Perdida Na Tempestade

45 Capítulo -45- Uma longa noite...


Notas iniciais
Olá pessoal, eu estou voltando do pior mês da minha vida. Sei que vcs não têm nada a ver com isso, por isso eço desculpas pela demora, e renovo aqui meu compromisso com vcs e com a fic, que acreditem é muito importante para mim. Bem nesse cap enorme trago algumas novidades e as pontinhas dos nós que ainda terão de serem desfeitos... E então, vamos ao texto?

Hokuto estava surpreso consigo mesmo. Havia respondido à pergunta de Hideaki, apenas por um impulso que ele mesmo não compreendia. O youkai diante dele, era jovem e havia salvo a sua vida, pondo a própria em risco, e ele acreditava que este era o motivo de estar tão mexido com a presença dele. Mas o olhar de Katashi sobre ele, era algo perturbador. Um olhar obscuro e cheio de rancor, lançado sobre Hokuto no momento em que respondera ao chamado de Hideaki pelo pai.

_Pai... O que aconteceu comigo? -Perguntou Hideaki, ainda em estado de confusão por não se lembrar de como havia chegado ali. Katashi ignorou completamente Hokuto e pôs-se a explicar calmamente ao filho tudo o que acontecera.

O youkai grifo acabou por deixá-los a sós, principalmente por perceber que Katashi parecia estar perturbado com mais alguma coisa. No entanto havia um sentimento estranho em seu peito. Algo que ele não havia ainda experimentado, e que ele sequer sabia o que significava. Saiu da saleta e caminhou tão rapidamente e tão absorto em seus pensamentos que acabou trombando com Kagura que retornava à enfermaria com algumas ervas pedidas pelas sacerdotisas.

_Ei, não olha por onde anda? -Questionou ela, ajoelhando-se para pegar as ervas, que jaziam espalhadas pelo chão. Hokuto abaixou-se para ajudá-la a pegá-las.

_Desculpe... Eu realmente não estava olhando...

_Está tudo bem? Precisa de ajuda? -A youkai percebeu o nervosismo nos olhos dele, e mesmo com certa má vontade, tentou ser útil.

_Estou sim, obrigado. Até... — Ele ergueu-se e partiu, não esperou sequer a resposta dela.

Kagura sabia que havia algo errado. Não conhecia o belo macho youkai, mas sabia perfeitamente que todos ali eram aliados, e aquele olhar estava perturbado demais. Caminhou até Kanna e entregou-lhes as ervas, aproveitando-se para obter algumas informações.

_Kanna, você reparou naquele youkai grifo?- a youkai perguntou discretamente.

_Acho que você está se referindo ao General Hokuto... O que tem ele?- Disse a youkai branca, no mesmo tom baixo.

_Ele parecia nervoso... Houve algum problema com ele?

_Não que eu saiba. Ele estava ao lado de um youkai mais jovem que segundo disseram salvou a vida dele, mas acabou gravemente ferido. -Concluiu a youkai branca, separando as ervas.

_Qual deles foi?

_É aquele que está naquela saleta, no fim da enfermaria. Ah, você está com sorte! — A youkai branca levantou os olhos e deu um pequeno sorriso.

_Eu? Porque?- perguntou kagura que a ajudava com as ervas mas estava de costas para a porta da saleta.

_Porque alí está ele! — Respondeu Kanna disfarçadamente, enquanto fazia um sinal com a cabeça para apontar para Hideaki que vinha logo atrás de Katashi. Kagura ficou tão curiosa que virou o corpo, para olhar, sem qualquer disfarce.

E no momento em que fez isso, seus olhos encontraram os de Hideaki. O youkai era belíssimo e muito parecido com Sesshoumaru, mesmo tendo os cabelos em um corte diferente, e os olhos em um tom levemente mais esverdeados. Ele tinha o dorso nu, apenas com algumas faixas na altura do tórax, e leves marcas arrouxeadas que seguiam-se apenas do lado direito do corpo. Era realmente uma visão deliciosa para os olhos da youkai.

Hideaki notou a surpresa nos olhos dela. Notou também que estava sendo admirado de um jeito muito diferente do que estava acostumado. Aquela youkai o olhava inteiramente procurando cada detalhe, e esta atitude dela, o intrigou. Continuou pois, andando sendo auxiliado por Katashi que permaneceu ao seu lado todo o tempo e também notou o olhar intenso de Kagura, mas nada disse. Apenas cuidou de levar seu filho para seus aposentos, pois desejava ardentemente que ele ficasse o menos exposto possível.

