Perdida Na Tempestade
41 Capítulo 41 - Como devia estar...
Notas iniciais
_Você é mesmo uma vergonha Ryotaro! Até sua mãe que era uma simples hanyou lutava melhor do que você! — Provocou Kyuura.
_Não fale de minha mãe... Você nunca a mereceu! Passava mais tempo em guerras fúteis, do que ao lado dela... Ela praticamente me criou sozinha, você nunca estava lá... E quando estava, ela e eu, éramos um assunto secundário!
_Eu criei um império! Era necessário que eu estivesse sempre atento, para protegê-lo de inimigos como Inu no Taishou, que cobiçavam as minhas riquezas! Você foi criado para ser o meu sucessor. Um lorde, tão poderoso que seria temido por todos os outros. E só assim as terras do leste estariam seguras. Mas você sempre foi avesso, às guerras, desde pequeno, só gostava de ficar agarrado à barra da saia de sua mãe! Já dava sinais claros de sua fraqueza.
_O medo nunca manteve ninguém seguro, meu pai! Atitudes honradas, e alianças firmadas, nessa mesma honra, é que podem garantir a paz. O senhor não honrou nossa aliança com Inu no Taishou, e depois de sua morte eu levei séculos para reconstruir nosso reino e a confiança de nossos aliados...
_Está me dizendo que depois de saber que eu fui morto pelos generais de Inu o Taishou você sequer se dignou à me vingar? Quanta desonra... Mas não posso dizer que estou surpreso. Eu devia ter lhe ensinado o que é ser um macho de verdade, mas sua mãe sempre me afastava de você... Ela dizia que você era especial... Imagine o que ela sentiria agora, sabendo que você, além de não respeitar a memória dela, está lutando ao lado do macho responsável pela sua morte?
_Pai, eu já disse milhões de vezes... Inu no Taishou, não matou minha mãe...
_Não insulte a minha inteligência,Ryotaro! Quem mais teria interesse e poder suficiente para invadir meu shiro e atacar minha fêmea e minha cria, enquanto eu estava dopado? Ainda bem que Saori não está viva para ver o que você se tornou... Um macho capaz de se vender, por medo de lutar! Você protegeu o nome do assassino, por que tinha medo de ir a guerra... Você é um fraco!- Sibilou Kyuura, fazendo com que Ryotaro se descontrolasse. Conhecia muito bem o filho e sabia o quanto ele odiava ter sua força colocada em cheque.
_EU NÃO SOU FRACO! — Ryotaro estava perdendo de vez a razão. Partiu para cima de Kyuura e golpeou O demônio de fogo com toda a sua força. Mas por não estar concentrado na luta, acabou sendo derrubado, por Kyuura.
_É sim... Você deixou sua mãe morrer... Você viu o assassino de sua mãe e mesmo assim luta ao lado dele! –Continuou Kyuura preparando-se para o momento em que o Ryotaro desistisse.
_Não meu pai... Por favor acredite em mim... Por favor, pai...Não me obrigue a dizer o que eu não quero... – Disse Ryotaro visivelmente abalado. Aquele assunto era um grande tabu para ele, e Kyuura sentiu ainda mais ódio de Inu no Taishou, por reduzir seu herdeiro, à um macho apavorado.
Aproveitando-se do momento propício, Kyuura usou sua espada para perfurar o ventre de Ryotaro, tomando o cuidado de não perfurar nenhum órgão vital, mas causando um belo estrago. O jovem príncipe, apenas gemeu, com os olhos estatelados, surpreso pelo golpe que veio de seu próprio pai.
_Não se preocupe, filho... Eu vou acabar com ele, por nós três... Sua mãe será vingada e você nunca mais terá medo dele, nem das crias amaldiçoadas dele...
_Pai... Não foi ele... ugh... Não, foi Inu... Inu no Taishou! — Gemeu ele, sentindo o sangue escorrer quente entre seus dedos, que pressionavam o ventre ferido
_Ryotaro, está tudo bem... Você nunca mais precisará se lembrar daquele dia... -Kyuura afastou-se dando as costas ao filho que jazia ferido no chão.
