Perdida Na Tempestade
48 Capítulo - A dor aguda da inconsequência...
Notas iniciais
O sol havia nascido, e a manhã se erguia, majestosa, como uma premissa do belo dia que viria. Janis espreguiçou-se devagar, acariciando docemente o peitoral definido e inteiramente nu de Yashiro. Sentia a cabeça um pouco pesada e não conseguia raciocinar direito, portanto levou alguns minutos para se dar conta de que estava inteiramente nua, assim como o macho youkai que dormia pesadamente sob seu corpo. Quando finalmente se seu conta do fato, ficou paralisada, vermelha de vergonha, e absolutamente chocada. Não que não se lembrasse, do que fizera. Mas por ter simplesmente feito, sem se dar conta das consequencias.
As roupas de ambos, estavam espalhadas pelo chão. Não se encontravam mais ao relento, em volta da fogueira, e sim, em um suntuoso quarto do shiro, que ela reconheceu como sendo o seu. Yashiro tinha a mão esquerda entrelaçada em seus cabelos, e a direita segurava sua mão livre, deixando-a completamente presa, com seu corpo nu colado ao dele. Depois do choque inicial, Janis tentou se levantar, mas o youkai permaneceu segurando-a com delicadeza embora de maneira bem firme.
_Humm, descanse um pouco, minha linda hanma, de cabelos de sol... -Murmurou o youkai ainda tão inconsciente quanto Janis à alguns minutos.
E exatamente como ela, não demorou muito para que Yashiro se desse conta do que estava ocorrendo. Abriu os olhos e encarou o belo rosto da Hanma que parecia estar apavorada. Instintivamente acariciou-lhe o rosto, como se tentasse, compreender o porquê dela estar tão assustada. Assim como Janis, ele tinha consciência de tudo o que fizeram, embora tivesse certeza de que a bebida havia ajudado em muitos apectos.
Janis contemplou os olhos dele, e por alguns segundos sentiu uma imensa paz. Mas infelizmente o sentimento tão necessário, naquele momento, não permaneceu muito nela.
_O que...? Nós fizemos, o que eu acho que fizemos? — Disse a hanma chorosa, e quase roxa de vergonha.
Yashiro, balançou a cabeça positivamente, ainda agarrado à ela. Janis suspirou pesadamente, sentindo a culpa tomar -lhe por completo. Apesar da situação inusitada, Yashiro, não deixou de sentir a pele quente dos seios da hanma lhe roçando na parte superior do abdome. E essa proximidade com ela, lhe fez ficar visivelmente excitado, e o constrangimento ficou ainda maior. Janis soltou-se das mãos dele, e levantou-se com dificuldade sentindo seu corpo inteiro doer. Sentou-se na cama de costas para o youkai e se enrolou em um dos lençóis observando as roupas caídas e a bagunça no quarto. Yashiro também virou-se, ficando sentado na beira da cama do lado oposto, enquanto passava as mãos pelo rosto, e pelo cabelo, sensualmente bagunçado. Outra prova da noite "agitada" que tivera. Sua cabeça doía, e a boca estava seca, e apesar disto ele puxava pela memória e se lembrava da noite anterior , tentando compreender o que havia lhe acometido, para cometer tamanha loucura. O youkai avistou um chambre que se encontrava jogado de qualquer maneira no chão à sua frente e pegou rapidamente sem sair do lugar e o vestindo de qualquer maneira. Ele conseguia se lembrar de ter bebido. Conseguia se lembrar de terem cantado músicas estranhas e de ter aprendido algumas palavras no maldito idioma esquisito dela. Também se lembrou de tê-la beijado, para provar que não era Gay, e de que havia gostado muito do sabor dela. Tudo o que aconteceu depois, foi por causa daquele beijo. Instintivamente pôs as mãos sobre os lábios, enquanto as lembranças faziam seu corpo esquentar.
_Você se lembra de que nos beijamos? — Perguntou ele, sem se virar para encará-la. A cabeça estava pesada e mexê-la, a fazia latejar.
_Lembro... Você se lembra que me trouxe aqui e do que fizemos depois...? -Perguntou a hanma com os olhos fechados e uma expressão de incômodo no rosto.
_Lembro perfeitamente...
_O que foi que eu fiz?- A hanma levantou-se e pôs-se a recolher suas roupas enquanto as lágrimas de nervosismo caíam de seu rosto.