Kagura permaneceu perturbada com a visão de Hideaki, mesmo depois que ele saiu. Continuou seu trabalho junto com as demais, até que o último ferido fosse dispensado.

Todos se recolheram à seus devidos aposentos, e no meio da noite o silêncio reinava absoluto no shiro. Mas o sono não havia chegado, para todos, e Sesshoumaru era um exemplo disso. Sentado em sua cama, ele observava Rin adormecida, e a marca que se formara em seu pescoço, findando sua preocupação. Ela havia resistido à marca, e agora pertencia exclusivamente a ele. Suspirou aliviado, e inclinou-se para beijar-lhe a testa. "Você e eu ficaremos juntos para sempre Rin..." Teve seus pensamentos interrompidos, por um leve aroma que rompeu o ar. Levantou-se e vestiu-se com o longo chambre de seda escura, antes de caminhar até a varanda.

_Já era hora, Janken. E então, cumpriu o que lhe determinei?-O lorde youkai disse, sem dirigir o olhar sobre o pequeno youkai que acabava de escalar a varanda de pedras.

_Ssenhor Sessshoumaru, eu fiz exatamente o que me pediu. Despedi as fêmeas de seu harém, e dei a elas o devido pagamento. Contudo... — O pequeno batráquio, ficou desconcertado.

_Conclua, Janken! -Sesshoumaru disse, impaciente.

_Contudo, Kurome... Kurome não aceitou o pagamento... Ela disse que vai aguardá-lo para resolverem suas pendências quando o senhor retornar!

_Como é? Então ela ousa desafiar minhas ordens? Quero ela fora de meu shiro, principalmente agora, que meu pai está de volta!

_O Ssenhor Inu no Taishou está de volta? Mas isso é uma maravilha!-Exclamou alegremente o pequeno, mas calou-se ao ser contemplado pelo olhar congelante de Sesshoumaru.

_Janken, quero que volte lá e expulse Kurome do shiro. Eu não quero vê-la, e não tenho assunto nenhum, à resolver com ela.

_Mas Ssenhor... Ela concordou em ficar na torre das quatro luas. A antiga torre construída pelo ssenhor Inu no Taisshou, para a feiticeira do tempo, nas imediações de vossso shiro.

_Eu sei o que é, e onde fica a torre das quatro luas, Janken! E estou ordenando que você expulse Kurome das Terras do Oeste! Quero que ela retorne à mansão dos Inuzuki, o quanto antes! -O lorde youkai respondeu expressando toda a sua indignação à Janken, que reuniu toda a sua coragem para replicar.

_Ssenhor Sessshoumaru, ela não vai me ouvir... Apesar de ser uma de suas concubinas, ela é uma nobre, e como tal, não me dará ouvidos novamente... Ela insiste que o senhor vá falar com ela pessoalmente. -O lorde youkai suspirou visivelmente irritado.

_Esta certo... Eu vou regressar mais cedo, com a desculpa de que tenho que preparar tudo para a chegada de meu pai, e vou deixar Rin sob os cuidados de Brunhilde. Assim, vou poder cuidar disso com mais tranquilidade. — Ponderou Sesshoumaru olhando o céu estrelado.

_hãa, Ssenhor, Ssessshoumaru, será que eu poderia descansar um pouco? É que eu estou viajando há três dias, e o ssenhor ssabe que Arurun não é lá muito confortável... -O pequeno questionou timidamente.

_Esta certo, pode descansar no meu quarto, e não diga nada sobre esse assunto com ninguém especialmente, o meu pai. -Ponderou o youkai, encostando-se na mureta da varanda para observar o pequeno e próspero vilarejo que se estendia pelo vale.

Janken fez uma reverência e tratou de entrar pela porta da varanda, para dentro do quarto onde estavam, julgando ser aquele o aposento do qual seu mestre havia falado. Ele havia sentido o cheiro de Rin em sesshoumaru, mas não compreendeu a preocupação de seu senhor com seu harém, até vislumbrar a bela humana dormindo calmamente na cama onde alguns minutos antes, sesshoumaru estava aconchegado. Seus olhos ficaram ainda mais arregalados, com a constatação de que Sesshoumaru havia realmente tomado a humana para si. Ele pretendia dizer algo, mas o próprio Lorde o pegou pela gola do quimono, e sem mais nada dizer o despediu, jogando-o do alto da varanda.

