Perdida Na Tempestade
54 Capitulo 54 - Passado Obscuro, procura redenção...
Notas iniciais
Capitão Shippöu, quero que se sente, eu preciso lhe contar algo. — A hanyou levou -o até onde ela e as demais fêmeas youkais estavam conversando à pouco.
—Lady Brunhilde, minhas sinceras desculpas mas, eu tinha de falar com a kagome, sobre uma amiga nossa...
—Ela está viva, Shippöu! A sua amiga a senhora Kaede está viva! Mas infelizmente ela não poderá voltar do mesmo jeito, por que está ainda muito ferida! Assim que for possível ela voltará para a vila, você entende?
—Milady, eu não sei se entendi bem, mas como soube disso?
— O capitão Masato e a hime Minara, a encontraram e a ajudaram, mas ela precisa se curar antes de voltar à vila. Por isso, peço que você avise aos seus amigos lá da aldeia assim que retornar e não diga nada à kikyou hoje. Deixa para conversar sobre isso, quando retornarem ao Dai San... Está bem?
—Esta certa, milady. Confiarei na senhora. Mas se puder me fazer um grande favor, diga a senhora Kaede, que eu estou aliviado, por saber que ela está viva, e que espero vê-la o mais rápido possível. — Shippöu se levantou e fez uma reverência, que foi prontamente retribuída por Brunhilde.
"Que rapaz adorável. Tão preocupado com seus amigos..." pensou ela ao vê-lo se afastar. Quando se levantou para tomar o caminho de onde suas amigas estavam Brunhilde sentiu seus poderes tomando-a, e teve uma visão. Por sorte Masato, que vinha em sua direção, saindo da "festa" acabou por acudí-la.
—Lady Brunhilde, a senhora está bem? -Masato perguntou, sabendo que se tratava de uma visão, por conta de sua experiência mais cedo com Minara.
—Estou Masato... Estamos na lua cheia meus poderes estão mais fortes do que nunca... -A hanyou disse, ainda com seus olhos completamente brancos. Em seguida ajeitou o corpo e encarou o youkai, tocando o rosto dele com delicadeza, para fazê-la encará-la, antes de prosseguir falando.
—Você tem que saber Masato, que o universo, não se esquece de nossas escolhas. Tudo o que fazemos, deixa uma marca e com o tempo descobrimos que as marcas podem ser muito dolorosas pra nós mesmos...
—Eu não compreendo, Milady...
—Mas vai compreender em breve... — Disse a hanma sorrindo. Subitamente Masato perdeu o chão, e se viu cercado de luz. Quando deu por si, estava deitado, em uma campina verdejante, nos arredores de Meikakü mum, com Brunhilde ainda com seus olhos brancos, deitada em seu peito.
—Onde estamos, Lady Brunhilde? Por que me trouxe aqui? — O youkai morcego estava surpreso e levemente constrangido. E embora soubesse que ela jamais lhe faria mal, tudo aquilo lhe parecia muito estranho.
—Estamos nas Terras Negras, perto da fronteira com as Colinas Proibidas, onde você nasceu. Eu te trouxe aqui, para lhe contar uma história, muito importante Príncipe Masato... A história que mudará a sua vida para sempre...
— Estamos nas imediações da vila das Sombras... Há tantos anos, não venho aqui, e mesmo assim, quase tudo está igual... -Masato recordou, quando o cheiro do lugar lhe se fez presente em uma brisa suave que o envolveu. Brunhilde estava enroscada nele, e isso começou a lhe incomodar não pelo gesto em si, mas pelo fato dela ser a fêmea de um amigo inestimável, Kurö Ookami, o humano que possibilitou a paz entre o reino das colinas proibidas e as terras negras. Subitamente ela o encarou, e sem qualquer cerimônia beijou-lhe os lábios com desejo.
Masato, ficou chocado e não conseguiu retribuir a carícia.
—Lady Brunhilde, a senhora é uma fêmea marcada! Kurö Ookami, é seu macho e um dos meus melhores amigos! Eu não posso fazer isso... — Masato justificou, mas Brunhilde não se surpreendeu. Seus olhos completamente brancos, transformavam a face doce de outrora, em uma expressão imponente, mas igualmente sedutora.
—Então você nega que me ache bela, e que ficou mechido com minha beleza? Diga-me Masato, você, não se sentiu atraído, por mim? — A hanyou forçou o youkai antes sentado, pelos pulsos, e o deitou, e em seguida, sentou-se sobre ele, acomodando seu sexo, sobre o do youkai, fazendo o prender a respiração, de excitação, e ao mesmo tempo, surpreso com a força dela.
—Eu não nego que me encantei com sua beleza, milady, mas sei que a senhora jamais se apaixonaria por mim. Eu não me interessaria em ter algo com qualquer fêmea apenas pelo prazer do sexo, quanto mais uma fêmea já marcada!
