Perdida Na Tempestade

17 Capítulo 17-Inacreditável força...


Notas iniciais
Olá a todos desculpa a demora, mas enfim aqui estamos obrigados a todos que favoritaram e mandaram seus comentários! Vamos ao texto...

Hikaru estava acuado. Mesmo tendo Tatsuo ao seu lado, elas não se sentiam intimidadas e não havia como escapar. Sem opções, o general respirou fundo e resolveu enfrentá-las dignamente.

—Certo, vocês venceram! Nós vamos responder tudo o que quiserem saber, mas, uma pergunta de cada vez, está bem? – Disse ele fazendo com que as duas jovens fêmeas se calassem e sorrissem contentes.

Os dois generais acompanhavam Igraine e Rin em uma das varandas do shiro, enquanto tomavam chá e amenizavam a situação constrangedora e surpreendente que haviam presenciado anteriormente.

Diante da situação desconhecida e misteriosa ao qual Kikyou, estava inserida, as duas jovens queriam saber tudo o que podiam à respeito das marcas. E este era um assunto delicado e constrangedor para os generais, tendo em vista que era considerado como algo muito íntimo, que não deveria ser conversado entre machos e fêmeas que não pertencessem à mesma família. Mas considerando as circunstâncias, as convenções teriam de ser postas de lado para que as jovens não seguissem inseguras ou ignorantes quanto à tal assunto.

—Obrigada, irmãozão... Eu estou tão feliz que você está aqui para me explicar isso! Foi bizarro sentir o cheiro da Kikyou mudando... — A hanyo loura agradeceu sinceramente, ainda impressionada com o que havia presenciado.

—Eu imagino a sua surpresa, Igraine. A mudança dos cheiros ocorre sempre que uma fêmea é marcada. Isso acontece porque a marca causa uma mudança fisiológica. O cheiro da fêmea se funde ao de seu macho quase que automaticamente. Essa é apenas uma das muitas mudanças físicas que podem ocorrer após a marcação. -Hikaru foi empático para com a hanyou, e buscou ser claro e conciso.

—Muitas mudanças? O que exatamente muda?-Rin questionou curiosa.

—Bem, sendo uma fêmea humana, as mudanças são mais drásticas. Como Hikaru mencionou, a fisiologia da fêmea muda após a marca. E ambos passam a compartilhar certos aspectos físicos, poderes e até mesmo sentimentos. Eu não sei muito sobre a fisiologia dos humanos, mas pelo que sei, as humanas marcadas param de envelhecer na velocidade normal de sua raça. -Tatsuo respondeu enquanto sorvia seu chá.

— Então, isso é possível? Um humano pode viver tanto quanto um youkai? Isso é incrível! É por este motivo que os youkais marcam as fêmeas?- Perguntou Rin, surpresa com a informação.

—Sim, desde que a fêmea humana sobreviva à marca. Este é apenas um dos motivos. Marcar sua fêmea é uma questão territorial e prática. A marca cria um elo físico e psíquico entre o macho e sua fêmea. Por exemplo, através da marca, o casal pode compartilhar sentimentos e informações íntimas como quando a fêmea se sente acuada, triste ou insatisfeita. Além disso, dentro de nossas leis, as marcas são uma prova definitiva da legitimidade da relação. A fêmea marcada, pertence ao youkai que a marcou. Se outro youkai se aproximar dela, e a tocar, o outro youkai, dono da fêmea marcada, tem o direito de matá-lo. Por outro lado, a marca também pode matar a fêmea em caso de traição ou ruptura emocional. – Respondeu Hikaru, esforçando-se para se fazer entender.

—... Matar? Bem, isso é bastante problemático... Mas isso quer dizer que a Kikyou, agora é casada com o general Raijin, não é?- Concluiu Igraine, ainda um pouco confusa.

—É mais ou menos isso. Nós youkais temos nossos próprios ritos para as uniões. Nós presenteamos nossas fêmeas com uma joia especial, quando nos comprometemos. Após isso, há uma cerimônia, e depois que a união é consumada, faz-se a marca. – Resumiu Hikaru.

—Que tipo de joia? – Questionou Rin ainda curiosa.