Janken caiu até a varanda do quarto abaixo, de onde estava, enquanto Sesshoumaru retornava ao seu leito, ansiando pelo corpo quente de Rin.

O youkai batráquio levantou-se com dificuldade. Procurou por seu cetro de duas cabeças mas ele se encontrava debaixo dos pés de uma youkai de cabelos negros e olhos vermelhos que olhava para ele desconfiada.

_O que faz aqui, pequeno??-Questionou Souten, com uma sobrancelha arqueada. Apesar do cansaço e dos ferimentos leves, estava muto agitada com tudo o que estava sentindo, para conseguir dormir.

_Ahh, Eu... Eu, caí da varanda, quando tentava me equilibrar para descer... Mas não se preocupe eu estou de saída! Ahh mas... Você por acaso, não saberia onde fica o quarto do Sesshour SSessshoumaru, saberia? -Disse ele, disfarçando sua vergonha.

_Sei sim. Fica lá em cima, perto de onde você caiu. Venha eu levo você. -A youkai voltou-se para dentro do quarto e vestiu-se com um penhoar de tecido escuro e encorpado, por cima do quimono fino de dormir que vestia.

_Isso não será necessário, eu posso ir sozinho! Basta que você... -Disse o batráquio, exalando orgulho, mas foi logo cortado por Souten que abriu a porta e saiu andando à frente dele.

_Vamos logo! Eu não tenho a noite toda!- Retrucou a youkai impaciente o olhando de soslaio.

Janken apenas suspirou, era melhor mesmo seguí-la e ir logo para seu descanso, do que passar por mais constrangimentos. Seguiu-a à contragosto, e não fez nenhum esforço para disfarçar isso, imaginando qual a razão dela em ser tão prestativa.

De fato, Souten, tinha suas razões. Sua cabeça fervilhava por conta de suas próprias atitudes, e ela não conseguia compreender o porquê de tudo aquilo. Havia passado os últimos anos, se preparando para reencontrar aquele que ela julgava ser o macho de sua vida e provar a ele que havia se tornado uma verdadeira dama. No entanto, o calor da batalha lhe forjou uma guerreira que lutou implacávelmente ao lado de seus aliados, esquecendo todos os preceitos de "como ser uma lady", aprendidos, ao longo de quase uma década. Agora que a guerra chegava ao fim, ela percebera que havia falhado em seu propósito. O própósito de toda uma vida havia se perdido, naquela guerra.

Subiram as escadas, e chegaram ao corredor principal, mas Souten não deu mais do que cinco passos. Ao perceber que ela se deteve, Janken que vinha logo atrás passou-lhe à frente e observou que ela apontava para uma porta à sua direita.

_Aquele, é o quarto de Sesshoumaru. Eu ajudei uma serva à trazer a comida para eles. Fica bem em frente ao de Rin. — Disse ela em um tom baixo o suficiente para que ele ouvisse. Em seguida a jovem youkai virou-se para a sua esquerda e pôs-se a observar uma porta que estava bem em frente.

Janken deu de ombros com o comportamento dela. Agradeceu-a de qualquer jeito e em seguida encaminhou-se até seu destino. Uma vez lá dentro, fechou a porta atrás de si, e encontrou finalmente o conforto que desejava.

Enquanto isso, Souten caminhava lentamente na direção da porta. Ela sabia perfeitamente que Shippöu estava lá dentro, fora ela mesma quem o ajudara a se acomodar. Lembrou-se da ocasião em que chegou ao Dai San no Shiro e de como estava ansiosa para revê-lo. Lembrou-se de como ficou mexida com a guerra e da conversa com Kagome. Lembrou-se da cada batalha da guerra e de ter lutado bravamente ao lado do Kitsune. Lembrou-se de como mal conseguia olhá-lo nos olhos, na ocasião em que o ajudou a se salvar e a se instalar naquele quarto. Nenhuma palavra trocada, além do necessário. Nenhum gesto além do óbvio. E o olhar triste dele, sobre ela, no momento em que saiu do quarto lhe assombrava até aquela hora da noite, quando por um milagre aquele pequeno youkai lhe aparecia no quarto pedindo ajuda para ir próximo de onde, ela queria estar.

