela antiga feiticeira, para sua filha, mas que fora completamente destruída deixando apenas uma parte legível, que ele mandara emoldurar e guardar entre seus pertences pessoais, para que nunca se esquecesse daquela lição. O trecho dizia exatamente que a raça humana era a mais perigosa, justamente por ter a capacidade de contaminar quem quer que fosse, com sua esperança ou malícia, amor ou ódio. Estando junto deles, até o mais maligno Youkai poderia facilmente aprender algo benigno e vice e versa. Era exatamente o que estava ocorrendo com Sesshoumaru. Desde que conhecera Rin, ele estava passando por um período de mudança. Já não era tão mal e cruel, para com os humanos. Assim como o próprio Inuyasha, que já não era mais o hanyou egoísta e insensível de outrora. Kagome e Kikyou, eram as responsáveis pelo início desta mudança, mas o próprio povo do vilarejo era o verdadeiro culpado. Foi só depois que se tornou o comandante e protetor daquele povo, que ele realmente encontrou seu lugar.
Sesshoumaru resolveu tomar a palavra.
—Como devem ter percebido, Hikaru não está entre nós. Ele resolveu partir para procurar por Minara sozinho. Embora eu tenha a nítida impressão que ele se precipitou, não há duvidas de que isso nos dará uma vantagem sobre o inimigo. Nós já sabemos que Hayato, está nos espreitando, por que eles querem uma miko. E com Hikaru no encalço deles, eles vão ter mais um inimigo para se preocuparem. Finalmente chegou a hora de planejarmos nosso ataque a eles.
—Mas senhor Sesshoumaru, antes de atacarmos, temos de, primeiro saber onde eles estão. E agora que meu irmão se foi, ficará mais difícil, pelo menos para mim... — Disse Igraine, sendo óbvia, mas realista.
—Nós vamos ter essa localização dentro de poucos dias. É só questão de tempo. Por isso, quanto mais rápido tivermos um plano de ataque, mais rápido vamos poder analisar as informações que nós temos e mais rápido vamos acabar com Mizuki. Quanto a seu irmão, não se preocupe, Hikaru sabe se cuidar muito bem sozinho, ele deixou instruções para que você ficasse sob os meus cuidados até o retorno dele. –Igraine se sentiu reconfortada. Apesar de Hikaru ter partido não tinha se esquecido dela.
—Mas como o senhor tem tanta certeza que teremos essas informações?- perguntou timidamente Rin. Sesshoumaru encarou em silêncio por alguns segundos.
—Foi a própria Minara quem me disse. Ela me apareceu esta madrugada, e contou que uma serva dela conseguiu fugir e está vindo até nós, nos dar as informações que precisamos para tirá-la de lá.
—Hikaru, sabia disso? – Kikyou quis saber.
—Eu acredito que sim. Apesar dele não ter dito nada sobre isso, acho que Minara também apareceu para ele. – Concluiu o Dai youkai. Yukina parecia incomodada, Kagome que estava ao lado dela, percebeu e fez um sinal para Kikyou que ficou intrigada com esse comportamento da youkai. Inuyasha mandou que se retirasse toda a comida e louça postas sobre a mesa, e em seguida levantou-se e fez um sinal com a mão. Neste momento um soldado trouxe um longo rolo de papel e em seguida saiu e fechou a porta atrás de si. O hanyou abriu o rolo de papel com cuidado sobre a mesa. Tratava-se de um grande mapa, com os principais feudos e reinos, onde estavam, marcações com informações sobre os ataques, e vários círculos marcando possíveis esconderijos. Um deles estava sobre uma parte do mapa onde estava escrito “ruínas de Meikakumün”. Mas logo acima havia outra marcação em azul que dizia “já verificado”.
—Essas são regiões que foram atacadas e outras que seriam prováveis esconderijos. Os capitães já verificaram a maioria dos lugares atrás de pistas e informações. Mas como podem ver ainda existem muitos lugares onde eles poderiam estar. – Disse Inuyasha, explicando cada uma das marcas no mapa. Os youkais e as humanas ficaram ainda por um bom tempo, confabulando e pensando na estratégia ideal para cada tipo de ataque.
Longe dali, Ritorirï e Souten, estavam caminhando há horas, completamente perdidas.