—Você ouviu o que disse? Mesmo interessado, você não tentaria, por que acha que eu jamais me apaixonaria por você... Você se acha um nada, não é mesmo? Por isso vive como um cãozinho da megera da Agláia? Francamente, eu esperava mais de você, Masato, o grande príncipe, que abandonou seus domínios, sob os cuidados de seu pai e de seu irmão mais velho, para ajudar as terras do oeste a se reestabelecerem, depois da morte de seu lorde. — Brunhilde disse em tom de sarcásmo. Embora o corpo ainda fosse o dela, a voz estava ficando diferente, um tom mais grave parecia estar se incorporando ao seu tom natural.
—O que eu disse é a verdade! Eu não possuo a beleza que os demais youkais poderosos desta terra possuem. Na verdade nem mesmo meu pai e meu irmão tem uma aparência como a minha! Eu nasci uma aberração em minha própria família! Eu sei que seria impossível uma fêmea apaixonar-se por mim à primeira vista, e dizer o contrário é uma grande hipocrisia! -O youkai se defendeu expondo seu ponto de vista sem reservas.
—E o que você me diz de Lily, a hime do Reino das florestas azuis? Ela se apaixonou por você, à primeira vista, assim que pôs os pés no Dai Ni no Shiro, e você sentiu o coração estremecido por ela, mas mesmo assim, sufocou seu sentimentos, alegando para si próprio, que amava Agláia! -A hanyou disse em tom acusador.
—Lily era muito jovem... Muito mais do que eu e Hikaru! Ela apenas sentiu pena de mim, e eu fiz o que devia fazer! Evitei me enganar...
—Como pode dizer algo assim? Ninguém pode ser tão cego! A sua covardia, a levou à morte!
— Não! Agláia... Agláia a matou, por ciúmes de Hikaru... -Masato balbuciou, sentindo-se péssimo e com um enorme peso sobre o peito.
—Não se exima da culpa, Masato... Você a matou! Ela se apaixonou por você... Mas você nunca sequer lhe deu uma chance... Ela se aproximou de Hikaru, para ficar perto de você, Masato... Ela amou tanto você, mas você só tinha olhos para Agláia, e para seu sofrimento... Ela estava diante de você, e você não a viu? -Brunhilde o questionou, pegando-o pelo rosto. Seus poderes tomavam conta dela, e seus olhos brancos manifestam todos os sentimentos, como um turbilhão.
—Ela nunca poderia me amar... Lily, era linda... A fêmea mais doce e encantadora que eu já conheci... Alguém como ela, NUNCA PODERIA SENTIR NADA POR UM MONTRO COMO EU! — Masato perdeu a calma, afastando Brunhilde e ficando de pé.
—Covarde...
—Como disse? Milady, eu não...
—COVARDE, SIM! É o que você é! COVARDE, QUE SE ESCONDE DENTRO DE SI! VOCÊ PERDEU UMA VIDA AO LADO DA SUA METADE! — Brunhilde gritou à plenos pulmões ficando de pé para encará-lo e através de seus olhos, Masato começoua a ver as imagens que lhe mostravam tudo o que verdadeiramente acontecera.
Masato queria gritar, queria bater, socar, rasgar suas roupas, rasgar sua garganta, rasgar seu peito, seu rosto... Queria rasgar-se e sumir, porque viu e sentiu, tudo aquilo que Brunhilde lhe dizia. E a verdade era insuportável, especialmente para ele que sofrera tanto por um "amor" nunca correspondido. Enquanto ele se consumia por algo que todos o avisaram e que ele no fundo, também tinha conhecimento, estava fadado, ao fracasso desde o início, havia uma fêmea bem na sua frente, disposta a ser tudo aquilo que ele tanto queria. Lily era encantadora, e sempre fazia tudo para estar perto dele, mas Masato, embora sentisse uma grande atração por ela, imaginava que jamais pudessem ser mais do que amigos. Seu medo era fundamentado em seu próprio preconceito, em sua própria concepção de que não poderia nunca despertar o amor de nenhuma fêmea por conta de sua aparência. Por isso ele tolerava o comportamento agressivo de Agláia para com ele. No fundo acreditar nisso era muito mais fácil do que se aventurar a viver a um sentimento real, onde ele ficaria exposto aos sentimentos de modo involuntário e sem controle da situação. Masato percebeu neste momento, o quão egoísta e controlador havia sido, consigo próprio. Sua imagem física não era mais obscura do que seu coração de youkai.
As imagens em sua mente mostravam Lily, desde o momento em que se conheceram, suas investidas, seus olhares cruzados, e as muitas vezes em que ela chorou por ele. Sua carência a levou a cama de Hikaru, o único que compreendia seu coração ferido, aquele que durante dez anos, lhe deu um ombro para chorar, mas que nunca soube que o macho tão cruel para com ela, era na verdade seu melhor amigo. Na fatídica noite tempestuosa onde ela e Hikaru se entregaram ao desejo, foi a mesma onde Lily tentou contar ao youkai morcego sobre seus sentimentos, e ele deu -lhe às costas dizendo que ela deveria encontrar em Hikaru aquilo que procurava inutilmente nele. Na cama de Hikaru, ao menos, por aqueles poucos momentos, ela sentiu-se desejada... Enquanto Masato a desprezava por completo, e seu coração se despedaçava cada dia mais.