Yashiro sentiu mal o cheiro de lágrimas. Até seu incrível olfato havia sido afetado. Mesmo assim virou-se para ela porque entendia o motivo de tanto nervosismo. Mesmo assim ele não tivera culpa. Se ao menos naquele momento ele se lembrasse de que ela era uma virgem, teriam evitado todo aquele constrangimento.
_Que porra, Janis! Porque não me lembrou de sua virgindade antes de irmos pra cama?- O youkai esbravejou nervoso.
_Porque eu não costumo sair contando a minha vida sexual quando fico bêbada! Além disso os youkais sentem cheiro de virgens!- Ela se defendeu, tentando argumentar.
_Sentem sim, mas não quando estão bêbados! Eu só me lembrei disso depois... Eu sequer consegui sentir o cheiro do seu sangue! — O youkai levou a mão à testa, visivelmente irritado.
_Ah e agora a culpa de você ter ficado bêbado é minha? -A hanma o questionou.
_E de quem seria?- Rebateu Yashiro com sarcásmo.
_Sua! Se você tivesse aceitado que é um fraco para bebidas isso não tinha acontecido!
_Escute bem Janis, eu não violentei você! Você me provocou, e NÓS DOIS QUISEMOS, ISTO!
_Eu estava bêbada!- Rebateu a hanma. encarando-o finalmente.
_Estava bêbada quando disse, que queria ser minha? Estava bêbada, quando gozou gemendo meu nome? Nós dois estávamos fora dos nossos estados normais, mas mesmo assim NÓS SABÍAMOS O QUE ESTÁVAMOS FAZENDO!- Yashiro esbravejou, pegando-a pelo braço.
_EU SEI! Como eu pude ser tão idiota a ponto de ceder... O que foi que deu em mim, pra ir para a cama com um desconhecido? O que eu vou fazer agora, que me tornei uma desonrada?! — A hanma sentiu todo o peso de seu erro, em sua conciência. O youkai encurtou a distância entre eles, e a abraçou, tomando os lábios de Janis, em um beijo profundo, calmo, e sensual.
_Janis, eu não vou deixá-la sozinha... Nós fomos inconsequentes mas eu não vou fugir de minha resonsabilidade. Vou retornar ao Shiro de meu irmão, e vou levar você secretamente comigo. -Disse yashiro, ainda abraçado com ela, com as testas coladas.
_Como assim? — Perguntou a hanma, confusa.
_Você será a minha amante. Vou lhe providenciar tudo o que lhe for necessário. Você terá tudo o que quiser e precisar... Mas em troca, eu quero seu silêncio... Ninguém deverá saber em hipótese alguma, que eu sou macho...
_Você está me pedindo em casamento?- Disse a hanma levantando os olhos para encará-lo.
_Não... Eu não posso me "casar" com você, e você conhece os motivos! Eu venho de um clã puro... Eu não posso sujar meu legado, me unindo à uma hanma... Mas isso não quer dizer que não ficaremos juntos! Eu não vou desampará-la, Janis... Apenas aceite, e fique comigo... -O youkai pediu sussurrando, enquanto o chão sumia de baixo dos pés de Janis.
_Você quer que eu me torne uma amante? Quer que eu viva escondida, porque você não teria coragem de me assumir, é isso? — A hanma disse soltando-se dos braços de Yashiro.
_Não é isso Janis, por favor, tente entender! Como posso defender o meu clã se sequer escolhi uma fêmea à altura de parir meus herdeiros? Eu nunca esperava me envolver com você... Eu não me arrependo do que fiz, mas não posso fazer de você minha fêmea. Pelo menos não oficialmente! A relação que teremos será igual, à de um casal compromissado, com a diferença de que ninguém poderá saber! -Yashiro tentou explicá-la.
_É mesmo? E o que vai acontecer comigo, quando você encontrar outra fêmea? Sim, porque, um youkai de "sua linhagem" tem de ter uma fêmea oficial uma hora ou outra! — Janis replicou, cada vez com mais mágoa.
_Eu posso lhe prometer que enquanto você viver eu não terei nenhuma outra fêmea... Como você não será marcada, eu pedirei à Yukina uma poção que lhe mantenha jovem, mas você não vai viver mais do que cem anos... -Disse o youkai de maneira apaixonada, como se estivesse lhe prometendo algo, incrivelmente maravilhoso. Janis cerrou os punhos de ódio. As lágrimas voltaram à sua face, desta vez abundantes.