—Köryüuu, você vê alguma coisa daí de cimaaa??- perguntava Souten ao dragão que estava voando, para tentar se localizar.
—Simm há muitas árvores e tem também uma caverna lá na frente! – Respondeu o dragão sem nenhuma orientação. Souten bufou de raiva.
—rrrrrrgggghh, mas é claro que está vendo árvores! Estamos em uma maldita floresta e essa é a caverna de onde acabamos de sair, seu idiota! Mas que droga! Parece que estamos mesmo perdidas! E agora? Como vou encontrar o meu Shippou?- Disse a youkai irritada. Ritorirï estranhou a situação.
—Quem é Shippou? – Perguntou a serva curiosa.
—É o macho mais lindo e gentil que eu já vi. Aaai aaiii... -Suspirou a youkai. Köryü que descia nesse momento deu a desculpa de que voaria mais ao sul para ter alguma ideia de onde estavam, apenas para não ouvir pela enésima vez a história de Souten e Shippöu. _Tudo aconteceu há uns sete anos atrás... – e começou ela, a contar sua aventura amorosa, enquanto caminhavam pela floresta. Sem que elas percebessem entraram em uma parte onde a mata era mais fechada e consequentemente mais escura. Quando se deram conta estavam na parte mais inóspita da floresta.
—... E é por isso que estou indo ao dai san no shiro, afinal com todas essas coisas acontecendo eu preciso encontra-lo antes que seja tarde! Ele pode estar ferido, ou precisando de ajuda! Oh pelos deuses! Olhe ao redor! Como foi que viemos para aqui? É melhor sairmos o quanto antes, ou seremos presas fáceis. – Continuou Souten, para desespero de Ritorirï, que finalmente percebera o engano.
—Espere um pouco, você não é general do Lorde Ryotaro?
—Eu? Claro que não! Sou uma fêmea, super feminina, eu nunca seria general! Quem sabe se eu continuasse sendo masculina como eu era... Mas por que pensou isso?
—OH não! Eu estava procurando pelo general do Lorde Ryotaro. Quando a vi com essa espada eu pensei que fosse você! E agora, como vou chegar a tempo no Dai san no shiro? A vida da Hime Minara e do Lorde Ryotaro dependem disso! – Disse a serva youkai desesperada. Souten compreendeu a agonia dela.
—Olha você cometeu um grande erro, tá? Mas não precisa se preocupar. Não sei explicar o porquê, mas gostei muito de você! Além disso, eu sempre quis ajudar a salvar uma Hime! Eu disse que te levaria ao dai san no shiro e VOU LEVÁ-LA, entendeu? Eu não volto atrás com a minha palavra. – Souten a pegou pelos ombros para fazê-la compreender. Ritorirï ficou aliviada. As duas sorriram e começaram a andar na direção da primeira luz que encontraram na esperança de saírem daquele lugar tenebroso. Caminharam por quase uma hora, mas continuavam dentro da parte escura da floresta. E o pior, não havia sequer sinal de Kōryü. Em um repente, um som estranho fez com que as duas parassem. O olfato de Ritorirï detectava a presença de um ser, na direção delas. Souten não se abalou. Pegou sua espada e aprontou-se para uma eventual luta.
—Fique atrás de mim, Ritorirï. O que quer que seja é bem grande! – Concluiu a youkai sentindo a vibração de grandes passos no chão. Um grande Grifo surgiu grasnando do meio das árvores, e com o bater de suas enormes asas brancas, jogou Souten e Ritorirï à cerca de oito metros de onde estavam. Souten conseguiu cair de pé e com um movimento rápido, atacou o animal, mas sua espada sequer conseguiu tocá-lo, já que outro golpe de suas asas a jogaram contra Ritorirï, caindo ambas no chão, lamacento por conta da chuva do dia anterior. O grifo investiu contra elas, mas no momento em que as tocaria, foi parado por um macho youkai que se pôs na frente das jovens fêmeas. Com sua espada reluzente, ele conseguia revidar os ataques do bico do poderoso animal e até mesmo os ataques das garras, que eram poderosos o suficiente para rasgar árvores inteiras, como se fosse papel. Ritorirï estava tão encantada com a visão do lindo macho que sequer reparou no animal. Mas assim que a fera se colocou próxima a ela, Ritorirï reconheceu imediatamente o cheiro dele e se pôs na frente da espada do youkai no momento em que a luta parecia terminada. Souten deu um grito.
