Perdida Na Tempestade
46 Capítulo - 46- Os filhos do segredo...
Notas iniciais
A madrugada se aproximava e a maioria dos ocumpantes do shiro, já havia se entregado ao cansaço. Igraine dormiu na cama, entre seu pai, e sua mãe, que não quiseram deixá-la longe deles, pelo menos naquela noite. Kuro Ookami, amou sua bela Brunhilde por longas horas antes de adormecê-la em seu peito.
Ino no Taishou fez o mesmo com sua Izayoi, que estava preocupada com a reação de Satori Hime ao saber que eles estavam de volta, mais vivos e unidos do que nunca. Inu no taishou, por sua vez, estava muito satisfeito em conhecer Rin e constatar que Brunhilde tinha mesmo razão quando previu que um dia Sesshoumaru encontraria uma humana que derreteria seu coração de gelo. Sua únicas preocupações naquele momento, eram a conversa franca que teria de ter com seus dois filhos, à respeito do futuro das terras do oeste, e a resolução de uma questão antiga, da qual ele estava inteiramente envolvido. Um assunto antigo, e muito delicado, que envolveria questões e cicatrizes passadas, que permaneciam abertas em muitos corações. Ele sabia que haviam coisas a serem ditas e resolvidas o quanto antes, ou novamente, teriam sérios problemas.
Raijin teve de dormir longe de sua fêmea, o que por si só já se consagrava uma tortura, já que seus pais, Susanoo e Byakurö não permitiram que ele dormisse com Kikyou, por julgarem que ele simplesmente não suportaria a proximidade e acabaria tomando-a, e eles queriam que ela fosse polpada. Por isso, pediram a Kagome que trocasse de quarto com Raijin, o que ela gentilmente, concordou. Inuyasha se disse muito "orgulhoso" de altruísmo de sua fêmea, mas tinha contudo, a certeza, de que a noite, no mesmo quarto com Raijin, seria um inferno.
Aika, ficaria no mesmo quarto que sua irmã, mas havia algo que ela tinha de fazer o quanto antes. Por isso, esperou para a irmã adormecesse, e saiu, indo para o quarto de Masato, o youkai morcego. No caminho pensou ter sentido o cheiro de Yashiro, mas descartou logo a hipótese ao encontrar o corredor que levava ao aposento, completamente vazio. Aproximou-se da porta e bateu uma única vez.
_Aika? Entre... -Disse ele ao encarar os olhos da velha amiga. Os dois eram próximos desde que haviam se conhecido por compartilharem das mesmas angustias. Enquanto Aika era subestimada pela família por "não" ter a beleza da irmã, Masato era segregado, pela aparência aterrorizante.
A pele branca como porcelana, os olhos totalmente negros com íris vermelhas em um tom vivo, eram hipnotizantes de fato, e extraíam o medo do fundo da alma, dos mais corajosos. Apesar da aparência assustadora, seu coração era de uma beleza ímpar. Era sensível e delicado, e conhecedor absoluto dos sentimentos e mazelas humanas. Por conta disso, tinha muito amor, por qualquer ser vivo, mas era constantemente julgado e condenado por sua aparência. Hikaru era seu melhor amigo, mas ninguém o compreendia como Aika. Só ela sabia seu maior segredo : o amor que ele sentia por Agláia.
_Desculpe vir te procurar à esta hora, mas eu tenho algo de suam importância para tratar com você. — A youkai estava falando sério e Masato percebeu isso.
_Entre, "Nova Aika"... -Disse ele encarando-a com um sorriso de lado, referindo-se a súbita mudança em sua atitude e também à exposição de seu rosto.
_Ah é... -Disse ela ficando levemente corada.
_Eu gostei da mudança. Sempre lhe disse que você era mais bela do que Akane, mas você nunca me ouviu...
_Também não vamos exagerar, Masato! -Disse ela e os dois riram.
O youkai caminhou até o armário e voltou com uma grossa colcha de lã marfim. Em seguida cobriu a youkai que estava sentada em uma poltrona alta. Sentando-se logo após isso, na poltrona em frente.
_Obrigada, Masato... Você é sempre tão cuidadoso! — Elogiou, ela. Masato apenas fez-lhe um gesto com a cabeça agradecendo-a pelo elogio.
_Aika... Você cuidou dos ferimentos dela... Ela estava muito ferida? -Perguntou o youkai morcego, com preocupação, e Aika percebeu de quem se tratava.