_Como você pode ser tão... Desgraçado?? Ah, mas a culpa é minha! Eu nunca deveria ter cedido... Você não precisa se preocupar, como você mesmo disse, que também quis, e você não tem obrigação nenhuma comigo. — A hanma disse segurando-se para não gritar. Tinha seu coração dilacerado, pela insensibilidade de yashiro.
_Janis, não diga isso... Eu estou lhe oferecendo uma oportunidade única! Você não vê que está jogando fora, aquilo que muitas youkais, mais merecedoras, desejam? — yashiro pegou-a pela mão com um olhar suplicante.
_Fora daqui! FORA DA MINHA VIDA! Eu tenho NOJO DE VOCÊ, NOJOO! FORAA! — Gritou a hanma, depois de acertar um tapa na face de Yashiro, que ficou tão perplexo que apenas segurou a parte atingida com a mão, enquanto seus olhos fuzilavam Janis.
Yashiro só tinha duas opções: revidar e causar um incidente,ou acatar em silêncio e evitar o escândalo. O youkai optou pela segunda. Caminhou até a porta, mas antes de abrí-la, voltou-se e encarou Janis por alguns segundos.
_Então é isso, o que você quer... Adeus, hanma não me dirija a palavra nunca mais, e não ouse contar a ninguém o que houve enter nós... — O youkai disse visivelmente tomado pela ira.
_O que aconteceu aqui, foi um grande erro, e eu não pretendo contar a ninguém o quanto fui idiota! Vou esquecer que essa noite existiu... Vou esquecer que você existe, e realmente não quero vê-lo nunca mais!- Vociferou a hanma com todo o seu orgulho.
_Pelo menos nisso, nós concordamos... -Disse o youkai encarando-a antes de sair e bater a porta.
Quando se viu sozinha, Janis não mais segurou as lágrimas e se deixou cair no chão desesperada. "O que será de mim agora?" pensava ela. Mas com certeza o que mais lhe doía, eram as palavras de Yashiro, embora ela não quisesse admitir, estava completamente envolvida por ele.
Yashiro caminhou rapidamente para chegar ao seu quarto, e foi direto ao banheiro, tirando as roupas e jogando-as no chão. Ele precisava tirar o cheiro de Janis de seu corpo, ou enlouqueceria de desejo. Abriu a torneira e deixou a água fria cair sob seu corpo na banheira. Não se importava da frieza da água. Seria até bom, para lhe acalmar os ânimos. Seus pensamentos giravam ao redor de sua noite e das palavras e gestos, agressivos de Janis. Ele tinha quase certeza de que ela aceitaria viver ao lado dele, e a negativa dela, o fez perder o chão. Mas o que ela queria? Ele nunca poderia tomar uma hanma, como fêmea, mãe de seus herdeiros! Isso lhe seria uma grande desonra. Por mais agradável que lhe fosse a ideia de ter o belo corpo quente dela, ao seu lado todas a noites, se a assumisse, não poderia mais impedir que seu irmão se unisse a uma hanyou. E esta era sua prioridade: cuidar de seu clã. Diante de tais pensamentos e lembranças, Yashiro mergulhou a cabeça na água na esperança de que ela lhe a pagasse as memórias da noite tão deliciosa que tivera.
Agláia acabara de entrar no quarto de Akane, e estava contando-lhe o que havia sucedido à pouco.
_Nossa Agláia, você está mesmo desesperada! O que te deu para tentar algo, tão "agressivo"? — Questionou-a Akane sentando-se na cama, para ouvir o que a sua cumplice tinha a dizer.
_Eu estou mesmo desesperada! Ele e a Minara foram autorizados a viver juntos pelos pais dela, eu ouvi quando Kuro ookami disse que iria avisá-lo! Quanto tempo acha que vai demorar para aquela puta emprenhar do meu Hikaru? E se isso acontecer... Aí sim, eu posso perder as esperanças!- Vociferou com toda sua raiva a youkai loura.
_Adoro quando você, faz essa cara! É sinal de que encontrou uma solução genial... — Akane estreitou os olhos.