—Saia daí Ritorirï! Ela vai devorar você!
—Não vai não, Souten. Ele me conhece! Deve ter sido ele que nos perseguiu ontem. Esse é o animal de estimação da senhora Izanami. Tudo bem Hokuto, você me seguiu? Como conseguiu arrancar aquelas correntes? –A serva virou-se para o grifo e perguntou-lhe com intimidade. O outro macho permanecia observando sem nada dizer, mas com sua espada ainda em punho. O grifo suspirou, e olhou para Ritorirï.
—Animal de estimação? Mas que audácia! Eu sou um de seus maiores guerreiros da senhora Izanami! É claro que fui eu, quem seguiu vocês! Quem mais seria? Eu me soltei sozinho, depois que devorei os guardas. Tenho meus truques, serva. Estava no seu encalço para avisá-la sobre o verdadeiro general. Mas perdi seu rastro, por causa da tempestade. Hoje eu estava procurando por você desde que o dia amanheceu. Mas aí, esse sujeitinho apareceu, e o resto já é de seu conhecimento. –Respondeu-lhe o nobre grifo com fala polida, para espanto de Souten e do outro macho.
— Ai pelos Deuses! Você tem um grifo, que fala! Isso é tão legal! – Vibrou Souten. Em seguida olhou para o outro macho. _E afinal quem é você? – Perguntou ela levantando uma sobrancelha, ao reparar a beleza e a imponência do macho.
— Meu nome é Hikaru, sou o segundo general das terras do oeste. E estava perseguindo você por causa disto. – Disse o youkai, mostrando duas penas brancas. _pelo cheiro e texturas, acredito que são suas. – Continuou ele.
—Está certo, são minhas. Mas o que isso importa?
—Elas têm o cheiro, de outra pessoa. A pessoa que deixou essas penas caírem quando esteve comigo ontem de madrugada. – Disse Hikaru se aproximando do grifo, enquanto estreitava os olhos para ele. Hokuto permanecia em silêncio, mas o olfato de Ritorirï outra vez a pôs em apuros.
—Esse é o cheiro de Minara Hime! – Murmurou a serva sem querer. Hikaru pegou-a pelas mãos.
—Você a conhece? Sabe onde ela está? – perguntou seriamente.
—Mesmo que ela soubesse por que diríamos a você, Hikaru, General das terras do Oeste? – Disse Hokuto impedindo que Ritorirï dissesse mais alguma coisa. No entanto ao ouvir novamente o nome de Hikaru, Ritorirï lembrou-se das palavras de sua amiga enquanto estava sob o efeito do veneno “ Hikaru, e Kikyou vão me salvar...”
—Está tudo bem Hokuto. Hikaru, é esse seu nome, não é? Ela falou seu nome... Eu sou Ritorirï, a serva de Minara Hime. Estou a caminho do Dai san no shiro, para dizer-lhes com precisão onde é o esconderijo de Lady Mizuki e seus comparsas. – Hikaru ficou tão aliviado que sorriu largamente, deixando as duas fêmeas encantadas com sua beleza.
—Você não tem ideia do alívio que sinto ao ouvir essas palavras. – Disse Hikaru pegando-a pelos ombros. Ritorirï sentiu-se muito feliz. E tratou de fazer as apresentações. Assim que soube onde Minara estava presa, Hikaru fez menção em ir busca-la naquela hora mesmo, mas foi impedido por Hokuto, que com sua sabedoria convenceu-o a levar Ritorirï ao dai san no shiro. E só depois ir resgatar Minara.
—Bem então vamos! – Disse o youkai apressado, e levemente contrariado.
—Não, nós temos de encontrar o Kōryü! – Disse Souten já preocupada. Hikaru suspirou levemente irritado, mas acabou por concordar. Hokuto, com sua notável sabedoria, teve outra ideia.
—Espere Ritorirï, vamos fazer o seguinte. Souten e eu vamos procurar por Kōryü, Você e Hikaru vão para o Dai san no shiro, assim ganhamos tempo. Afinal quando encontrarmos o Kōryü, podemos seguir vocês muito mais rapidamente pelo cheiro no ar. Entendeu? – Disse o grande grifo .