Lily chorou quando descobriu a prenhez. E escondeu o quanto pôde, por que não queria ter aquele filho, que a prenderia para sempre ao macho errado. Ela pensou em Masato, quando Agláia a raptou, e ela morreu, lembrando-se dele, sentindo-se consolada, pois sabia que ao menos no mundo dos mortos, ela teria um pouco de paz.
—Como pude ser tão cego... Como pude não vê-la, não enchergá-la como a fêmea que eu sempre quis ao meu lado? Lady Brunhilde, por favor me ajude!- O youkai morcego, soluçou, caindo de joelhos com as mãos sobre a cabeça.
—Eu não posso... Não há nada que possa ser feito por mim... — Brunhilde levantou-o e tomou o rosto de Masato entre as mãos, e mantendo-o firme.
—Por favor, milady... Eu tenho que me redimir... Ela sentiu tanta dor... Ela sofreu por mim, e por minha covardia! Eu preciso ao menos pedir lhe perdão, ou minha vida não valerá mais nada! — O youkai implorou, tomado pela amargura do arrependimento.
—Eu não posso mais fazer nada, por que Lily, já renasceu...
—E onde eu posso encontrá-la? Eu vou atrás dela, e vou me redimir por todo mal que causei à ela, milady!
—Ela está vindo ao seu encontro...Eu a serva do DESTINO, lhe revelo que Lily, não renasceu apenas por conta de um simples sentimento, mas sim, por que a força de seu amor, lhe fez merecedora de uma segunda chance. Ela renasceu, como uma das cinco chaves do destino, a chave da tempestade de neve, capaz de suportar o mais frio dos seres, e derreter o mais gélido dos sentimentos... Você terá apenas uma chance, youkai, portanto terá de fazer com que o coração dela volte à bater por você... -Brunhilde o encarava e falava com outra voz, como se o próprio destino tivesse tomado conta daquele corpo.
—Eu o farei! Não importa como, eu o farei... Não posso viver sabendo que fiz alguém que me amou tanto, sofrer com meu egoísmo... -Masato respondeu firme.
—Então, prepare-se, e lembre-se de minhas palavras. A grande feiticeira negra, está tentando voltar à vida, e contará com a ajuda de sua serva maligna, para atingir seus objetivos obscuros. Ela quer obter a imortalidade, e para isso, precisará do sangue das cinco chaves do destino... Somente com o sangue das cinco, ela obterá a fêmea celestial que foi selada há 4 séculos, cujo nome é Mídian, a detentora do poder da imortalidade, e do coração do youkai filho do sol... -
—As cinco chaves do destino... O que são essas chaves? — Masato perguntou lembrando-se vagamente de já ter ouvido aquela expressão.
—Quando os hanmas começaram a ser dizimados pelos youkais, que apreciavam se fortalecer com seu sangue divino, os deuses criaram as cinco chaves para ajudar os hanmas a proteger sua raça. As cinco chaves, são cinco fêmeas, que possuem sangue hanma nas veias. Assim como qualquer hanma, elas tem poderes distintos, mas são muito difíceis de serem discernidas das humanas. A diferença delas para as hanmas comuns, está no tipo de poder. Cada chave, possui um poder raro, e a missão de proteger os outros hanmas contra os youkais.
—Entendi. Então essa tal feiticeira, descobriu que essas chaves levam à uma outra hanma que possui o poder da imortalidade... Quem é essa feiticeira, e como poderei encontrar a serva?