—Um colar, feito com materiais nobres que representem a imponência de cada clã. Cada macho youkai confecciona o seu próprio, com algo que pertence a ele em sua verdadeira forma. Pode ser uma pena ou uma garra em alguns casos, uma presa, ou um chifre. Depende do tipo de youkai e do costume de cada clã. No caso do meu, por exemplo, quando um macho chega a certa idade, ele deve arrancar as escamas que cobrem o coração. Isso simboliza que ele deixará seu coração sempre aberto para sua prometida. Então na noite do meu quinquagésimo aniversário, eu tomei minha verdadeira forma, e arranquei algumas das minhas escamas da parte frontal do meu peito. Depois elas foram polidas e parcialmente banhadas em ouro pelo ourives do meu clã que confeccionou a joia. -Tatsuo respondeu calmamente.

— Nossa... Isso é impressionante, Tatsuo! Aposto que sua joia deve ser lindíssima! -Igraine exclamou surpresa e Rin concordou.

—Bem, eu espero que ela agrade a minha prometida. Mas falando esteticamente, o ourives de meu clã é muito habilidoso e conhecido por seu trabalho impecável. O ouro foi muito bem trabalhado e ele merece todo o crédito. -Tatsuo admitiu, com modéstia.

—Eu não tenho dúvidas quanto ao trabalho com o ouro. Mas acredito que a beleza dessa joia, venha do fato de terem as escamas de seu peito nela. Você teve um propósito tão bonito, e tão tocante! É impossível para qualquer fêmea não se sentir encantada com um gesto assim... -A hanyo loura explicou sentindo seu rosto enrubescer levemente.

—Eu fico feliz que você pense desse modo. A sua sensibilidade também me é admirável, Igraine. Me sinto honrado em ter a sua amizade. -O general dragão sorriu gentilmente e a hanyo loura retribuiu com a mesma cortesia.

A troca de sorrisos só durou alguns segundos, mas foi o suficiente para que Hikaru disfarçasse com um sorriso discreto a ideia que lhe acometeu. Rin por sua vez continuou com as perguntas, embora também percebesse que havia algo "sutilmente estranho" acontecendo entre o general dragão e sua amiga hanyo.

—Existe algum jeito de retirar a marca?-Perguntou Rin, interessada.

—Não, só a morte da fêmea retira a marca. É por isso que se deve ter muita certeza antes de marcar ou permitir ser marcada. É algo que será para a vida toda. Em geral, os machos youkais podem ter quantas fêmeas quiserem. Mas somente as marcadas podem gerar filhos legítimos. – Responde o tigre dourado, seriamente. Igraine torceu o nariz.

—Mas eu não vou admitir que o meu macho tenha outra fêmea além de mim! Isso é muito injusto! –Disse ela, cruzando os braços á frente do corpo nitidamente irritada.

Hikaru sorriu. Apesar de ser tão jovem, sua irmãzinha tinha a mesma personalidade forte de seu pai.

Nesse instante Sesshoumaru, que havia saído em busca de mais informações, a respeito dos ataques, regressava ao shiro. Logo ao entrar sentiu um cheiro diferente, e pediu a Janken que fosse procurar por Rin. O pequeno youkai correu direto ao quarto dela, mas, não a encontrou. Porém, quando retornava pelo corredor, ouviu vozes sorridentes e entre elas a voz da jovem. O pequenino caminhou lentamente aproximando-se da varanda para tentar ouvir o que diziam sem ser notado.

"Mas o que a menina Rin está fazendo em companhia dos generais Hikaru e Tatsuo?"- Pensou o pequeno e preocupado youkai escondendo-se o mais discretamente possível.

—Bem, algumas fêmeas não veem problemas com isso, Igraine. Embora monogamia seja o mais comum, alguns youkais vivem a poligamia como algo inerente à seus clãs. -Tatsuo revelou.

—Eu não duvido disso. Existem youkais de muitas espécies diferentes. E até mesmo humanos que escolhem viver desta maneira. Mas eu concordo com você Igraine, eu também ficaria muito incomodada em ter que dividir o amor de alguém. Mas voltando ao assunto das marcas... Foi por isso que Inuyasha sempre foi tratado como um bastardo? Porque o senhor Inu no taishou não marcou a mãe dele? -Rin questionou com discrição, pois sabia que se tratava de um assunto delicado.