Ryotaro não tinha mais condições de lutar. Não só pelo ferimento grave por onde perdia boa parte de seu sangue, mas pelo seu cansaço emocional. Estava exausto de tudo aquilo. Exausto de lutar pela vida. Seus olhos se fecharam, e ele decidiu que não aguentava mais. "Ei, você não vai fazer isso!" Uma voz que ele conhecia bem o fez abrir os olhos. Mas não havia ninguém ali perto. Fechou novamente os olhos violetas, imaginando estar delirando. "Eu já disse, para não fazer isso! Levante-se Ryotaro!"
_Mi... Minara? Você veio me buscar? — O youkai murmurou convencido de que estava morrendo.
"Não Ryotaro, ainda não é a sua hora... Levante-se... Hora de dizer a verdade... E se libertar..."
As doces palavras, foram ouvidas claramente pelo youkai. Ele não a via, ela ainda estava nos céus lutando, mas tinha certeza de que ela, de alguma forma, estava falando com ele. Encorajado por essa certeza, Ryotaro levantou-se mais uma vez, e usando sua forma de energia, atravessou novamente o caminho de seu pai.
_Foi você... Pai! -O belo youkai encarou Kyuura deixando as lágrimas caírem. Em seguida cerrou seus olhos violetas para não ver a expressão de seu pai. A dor em seu corpo era enorme, mas a dor em seu peito era maior.
Kyuura já estava pronto para atacá-lo novamente. Ao ouvir as palavras dele, no entanto, deteve-se inconscientemente. Embora não acreditasse, havia algo nelas, que o fizeram ficar arrepiado.
_ ... Pare... Você não vai me deter com mentiras... — O demônio de fogo, finalmente disse depois de alguns instantes.
_Foi você... Você matou, minha mãe... — Repetiu Ryotaro, ainda segurando o ventre ferido, e chorando sem reservas. Estava cansado de ser forte.
_EU, nunca faria isso! EU NÃO MATARIA Saori... Eu estava sob o efeito de um sonífero, como eu poderia fazer algo a ela? — E nesse Momento, foi Kyuura quem perdeu a razão.
_Você estava sob o efeito de um soro... Aquele maldito soro que você acreditava que lhe faria mais forte... O elixir precioso, que o príncipe dos shiro Hebi, nossos aliados, lhe deu como prova de confiança...
_Pare com essas mentiras! O que Shigeko me deu, foi roubado, no mesmo dia que mataram sua mãe! E quase mataram você, e mesmo assim você sempre protegeu o maldito assassino! Eu nunca quis força-lo a dizer nada por que as provas eram obvias, e, além disso, eu sei que isso sempre foi um trauma para você.
_Não, pai... Você tomou o elixir... Por que queria saber o que ele faria com o senhor... Mas algo saiu errado, e o senhor perdeu o controle... Eu lutei o quanto pude, mas não tive coragem de mata-lo... Como consequência, o senhor matou minha mãe... Ela se pôs na minha frente quando o senhor ia me matar... Depois disso, o senhor caiu, em um sono profundo, e eu tive que sepultá-la... Eu dei ordens para que ninguém dissesse nada sobre o que aconteceu, e inventei o roubo do tal elixir precioso, para arrumar um culpado, porque sabia que se o senhor soubesse a verdade... Eu o perderia também...
_Isso é mentira... DIGA QUE ISSO É MENTIRA! –Vociferou em desespero, o demônio de fogo agarrando Ryotaro pelo pescoço.
_Ele diz a verdade, Lorde Kyuura... Eu mesmo ajudei a destruir as provas que o incriminavam. O príncipe Ryotaro, quis assim, para poupá-lo, do desgosto. Foi por isso que não apoiei o senhor quando decidiu atacar o Lorde Inu no Taishou... – Kyo, aproximou-se e contou o que sabia, deixando o lorde youkai ainda mais desesperado.