—Exatamente... Você precisa saber que tudo começou com a ambição de uma Rainha youkai, obcecada pela beleza eterna. Apesar de ser cobiçada por todos os machos, a rainha temia por seu futuro. Um dia, ela soube que havia um grande lorde em terras logínquoas que possuía o sangue de seu clã, foi ao encontro dele, e ela o seduziu, desaparecendo logo depois que conseguiu engravidar. Meses depois ela deu à luz a um filhote de sangue puro, macho, de grande beleza, que ela fazia questão de expor com orgulho. Conforme o filhote crescia, a rainha se eximia mais e mais nas artes da bruxaria, procurando um modo de tornar-se imortal para que ela e seu filho perfeito pudessem reinar para sempre. O tempo passou e o jovem príncipe tornou-se logo um macho youkai jovem, forte, impetuoso, e um poderoso guerreiro, além de ser ainda possuidor de uma beleza impecável. Seus poderes eram tão avassaladores que seu reino crescia em poder e tamnaho,conforme ganhava as guerras travadas trazendo dia após dia, espólios da guerra e sobretudo o presente mais admirado por sua mãe, sangue de hanmas. Quando não estava na guerra o jovem príncipe, passava dias e noites em seu harém, com suas concubinas, em sua maioria, fêmeas escravizadas nas muitas guerras, embriagando-se de sangue humano e de hanmas, e sexo selvagem e violento. Até que um dia, ele conheceu uma fêmea, que enxergou nele, mais do que o violento e impiedoso principe. Ele apaixonou-se por ela, e a partir deste momento a ruína da rainha feiticeira começou... A rainha, havia encontrado o segredo das cinco chaves, e estava obcecada por encontrá-las, por isso ordenava novos e novos ataques à seu filho. Quando conseguiu reunir quatro delas, descobriu que a quinta vivia dentro de seu palácio, mas quando tentou se apoderar dela, seu filho à impediu. Ela era a fêmea por quem ele havia se apaixonado, e secretamente marcado. A rainha interpretou o ato do filho como uma traição, e deu início à uma batalha ferrenha. A rainha caiu e quando estava prestes a ser morta implorou piedade. Seu filho, apiedou-se dela, mas ela o enganou e conseguiu prendê-lo enquanto levava a hanma para terminar o seu tão precioso feitiço. Quando estava prestes a cortar a garganta da ultima hanma, percebeu que ela estava prenhe, e exitou. Neste momento, o príncipe conseguiu chegar, mas a única coisa que pôde fazer foi acatar o pedido de sua fêmea... Ele usou o poder de sua marca e matou-a, juntamente com o filho que ela esperava. Atordoada por não conseguir terminar o feitiço, a rainha novamente atacou sua cria, mas desta vez, ele não teve piedade. Por causa de seu sacrifício, os deuses, trouxeram a fêmea de volta à vida, mas a selaram em um feitiço, transformando-a na sexta chave, com a promessa de que quando as cinco hanmas fossem reunidas novamente e aceitassem de bom grado darem seu sangue, a sexta chave seria libertada, e voltaria à vida.
—Milady... Essa história é tão triste...
—Sim ela é... Mas por hora, isso é tudo o que nós temos que saber... Masato, a encarnação de Lily, é uma das chaves. Nós temos de encontrá-la e protegê-la...
E neste instante novamente o youkai morcego sentiu-se envolto em luz, e quando recuperou sua percepção, estava de volta ao mesmo lugar ainda segurando Brunhilde,como se acabasse dechegar alí para ampará-la.
—Milady, a senhora tem que me dizer onde ela está! Ou como vou encontrá-la...
—Encontrar quem, Masato? A Tomoko?
—Não eu me refiro à tal serva maligna, da feiticeira!
—Eu não sei do que está falando, Masato...
—"Eu voltei ao passado... Brunhilde não se lembra de nada" Que idiota eu sou! — Masato pensou consigo antes de verbalizar sua indignação própria.
— Não seja tão mal consigo mesmo, Masato. Você é um macho tão especial... E seu destino, esta sendo desperdiçado, por causa dessa sua mania de querer se isolar. — A dizendo isso Brunhilde o reverenciou e saiu, indo em direção aos aposentos.
Masato seguiu para seus aposentos pois desejava pensar em tudo o que havia acontecido. E apesar da grande confusão mental por conta das últimas revelações, uma certeza se fazia presente : Ele não mais se sujeitaria ao sofrimento que sentia por Agláia. Ele estava disposto à lutar para encontrar um amor real, e todo o descontrole que ele poderia trazer.
Masato voltou ao seu aposento, e foi direto à varanda para deixar cair suas lágrimas de sangue, sem ser incomodado. Seu coração estava partido e a dor era lacerante. As lembranças de Lily, o torturavam, mas fora as lembrança de Agláia, que youkai decidiu matar. Depois de todos aqueles anos, ele decidira que finalmente chegara a hora de dar ouvidos à todos aqueles que lhe diziam para esquecê-la. Eles tinham razão afinal. O youkai ergueu-se do chão da varanda e contemplou o sol que já enfraquecia lentamente.
"Chega de sofrimento... Não vou mais me esconder atrás desse sentimento torpe que só me fez mal..." Pensava ele, vendo os longos cabelos louros de Agláia no sol à sua frente. "Eu te quis tanto... Mas não vou mais querer... Você destruiu a minha chance de ser feliz..." O youkai murmurou deixando que suas lágrimas de sangue descessem, pela face de mármore.
"Eu estou deixando você, Agláia... Estou deixando essa doença para sempre... Eu não vou mais me esconder atrás desse sentimento descabido..." Um silêncio íntimo, e uma brisa suave, encorajou-o a continuar.
"Adeus Agláia... Vá embora para sempre, de meu coração... Eu vou ficar livre para amar verdadeiramente, sem usar você como desculpa..." E dizendo isso, o youkai secou suas lágrimas vermelhas, respirou fundo, e deu às costas as lembranças, fechando a porta da varanda atrás de si.
Masato sabia que seus amigos, verdadeiros, precisavam dele. Todas as revelações que tivera naquele dia, ainda eram desconexas, mas não deixavam de serem de extrema importância. Caminou até seu banheiro, e despiu-se enquanto enchia a banheira.