Os generais se entre olharam por alguns segundos antes que Hikaru tomasse a palavra.

—Naquela época, as terras do oeste passavam por um grande problema político. Éramos um reino rico e em constante expansão que chamava a atenção do mundo ao nosso redor. Isso despertou a ambição de muitos clãs poderosos não só inimigos, como aliados. Tais clãs, usavam o tradicionalismo e as "leis youkais antigas" como desculpa para tentarem desmoralizar o lorde Inu no Taishou e assim enfraquecê-lo politicamente. Mesmo tendo como sua lady uma dai youkai igualmente poderosa, Inu no Taishou e seus generais precisavam lutar constantemente contra essas leis, que nada mais eram do que um conjunto de baboseiras preconceituosas contra humanos e hanyous. Foi por isso que ele viu com bons olhos a relação de nosso pai, com nossa mãe Claire. E mesmo que eles tenham tido apoio do próprio lorde, da lady e de seus principais generais, nossos pais passaram por maus bocados até que a relação fosse finalmente aceita pela nobreza do reino. Por sua vez, quando o lorde conheceu a princesa Izayoi, foi arrebatador para ambos. Eles tinham laços profundos desde o início e isso era inegável, para todos que os conheciam. Era uma questão de tempo até que ele a marcasse. Mas infelizmente, nem eles, nem os nossos pais, puderam aproveitar a família que tanto lutaram para ter... -Hikaru concluiu com sua voz embargada.

Rin baixou seus olhos, sentindo um nó em sua garganta que quase a impedia de respirar. Igraine por sua vez, deixou que as lágrimas rolassem por seu rosto.

—O amor... É um sentimento poderoso, não é? Nós não o conhecemos como os humanos... Mas pelo pouco que eu sei dele, ele não tem meio termo... Ou ele te salva, ou te destrói... -Tatsuo murmurou sem muita certeza tentando consolar a hanyou.

— Não, meu amigo... O amor nunca destrói, Tatsuo. O que nos destrói é nosso próprio egoísmo e medo de enfrentar nossas falhas e falsas perspectivas. Porque o amor demanda coragem e esperança, e isso nunca é fácil... Mas sim ele é um sentimento poderoso e invencível... Capaz de mover montanhas e de suportar séculos de solidão. Lamento Igraine e Rin... Eu não queria deixar vocês tristes com isso. -Replicou gentilmente Hikaru.

—Mas irmãozão, eu não estou triste. Eu estou feliz em saber que eu fui tão esperada e amada. Mesmo que nossos pais não tenham sobrevivido, nós estamos aqui. O amor deles, venceu! -A hanyou falou enquanto secava suas lágrimas.

—Sim... E olhe para o general Inuyasha e Kagome, e também o general Raijin e Kikyou. A coragem deles, foi imensa. E o amor deles também precisará de todo o nosso apoio para florescer. Eu terei muito orgulho em defender com a minha vida, esses amores, e também todos aqueles que virão depois. -Tatsuo falou com convicção e admiração.

—Eu também irei! Se há algo pelo qual eu lutarei até o fim dos meus dias, será pelo amor. E eu sei que seremos vencedores. Não importa o que nos atinja eu vou lutar pelo amor! -Rin se pronunciou convicta e emocionada, sentindo o próprio peito quase transbordar o amor que sentia por Sesshoumaru.

— Eeuuu também vou, Rin! Juntas, nós vamos conseguir! Nós podemos mudar o mundo! — Igraine disse em voz alta absolutamente empolgada. Arrancando sorrisos dos demais da mesa.

Diante da cena, Janken, imaginou que seria a hora perfeita para ir contar o que ouvira à Sesshoumaru. Assim que o pequeno se afastou, Hikaru deu seu último gole no chá de especiarias que ele sorvia. O youkai tigre sabia perfeitamente que o pequeno mordomo os espionava. Decidiu discretamente que procurar Sesshoumaru assim que fosse possível, para esclarecer os fatos, embora não fosse do feitio do senhor das terras do oeste, mandar seu criado pessoal, para uma tarefa, que ele sabidamente não conseguiria cumprir. Hikaru conhecia bem o velho amigo, e estava ciente que Sesshoumaru era um excelente estrategista. Ele jamais cometeria um erro tão crasso à menos que algo estivesse lhe impedindo de agir racionalmente...