Souten sentia seu peito, inconstante como o mar em fúria. Os sentimentos contraditórios lutavam dentro de si, e tudo o que ela compreendia era que precisava acabar com aquela dor. Quando há muitos sentimentos no coração, às vezes, alguns deles fogem, e se transformam em lágrimas. E as lágrimas desciam solitárias em sua face, e mesmo com as duas mãos sobre a imponente porta de madeira, ela não conseguia bater. Estava impossibilitada de fazê-lo, por ter medo do que ele lhe diria. Um medo tão forte, que sequer deixou que ela notasse que ele havia aberto a porta.

_Souten?? O que aconteceu com você?-Disse Shippöu, Acalentando-a em seus braços. Souten ficou ainda mais perdida com aquele abraço tão caloroso, e tentou em vão, fugir dali.

_Nada! Nada Shippöu, eu estava só pensando em algumas coisas, mas eu já vou indo... -A youkai virou-se mas foi pega pelo braço pelo jovem kitsune.

_Souten, por favor... Podemos conversar um pouco? -Perguntou Shippöu, surpreso com as próprias palavras.

_Conversar? Sobre o que? Não há nada errado Shippöu, eu disse que estou bem... -Mentiu ela limpando os olhos.

_Só quero que você me diga,o que foi que eu fiz a você!-Perguntou ele exasperado, ainda segurando o braço da youkai.

_Você não fez nada Shippöu! O que está dizendo?

_Então porque você está me ignorando? Desde que cheguei, você me evita... Eu sei que tem muitos anos que nos vimos, Souten, mas... Imaginei que fôssemos amigos... -A expressão de sua face mudou de preocupado, para triste.

_Eu não ignorei você, apenas... Apenas estava confusa!-Disse ela, buscando as palavras.

_Por favor Souten, converse comigo... Só um pouco! Se eu lhe fiz algo, me perdoe! Eu não tive e nunce terei a intenção de lhe magoar! Eu... Eu gosto muito de você... Mesmo que seja para me contar sobre você e o Shuhei, eu...

_Contar sobre o que? Shuhei e eu não temos nada! Nós mal nos conhecemos! -A youkai o cortou sutilmente, irritada com a insinuação dele.

_Espera um pouco, você não disse que estava confusa? Se não era por que, estava gostando dele, então... -Shippöu surpreendeu-se com a afirmação dela, e questionou-a curioso, sem realmente se dar conta do que estava havendo.

Souten, ficou sem ação. Estava encurralada, e não havia para onde fugir. As lágrimas voltaram ao seu rosto, enquanto as palavras e a coragem fugiam juntas, para algum lugar ermo em sua mente. Diante da reação dela, tudo começou a fazer sentido para o jovem youkai raposa. Souten tinha raiva de si mesma naquele momento, simplesmente por não conseguir reagir. O Kitsune aproximou-se e tentou abraçá-la novamente, mas desta vez, ela conseguiu fugir.

Em um esforço enorme, a youkai virou-se e correu o mais rápido que pôde, deixando o jovem Shippöu, confuso, e ainda mais intrigado. Ele retornou ao seu aposento e fechou a porta atrás de si, sentindo um estranho sentimento invadir-lhe.

Souten por sua vez, correu para seu quarto, mas antes de alcançá-lo, acabou trombando com Janis que havia acabado de retornar da cozinha com um grande garrafão de vinho escondida sobre o chambre. Com o choque ambas acabaram no chão.

_Ohh Cara! De onde você veio, menina? E o que aconteceu com você?- Perguntou a loura hanma, procurando pelo grande garrafão, que por ser de vidro grosso, não sofreu qualquer dano. Contudo se sensibilizou ao perceber que Souten estava chorando.

_Nada, eu estou ótima... Tenho que ir... — Souten vestiu-se com seu orgulho e respondeu levantando-se depressa.

_Eeii, espera aí! Olha, eu e as demais sacerdotisas, vamos comemorar a vitória... Não vai ser nada demais, apenas vamos beber um pouco e falar sobre os machos youkais lindos que estão aqui hoje. Você não quer vir comigo? Vai ser melhor do que ficar chorando sozinha no quarto! -Janis perguntou tentando ser gentil, apesar de sua sinceridade e franqueza serem marcantes. Souten no entanto se irritou com a constatação dela.