Seu cabelo escuro, e brilhante como a seda estava solto, caindo pelas costas largas em contraste com a pele branca. Ele mergulhou-se na banheira de água fria, como se a frieza da água pudesse aplacar o calor de seu coração. Sentia-se solitário, sozinho abandonado, e completamente vazio. Em meio aos tristes pensamentos que lhe ocorriam, só lhe restava, o ímpeto do desejo. Naquela noite ele se deitaria com qualquer fêmea que aceitasse seu ouro, e não se importaria com mais nada.
Assim que saiu de seu banho, lembrou-se de que havia se esquecido de pegar seus trajes de festa. Suspirou profundamente, e vestiu-se a contragosto, vislumbrando o caminho de volta que teria de fazer. Passou pelo salão de festas do shiro, e viu a arrumação clássica e cheia de pompa.
Continuou descendo pelas escadas, e viu surpreso, um portal temporal, de onde saíam varias comitivas com nobres youkais de várias terras aliadas, que chegavam para as cerimônias. Imaginou que talvez Minara ou mesmo lady Brunhilde, tivesse se valido do tempo e espaço para fazê-lo. Masato vislumbrou entre outros, as ladys do clã Tsuchigumo (aranhas demoníacas), Olina e Olanki, duas primas de aparência muito semelhante, que haviam nascido no mesmo dia e desde então nunca se separavam. Com seus cabelos em um tons acinzentados e escuros, e com seus olhos vermelhos e assustadores, as duas youkais eram conhecidas por seus poderes de manipulação de cadáveres, e de possuir seus inimigos, para descobrir todos o seus segredos. E apesar de violentas e altamente perigosas, não costumavam atacar os humanos, em respeito às ordens deixadas por Inu no Taishou.
O Lorde Morior, das terras do sul, um youkai corpulento e alto, aparentando ter já um idade avançada com cabelos longos e sua barba também longa, e igualmente ruiva. Sua filha, uma youkai loura, cujo nome era Flarín, era conhecida pela beleza e orgulho.
Aríethes o youkai de cabelos cor de berinjela com seus olhos azul turquesa, atual líder do clã das aves celestiais, e sua fêmea a youkai Sathira, com seus cabelos de cor azul celeste, e olhos da mesma cor, mas em tonalidade mais clara.
Esatava absorto observando outros youkais chegando, quando uma mão pousou sobre seu ombro.
—Príncipe Masato? – Disse o moreno hanma que sorria simpaticamente, para ele.
—Como vai, nobre Ícaro, matador de demônios? – Masato o reconheceu e o abraçou com cortesia.
—Vou bem! E como vai Masato, o príncipe das colinas proibidas? Não me diga que ainda é um cavaleiro solitário? — Ícaro disse fazendo com que o youkai sorrisse timidamente.
—Vou bem, também. Como estão as terras negras? Eu soube que a paz parece estar voltando. –Masato mudou discretamente o rumo da conversa não respondendo a pergunta do amigo.
—Estamos em paz finalmente, meu amigo. Mas ainda estamos lutando para mantê-la. Os youkais daquela área ainda estão acostumados a se alimentarem dos humanos apesar de nossos esforços para fazê-los parar. Sorte nossa que temos ao nosso lado aliados como você e Inu no Taishou. — O hanma declarou agradecido.
—Nós é que agradecemos. Precisaremos agora mais do que nunca manter a mentalidade de que os humanos não são apenas alimento. Há muitos youkais nobres envolvidos com humana e hanmas, nas terras do oeste. — O youkai confidênciou ao amigo que balançou a cabeça afirmativamente.
—Está certo amigo, precisaremos dobrar a guarda, ou poderemos perder alianças importantes... Eu soube que os dragões da terra e os clã das garças estão unindo forças com o lorde das terras do sul. -O hanma disse secretamente em uma língua antiga, ao youkai morcego.
— É melhor você se instalar meu amigo. Kurö Ookami vai gostar de vê-lo. — Masato disse mudando o assunto para não despertar a atenção.
—Então os boatos que ouvi quando cheguei, estavam certos! Kurö Ookami e todos os mortos pelas mãos do traidor e sua fêmea, estão de volta!
—Pensei que estivesse aqui por causa deles. Você não sabia? –Masato ergueu uma sobrancelha surpreso.
—Eu estava à caminho, mas não sabia. Eu vim por causa da profecia de Minara! –ìcaro respondeu ligeiramente constrangido.
—Profecia?
—Quando estive aqui pela última vez, ela tinha acabado de despertar. Ela teve uma visão comigo e disse que eu deveria retornar para Meikakü mum, na décima lua de outono, porque a Lady das terras selvagens estaria aqui me esperando. -Ìcaro se lembrava bem dessa profecia, por isso falava com semblante sério, embora estivesse ligeiramente corado.
—Eu não fazia ideia Ìcaro, que você estivesse aguardando durante todo esse tempo por uma fêmea tão especial. Achei que você já tivesse se acostumado com a solteirisse. -Masato disse com convicção, sorrindo com os olhos estreitados.