— Irmãozão, se não se importa que eu diga... Já falamos sobre o passado, mas o que acontecerá no futuro? Digo, quando salvarmos Minara? – Igraine, questionou olhando para o general, com compaixão.

—Bem, acredito que Meikakunamun seja reconstruído e reintegrado ao reino das terras do oeste. Minara assumirá o trono que é dela por direito. E esse será um enorme feito para o reinado de Sesshoumaru, tendo em vista que as feiticeiras do tempo ainda são temidas e respeitadas. A vitória nesta guerra poderá significar a consolidação das terras do oeste em seu esplendor. -Hikaru explicou racionalmente.

—Bem... Eu fico feliz com isso, mas, acho que você não entendeu o que eu quis dizer! Sabe, quando estávamos na batalha com a Mizuki? Pelo que disseram na reunião, quando você a Minara se reencontraram, ficou muito nítido para todos que os laços que unem vocês são muito fortes. Então, quando tudo isso acabar, vocês vão poder ficar juntos para sempre, não é? – Disse a Hanyou loura com alegria e ingenuidade. Hikaru, no entanto apesar de surpreso, disfarçou o máximo que pode o seu desconforto.

—Sinto muito Igraine, eu queria que tudo fosse assim tão simples... -Hikaru suspirou pesadamente escolhendo as palavras.

—O que quer dizer com isso, irmãozão? -A loura questionou curiosa.

—Depois de tudo que aconteceu, eu... Eu mudei... E mudei muito. E ela também deve ter mudado. Eu ouso dizer que depois de todos esses anos, nós dois somos completos estranhos um ao outro. Ainda há muito a ser explicado... Além disso, Minara estava prometida a outro youkai. Com o seu retorno ela deverá cumprir este acordo, então provavelmente, depois que for salva, ela irá partir de novo, para cumprir esse voto. — O tigre dourado disfarçou a amargura crescente em suas palavras.

—Prometida? Mas, ela era uma criança! -Igraine murmurou surpresa.

—Ela tinha pouco mais de 12 anos antes da tragédia acontecer. Quando completou essa idade, ela recebeu uma marca falsa, feita pela mãe dela. – Disse o Youkai se levantando para servir-se de mais um pouco de chá e evitando os olhares descrentes dos demais na mesa.

Rin e Igraine ficaram chocadas com o que ouviram.

—Uma marca falsa? Mas por que fizeram isso a ela?- Perguntou Rin, assustada com o fato. Hikaru não demonstrava, mas estava terrivelmente desconfortável com o assunto.

—Foi para o bem dela. Minara não tinha poderes, mas era herdeira da grande Izanami, e princesa do shiro de Lua Clara. Eles tinham de protegê-la de eventuais problemas com outros pretendentes. Além disso a marca desaceleraria o envelhecimento natural dela. Como vocês devem saber, para os youkais a infância vai até os 70 ou 80 anos e a adolescência até os 300 ou 400 anos. Dessa forma Minara teria mais tempo com seus pais antes que o youkai dono da marca exigisse a presença de sua prometida. Foi o mais sensato a fazer por ela, admito, embora eu mesmo, tenha sido contra. – Disse o Youkai tigre ainda lutando para manter a racionalidade.

Igraine ficou horrorizada, não só com o fato da marca em si, mas com a insensibilidade dos pais, em não permitir que a filha escolhesse seu próprio futuro.

—Espera um pouco! Quer dizer que eu... AINDA SOU UM BEBÊ? -A hanyou loura questionou, chorosa e confusa.

—Sim, mas é claro que é! Você é o bebezão do seu irmãozão. E será pelos próximos 50 anos... Nada de compromissos ou flertes para você, mocinha! Hahaha...-Riu-se Hikaru divertido, finalmente amenizando suas próprias feições e sentimentos.

A hanyou encarou-o completamente confusa depois voltou seu olhar para o general Tatsuo e ambos ficaram imediatamente vermelhos, nitidamente encabulados com a insinuação.

—General Hikaru.. Eu.. Hã... Eu não queria... -Tatsuo balbuciou ainda buscando as palavras.