_Não, Masato, ela não vai ficar com nenhuma cicatriz, embora ela mereça! Eu sei que você, não gosta de ouvir isso, mas Agláia é uma víbora... E acho que ela e minha irmã fizeram uma coisa ainda mais terrível do que qualquer coisa que elas já fizeram...
_Como assim, Aika? O que elas fizeram?
_Você se lembra da princesa Lily? — Aika olhou- o nos olhos.
_A hime Lily? Que viveu no Dai ni no Shiro com o Hikaru?
_Esta mesma! Agláia e Akane a sequestraram e a mataram, e fizeram com que todos pensassem que ela havia fugido...
_Mas porque toda esta brutalidade? O que Agláia ganharia fazendo isto?
_O que ela sempre quis... Hikaru! Lily tinha algo que poderia mudar a vida de Hikaru para sempre. Um laço que poderia fazê-lo esquecer Minara e recomeçar sua vida.
_Ela estava prenhe... Eu sabia... Eu questionei Agláia, porque havia sentido cheiro de fêmea prenhe... Mas Agláia desconversou... Disse que era o cheiro de uma serva que estava prenhe... Ela fez de tudo para que fôssemos para aquela maldita viagem... Disse que cuidaria do Dai ni no Shiro e de Lily! Eu estranhei o comportamento dela, mas... Eu quis acreditar que talvez elas estivesse tentando ser melhor... -O youkai fechou os olhos amargurado. Aika, suspirou, e balançou a cabeça negativamente. Teve pena de Masato. Apesar da aparência, ele amava Agláia e tinha esperança que ela mudasse.
_Ela não merece você, Masato... -Aika levantou-se, e o abraçou pelas costas, na tentativa de encorajá-lo. O youkai morcego era um bom amigo, e vê-lo sofrer não era agradável. Masato surpreendeu-se com o gesto, pois Aika, apesar de ser uma amiga querida, era muito tímida. Mesmo assim sorriu ao perceber que a mudança dela havia sido mais profunda do que ele pressuponha.
_Como você soube de tudo isso?-Perguntou ele virando-se para ela quando ela o soltou.
_Nós entramos escondidas no quarto onde ela e minha irmã estavam, e ouvimos tudo. Inclusive quando disseram que o filhote nasceu prematuro e foi abandonado em um vilarejo.
_Nós?
_Igraine estava comigo... Ela ficou muito chocada, mas combinamos que só vamos contar tudo a Hikaru, quando tivermos provas. Aglaia é muito esperta. Com certeza vai achar um jeito de se safar se nós não pudermos provar nada. -A youkai caminhou na direção da varanda.
_Tem razão... Tem ideia de onde vai encontrá-lo?
_Não... Na verdade, Masato... Eu pensei que talvez você, pudesse nos ajudar...
_Quer que eu invada a mente dela, e procure o alguma pista? — O youkai cruzou os braços à frente do corpo e estreitou os olhos, deixando Aika ainda mais sem graça de seu pedido.
_Masato, eu sinto muito, eu não quero que você faça isso, apenas por que...
_Eu o farei...
_O que? O que você disse?-Aika perguntou, incrédula.
_Eu disse que eu o farei, Aika... Você sabe melhor do que ninguém que eu nunca vou deixar o amor que sinto por Agláia ser contaminado por egoísmo, ou injustiça. Se Agláia foi capaz disso, então ela terá de pagar... Além disso pode ser que o filhote esteja vivo. -O macho youkai caminhou sombrio até a varanda, sendo seguido por Aika, que sentia a tristeza dele, mesmo sem ver a expressão de seu rosto. Resolveu deixá-lo a sós com seus pensamentos. Pois não desejava atormentá-lo mais.
_Está ficando tarde... Eu vou deixar você descansar. Amanhã conversaremos sobre isso com mais calma. Boa noite, Masato.
_Pra você também, Aika... Mas eu duvido muito, que você consiga dormir. Está agitada demais para isso. -Ponderou o youkia ainda sem se virar para ela.
_Tem razão... Mas vou tentar mesmo assim... Até amanhã... -Disse ela voltando-se para dentro do quarto e saindo o mais rápido possível, para não ser vista e ser mal interpretada.
Masato ainda continuou na varanda por algum tempo, sofrendo calado pela maldade de Agláia.
Antes de ir para seu aposento, Aika ouviu um certo burburinho no corredor e aproximou-se ao perceber o cheiro das sacerdotizas de Meikaku mün.