_Não, obrigada e eu não vou ficar chorando sozinha no quarto! Eu sou uma youkai pertencente a um clã tradicional, não tenho tempo a perder com comemorações pequenas, tampouco, com lágrimas. Com licença! -Disse a jovem youkai relâmpago, caminhando rapidamente na direção de seu aposento, sem dar chance alguma de resposta à Janis.

A hanma ficou boquiaberta com a atitude de Souten, mas acabou por nada dizer. Após alguns segundos ajeitou novamente o garrafão por baixo da roupa, e pôs-se de volta ao seu caminho. Deu dois passos e parou, lembrando-se novamente do quanto Souten parecia estar sofrendo quando se esbarraram. A consciência dizia para ir embora , mas seu coração à mandava ir atrás de Souten e pedir lhe desculpas, e quem sabe ajudá-la. Suspirou profundamente e decidiu ouvir o coração. Voltou-se sobre os calcanhares e caminhou na direção que ela fora.

No andar onde estavam não haviam apenas quartos, como boa parte da área social do palácio. A cozinha ficava no andar de baixo, junto com a biblioteca e mais quartos, mas o principal acesso, era feito por aquele andar. Janis caminhava devagar pelos corredores abertos, iluminados por vários lustres de ferro, cristais, e tochas. O vento frio soprava e o silêncio se fazia amedrontador. Apesar de estar acostumada com shiros, aquele em especial, não era muito conhecido por ela, e havia algo estranho no ar. Janis sentia que estava sendo observada. Procurou não demonstrar, fazendo uso de seus treinamentos, para controlar os batimentos cardíacos, bem como as expressões corporais. Sabia que os youkais percebiam isso com facilidade, e desse modo preparavam seus ataques. Após alguns minutos, Janis chegou ao corredor que dava aos quartos. Era um corredor sem saída e a Hanma lamentou não ter seguido sua racionalidade.

Suspirou e preparou-se mentalmente para o possível combate.

_Você já havia me percebido? Estou surpreso mais uma vez. Não imaginei que tivesse competência para tanto...

_Tem sorte. Eu raramente me surpreendo com os seres que conheço... O que você quer? porque estava me seguindo? -Questionou Janis, voltando-se para a voz do macho que ela reconhecera.

_Eu escutei um grande barulho e quando fui ver do que se tratava, vi você, vindo nesta direção. Digamos que eu tenha ficado curioso, com o tipo de serviço que você pretendia oferecer, e a quem o faria... — Riu-se debochado, Yashiro, caminhando calmamente na direção dela.

_Serviço? Ora seu... O que pensa que eu sou? -Indignou-se Janis.

_ O que queria que eu pensasse, vendo você, com roupas de dormir, e uma garrafa de vinho vindo na direção dos aposentos dos capitães, à essa hora da noite? — O youkai cruzou os braços encarando-a com os olhos estreitados.

_Ah... ohh ok,eu não tinha pensado nisso... Mas é que eu estava seguindo uma garota youkai! Ela estava chorando e eu fiquei com pena dela... e ela veio nesta direção! — Janis ficou vermelha de vergonha, mas mesmo assim tentou se explicar.

_ Ah sim, e o vinho era para que ela afogasse as mágoas? kkkkk essa é a desculpa mais ridícula que eu já ouvi! -Gargalhou o youkai pousando a mão na testa. Janis bufou de raiva com o deboche dele, mas enquanto ele ria, ela não pode deixar de notar o quanto seu sorriso era lindo. Recobrou-se e estava pronta para retrucar quando Yashiro parou de sorrir bruscamente e fez uma expressão de estado de alerta.

Antes que Janis dissesse algo, o youkai dragão encurtou a distância entre eles agarrou-a, e saiu pelas enormes janelas, com ela nos braços, em sua forma de energia, indo parar do outro lado do shiro, no interior da grande caverna, próximo às nascentes que davam origem as cachoeiras que escorriam por baixo do castelo.

Janis protestou indignada quando seus pés tocaram novamente o chão.

_Você ficou maluco? Porque me trouxe aqui? Ohh cara, porque não fui logo pra onde as meninas me esperavam?!- Disse ela irritada, segurando a garrafa de vinho.

Yashiro voltou a sua expressão séria e ligeiramente debochada, enquanto respondia a pergunta dela.

_Eu senti o cheiro de Aika. Ela estava se aproximando e eu não queria que ela nos visse juntos e pensasse alguma bobagem... Vamos esperar um pouco e eu levo você de volta... -Ponderou Yashiro e Janis concordou à conta gosto.