Hikaru riu abertamente da situação por alguns instantes antes de se pronunciar novamente.

—Eu estou brincando, Igraine... Você foi criada pelos humanos, então é lógico que você não se encaixa nessa situação. É verdade que você ainda vai ser minha bebê pelo resto da sua vida, mas muito longe de mim, proibir você de viver o seu laço... Tatsuo, relaxe, você não está cometendo nenhum crime. -Hikaru sorriu de volta ao amigo que suspirou pesadamente, aliviado.

Rin permanecia em silêncio deliberando sobres o terríveis pensamentos que lhe acometiam fazendo com que seu coração quase parasse.

—Por favor, general Hikaru, me diga! Quem era esse pretendente?- Perguntou a humana tentando inutilmente disfarçar sua angustia.

Hikaru a encarou com ternura, por alguns segundos, compreendendo o porquê daquele coraçãozinho ter disparado tão de repente. Mas logo um pensamento lhe acometeu fazendo erguer-se repentinamente.

— É isso! Como nós fomos esquecer disso? Senhorita Rin, você acaba de desvendar uma parte importante de todo esse mistério! -Disse O tigre dourado com empolgação.

—E-eu? Acho que não estou entendendo... -Rin murmurou confusa.

—Eu também não consegui acompanhar seu raciocínio, Hikaru. O que nós esquecemos? -Tatsuo perguntou com seriedade.

— O youkai pássaro de fogo que levou Minara depois do ataque! Tudo faz sentido agora! O macho para quem Minara foi marcada, era um príncipe de uma terra vizinha. Ninguém menos que o herdeiro do trono das terras do Leste. Foi o pai dele, Kyuura que nos atacou no dia da tragédia e foi morto pelo nosso pai, Igraine. Nós estávamos pensando que Kyuura havia descoberto uma maneira de voltar dos mortos, mas não era ele, e sim o prometido de Minara, usando a armadura e aparência do pai! -Hikaru concluiu.

—Então, o desgraçado também estava envolvido com o ataque ao shiro? Mas porque o general Susanoo omitiu essa informação? -Tatsuo questionou surpreso.

—Ele não estava no ataque. Até onde eu sei, o General Susanoo, foi enfático em inocentar o príncipe herdeiro das terras do leste. Mesmo após o ataque, a lady e os generais de Inu no Taishou, ainda mantiveram a aliança de paz alegando que a insanidade de Kyuura, não se estendia ao filho dele. De fato, mantivemos os acordos de paz e cooperação desde aquela época. Mas é inegável que ele esteve em posse de Minara todos esses anos. -O tigre dourado disse entre os dentes, disfarçando mal, seu ódio ao proferir tais palavras.

—Temos que reportar isso ao lorde Sesshoumaru imediatamente. -Tatsuo ergueu-se da mesa.

—Sim, temos. Mas acho que seria melhor se a senhorita Rin fosse pessoalmente cumprir essa tarefa. Afinal foi a observação dela que nos levou a tal constatação. Além disso, Igraine e eu não estamos totalmente recuperados ainda. Agora mesmo sinto que preciso me recompor... Por isso, gostaria de pedir a você general Tatsuo, que acompanhe minha irmãzinha até seu aposento, para que ela possa descansar apropriadamente. Eu estarei em meus aposentos se precisarem de mim. -Hikaru falou polidamente depositando um beijo carinhoso na testa de Igraine que abraçou o irmão em retribuição.

—E-eu? Mas... General Hikaru! -Rin tentou protestar, mas Hikaru calou-a com um delicado beijo em suas mãos e seu mais doce sorriso.

—Senhorita Rin, acredite em mim, não há ninguém neste shiro, mais capacitado para esta tarefa do que a senhorita. Obrigado, por me proporcionar uma tarde tão prazerosa e nos ajudar a desvendar tudo isso. Por favor, transmita também ao lorde Sesshoumaru as minhas lembranças. General Tatsuo e minha querida irmã, obrigado igualmente. Nos encontraremos novamente no jantar. — O tigre dourado reverenciou aos demais antes de sair apressado em direção ao seu aposento.