_Eu tenho um plano, mas preciso que você me ajude! Eu deixei minha calcinha debaixo do travesseiro de Hikaru. Se eu conheço bem a puta vidente, ela vai acreditar nele, mas vai ficar desconfiada. E é aí que você entra, Akane! Você vai contar a ela sobre a Lily, e sobre as vadias do harém dele lá nas antigas terras de Teigure.
_Mas Agláia, Hikaru não tem mais aquele harém! Ele se desfez dele há muitos anos! — Akane disse sem muita certeza.
_Sim, mas disto ela não precisa saber! Escute bem Akane, nós só vamos plantar as sementes... Eu quero que Minara se morda de ciúmes de Hikaru e vice e versa, assim quando dermos nosso último golpe eles simplesmente se abandonem para sempre! E aí , ela vai estar morta para ele, e ele vai ser TODO MEU... E SÓ MEU!- A youkai loura disse com seu olher obscuro e por alguns segundos até mesmo Akane teve medo dela.
_Está certo! Mas e o Raijin? Você não vai me ajudar a acabar com a vadia humana?
_É claro que vamos! Ela faz parte de nosso plano querida... Eu já sei como podemos fazer o Hikaru se separar da piranha vidente, e o Raijin ficar longe da vagabunda humana! Nós vamos juntá-los!
_O quê? Vamos juntar o Hikaru com o Raijin? -Perguntou Akane de olhos arregalados.
_Não, sua topeira! Vamos nos aproveitar da amizade que a vagabunda da Kikyou tem com o meu Hikaru, e vamos fazer a vadia da Minara, pegar o Hikaru, na cama com a Kikyou... — Disse Agláia com seus olhos acesos, esclarecendo Akane, que sorriu com satisfação.
Inuyasha estava deslumbrado. Como Dai youkai seus poderes e sentidos estavam mais aguçados do que nunca. Um mundo novo se descortinava em sua frente. Seu olfato era capaz de detectar a presença de qualquer ser em qualquer direção, sem que para isso, ele tivesse de levar mais do que alguns segundos. Foi desta maneira que ele percebeu que Koüga estava novamente se aproximando de Kagome. Imediatamente, foi na direção de onde vinha o cheiro, e chegou à tempo de pegá-lo abraçado à humana.
Quando Kagome percebeu Inuyasha, afastou-se rapidamente de Koüga, mas quando foi dirigir-lhe à palavra foi surpreendida por ele que a pegou pelos braços com violência.
_O que você pensa que está fazendo agarrada, à outro macho? É só eu me virar por alguns segundos que você corre para os braços dele?- O novo dai youkai vociferou assustando a humana.
_Inuyasha... Está me machucando!- A humana estava em choque, sem ação por conta do olhar assassino que ele lhe destinava. Olhos tão frios, quanto os de Sesshoumaru. Olhos de um verdadeiro youkai.
_Tire suas mãos imundas de cima dela! O que pensa que está fazendo seu pulguento??- Koüga interferiu, tentando tirar Kagome das mãos de seu agressor.
Inuyasha no entanto desviou-se, empurrou Kagome, jogando-a no chão, e partiu pra cima do youkai lobo do sul, e o confronto, só não foi maior, porque Hikaru e Kagura que haviam acabado de chegar ao corredor, saindo cada um de seu respectivo apodento, se colocaram no meio dos dois e os apartaram.
_Inuyasha? O que há com você? -Hikaru disse, tentando chamá-lo de volta à razão, mas para sua surpresa, Inuyasha, o atacou.
E se não fosse sua velocidade e sua capacidade de ler a mente, ele teria sido atingido. Mas se valendo de seus dons, não só desviou do golpe, como também, conseguiu invadir-lhe a mente e fazê-lo ficar sob seu controle, caindo imediatamente ao chão. Kagome deu um grito assustada, com medo do pior ter acontecido, mas foi tranquilizada por Hikaru, que contou o que havia feito, enquanto se aproximava do youkai para o levar para seu aposento. Koüga se aproximou da Humana, e a levantou do chão, acomodando-a em seus braços até acalmá-la. Por conta dos gritos, Hideaki, que estava no quarto em frente à confusão, resolveu ir até o local para ver do que se tratava.