_Hildrah, Misty? O que foi? Aconteceu algo? -Disse a youkai ao se aproximar da porta do quarto de uma delas.
_Oh olá Aika! Você por acaso não viu a Janis, por aí? -Perguntou Hildrah parecendo aflita.
_Não vi, não. Porque?
_Ela foi até a cozinha e disse que voltaria em breve mas até agora, nada!
_Que estranho... Vocês acham que algo de ruim pode ter acontecido com ela? -Aika questinou preocupada.
_Ah não... Com certeza ela deve estar com alguém... rsrsrsr Mas quem seria? — Sigfrieda descartou qualquer possibilidade de um possível ataque, tendo em vista que eram todos aliados, e Janis sabia se defender muito bem.
_Rsrsrsrsr, meninas, acho melhor irmos todas para a cama, ouviram? Estamos exaustas e amanhã ainda temos que ajudar as pessoas do vilarejo a preparem o festival!-Misty lembrou.
_Que festival? -Aika perguntou curiosa.
_O festival da lua de outuno! Todos os anos nós festejamos essa data, sempre na primeira lua cheia da estação, que começa exatamente hoje. Parece que a festa vai começar atrasada mas não vai deixar de acontecer! — Respondeu Kara, entusiasmada.
_Eu nunca fui a um festival... Acho que vai ser muito divertido. -Disse Kagura que estava junto delas, pois as mesmas insistiram muito para que ela contasse tudo à respeito de sua vida. Kanna por sua vez estava exausta e já havia se recolhido.
_Pois você vai ao melhor festival que já existiu! Você vai gostar muito, Kagura!- Disse Hildrah segurando as mãos da youkai dos ventos que sorriu de volta.
_Nós vamos comer coisas gostosas, e ouvir músicas e dançar, e paquerar os youkais mais belos de toda a terra do oeste! — Disse Siegfrieda, piscando para Aika que sorriu desconcertada.
_E não se esqueça, da terra do leste também! -Disse Misty arrancando mais risadas abafadas das jovens fêmeas.
_ Ah bem lembrado, Misty! Vocês viram como o Kyo, está lindo com aquele cabelo curtinho??? -Sigfrida sussurrou.
_Você sempre teve uma quedinha por ele, não é Frida? Rsrsrsrs. Mas eu concordo com você! Agora, e o amigo dele, o kitsune loirinho, como é mesmo o nome dele? -Indagou Hildrah.
_Ah o Yuko! Sim, ele é uma graça mesmo! Não acha, Aika? — Kara perguntou entre risos abafados.
_Acho... Mas eu realmente estou exausta... Preciso dormir! Nos vemos amanhã. Eu faço questão de ajudá-las a preparar tudo! Isto é, se vocês deixarem...
_Ah Aika será muito legal da sua parte! É claro que vamos deixar! Toda a ajuda, é muito bem vinda... -Hildrah respondeu com sua doçura.
As jovens fêmeas se despediram e foram para seus quartos. Aika entrou em seu quarto com cuidado, pois não desejava acordar Akane. Mas para sua surpresa, não era ela quem estava deitada em sua cama.
_Kazuyia??? O que está fazendo aqui? -Perguntou a youkai assustada.
_Vim lhe pedir desculpas... Pelo meu comportamento de mais cedo... Você poderia me perdoar?- Disse o youkai com todo o seu charme.
_Qual a piada agora, Kazuyia? Não sou tão idiota assim, para cair nesta! — Replicou Aika abrindo a porta e apontando para que ele se retirasse.
_Não há, piada alguma Aika. Não desta vez... Eu vou indo, está tarde... Aceite isso como uma prova de minha gratidão... Boa noite, Aika. -O youkai entregou uma rosa branca a Aika e em seguida se retirou.
Aika fechou a porta e suspirou surpresa. Aquela só podia ser mais uma brincadeira de kazuyia. Embora ele nunca tenha "brincado" com ela, também nunca tinha sequer lhe dirigido a palavra com um mínimo de educação. Olhou a linda rosa branca em suas mãos e instintivamente à levou ao nariz para respirar-lhe o perfume. Era uma flor verdadeira, e tinha um delicioso perfume. Mesmo assim Aika a destruiu, e foi se deitar.