Rin acompanhou com os olhos o tigre dourado sumir pelos corredores. Apesar da aparência encantadora e da personalidade gentil, havia algo obscuro naquele youkai. Talvez fossem os traumas do passado, ou ainda a crescente melancolia que insistia em pairar sobre seus olhos. E por alguns instantes Rin, sentiu pena dele. Por mais que ele negasse, encontrar Minara depois de todos aqueles anos, havia sido um duro golpe.

A jovem miko ainda estava tomada por tais pensamentos quando pôs-se a despedir de sua amiga e do general e partir igualmente apressada e cumprir a tarefa ao qual fora incumbida.

Após a saída de Rin e Hikaru, o general dragão estendeu seu braço para apoiar a hanyou loura no caminho até o aposento dela.

—Acho que nossa conversa fez muito mal ao meu irmão... -Murmurou Igraine cabisbaixa, após alguns passos dados em total silêncio.

—E quem pode culpá-lo por isso? Qualquer outra pessoa que tivesse passado o que ele passou, teria certamente enlouquecido. Mas o general é mais forte do que se imagina. Além disso, eu conheço Hikaru desde que assumi o cargo de general. Ele foi o responsável pelo meu treinamento e desde então somos amigos próximos. Eu nunca o havia visto rir e brincar como hoje. -Tatsuo contou displicentemente.

— O que você quer dizer? Meu irmão, não sorria antes? -Igraine questionou surpresa.

—Por mais gentil que Hikaru fosse, sempre houve uma tristeza palpável quase que como uma nuvem escura sobre ele, que o impedia de ver a luz do sol. Desde que você chegou Igraine, essa nuvem parece estar se dissipando. Mas confesso que o encontro dele com a Minara foi algo extremo para ambos. Não sei até que ponto estar perto dela fará bem ou mal à ambos... -Tatsuo observou com sutileza e preocupação.

A hanyou assentiu com a cabeça e ambos seguiram conversando, até os aposentos dela.

A jovem miko havia descido até o térreo do shiro em busca do lorde youkai, mas quando chegara à entrada, soubera por uma serva que o lorde estava se banhando, pois havia chegado há pouco.

Um tanto quanto desanimada Rin decidiu esperar um pouco, antes de ir até o aposento do Lorde, pois temia incomodá-lo. A miko então saiu pela entrada lateral do jardim e pôs-se a caminhar distraidamente, pensando em toda a sua situação. Lembrou-se de Kikyou e imaginou se ela estava feliz em estar com Raijin. Quem sabe ela mesma, algum dia, pudesse estar naquela mesma situação com o youkai que amava?

“Não... o Senhor Sesshoumaru é muito diferente do general Raijin. Ele não deve ser visto com uma humana.” Pensou ela recordando das palavras de Janken. Apesar de animada, a moça lembrou da situação em que Inu no Taishou e Izayoi foram vítimas e vislumbrando essa óptica, compreendeu as palavras de Janken. Como lorde das terras do Oeste, Sesshoumaru precisaria de uma lady que estivesse à sua altura ou, provavelmente seria igualmente atacado.

Chateada com tais pensamento, baixou a cabeça e fechou os olhos e imaginando estar sozinha se permitiu chorar.

As lágrimas desciam abundantes enquanto a jovem seguia absorta naquelas duras palavras.

“Um youkai na posição do senhor Sessshoumaru, não pode ser visto como uma reles fêmea humana!”

Subitamente seu coração começou a doer. Não uma dor, emocional, mas sim física e lacerante. Quanto mais Rin tentava se acostumar com a ideia de que Sesshoumaru deveria ter outra pessoa, mais seu peito doía.

Em pouco tempo ela mal podia respirar. Seus olhos ficaram esbranquiçados e sua visão turva. O ar fugiu de seus pulmões enquanto ela lutava para manter o controle sobre seus sentimentos. Sua mente divagava sobre rostos de jovens mulheres que ela não conhecia, mas que lhe pareciam estranhamente familiares.

"Você é o nosso coração... Mantenha-se firme! Todas somos uma... Todas somos imortalidade..."

As mulheres diziam em uníssono.

—RIN! Acorde, Rin... Fale comigo! -Uma voz conhecida e extremamente preocupada, ordenou.