Suspirou longamente, compreendendo que seria muito difícil voltar sozinha a seu aposento. Mesmo que ele tivesse feito aquilo apenas por si mesmo, havia de certa forma, polpado-a de fofocas, e Janis sentia que devia pelo menos, dar-lhe um pouco de crédito.

_Está frio aqui... -Disse ela fechando totalmente, o chambre longo de linho azul escuro, por cima de seu conjunto de calcinha e camiseta, da Hello Kitty. Além disso usava apenas sandálias e meias. Yashiro revirou os olhos.

_Melhor fazermos uma fogueira... Pegue aquelas pedras menores alí e faça um círculo com elas. Eu vou pegar algo pra servir de combustível. — Yashiro saiu e voltou em questão de segundos com centenas de galhos e folhas secas, para surpresa de Janis que só havia colocado duas pedras.

_Então, Aika é a sua namorada, certo?-Ela puxou assunto, já que ficar alí no silêncio, era insuportável para ela.

_É claro que não! Aika é uma capitã do meu irmão, assim como eu! Acontece que ela é muito próxima de Tatsuo, se ela nos visse, com certeza contaria a ele, e aí, que moral teria eu para questioná-lo, sobre sua escolhida? Eu não tenho nenhuma "namorada" ou qualquer coisa do gênero!-Disse Yashiro com irritação, ajudando-a, a colocar as pedras ao redor do monte de folhas e galhos.

_Ai, cara, esse papo de novo? Esquece essa história, seu irmão tá feliz com a gatinha dele...

_Você não entende, porque não conhece o nosso clã! Nós pertencemos a um clã tradicional, viemos de uma linhagem pura! E para quê? Para que meu irmão suje nossa linhagem tomando uma hanyou como fêmea! Isso é um absurdo! É como jogar o nosso legado no lixo! — Disse Yashiro exasperado, e por alguns instantes Janis percebeu que ele realmente estava aflito. Mesmo estando errado, Yashiro estava mesmo preocupado com o irmão.

_Mas isso não tem nada a ver! Olha o Inuyasha, por exemplo. Ele era um Hanyou que venceu diversas vezes o irmão, que é um youkai de linhagem como você diz!- Janis disse antes de usar seu poder para acender a pequena fogueira que acabara de ficar pronta.

_São casos diferentes... Inu no Taishou deu a parte mais valiosa de sua herança ao filho bastardo. Se não fosse por isso ele jamais venceria o irmão. -Concluiu Yashiro, enquanto rolava duas pedras maiores para que se sentassem ao redor do fogo.

_Só é diferente por que você quer que seja... Eu conheço bem Inuyasha... Se não fosse por tessaiga, ele teria dado outro jeito de vencer Sesshoumaru! Ele faria qualquer coisa para defender kagome. -Janis disse ao se acomodar sobre a pedra lisa. Em seguida abriu o garrafão de vinho e deu umas boas goladas, no gargalo mesmo, antes de continuar.

_Então você, não tem nenhuma namorada? Nossa, qual o seu problema, não gosta de fêmeas? — Disse Janis, sem deixar que Yashiro a questionasse primeiro.

_Como é? Escuta aqui, menina humana...

_Hanma! -Ela o corrigiu estendendo à garrafa na direção dele que fez cara de desdém e um sinal negativo com a cabeça.

_Que seja! Hanma... Quem você pensa que é, para questionar minha masculinidade?

_Eu não questionei nada, cara! Só perguntei por que acho que um macho como você devia ter uma namorada, se não, é porque você não gosta de fêmea! Mas eu não tenho nada contra isso, muito pelo contrário, eu já tive vários amigos gays! -Janis deu outra boa golada na bebida e fez uma careta antes de tornar a esticar o braço para o youkai, que novamente rejeitou-a.

_Gay??? -Yashiro levantou a sobrancelha surpreso. Logo ele que se julgava tão culto, nunca ouvira aquela palavra.

_Isso! Lá na minha terra quando uma pessoa gosta de outra do mesmo sexo, é chamada de gay. Tipo os machos, que ficam de frescurinhas como, "não vou beber da mesma garrafa que uma hanma" -Explicou Janis, calmamente fazendo sinais com os dedos para designar as áspas.