Já em seu aposento, Kazuyia estava irritado. A youkai salamandra, era muito mais esperta do que ele previra. Se quisesse conquistá-la teria que continuar fingindo que queria a amizade dela. "Ela vale à pena Kazuyia... Ela está cada vez mais gostosa! Mau posso esperar para tê-la inteiramente para o meu prazer..." Pensava ele, passando a língua nos lábios.
Minara despertou de uma maneira muito delicada. Olhou ao redor e para si, e ficou perplexa ao perceber que estava banhada e vestida com roupas limpas e confortáveis. Mas o grande susto veio ao vir que estava dormindo com Hikaru. Ela não imaginava que seus pais o tivessem permitido, mas confiava nele e tinha a certeza de que ele jamais faria algo que pudesse magoá-la. O youkai tigre ressoava levemente, prova de que estava mesmo exausto. Minara não o acordou. Ficou ali observando cada detalhe do belo rosto de Hikaru. Os longos cabelos loiros, estavam espalhados pelo travesseiro e o corpo forte, vestido com um quimono de dormir que estava aberto, e deixava seu peitoral definido à mostra. Os pêlos de seu peito tão finos e louros que eram quase imperceptíveis brincavam com a imaginação da Hanma, que teve de se conter, para não tocá-lo, ou ele certamente despertaria. Saiu da cama da maneira mais silenciosa que encontrou, e foi ao banheiro fazer sua higiene matinal. Aproveitou-se e retirou algumas bandagens que estavam sobre seus ferimentos. Os grandes cortes agora, já estavam em fase de cicatrização ela achava desnecessário ter todas aquelas bandagens sobre si. Penteou os cabelos e ungiu-se com óleo perfumado. Em seguida foi até seus armários para trocar-se. Escolheu uma calça justa de tecido marron escuro, e uma camisa de mangas 7/8, de algodão bege claro com flores vermelhas estampadas. Complementou com um corpete na cintura de couro marron levemente mais escuro que o tom da calça, e botas de cano longo. Sua maquiagem era leve e se resumia à olhos bem marcados, e um pouco de brilho labial. Ajeitou os cabelos que haviam amanhecido rebeldes, com um pouco de óleo e olhou-se mais uma vez no espelho. Não estava assim tão mau. Caminhou pé ante pé até a porta e saiu com cuidado. Caminhou até a varanda que dividia as alas, e contemplou o horizonte ainda escuro, mas, que já se despedia da noite. Apoiada na mureta, sentiu vontade de sair voando na brisa fresca que brincava em seus cabelos, mas lembrou-se que não possuía mais suas asas.
"Droga!" Pensou ela apoiando o rosto nas mãos, irritada. Sempre sonhara em ter asas, como sua mãe, e quando tivera, não pudera aproveitá-las. Olhou para o vilarejo abaixo no vale, e suspirou abrindo um sorriso. Ela amava aquele lugar,e daria sua muito mais que suas asas pelo seu povo.
_Dou todo o meu reino... Pelos seus pensamentos! -Disse a voz de um macho atrás dela, e Minara imediatamente saltou assustada.
_Hokuto? O que faz aqui, nem amanheceu ainda... -Disse Minara, que correu para abraçá-lo. O youkai estava vestido com um quimono tradicional preto e cinza com detalhes em amarelo, e retribuiu o abraço com o mesmo calor.
_Eu descansei um pouco... Mas estou sem sono... Como você está? — Disse ele encarando-a com seu olhar mais encantador.
_Estou bem!Até eu estou surpresa comigo mesma, me recuperei muito rápido desta vez! -Riu ela, sorrindo abertamente.
_E como está Hikaru? Pensei que estivesse com ele...
_Eu estava! Mas acordei morrendo de fome e percebi que ele está exausto, então eu deixei ele dormir um pouco mais...
_Rsrsrs... Você sempre foi muito agitada... Me lembro de sua avó me dizendo que você tinha muito mais energia do que qualquer vulcão que ela conhecesse! — Riu-se o youkai grifo.
_Ai! Que exagero! rsrsrsrs... Vem comigo, eu preciso comer alguma coisa se não vou desmaiar! -Disse ela puxando o youkai grifo pela mão até a cozinha do shiro. Mesmo com todas as desculpas dadas por ele, para não ir, Minara continuava puxando-o.