_Não... Isso não pode se verdade! Não..... Nãaaaaaaaaaoooo... Não... – O demônio de fogo soltou Ryotaro e caiu de joelhos, segurando a cabeça com as mãos, transtornado, em completo desespero.
Em meio a toda aquela dor, de saber que fora responsável pela morte de sua fêmea, lembrou-se das inúmeras vezes que Ryotaro, o implorara, para não continuar com aquela guerra contra Inu no Taishou, chamada por ele, de “guerra sem propósito”. Quantas vezes ele o precaviu sobre Shigeko e sua "aliança". Ele próprio julgou o filho, como fraco e perturbado, e por esse motivo, ele o repeliu, o menosprezou, durante todos os últimos anos de sua vida. E tudo o que fizera, foi trazer-lhe mais sofrimento, àquele que tudo fez para polpá-lo.
_Ryotaro...
_Você não precisa dizer nada meu pai... Antes de morrer, minha mãe me fez prometer que o perdoaria... Mas acho que sou eu que tenho de pedir perdão... Eu não quis enganá-lo meu pai... Mas... Tive medo de perdê-lo... Perdõe-me... — Disse Ryotaro lutando para manter a consciência.
O demônio de fogo apenas encarou o filho. Ele fora o culpado, pela péssima vida que ambos tiveram, e não fora apenas por ter sido o responsável pela morte de Saori, mas por ter desprezado seu filho e tê-lo subestimado, destruindo a relação dos dois, que por conta de sua completa insensibilidade, já era, muito distante. Para ele Saori, era a única coisa que os unia. Mas agora era óbvio que não. O coração amoroso da Hanyou Saori, fora a herança mais preciosa que ela deixara ao mundo. E este tesouro batia no peito de Ryotaro. A cena reconfortante foi interrompida por um grito abafado, vindo dos céus. Mais precisamente da barreira do tempo criada por Minara, onde ela e seus aliados lutavam contra Orochi.
_Minara... Ela está chorando? Eu preciso ajuda-la... – Disse Ryotaro tentando inutilmente se levantar.
_Não se preocupe filho, nós vamos ajuda-la... Mas primeiro, você tem de descansar. Kyo, leve-o daqui e cuide dele.
_Mas meu Lorde, o que senhor pretende fazer? Devo lembra-lo que também está extremamente ferido, e que isso, pode causar-lhes muitos problemas.
_Eu lhe dei uma ordem Kyo, e ainda sou o seu senhor, portanto apenas obedeça... — Respondeu secamente, Kyuura, dando às costas a ambos e indo na direção de Shigeko.
Kyo, compreendeu então, que finalmente era chegada a hora da tão sonhada vingança do Senhor das terras do leste. E desta vez, ela seria justa. Voltou sua atenção novamente para Ryotaro, que além de ferido fisicamente, tinha também a alma partida. Aproximou-se do príncipe, e ergueu-o no ar com certa dificuldade, pois não pretendia contrair muito a ferida e provocar mais sangramentos. Quando se preparava para ir, sentiu algo espetar seu ombro, que ficou quase que imediatamente paralizado. Abaixou novamente o corpo de Ryotaro, que já se encontrava semi consciente, pela quantidade de sangue perdida. Ao analisar o ombro, retirou uma pena branca.
_Maldito... Yuu, apareça e lute comigo! — Disse Kyo, já sabendo de quem se tratava. O youkai pavão, saltou sobre ele e o atacou usando seu leque de pontas afiadas como navalhas. Kyo conseguiu se defender mesmo usando apenas um braço.
_Kyo, você realmente me impressiona! Agora seja bonzinho e deixe me levar Ryotaro, ou vou acabar com você como devia ter feito, quando invadimos Meikaku mün!
_Levar Ryotaro?