—Eu achei que tivesse, mas sempre que chega o outono, a solidão me faz refém, meu caro amigo... De qualquer forma, vou ficar feliz de ver o tio da tataravó, da minha tataravó. -Ícaro disse sorrindo referindo-se à Kurö Ookami e arracando uma risada de Masato.
—Não brinque assim com ele, você sabe que ele detesta isso, além disso, você também já está chegando aos trezentos anos! Já não é tão jovem, assim.
—Perto de vocês, ainda sou uma criança de colo!Rsrsr Até mais, Masato nos veremos no banquete! — O hanma se despediu e partiu em direção ao aposento que lhe era destinado.
Masato o reverênciou e resolveu retomar o que estava fazendo. Caminhou pelo saguão e desceu novamente as escadas, chegando ao saguão de entrada do shiro, totalmente iluminada pela luz natural do sol ainda alto. Passou pelo portal, e se surpreendeu com o que viu.
Estava chegando naquele exato momento a comitiva de lorde Fauno, o senhor das terras das florestas azuis, irmão mais novo, de Lily. Masato, não pode deixar evitar de sentir-se a pior das criaturas. Uma sensação de sufocamento lhe acometeu, e ele caminhou rapidamente para sair daquela presença o mais rápido possível. Caminhava rapidamente na direção da porta de entrada e acabou por esbarrar em uma fêmea que caminhava lentamente enquanto lia um pequeno livro. Por causa do esbarrão o objeto caiu e a jovem caíram, e Masato após pegar o objeto, virou-se para ajudá-la .
Ao abaixar-se seus olhos, eles encontraram os de uma jovem e bela moça, ligeiramente parecida com Brunhilde, mas com suas cores, mais amenas. A pele mais clara, lembrava o leite, e seus olhos de um azul profundo, contrastavam com a cor dos cabelos, que lembrava a cor do fogo, e era ligeiramente ondulado como a chama. Sua expressão era uma mistura de surpresa e fascinação ao contemplá-lo. O youkai morcego, por sua vez, encarou-a sério, como se quisesse dizer a ela, "Não olhe para mim... Sou horrível!" Mas mesmo assim, ela não desviou o olhar sequer uma vez. Até que dois machos, um youkai e outro Hanyou, se aproximaram dela, querendo saber se ela estava bem. O hanyou, era muito parecido com a fêmea com a diferença da cor dos olhos, que eram cor de mel. O outro macho, aparentava ser um pouco mais velho.
—Você está bem, Naelle? Não devia ler enquanto anda. — O Hanyou a lembrou, enquanto a ajudava a se levantar.
—Estou bem... -Ela se limitou a dizer, ainda mantendo seus olhos nos de Masato.
—Aqui está o livro. Perdoe-me, eu não vi a senhorita. -Masato desculpou-se e reverenciou os machos, para logo em seguida entregar o objeto.
—Está tudo bem, senhor... –O macho diferente se aproximou e Masato sentiu que de alguma forma o conhecia.
—Masato... Já nos vimos antes? –O youkai morcego, questionou curioso.
—É um prazer conhecê-lo, senhor Masato, eu sou Lukian Talon Dragon, o príncipe das terras do fogo. E esses são meus irmãos, Kedrik e Naelle. –O macho apresentou-se cordialmente.
—Ah sim... Perdoe os meus modos... É um grande prazer conhecê-los... –Masato apresentou-se devidamente.
—Desculpe-nos, nós estamos com um pouco de pressa, pois temos que encontrar nossos pais... –O jovem Kedrik disse de maneira cortez.
—Entendo... Novamente mil perdões pelo incomodo que eu causei... –Masato despediu-se e virou-se para retornar para seus afazeres. No entanto, sua mão foi segura, obrigando a voltar seu olhar novamente na direção deles.
—Senhor Masato... Nos veremos de novo? – A bela jovem perguntou timidamente.
—Si... Sim... Eu estarei no banquete... Talvez nos vejamos lá.... – Masato respondeu sentindo o rosto esquentar.
—Aina bem... Até lá, senhor Masato... –Disse a fêmea voltando-se para o se caminho sorrindo aliviada, enquanto seus irmãos se entreolhavam surpresos.
Masato por sua vez apenas a olhava, surpreso e envergonhado, enquanto seus lábios formavam um pequeno sorriso.
Em seu aposento Yukina sentia-se muito melhor. Até mesmo sua pele estava mais corada.
—Mas afinal, quem é você? Olha o que fez comigo! Me sinto outra youkai. — Disse Yukina pegando as mãos de Leodora.
—Eu sou uma serva, senhorita. E a senhorita está bem melhor porque encontrou a força dentro de si mesma, e a humildade de aceitar que ninguém é perfeito. -Respondeu a serva, sempre com doçura.
—Mas não sei seu nome! Eu sou Yukina, a antiga feiticeira das terras do oeste.