Quando chegaram ao recinto já haviam servas preparando o desjejum. Minara as cumprimentou calorosamente e serviu-se de alguns bolinhos que estavam esfriando. Preparou uma travessa com alguns pães, ainda bem quentes, frutas com leite e açúcar, e os apetitosos bolinhos. Antes de sair ainda fez questão de apresentar Hokuto, às servas mesmo sabendo que algumas dela já o conheciam, e depois retornou com o youkai grifo de volta à varanda. Acomodou-se em uma poltrona que estava junto à uma mesinha, e colocou a travessa de guloseimas sobre a mesma antes de falar.
_Agora sim, estamos sozinhos e estou comendo. Você já pode me contar, Hokuto, o que há com você?- A princesa disse antes de pegar a travessa de frutas com leite e levar uma boa colherada à boca.
_O quê? Eu não tenho ideia do que você está falando... -Desconversou o macho youkai, servindo se de um bolinho. Mas Minara o conhecia bem demais para acreditar naquela cena.
_Olha, você não tem que me dizer nada! Mas eu sei que tem algo errado. Você está cansado, mas parece que tem alguma coisa que não está te deixando dormir! — Afirmou ela com as mãos na cintura. O youkai fora pego de surpresa. Minara estava mais sensivel do que nunca.
_Você tem razão.... Estou pensando em algumas coisas... Mas não é nada demais... É passado! — Disse ele com pesar.
_Humm pensando em coisas, ou em alguém? — A hanma ergueu uma sobrancelha, e cruzou os braços à frente do corpo.
_Você não vai desistir, não é?- Hokuto a encarou.
_Nunca! Rsrsrsr, Eu nunca desisto dos meus amigos... Eu quero ajudá-lo, Hokuto, mas só posso fazer isso se você me disser o que houve! — Minara pegou novamente sua travessa de frutas e pôs a comer com vontade. O youkai grifo ponderou as palavras dela por alguns segundos antes de responder.
_ Sei que tem boas intenções, mas... Já faz tanto tempo... Eu acho que nada mais pode ser feito...
_Se ainda te incomoda é sinal de que você precisa compartilhar isso com alguém! O passado não determina o que somos, mas apenas quando nós o deixamos para trás. Talvez, seja a hora de resolver o seu, Hokuto, para que você siga em frente. -Minara o encarou seriamente antes de dar outra boa colherada, e continuar.
__Agora, conta logo que eu estou começando a perder o apetite de preocupação!- Concluiu ela.
Hokuto riu com vontade como há muito sorria. Respirou fundo e convenceu-se de que ela tinha razão.
_Há muitos anos... Eu me apaixonei por uma fêmea... No início, nós, nos apaixonamos... Mas depois ela preferiu outro macho à mim... Nesse meio tempo, eu conheci, outra fêmea... E ela se dizia apaixonada por mim... Eu me sentia muito mal por causa daquela que me traiu... Mas a outra me deu esperança, e tanto amor, que eu não pude ir embora...
_Você ficou com a segunda porque ela lhe fazia pensar menos na primeira... — Minara concluiu e Hokuto assentiu com a cabeça.
_Sim... Eu a marquei como minha fêmea, e posso dizer que eu fui feliz ao lado dela... Mas a outra... A primeira, começou a me procurar novamente. Eu fugia dela inúmeras vezes, mas ela era muito amiga da minha fêmea, e sempre dava um jeito de estar perto de nós dois... Quando percebeu que eu não cederia aos seus encantos, ela começou a envenenar minha fêmea contra mim... Eu nunca havia contado nada a minha fêmea sobre meu caso com a sua "amiga" por que ela era marcada, e o macho era seu primo irmão. Eu tinha medo da reação da minha fêmea... A situação foi piorando gradativamente e a única solução que eu encontrei foi contar a verdade... À todos os envolvidos...
_E foi aí que Arina, fugiu com Katashi, não foi?- Disse Minara olhando Hokuto com os olhos marejados.
_Como você sabe disso?- Hokuto estava assombrado. Ninguém sabia de sua história além dos próprios envolvidos, e eles jamais diriam isso para alguém.
_Eu acabei de ver... Na sua mente! Me desculpe, eu ainda não controlo isso direito... — Minara corou e sorriu sem graça ao se dar conta de que havia lido os pensamentos do youkai grifo. Hokuto suspirou aliviado e sorriu assentindo com a cabeça.
