Perdida Na Tempestade
25 Capítulo-25- Perdendo a vida e ganhando o amor...
Notas iniciais
Em seus aposentos enquanto sorvia seu chá, sentado em uma poltrona opulente próxima as grandes janelas, Sesshoumaru observava as nuvens carregadas serem empurradas pelo vento norte, para longe do Dai san no shiro. Tentava em vão concentrar-se na tarefa de planejar o ataque contra Mizuki e seus comparsas, mas as lembranças de seu futuro com Rin insistiam em se fazerem presentes.
Durante a reunião da manhã, havia observado a humana e embora ela fosse a mesma fêmea de sua visão, não lhe parecia possível que algum dia, eles fossem um casal. Havia um abismo entre eles, e isso era notório. Apertou os olhos lembrando-se do toque das pequenas mãos dela em sua nuca. O cheiro dela ainda estava em sua mente. O corpo, macio e quente da humana, em suas mãos, e ele, nada fez, por acreditar que Rin apenas o admirava, como a um pai. “Erro crasso” pensou o youkai. Rin não era a mesma criança que ele havia conhecido “Eu a tive em minhas mãos e perdi a oportunidade.” Mas não era só isso que o aborrecia. Sesshoumaru sabia que se quisesse ficar com Rin teria um longo caminho pela frente e isso incluía grandes preocupações e situações delicadas e constrangedoras. Se quisesse ter êxito, teria de ter Minara viva, ao seu lado.
Todos os grandes Lordes temiam a Inu no Taishou, não só por seu poder, mas também por suas alianças poderosas, entre elas a mais cobiçada, era certamente com Izanami, a grande youkai do tempo, a quem atribuíam às fabulosas vitórias e inúmeras conquistas do Inu dai Youkai. Com o extermínio do clã das feiticeiras do tempo, muito do prestígio das terras do oeste se perdeu. Sesshoumaru passou décadas reconstruindo a reputação de sua casa. Mesmo assim, tinha consciência que havia inúmeros inimigos que só esperavam um erro seu, para ataca-lo e destruir tudo o que ele herdara de seu pai. Antes isso não o assustava. Mas tendo ele conhecido o que o futuro lhe reservava sentia um receio que ele não conseguia compreender. Recostou a cabeça para trás e respirou fundo o vento frio que soprava em meio à luz do sol, tímido, entre às nuvens. Pensou nas palavras de Hikaru. Assim como ele, Sesshoumaru estava cansado de esperar, mas sabia que era a única coisa prudente a se fazer. Mas isso, não era o que ele desejava. Ele queria Rin. Queria-a ao se lado, para acalmar seus pensamentos e receios. Batidas leves, na porta o tiraram de seus pensamentos.
—Entre – Disse ele ajeitando-se na poltrona.
—Senhor Sesshoumaru, o senhor deseja um pouco mais de chá? – Disse a empregada youkai, enquanto retirava a louça usada.
—Não, apenas desejo ficar sozinho. – Disse o youkai, retirando-se até a varanda.
A empregada então continuou seu trabalho e ao chegar à porta lançou um último olhar em direção à Sesshoumaru. Um sorriso débil se formou em seus lábios e seus olhos de cobra o mediram por alguns milésimos de segundo antes dela sair do aposento.
Momentos depois, Sesshoumaru sentiu uma vertigem e algo dentro de si fez com seus membros ficassem paralisados e um torpor tomasse conta de todo seu corpo. Tentou usar seus poderes youkais, mas já não havia tempo. Finalmente sua mente cedeu aos estranhos sintomas sentidos por ele. O senhor das terras do Oeste havia sucumbido.
Rin e Igraine estavam caminhando em direção a seus respectivos quartos. Depois de tudo o que ficaram sabendo à respeito de Yukina e Minara, elas, junto com Kagome e Kikyou, haviam decidido manter segredo, pois temiam que Yukina fosse punida. Mas havia muito ainda o que ser resolvido para que Minara fosse resgatada. Não havia dúvidas de que a antiga profecia, revelada por ela, continha o segredo que poderia acabar com tudo aquilo, mas decifrá-la, não seria uma tarefa fácil. Despediram-se e cada uma rumou para seu respectivo quarto.
Ao entrar no aposento, Rin sentiu algo diferente. Como se o ar estivesse pesado. Usou sua energia para sentir alguma presença ao redor, mas não havia ninguém lá. Pelo menos, ninguém desconhecido. Por trás das grossas cortinas, Sesshoumaru, saiu sorrateiro.
—Vejo que já me encontrou minha Rin... – Disse o Youkai com seus olhos cobertos pela espessa franja.