—Me chamo Leodora , e sou uma serva, apenas. Muito prazer em conhecê-la senhora Yukina.
—O prazer é todo meu... Mas pode ficar tranquila comigo, Leodora, sei que você não é uma humana. Conheço bem o cheiro dos hanmas. Não direi à ninguém sobre isso. Sabe, acho, que você foi o único ser que realmente me ouviu e me mostrou como eu estou sendo errada. Não adianta apenas apontar o erro se você não sabe consertá-lo... — Yukina disse, respirando fundo.
—Tudo o que a senhorita deve fazer agora, é lembrar-se de seu valor. E tudo ficará bem. Agradeço sua discrição, quanto à minha condição. Bom, agora vou até o aposento do seu amigo... Ele me parece precisar também de um bom banho de ervas... Onde é o aposento dele?- Perguntou a hanma referindo-se à Ryotaro.
—Ah é no segundo corredor dos generais. Se não me engano a terceira porta. O Ryo, está mesmo precisando... -Respondeu Yukina despedindo se dela, não contudo, sem antes implorar a ela fosse ao menos o festival para conversarem um pouco mais. Leodora não prometeu, mas disse que estaria no dia seguinte para vê-la.
A hanma foi atrás do youkai, e ele estava exatamente onde Yukina havia dito que estaria. O próprio lorde abriu a porta levemente surpreso. Leodora o cumprimentou rapidamente e foi direto para a banheira para preparar-lhe o banho. Abriu a água quente e despejou os óleos e em seguida as frutas e as flores.
—Venha, senhor Ryo, seu banho está pronto. — Ela chamou-o.
Ryotaro nada respondeu. Apenas caminhou até a banheira e olhou-a com desconfiança.
—Eu acho que não vai ser uma boa ideia. Prefiro um banho convencional. — Disse ele com desdém.
Leodora estreitou os olhos, afinal o "garotinho mimado" tinha esperado que ela terminasse e a banheira enchesse até a metade para dizer que prefiria um banho comum. "Esse mimadinho ridículo, tá pensando que eu sou quem?" pensou ela consigo mesma. Em seguida apontou para dentro da banheira.
—Senhor olhe ali! Dentro da banheira o que é aquilo?? -A serva apontou supostamente assustada.
—Onde? Aqui no meio? O que você viu? — Ryotaro exclamava apoiando-se na beirada da banheira. Quando ele se esticou o máximo, Leodora empurrou-o fazendo com que o youkai caísse de peito aberto na banheira.
—Agora fique quietinho para que eu possa esfregar os unguentos. — Disse leodora com a mesma doçura, ou com um sarcásmo pra lá de doce.
—O que você fez? Como pôde! — Ryotaro estava tão irritado, e ao mesmo tempo encantado com o perfume emanado da água. Era realmente uma essência calmante e excitante.
Em poucos segundos, a serva estava na outra extremidade da banheira lavando os cabelos longos de Ryotaro com um unguento emoliente que os deixou macios de imediato.
—Como você conhece tantas essências? — Ryotaro perguntou curioso.
—Eu sempre gostei de plantas então passei a estudá-las através das culturas que conheci. -Disse ela sem pensar, depois censurou-se por dizer a verdade tão abertamente.
—E você conheceu muitas culturas? — Perguntou ele tentando não parecer interessado.
—Conheci algumas... — Leodora tentou disfarçar. Mentir era o que ela mais fazia, mas era o que fazia pior. Resolveu dizer a verdade, afinal ele perderia o interesse em pouco tempo...
—Seja um pouco mais específica, por favor! -Ryotaro estava irritado demais para fingir qualquer coisa.
—Pode tirar a camisa, por favor? Eu preciso massagear sua nuca... -A serva pediu mas desta vez a voz mal saiu. Estava constrangida demais, e não entendia bem o porque. Sabia que aquela não era sua função, e raramente se via fazendo aquilo, mas situações como aquela nunca lhe constrangiam.
—Quer que eu tire a camisa? Está bem, aqui está... Tem certeza de que não quer que eu tire mais nada? -Ryotaro a provocou, estreitando os olhos.
—Não precisa meu senhor... apenas vire-se e relaxe o pescoço, por favor. -Ele obedeceu e assim que ela tocou em sua pele, ele se arrepiou, dando um leve gemido, que a arrepiou dos pés à cabeça.
—Suas mãos estão frias em relação à agua... — Ele se justificou.
—Como eu dizia, conheci a tribo dos lobos do norte, e o vilarejo de Rosan, também conheci os nômades do deserto ao sul depois do grande oceano... e
—Os nômades do deserto? A tribo de humanos de pele tão negra quanto o carvão? -Ele perguntou sorrindo de olhos fechados.
—Sim! Você os conhece? — Desta vez foi Leodora quem ficou curiosa.
—Conheço, sim. Digamos que eu também me interesse, por outras culturas... Conheço youkais em diversos continentes... -Ryotaro disse com certo orgulho.