_Está tudo bem... Como você, viu, foi assim que Arina foi embora com Katashi, e eu fui embora das terras do oeste... Eu decidi regressar à minha terra, e fiquei lá por muitos anos, até que um dia Inu no Taishou me enviou um pergaminho onde ele me perdoava, e me pedia para retornar pois precisava de minha ajuda. Eu retornei o mais rápido possível, mas, já era tarde demais... Ele havia morrido e deixava seus dois herdeiros, sendo que o bastardo ainda era um recém nascido... Em nome da amizade que tínhamos eu procurei Izayoi, e me apresentei como irmão de Inu no Taishou. A história foi confirmada pela própria Satori, que também a procurou oferecendo ajuda. Nós escondemos Izayoi na mansão dos inukamis durante alguns anos, até que os inimigos de Ino no Taishou, se esquecessem deles. Depois disso, eu ainda fiquei com eles até que o jovem hanyou pudesse se defender. Foi quando Katashi apareceu e me acusou de estar tentando me reaproximar de Satori novamente. Diante disso eu resolvi voltar ao meu reino. Eu costumava vir para ver sua avó e Meikaku mün, mas logo voltava à minhas terras... — Concluiu o youkai com o semblante triste.
_Vcê nunca mais a viu? A Arina...
_Eu fui informado que ela morreu dois anos depois que partiu... Eu recebi a notícia pelo próprio Inu no taishou. Parti naquela mesma hora, e fui até onde ela estava, nas terras do gelo. Mas tudo o que encontrei foi seu túmulo... Eu fui atrás de Katashi, que já estava vivendo com sua nova fêmea, Emi, para acertar minhas contas com ele. E foi graças à bondade de Emi, e ao filho que ela esperava que eu o polpei... -Respondeu o youkai Grifo cada vez mais desgostoso.
_Que história triste Hokuto... Eu nunca pensei que você pudesse ter vivido uma situação tão triste assim!- Minara recostou-se na poltrona, aflita.
_Coisas ruins acontecem com todos Minara... Não foi só com você! Eu tento, dia após dia esquecer as mágoas do meu passado, e tenho conseguido algum hêsito. Mas desde que retornei a Meikaku mün o meu passado está mais presente do que nunca.
_Como assim?
_Quando cheguei ao Dai san no Shiro, para ajudar com os detalhes do ataque, eu encontrei Satori e a ajudei... E ela me pediu para reconsiderar, pois Inu no taishou não estava mais vivo... Depois encontrei com Katashi, e ele como sempre me afrontou... Durante a batalha Hideaki, o filho de Katashi, me salvou a vida pondo a própria em risco. Eu fiquei mexido com o gesto dele... Eu não sei explicar mas ele, me lembra alguém... Mas o mais pertubador, foi o olhar que Katashi me lançou quando o Hideaki, me chamou de pai por engano... Depois de todos esses anos, Katashi ainda me odeia com toda as suas forças... — Disse Hokuto com os olhos em fendas.
_O que acha que isso quer dizer?- Minara estreitou os olhos curiosa.
_Eu não sei... Tem alguma coisa errada... Mas eu não sei o que é... — O youkai grifo passou a mão pelos cabelos, nervoso, enquanto suspirava pesadamente tentando aliviar a tensão.
_Hokuto, seja lá o que for, o senhor Inu no taishou está de volta. Se houver algum segredo, eu tenho certeza que ele revelará. Mas quanto à Arina e Satori... Sabe, acho que uma hora você vai ter de se decidir!
_O que quer dizer? Eu fiz a minha escolha.- Hokuto estreitou seus olhos.
_Não Hokuto, você apenas acatou a decisão das duas. Você aceitou a decisão de Satori, de ficar com Inu no taishou, e acatou a decisão de Arina de ficar com você! Depois de todos esses anos, você ainda não disse o quer. Está apenas esperando que alguém tome a iniciativa por você novamente! — A hanma falou seriamente deixando o experiente youkai sem palavras.
_Você não pode mudar o passado... Mas pode mudar o futuro, Hokuto! E só precisa tomar uma decisão! -Continuou ela diante do silêncio do youkai.
_Minara... Eu não sei como fazer isso... Estou tão perdido... Dói tanto me lembrar de tudo que passei...
_Fugir, não vai fazer a dor passar... Olha pra mim Hokuto! Eu vou ajudar você! Você não está sozinho, eu sou sua amiga! Você precisa encontrar um novo amor! Precisa abrir seus olhos e seu coração e vamos ver juntos o seu futuro. — E dizendo isso abriu um sorriso. Hokuto encarou-a e por fim a abraçou com toda a sua gratidão.
Masato, capitão do general Hikaru.

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