—Senhor Sesshoumaru? O que o senhor faz aqui? –Rin estranhou o comportamento dele.
—Eu queria ver você, sentir sua pele macia novamente...- Responde o youkai se aproximando o suficiente para que Rin notasse que os olhos dele estavam completamente vermelhos.
—Senhor Sesshoumaru? O que está havendo com o senhor? Por que seus olhos estão assim? –Repetiu a jovem dando alguns passos para trás, preparando-se para o ataque iminente.
—Não tenha medo menininha... Não vai doer nada! Eu só vou comer você inteirinha...! – E dizendo isso, saltou sobre Rin, mas não conseguiu tocá-la devido uma enorme rajada de vento que o jogou para fora do quarto, batendo na mureta da varanda.
—Você não é o senhor Sesshoumaru! Agora me diga quem é ou vou jogá-lo para longe! – Repetiu Rin empunhando seu leque. Mas o youkai apenas levantou-se com um sorriso sarcástico.
—Oh é mesmo? Vais ter coragem de machucar seu amado protetor? Não adianta se enganar humana, este Sesshoumaru é o que é! Eu sou Sesshoumaru o servo do senhor Hayato! E ele me manda levar você e suas amigas mikos para a grande Mizuki. — Respondeu o inu dai youkai diante dos olhos apavorados, de Rin.
Nesse momento Kagome e Kikyou juntamente com Igraine e Raijin invadiram o quarto e correram ao encontro de Rin. No momento em que ela seria atacada, Raijin deu um grande raio no peito de Sesshoumaru que caiu do alto da varanda. Rin que estava sendo amparada pelas demais humanas, gritou pavorosamente. Mas para seu alívio e ou, maior desespero, Sesshoumaru assumiu sua verdadeira forma, tornando-se o cão demônio gigantesco. Raijin preparou-se para ataca-lo, mas Rin o impediu.
—Raijin! Este é mesmo o senhor Sesshoumaru! Ele está sob o controle de Hayato! Por favor, não o machuque! — Disse a humana desesperada, na tentativa de evitar o pior.
Raijin compreendeu a gravidade do problema. Mas sabia que o próprio Sesshoumaru, iria querer ser impedido. Afastou-se um pouco e preparou-se para tomar sua forma youkai, mas parou a transformação no momento em que Kikyou, tomou distância e pulou, sendo empurrada pelo vento do leque de Rin, e caindo em cima do cão demônio.
—Kikyou? Mas o que vocês pensam que estão fazendo? Gritou Raijin, surpreso com a coragem de sua fêmea.
—Posso não ser mais a sacerdotisa da joia de quatro almas, mas ainda sou sacerdotisa! –Gritou Kikyou, antes de usar seus poderes para formar uma barreira e tentar neutralizar os poderes do youkai.
O cão demônio tentou pular e se sacudir para derrubá-la, mas foi imobilizado pelas sombras de Kagome, que usou a própria sombra de Kikyou para sair atrás dela, e ajudá-la com a barreira.
Igraine pegou Raijin pela mão e correu o mais rápido que pode para tirá-lo dali, pois sabia que a barreira poderia atingi-los negativamente. O youkai se impressionou com a força da jovem hanyou, que conseguiu arrastá-lo por vários metros antes de explicar o que estava havendo.
—Temos que tirar os outros youkais daqui e depressa! Se aquela barreira der errado pode matar todos nós! –Disse a Hanyou ao youkai confuso. Raijin assentiu e correu para tirar todos os youkais, sobretudo a própria irmã. Encontrou Inuyasha, e Tatsuo à caminho da porta de entrada.
—Raijin o que está havendo? O que há com Sesshoumaru? –Disse o hanyou exasperado.
—Não há tempo para explicar Inuyasha, vocês tem de vir comigo, agora!- Disse Raijin com seriedade.
Inuyasha compreendeu que se tratava de algo perigoso e foi com Raijin a contragosto.
Ainda dentro de seu salão secreto, Yukina, que se preparava para ajudar as humanas ouviu seu nome ser chamado, por uma voz, conhecida. Caminhou até a janela e mal pode acreditar no que seus olhos viam.
Dentro da escuridão, em uma porta secreta, escondida por trás das estantes dos livros, estava um macho humano que ela conhecia muito bem.
—Kuro... Kuro Ookami?! -A feiticeira youkai balbuciou incrédula.
—Sim Yukina, Minara me trouxe aqui para salvá-la. Não temos muito tempo, temos que sair daqui o quanto antes. –Repetiu ele, apressado.
Yukina ficou surpresa, mas o cheiro, a voz a aparência, não diferenciavam em nada. Era mesmo Kuro Ookami, ali na sua frente. Sem pensar direito atirou-se nos braços dele.