—Jura?Isso é fabuloso! — Leodora apoiou-se na beirada, enquanto expressava sua perplexidade.
—Com licença mas, seu sobretudo está aberto... — Ryotaro pareceu constrangido, apontando para o sobretudo de linho que ela usava, cujo comprimento era abaixo do joelhos.
—Onde? O que você está... -Sua frase foi interrompida por Ryotaro que a puxou para dentro da água.
—Rsrsr e aí, como é cair no próprio truque? — O youkai disse entre risadas. Leodora ficou furiosa e jogou água no youkai que a pegou pelo pulso e puxou-a para junto de si, incoscientemente.
Os dois se encaram perplexos com a proximidade, e rapidamente o youkai afastou-se, exatamente como Leodora que saiu da banheira.
—Bem senhor, eu tenho de ir...
—Desculpe-me pela brincadeira, Você foi tão gentil comigo e eu não retribuí... Você não precisa ir embora assim, pegue um dos meus quimonos, para não sair neste estado. — Ryotaro disse com toda a sua gentileza pois, sentia que havia constrangido-a de alguma forma.
—É muita gentileza sua meu senhor mas eu estou mesmo atrasada. Tenho de pegar meus filhos na escolinha. -Ela se justificou. Estava tão entretida, que havia perdido a noção do tempo.
—É mais um motivo para aceitar minha oferta. Tome, pegue este aqui, é um dos meus favoritos, e vai ficar no mesmo cumprimento da sua roupa. — Ryotaro pegou um quimono de dormir de seda azul marinho. Leodora titubeou mas acabou por aceitar.
Rapidamente pegou a peça e correu para vestí-la. Mas quando terminou de se arrumar percebeu que seu véu estava encharcado. Dobrou então toda a sua roupa, enrolando-a como uma pequena trouxa e continuou pensando no que podera fazer para cobrir o rosto quando subitamente Ryotaro bateu na porta.
—Ei, tome este lenço, acho que vai servir para cobrir seu rosto. — Disse ele do outtro lado da porta.
Leodora esticou a mão para fora e pegou o lenço rapidamente, fechando a porta em seguida. Correu para o espelho e escondeu os longos cabelos, escuros por baixo do lenço que serviu com perfeição ao seu propósito.
—Viu, eu disse que ficaria bom... -Ryotaro disse ao vê-la com seu pijama. O rosto continuava coberto, mas seus olhos tinham uma expressão alegre, de gratidão.
—Muito obrigada pela gentileza meu senhor... E... Por não querer me ver sem véu... — Disse ela, com toda a sua gratidão.
—Que isso? Não foi nada... Diga ao seu macho que ele tem sorte, você é uma fêmea muito prestativa...
—Meu macho?
—Sim, você disse que tem filhos, então, eu imaginei...
—Eu, não sou casada... Nem marcada... Mas sou mãe de três filhos. Mãe solteira. — Disse a serva estufando o peito de orgulho, já que, naquela época isso era visto como um grande desvio de caráter da parte da mulher.
—Então é mais corajosa do que pensei... Rsrsr agora vá, não quero que seus filhos fiquem lhe esperando por minha causa... Obrigado também... não sei porque, mas estou me sentindo ótimo.
—Disponha. Até mais meu senhor...
—Até!
E dizendo isso, Leodora saiu do aposento e correu para a escolinha. Tinha ainda de se arrumar, pois ela teria de ir à cerimônia, ou Minara poderia ficar magoada. Após alguns minutos chegou à escola, onde já no portão, Áuriael, sua filha mais velha, a esperava anciosa enquanto segurava seu irmãozinho, o pequeno Ângeluz no colo. O outro irmão, Azrael, estava ao seu lado, entretido com um livro. Assim que viram a mãe pularam em seus braços, e foram caminhando para casa, contando suas novidades escolares.
Em seus aposentos, ainda surpreso com a serva, Ryotaro, se recriminava por ter sido tão infantil. Decidiu voltar à banheira, dessa vez, completamente nu. Enquanto tirava a calça, lembrou-se que não sabia o nome da serva. Mas isso pouco importava, já que ele achava que dificilmente a veria. Mas era notável que uma mulher tão inteligente e prendada, estivesse sozinha, e fosse mãe solteira de três filhos. A maioria das fêmeas sabia que ser mãe era uma necessidade naqueles tempos. Mas a serva falava com orgulho, de sua condição e Ryotaro se pegou admirado com a coragem dela.
O youkai entrou na banheira e deitou-se na água, lavando os cabelos, antes ungidos. quando levantou-se respirou profundamente, e para sua surpresa um cheiro, muito leve estava na água.
—Não pode ser! — exclamou ele erguendo-se e aspirando o ar. Aquele aroma não vinha de fora, como ele pressuponha. Estava na água de maneira muito sutil.
Um cheiro, que ele nunca esperava sentir e vir, de quem vinha.
"Aquela serva... Mãe de três filhos, e virgem?" Pensou ele, com uma expressão surpresa na face.
Ícaro.

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