_Hikaru, o que aconteceu aqui? -O youkai disse ofegante ao chegar ao local e ver Inuyasha sendo carregado, por ele, enquanto Koüga tentava acalmar Kagome que chorava compulsivamente. Seus olhos encontraram novamente os de Kagura, e por alguns segundos ele se permitiu perder-se naqueles olhos.
_Ele se descontrolou... Atacou a Koüga e a Kagome, e eu tive de interferir. -Explicou rapidamente Hikaru.
_Mas como? Inuyasha já havia conseguido controlar sua energia sinistra. E fez isso com perfeição... Porque esse descontrole agora? — Questionou Hideaki, voltando seu olhar para Hikaru.
_Embora tenha aprendido à controlar seu lado maligno, Inuyasha, não é mais um Hanyou... Como dai youkai, vai levar um tempo até que ele controle suas emoções... — Ponderou Kagura e em seguida voltou-se para Kagome.
_Não se preocupe, isso vai passar logo, mas até lá, até que ele esteja sobre controle, novamente, eu recomendo que você evite situações como a de hoje. — A youkai falou seriamente, referindo-se à proximidade dela, e Koüga.
_Mas eu não fiz nada! Eu só tropecei, e o Koüga me ajudou a me levantar! Inuyasha sabe que eu nunca o trairia! — A humana se defendeu limpando as lágrimas.
_Todos nós sabemos seu valor, Kagome, mas é melhor mesmo evitar... Isso vale pra você também, Koüga, tenha a gentileza de evitar confrontos com Inuyasha, até que ele possa respondê-lo à altura. -Hikaru disse dando às costas à todos e indo em direção ao quarto de Inuyasha.
Kagome o seguiu, em silêncio, e Koüga de de ombros e seguiu seu caminho, indo em direção à cozinha. Kagura e Hideaki ficaram a sós. Ele olhando-a curioso. Ela desviando o olhar. Quando ela fez menção em sair, ele a chamou.
_Eu acho que não fomos apresentados... Eu sou Hideaki, o capitão do general Isamu.E você quem é?
_Eu sou Kagura... E sou serviçal neste Shiro. Agora, com sua licença...
_Porque está com tanta pressa? Está fugindo de mim?- Hideaki disse abrindo um belo sorriso.
_E por que eu fugiria? Você não pode me fazer mal algum.
_Talvez... Mas quando vi você ontem, na enfermaria, você parecia muito surpresa em me ver... Como se estivesse muito curiosa... Pode me dizer porquê?
_Eu apenas fiquei curiosa... — A youkai corou, mas manteve a pose orgulhosa.
_Curiosa?Rsrsrsrs... ?- O youkai era puro charme, e seus olhos insistiam em penetrar nos de Kagura, que começava a se incomodar.
_Sim, curiosa em saber o porquê do general Hokuto, estava tão nervoso, a ponto de trombar comigo, na saída da enfermaria. Daí me informaram que se tratava de você.
_É melhor melhorar essa sua resposta, Kagura, meu pai ficou comigo o tempo todo, e ele me disse que Hokuto sequer se deu conta de que eu o ajudei... — Hideaki disse sorrindo de lado, mas com uma ponta de desapontamento na voz.
_Então, seu pai, está lhe mentindo... Pelo que soube, o General Hokuto, foi quem lhe salvou a vida. Se ele não tivesse sido rápido, em levá-lo à Ritorirï, o veneno da espada que lhe atingiu, lhe teria tirado à vida. Depois, quando o levamos à enfermaria, todos foram para seus aposentos, mas o general retornou, logo depois, e ficou ao seu lado, até que você despertasse. Parece que ele e seu pai, não se dão, então quando o seu pai, foi lhe ver le saiu... — A youkai dos ventos, disse-lhe calmamente, contando exatamente tudo o que sabia, pelo que tinha visto, e pelo que tinha ouvido, das demais sacerdotisas, que também ajudaram à Hideaki.
_Você ousa, chamar meu pai de mentiroso? Meu pai, é o general Katashi, um dos mais valorosos guerreiros de Inu no Taishou! Que razão ele teria para mentir para mim? — O youkai disse, estreitando os olhos, para ela, perdendo a expressão calma de antes.
_Isso eu não sei lhe responder... Mas se não acredita em mim, pergunte ao próprio general Hokuto. Ele vai lhe contar a verdade. Agora se me dá licença, eu tenho muitas coisas a fazer... — E dizendo isso a youkai saiu andando apressada, tomando a direção da escada que levava ao andar inferior.