_Eu não disse que não iria beber! Apenas não bebi por que ia falar! — Defendeu-se ele com medo de estar agindo como um "gay". Pegou a garrafa da mão da jovem e bebeu quase um terço do garrafão, com um só gole.

O líquido entrou queimando na garganta e esquentou até o estômago. Yashiro não tinha o costume de beber, mas reconhecia que o que bebera, não era vinho, mas sim uma bebida mais forte e concentrada. Fez uma careta e olhou para a garrafa antes de olhar para Janis e questioná-la com um sinal de cabeça.

_Eu pensei que fosse vinho.... Mas acho que é wodka... Ou wisky... Sei lá, é uma bebida destilada... Nem sabia que existia isso, aqui! — Disse ela, dando de ombros, já um pouco alterada.

Yashiro por sua vez foi acometido por uma tontura inesperada e ele teve de apertar os olhos para voltar a enxegar. Estava se sentindo alterado, mas não pretendia dizer aquilo à jovem Hanma, ou ela continuaria com aquela história de Gay. Resolveu mudar a situação e começou a provocá-la.

_Ora, ora... Você não vai beber mais? Já está se sentindo mal, a hanma fraquinha?

_Ha, ha... Que engrançadinho você! Me dá aqui que eu vou te ensinar como se bebe!- E dizendo isso deu outra golada generosa. E emendou.

_Então como a gente tava falando... Você precisa arrumar um macho que goste de você de verdade entende? — Janis estava um pouco confusa mas não esqueceu-se de passar a garrafa para o youkai que deu também mais uma boa golada, antes de responder.

_Eu não gosto de machos! Eu gosto de fêmeas... Fêmeas lindas, que sejam atenciosas e cheirosas... — O youkai devolveu a garrafa e Janis repetiu o rital: bebeu uma golada antes de responder.

_Nossa... Essa agora, entrou queimando tudo... Mas então, porque você não arruma uma namorada? Você é um cara bonitão, apesar de meio burro e ter umas atitudes meio gays... Mas é bonitão, e também tem um sorriso lindo... — a Hanma estendeu o braço e o youkai bebeu outra golada antes de responder.

_É você tem razão... Essa entrou queimando, e eu começo a ver as coisas girando rsrsrs... Mas veja só Janis, é Janis?

_É sim... E você é...

_Yashiro... Yashiro Seiryu do clã Narukami. -Disse o youkai levantando-se e fazendo uma reverência à Janis que ria sem parar.

_Oh, man! Ok, my name is, Janis, and i will rock you, baby!

_O que é isso? Você fala engraçado, parece que está enrolando a língua!

_Isso é inglês! A língua oficial do meu país lá na minha era... Eu disse que eu me chamo Janis e eu vou te sacudir, querido! kkkkk -disse ela rindo e balançando os quadris devagar.

Yashiro riu alto e mesmo em meio há toda confusão mental que a bebida lhe causara o simples gestos dos quadris de Janis, o hipnotizaram.

_o problema é que as fêmeas só querem meu irmão, porque ele é mais velho e é o futuro representante do clã, entendeu? E o único modo de se ter uma fêmea de respeito é assumindo um compromisso, ou ainda se eu procurar uma casa especializada no assunto... Mas só youkais sem prestígio fazem isso... Os grandes lordes tem seus haréns... -Disse o youkai dando outra golada antes de continuar.

_haréns? kkk quer dizer que o lorde Sesshh, o lorde Sesshouumaru, tem um harém? E porque você não tem um?

_Acho melhor parar ou vou ficar confuso... Por que estamos bebendo afinal?

_Estamos comemorando eu acho...

_ Comemorando o quê?

_O casamento do seu irmão! ÊEE viva os noivos! — Janis comemorou.

_Nós não estávamos comemorandoo isssso... Estávamos?? Você está tonta? Kkkkk você é muito fraca para bebida!

_Eeuu??Kkkk não sou eu, que estou rindo à toa, sou?

_kkkk está sim!

E ficaram rindo juntos já praticamente embriagados, pelo orgulho.

Notas finais
Gente eu não postei imagem porque estava demorando muito pra carregar e eu vou ter de procurar outra, mas assim que eu achar eu aviso, ok?Espero que tenham gostado, e por favor comentem pois eu realmente preciso saber a opinião de vcs a respeito do cap. Mais uma vez, obrigada e desculpas por tudo pessoal... Até a próxima!