—Souten o que você acha? – perguntou Ritorirï não querendo ser ingrata. Souten, no entanto vibrou com a ideia.
—Eu vou, claro! Pensei que nunca fosse permitir que eu voasse em você! – Disse a jovem youkai, já subindo na nobre montaria. Hokuto revirou os olhos, e em seguida levantou voo. Assim que eles partiram Ritorirï aproximou-se de Hikaru timidamente.
—Podemos ir, general. É uma longa caminhada.- Disse a Serva com doçura.
—E quem disse que vamos andar? – Disse o youkai sorrindo de lado. Depois pôs o dedo indicador e o polegar da mão direita na boca, Produzindo um assovio alto. Ritorirï estranhou, mas logo um grandioso cavalo youkai apareceu. Hikaru caminhou até ele e montou com desenvoltura, em seguida aproximou-se e pegou Ritorirï pela cintura e como se ela fosse uma boneca, erguendo-a do solo e a pondo, sentada na parte frontal da cela, na frente dele. A jovem serva ficou impressionada com a força física do youkai, e ficou ainda mais sem graça ao se vir encostada ao peitoral, forte e perfumado dele, sendo circundada pelos braços musculosos daquele belo macho youkai. Hikaru percebeu que mexia com a imaginação da jovem youkai. Mas não teve malícia ao pegá-la por se tratar de uma fêmea jovem, que o lembrava de sua irmã. Apenas sentiu o acelerar do seu coração, e o nervosismo crescente dela. Achou melhor não lhe dar esperanças, e leva-la logo ao seu destino. Puxou a rédea e pôs Kemono para partir a toda velocidade e depois de alguns minutos estavam fora da floresta indo para o dai san no shiro.
Assim que a reunião da manhã acabou, todos foram para seus respectivos quartos. Yukina estava apreensiva. Entrou em seu quarto e trancou a porta atrás de si. Sentia-se sufocada pelas paredes daquele shiro. Tentou se acalmar indo até a varanda, mas nem o ar fresco e úmido, lhe fazia bem. Queria se esconder no escuro. No fundo de algum lugar onde ninguém pudesse encontra-la. Onde a culpa, não iria atormentá-la. Abriu uma gaveta de seu criado mudo e de um fundo falso tirou uma pequena chave. Em seguida caminhou até atrás da grande cama e tateou até encontrar uma fechadura. Ao unir a chave à fechadura uma porta se abriu, na parede lateral esquerda da cama e a youkai entrou apressada sem perceber que uma sombra a seguia. Deu três passos e pôs-se a descer numa escada em espiral na absoluta escuridão. Depois de muitos metros abaixo, chegou à outra porta, que abriu sem dificuldade. Caminhou mais alguns passos e fez um movimento com suas mãos acendendo com sua magia, grandes castiçais, que se encontravam presos ás paredes. Tratava -se de um grande salão no subsolo do shiro, completamente fechado, iluminado apenas por uma janela que ficava a pelo menos três metros do chão, e estava voltada para a parte traseira do Shiro, de frente para os jardins. Yukina caminhou até a parede que ficava abaixo da janela e ficou debaixo da fraca luz de sol que descia dela. Como se quisesse que aquela luz a purificasse. Depois caminhou para frente de encontro às prateleiras repletas de livros e frascos com os mais variados ingredientes, e pegou um livro grande, com uma capa de couro branco. Usou novamente sua magia, dessa vez para acender um imenso caldeirão de bronze, que jazia sobre um fogareiro circular de pedra, cujo acima havia uma espécie de coifa igualmente de pedra, que não permitia que a fumaça gerada, ficasse no local. Assim que o fez, a youkai caminhou até um divã de veludo azul e madeira escura. Deixou-se cair e recostou a cabeça no encosto do móvel, abraçando o livro, enquanto duas lágrimas desciam de seus olhos. Abriu o livro e acariciou as páginas. Uma a uma com todo o carinho.
—Por que, eu tive de ter um destino tão triste? Por que... Por que, eu não pude ser feliz ao teu lado? Eu amei tanto você. E você, quis ficar com ela... Mas eu não consigo te odiar... Eu não consigo odiar você, seu maldito! Maldito, macho, por quem fui me apaixonar... Maldito, Kuro Ookami...
Hokuto, general de meikakumün.
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