_Digamos que esse é um assunto pessoal, para mim... — O youkai pavão, colocou seu leque metálico, no rosto revelando apenas seu olhar sombrio. Kyo ficou surpreso, ao perceber que se tratava de um assunto sexual.
_Não vou permitir que o leve! Que tipo de criatura abusaria de um ser, a ponto de morrer? Você me enoja, Yuu ! -Kyo deixou transparecer toda a sua revolta, e mesmo com apenas um braço conseguiu atingir o youkai pavão atirando-o longe.
Mas Yuu, não se deu por vencido. Abriu suas asas, a partiu para cima de Kyo atirando suas penas envenenadas, enquanto girava no ar. Kyo, era veloz o suficiente para defender-se de todas elas, mas ele não tinha muito tempo. A cada segundo que passava, Ryotaro perdia mais e mais sangue, e naquele rítmo seria cada vez mais difícil salvá-lo. O youkai pavão percebeu que ele tinha pressa, por isso continuou lançando suas penas de modo que Kyo, não conseguisse parar de se defender, pois se o fizesse, seria atingido.
Ao perceber que Ryotaro e Kyo, estavam em dificuldades, Kara, a sacerdotisa de Meikaku mün, usou sua força física espantosa, para chegar perto e ajudá-los. Conseguiu arrancar do chão e atirar uma enorma pedra, que acertou o youkai pavão, e o devolveu ao chão.
_Kyo, leve o lorde Ryotaro, para junto das outras! As mikos podem ajudá-lo! Eu vou distraí-lo!
_Não, Kara! Você não é páreo para ele! Saía daí! Saíaa! — Gritou o general do leste, pois graças ao tempo que passara em Meikaku mün, como mestre de Minara, conhecia bem a capacidade de cada sacerdotisa. Apesar da enorme força, Kara não era tão experiente.
Yuu, foi pego de surpresa, mas não demorou a contra-atacar Kara.
_Sua vadiazinha, eu vou matar você bem devagar! — Vociferou o youkai pavão, lançando seu mortífero ataque. A youkai repeliu os pimeiros golpes, mas como a velocidade de Yuu era muito superior a sua, acabou sendo atingida repetidamente. Caída ao chão, sem conseguir se mover por conta dos muitos golpes, a youkai agonizava enquanto yuu prepara-se para dar-lhe o golpe final.
Quando ergueu seu leque fechado pronto para afundá-lo nas entranhas da youkai, um raio vermelho o atingiu, carbonizando-o quase que imediatamente. Onde ele se encontrava uma enorme cratera se abriu, e do meio dela, apareceu Shuhei, para alívio de Kyo, que já se encontrava com seu lado esquerdo inteiro paralizado. O lobo vermelho caminhou até a sacerdotisa e ergueu-a do chão sem qualquer cerimônia.
_Espere... O lorde Ryotaro... E o Kyo! Eles foram feridos... Precisa levá-los primeiro... -A jovem youkai disse tentando desvencilhar-se dos braços de Shuhei.
_Não se preocupe com eles, Yuko vai levá-los... — Respondeu o youkai, apontando Yuko, que usou sua forma de energia, para levar Kyo e Ryotaro, até as Mikos.
A sacerdotisa ficou impressionada com a força de ambos. Tudo o que sobrara do orgulhoso Yuu, era um cadáver retorcido e coberto de cinzas. Shuhei caminhou com ela até a caverna, com todo o cuidado, como se levasse um bebê. Kara, estava desconcertada com a atitude do capitão, especialmente quando se deu conta de que ele tinha o peito descoberto. Shuhei por sua vez, apenas sorria, ao perceber que o coração da fêmea, batia alterado. Sentia-se ligeiramente lisongeado, embora tivesse certeza de que ela estava mais assustada do que encantada consigo.