Rin sentiu como seu corpo fosse puxado e ela tivesse caído de um precipício. Quando abriu seus olhos no entanto, estava nos braços de Sesshoumaru.

—Sen... Senhor Sesshoumaru... O que foi que... -Rin murmurou ainda sem entender.

—Você não se lembra? Você estava chorando... Eu senti o cheiro de suas lágrimas e quando cheguei aqui, você não me ouvia ou via. O que houve com você Rin? Quem ousou te machucar? -Sesshoumaru questionou tomado pela ira.

Rin olhou vagarosamente para cima e encontrou os olhos de Sesshoumaru, que já não tinham a mesma placidez de sempre. Um misto de raiva e preocupação estampava a face do youkai. E isso era ainda mais adorável nele. Os rostos estavam próximos. Tão próximos que só de contemplar a boca de Rin, Sesshoumaru, sentia uma vontade incontrolável de tomá-la. Algo tão poderoso que se assemelhava a uma necessidade física. Ele tinha sede de Rin. Foram apenas alguns instantes, mas Rin não queria que eles terminassem nunca. Sua respiração estava pesada, por conta do susto, mas ficou quase arfante por conta da excitação sentida por ela, com a proximidade de seu objeto de desejo. Passou a mão esquerda pelas costas do youkai, enquanto a mão direita ajeitou uma mecha de cabelo de Sesshoumaru que lhe caia na face, e a prendeu delicadamente, atrás da orelha dele, Ficando com a palma da mão no pescoço, os dedos afundados em seu cabelo e o polegar na lateral da face, prendendo o belo rosto de Sesshoumaru.

O youkai fechou os olhos ao sentir os dedos da humana próximos à sua nuca.

—Rin...- Sussurrou ele, ainda de olhos fechados.

A jovem ainda tinha surpresa nos olhos, mas seu sentimento era muito mais forte. E era dele, que Rin tirava a sua coragem, do amor e da confiança que tinha em Sesshoumaru.

—Eu só quero... Só quero... Eu... – Dizia ela entre suspiros, enquanto os lábios se aproximavam lentamente. Mas em um repente Sesshoumaru, se afastou.

Levantou-se com Rin, soltou-a e deu dois passos para trás. Rin permanecia sem compreender até, que dois soldados do shiro se aproximaram.

—Lorde Sesshoumaru nós ouvimos alguns gritos. — Perguntou um deles preocupado.

—Não há nada aqui para verem. Continuem a patrulha do Shiro. -Ordenou o dai youkai que foi prontamente atendido.

Enquanto eles se afastavam, a jovem miko compreendeu erroneamente, que o youkai agira por vergonha de ser visto com uma humana. Imediatamente lembrou-se de como ele a ignorou no dia do baile, e que sequer a cumprimentou. Quando os dois soldados sumiram em direção ao shiro, Sesshoumaru pretendia dizer algo, mas foi interrompido por Janken que chegou apressado.

—Senhor Sessshoumaru... Eu procurei o ssseenhor por todo este shiro! Eu tenho notícias, para o ssenhor. –Disse o pequeno Youkai correndo para Sesshoumaru.

Rin aproveitou-se da presença dele, e sentindo-se envergonhada, por acreditar que ele poderia sentir algo por ela, saiu em disparada na direção oposta a de Janken.

—Ei, Rin? Onde pensa que vai? Ei menina pare de correr aí! – Gritou o pequeno batráquio youkai.

Mas Rin queria apenas sair dali o quanto antes. “Eu sou muito idiota!” pensou ela enquanto as lágrimas desciam pelo seu rosto. Sesshoumaru sentiu novamente o cheiro das lágrimas e pelo proceder dela, julgou que ela havia se arrependido do que queria fazer. Algo dentro dele escureceu de repente. E ele se parabenizou por ter impedido que os dois cometessem um grande erro. Mas no fundo de seu peito, sentia que algo se partia. Instintivamente pôs a mão direita sobre o peito. Era algo que ele nunca experimentara. Ficou imóvel alguns segundos sentindo seu coração bater forte.

Em outro momento ele poderia tentar falar com ela.

Em seguida voltou-se na direção de seu quarto, sendo seguido por Janken, que nada disse ao ver seu mestre naquele estado, e por perceber que havia algo de muito errado acontecendo com ambos.