Hideaki deixou que ela se fosse. Estava comenentrado nas palavras dela e buscava entender o motivo de tudo aquilo. Lembrava-se perfeitamente de seu pai, ter -lhe dito, que Hokuto, não havia sequer lhe prestado socorro, que fora ele, Katashi, quem o salvara o levando até uma sacerdotisa. Embora tivesse confiança plena em seu pai, a youkai dos ventos, não parecia estar mentindo, e alguma coisa dentro dele, dizia que ela tinha razão.
Hikaru colocou o youkai sobre a cama, e retirou seu poder fazendo com que ele despertasse, assustado.
_Hikaru? O que aconteceu?
_Você não se lembra? Tente puxar pela memória... — O tigre dourado, arqueou um sobrancelha.
_Lembro me de que estava com Minara, meu pai e os outros, indo tomar o desjejum, quando senti o cheiro do Koüga junto com o da Kagome... Eu fui atrás e os vi abraçados... depois não me lembro direito... Tudo parece nebuloso. — Inuyasha, respondeu com a mão na cabeça, sentando-se na cama.
_Você me atacou! Me atacou sem motivo algum! Eu não estava abraçada com Koüga, eu levei um tropeção e ele me ajudou a me levantar! Como pode achar que eu o trairia? -Kagome disse com as lágrimas rompendo em seu rosto.
_Eu nunca atacaria você Kagome! — Inuyasha tentou se defender.
_Você nos atacou... Koüga, Kagome e a mim... — Hikaru disse, estendendo um lenço à Kagome, antes de continuar.
_Você é um dai youkai agora Inuyasha. Vai ter de aprender a se controlar. Mas nãos e preocupe, Hideaki e eu, vamos ajudá-lo com essa tarefa. Agora e vou deixá-los sozinhos... Mas evitem discussões, as emoções fortes não vão lhe fazer bem. Qualquer coisa que precisarem sabem onde me encontrar. — Hikaru disse, -lhe abrindo um sorriso, reconfortante. Em seguida fez uma reverência à Kagome e saiu.
_ Gome... Me perdoe... Eu não me queria machucá-la, por favor, me desculpe! — Inuyasha disse correndo para abraçá-la. Kagome tentou não ceder, mas queria muito estar nos braços dele.
Ficaram assim unidos, por um tempo até que ele a beijou entre as lágrimas dela. fazendo com que a humana perdesse o ar.
_Eu sei que não foi proposital... Mas eu fiquei com tanto medo... Eu não esperava ver você daquele jeito... Não, de novo...
_Por favor esqueça isso... Eu vou aprender a me controlar como fiz antes, e tudo vai voltar a normal... Eu prometo, Gome!
_Você estava com uma expressão fria... Tão fria quanto o olhar de Sesshoumaru! Eu fiquei assustada... Hikaru vai lhe ajudar, mas talvez... O que acha de nos afastarmos, por enquanto... ? Até que você esteja bem de novo... Assim você pode se consentrar em seu novo treinamento...- O youkai afastou-se da humana, olhando fixamente para ela com seus olhos estreitados.
_Está me dizendo que quer partir novamente?
_Não é isso, Inuyasha... Eu só não quero aconteça novamente! Se eu fosse para o templo que você fez para a Kikyou, você ficaria mais tranquilo e poderia passar por isso com mais facilidade!
_Já entendi... Você está comigo, mas não vai ficar se eu estiver precisando, não é? Faça como quiser, e não se dê ao trabalho de voltar, eu vou encontrar uma fêmea que esteja à minha altura, e que seja minha companheira, tanto nos momentos ruins quanto nos bons.
_Inuyasha, olhe o que está dizendo!? Eu só sugeri, que nos afastássemos, para que você não tenha outra crise! Quer ser imobilizado ou quem sabe ser machucado?
_Eu já ouvi o bastante de você, HUMANA... Fora daqui, antes que eu me aborreça de verdade... -Inuyasha, disse lançando sobre ela um olhar congelante, que a fez perder as forças nas pernas.
Estava chocada, e como consequência caiu sentada no chão, humilhada por cada palavra daquele que havia sido seu melhor amigo, e o amor de sua vida.
Inuyasha, dai youkai, e sua nova personalidade...

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