Dentro da caverna, Aika observava os seres ao redor. A serva Youkai Ritirirï, e as Humanas Rin e Kagome usavam seus poderes de cura e seus conhecimentos em medicina e farmacologia, para ajudar os feridos. Eram auxiliadas pela Hanma Janis, mesmo ferida, pelas sacerdotisas de Meikaku mün, Hildra, Misty e Sigfrieda, e por Yukina, e apesar de estarem exaustas, continuavam usando seus poderes para curar todos que precisassem. E haviam muitos feridos. Centenas de fêmeas, filhotes, e machos, Youkais, hanyous e alguns humanos, que estavam presos nas masmorras, e não puderam escapar dos túneis por conta da furiosa tempestade. Além deles, Kikyou e Igraine estavam gravemente feridas. Hideaki continuava ardendo em febre, por conta do veneno da espada de Shigeko, embora milagrosamente, a ferida tenha sido contida. Akane, tinha uma queimadura na altura das costelas, tão profunda, que os ossos estavam expostos. Shippöu também tinha queimaduras por todo o corpo, e uma perna estava quebrada. Masato, tivera sua asa quebrada por Orochi, e assim como Agláia, havia sido envenenado por uma pena de Yuu. Koryü também havia sido atingido por um golpe de Orochi, e agonizava no chão, com Souten ao seu lado, para não permitir que nenhum soldado o ferisse. Kazuyia e Nagato, estavam mais à frente dela, protegendo a entrada da caverna. Do lado de fora, Inu no Taishou e seus generais travavam o último embate. Enquanto Kyuura ouvia do próprio Shigeko, que fora manipulado para lutar contra Inu no Taishou e se tudo tivesse dado certo, ser acusado pela morte do Lorde das terras do Oeste. Desta maneira, Shigeko assumiria os dois maiores reinos, sem levar a culpa pela morte de nenhum dos lordes.
Aika também sentia muitas dores, mas confiava que sua capacidade de cura acelerada, pudesse acabar com elas. Foi até a entrada dos túneis e apanhou alguns galhos secos. Em seguida caminhou até a parte mais funda dos túneis, quase na porta dos calabouços que agora se encontravam cobertos de pedras. Estava começando a fazer muito frio, e a humidade causada pela tempestade, só piorava as coisas. Arrumou com cuidado os galhos e com seu poder fez uma pequena fogueira.
_Aproximem-se venham se esquentar. -Disse a youkai timidamente.
Aos poucos, a multidão se aglomerou ao redor da pequena fogueira e como estavam muito próximos começaram a se aquecer. A cena era algo tão incomum que arrepiava até o mais bravio dos Youkais: Humanos, Hanyous e youkais, juntos, rezando e aquecendo uns aos outros, sem qualquer distinção. Apesar de estarem tão debilitados, havia esperança em seus olhos. Apenas por saberem que a princesa estava viva. O coração de Aika batia forte, e as lágrimas desceram de sua face. Pela primeira vez, não sentiu pena de si mesma, e sim uma imensa vontade de viver. Aqueles seres, não possuiam nada, além das próprias vidas, mas não perdiam a esperança de dias melhores. Seus pensamentos, foram interrompidos, por um olhar que pendia sobre si. Uma pequena hanyou de olhos azuis tão claros quanto o céu da primavera. Ela estava nos braços de uma Youkai, que possuía os mesmo olhos, mas se encontrava muito debilitada. Aproximou-se de ambas, e notou que elas tremiam, possivelmente pelo frio.
_Você... precisa de alguma coisa?
_Estou com frio... E a mamãe precisa comer... Ela não come há muito tempo... Está fraca... — balbuciou a pequena, que aparentava apenas quatro ou cinco anos humanos. Aika se lembrou da fartura em que vivia. E sentiu vergonha de todas as vezes que chorou por não ser a favorita de seus pais, enquanto tantos seres passavam por todo o tipo de provação de cabeça erguida.