Rin começou a procurar um lugar onde pudesse ficar sozinha. Limpou os olhos e respirou fundo para tentar conter as lágrimas. Lembrou-se da biblioteca do shiro e começou a procurar por ela. Abriu as portas pesadas e assim que entrou, caminhou até as grandes janelas e pode observar o céu da tarde, escurecendo precocemente por conta de uma tempestade que se aproximava. O vento frio secava as lágrimas que desciam abundantes pelo seu rosto. Pensava em tudo o que lhe havia acontecido na vida. Na perda de seus pais, nas penúrias vividas na infância. Na dor da morte sofrida por ela duas vezes. No rosto de Sesshoumaru, na primeira vez que se viram. Na alegria sentida por ela quando percebera que ele a protegia. As longas viagens, os perigos, as lutas... E por fim a vida ao lado de Igraine, Kagome e Kikyou. Uma época amena, sem dores e sofrimentos. Ela havia voltado pelo amor que sentia por ele. Mas ele nunca a amaria, e isso era a maior dor já sentida por ela.

Em meio às penumbras da Biblioteca, alguém se mantinha incógnito. Havia visto quando ela entrara apressada. Havia ouvido seu lamento, e sentido o cheiro de suas lágrimas. Mas Isamu, não queria ter visto nada. Apenas estava ali para pensar um pouco sobre sua situação. Ainda há pouco, ele havia sentido o cheiro das lágrimas de sua prometida, assim que deixou o quarto dela, após anunciar que desejava adiantar seu compromisso para com ela. Ele nunca entendera por que Yukina, sua prometida, não parecia contente em tê-lo como seu macho, e como macho youkai, sentia seu orgulho sendo pisoteado por aquela fêmea. Achava que ela havia convivido demais com os humanos, pois demonstrava ter sentimentos e até havia aprendido a chorar como eles.

Olhou atentamente para a fêmea humana a sua frente. Ela era jovem e bela, era inegável, mas ainda assim era humana, e isso por si só já era um grande defeito. “Mas talvez...Talvez aquela humana pudesse ajudar-me a compreender Yukina.” Pensou ele, em um rompante. Após alguns segundos no entanto, virou o rosto e pôs a mão sobre os olhos. A ideia parecia uma grande tolice. Afinal, os sentimentos dela não importavam de qualquer forma, já que a união de ambos, havia sido tratado diretamente entre a família deles. O único modo de cancelar esse compromisso, sem manchar a honra dos clãs, era a morte de um dos dois. Mas o comportamento de Yukina em relação a ele era algo que o incomodava, e muito e cada vez mais.

Naquele instante, bem diante dele, estava a protegida de seu senhor. Uma pequena e frágil, fêmea humana.

“Não! Ela é uma humana que conviveu com youkais desde pequena... Talvez ela possa compreender!”

Pensou ele novamente, se dando conta de seu próprio desespero para compreender os motivos de sua prometida. Embora nunca tenha passado por sua cabeça pedir a ajuda de um humano, quanto mais de uma fêmea, naquele momento, lhe pareceu uma oportunidade única, de resolver de uma vez por todas aquilo que insistia em lhe tirar o sono.

O youkai corvo respirou fundo e concentrou-se antes de se fazer presente.

—Por que está chorando, humana? -Perguntou ele, finalmente, tentando parecer interessado.

Rin se assustou novamente, pois não tinha notado a presença dele

—Ahh desculpe... Eu não havia visto o senhor. Eu estou bem, só estou com algo nos meus olhos, deve ser a poeira! –Disse ela, secando os olhos rapidamente. Isamu se aproximou e ficou ao lado dela olhando para o lado de fora da janela.

—Se você lutar tão mal quanto mente, não vai durar muito no campo de batalha. Mas tudo bem não precisa me dizer se não quiser. –Disse ele estendendo um lenço a ela, que titubeou um pouco, mas acabou por aceitar.

—Eu sei qual o seu problema. -Continuou ele, tentando pegá-la pela curiosidade.

Notas finais
Gente vou tentar postar a cada três dias, portanto fiquem atentos! Têm alguma dúvida? Vou ficar muuuito satisfeita de responder! Obrigada por lerem a fic! Até a próxima!