Seu poder de fogo, sempre fora mais fraco do que o de Akane. Ela não possuía a força, e nem a beleza da irmã. Sempre treinara sozinha, e todos sempre a trataram como uma perdedora. E de quem era a culpa? Era dela mesma... Fora ela quem permitira e dera aos outros o poder de julgá-la. Se tivesse no lugar daqueles seres que foram ultrajados, humilhados e subjugados por Mizuki, ela com certeza não teria resistido. Algo dentro de Aika, subitamente acordou. Ela estava cansada de ser fraca. Ela estava cansada de sofrer e de chorar pelas humilhações que sofria. Estava cansada de ser a vítima. Sem perceber sua energia sinistra aumentou e irradiou em seu corpo. Após alguns instantes, o poder cresceu dentro dela e ela não compreendeu o porque, mas ao seu redor o fogo fazia crescer plantas de todas as espécies. Sentiu tanto calor, que teve de arrancar a capa que vestia. Todos estavam surpresos, mas ao contrário dela que não sabia o que acontecia, eles sorriam.
_Você tem o poder de fogo mais precioso, e mais raro. A chama da vida... Capaz de fazer a vida crescer nos lugares mais inóspitos... -Disse Hildrah que a observava de longe e em seguida se aproximou dela, para esclarecê-la.
_Chama da vida? Eu... Tenho esse poder?
_Era por isso, que seu poder de chama não era tão forte. O fogo em geral apenas destrói. Você faz mais do que isso. Você traz a vida através do poder verdadeiro do fogo. — Continuou a doce sacerdotisa.
Ainda abraçada com sua capa, Aika olhou para a pequena hanyou com seus olhos de céu, e sem pestanejar usou o tecido para cobrí-la.
_Fique bem quietinha aqui, com sua mamãe, ok? Eu vou buscar comida pra vocês. -Disse a youkai sorrindo. Seu rosto estava lívido e exposto, e ela não mais se importava com sua aparência ou com as comparações com Akane. Levantou-se e se dirigiu à entrada da caverna no momento em que Yuko, chegava trazendo Ryotaro e Kyo. Correu para ajudá-los e os colocou no chão. Yukina também veio seguida de Ritorirï.
_Pelos Deuses! Lorde Ryotaro! Que barbaridade fizeram com o senhor! — Disse Ritorirï, levando as mãos ao rosto apavorada, pelo estado de Ryotaro.
_Eu vou tentar curá-lo, mas ele perdeu muito sangue, vai ser muito difícil- concluiu Yukina com um tom de desespero.
"Hora de testar do que eu sou capaz". Pensou a youkai.
_Deixe-me tentar! — Disse Aika, tomando a frente. Impôs as mãos sobre a ferida de Ryotaro, e em alguns segundos o corpo do youkai começou a pegar fogo.
_Não! Aika, você ficou louca? Vai matá-lo! -Yukina a empurrou fazendo com que Ryotaro votasse ao normal. Mas para sua surpresa, ele abriu os olhos e voltou a si.
_Onde... Onde está meu pai? O que aconteceu com ele? — Questionou o lorde youkai sentando-se. Yukina fez um gesto para impedí-lo, mas quando levou a mão ao ferimento, não havia mais nada apenas uma leve cicatriz, quase como um arranhão.
O próprio Ryotaro observou surpreso, o desaparecimento de sua enorme ferida.
_Parece que eu lhe devo desculpas, Aika. — Disse a feiticeira, surpresa.
_Está tudo bem Yukina, eu mesma não sabia que podia fazer isso. Agora, se me dão licença eu tenho de ir ajudar os cativos. — E dizendo isso levantou-se. Antes de ficar de pé, no entanto teve seu pulso detido pelo próprio Ryotaro.
_Obrigado... Eu não sei o seu nome, mas sei que salvou minha vida... -Disse o youkai encarando aquela misteriosa youkai de pele branca como porcelana, olhos violetas como os seus, e longos cabelos negros que deciam pelas suas costas como um manto.
Yuko estava ainda mais surpreso por vê-la daquela maneira. Apesar de ter o mesmo cheiro, era óbvio que ela não era a mesma fêmea tímida que fora lutar ao seu lado.
Shuhei e Kara.

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