—Kuro Ookami! Eu pensei que nunca mais o veria! Eu senti tanto a sua falta...
—Também senti a sua, minha querida Yukina... Mas nós temos que sair daqui agora, portanto pegue aquilo que lhe é importante e venha comigo depressa! Teremos tempo para matarmos a saudade. –Disse o macho segurando o queixo da youkai.
Yukina ficou confusa com a carícia, mas apressou-se em pegar o livro de feitiços de Brunhilde. Em seguida rumaram pela porta secreta entrando em um corredor estreito e longo. Quando chegaram próximos ao fim do imenso corredor, avistaram uma grande porta de ferro. Kuro Ookami, aproximou-se e abriu a pesada porta, deixando um pouco de luz entrar. Nesse momento perceberam que estavam sendo seguidos.
—Yukinaa! -Gritou o outro.
—Isamu? O que faz aqui? Como me encontrou? –Questionou a youkai.
Kuro Ookami pareceu incomodado.
—Eu segui o seu cheiro. Mas afinal quem é esse? Não... Não pode ser! Yukina se afaste dele, isso só pode ser uma cilada!- Disse o youkai ao vislumbrar o rosto do outro macho. Kuro Ookami sorriu de lado.
—Ora Isamu, você cresceu bastante! Mas continua desconfiado como sempre! Eu sou Kuro Ookami, em carne e osso. E acho melhor você voltar e ajudar Sesshoumaru. Deixe Yukina comigo, ela estará em boas mãos...- disse ele voltando a abrir a porta. Isamu sentiu seu rosto queimar de ódio.
—Acha que sou idiota? Você não é Kuro Ookami! Eu vou mostra-lo do que sou capaz!- Mas ao dizer isso, sentiu uma pontada gelada em suas costas. Era Yukina que usou seus poderes para congelar a coluna vertebral de Isamu e assim imobilizar completamente seu corpo. Isamu caiu ao chão sentindo o gelo cobrir suas costas.
—Isamu, eu sinto muito, mas não posso deixar você ataca-lo! Nós temos coisas mais importantes para realizar nesse momento. Eu sinto muito mesmo... –Disse Yukina se afastando do Youkai.
—Yukina? Você... Você ousa me trair? Este não é Kuro Ookami! E mesmo se fosse, você é minha prometida! Tem que ficar ao meu lado! -Isamu estava tomado de uma revolta crescente.
Yukina ainda o encarou por alguns segundos, confusa pelo que estava fazendo. Ao perceber que ela relutava em abandoná-lo, Kuro Ookami tomou-a pela cintura.
—Yukina... Que bom que o tempo não apagou seus sentimentos por mim. Minha doce Yukina... -E Dizendo isso, a beijou calorosamente. Isamu já estava quase completamente congelado, mas ainda pode ver e ouvir a cena. Foi tomado pelo desânimo, enquanto os dois se afastavam e fechavam a porta deixando-o completamente abandonado na escuridão.
Assim que saíram, Yukina tapou os olhos por conta da forte luz do dia. E subitamente, sentiu uma fisgada em seus ombros. Encarou novamente Kuro Ookami e sentiu que seus sentidos a abandonavam. Manteve sua consciência até ver com pavor que a imagem de Kuro Ookami desaparecia dando lugar à imagem de outro youkai, que segurava uma pena de pavão branco em suas mãos.
Yuu, a pegou nos braços, abriu suas grandes asas brancas e fugiu o mais depressa que pode. Hayato o aguardava em uma clareira ao norte, à alguns quilômetros do dai san no shiro.
—Chegou bem a tempo Yuu, o soro que demos à Sesshoumaru vai perder o efeito muito em breve. Vejo que conseguiu nosso objetivo. – Respondeu Hayato, sorrindo ao ver Yukina nos braços de seu aliado. Yuu sorriu vaidoso.
—É claro que eu a trouxe! Você tinha dúvidas? Aliás, foi graças a sua generosa distração! Que boa ideia matar a empregada e usar o corpo morto dela como um fantoche para envenenar Sesshoumaru!- Disse Yuu com gracejos.
—Essa é só uma das grandes técnicas de meu clã. Nesse momento o idiota do hanyou e os demais generais estão contabilizando os prejuízos! – Riu Hayato, de forma mórbida.
—E quanto à Sesshoumaru, ele vai morrer depois que o efeito passar, Assim como a empregada? – Questionou Yuu curioso.
—Eu ainda não sei. Sesshoumaru tem veneno dentro de seu corpo. É possível que suporte os efeitos do veneno que dei a ele. Mas isso vai depender muito. Se tivermos um pouco de sorte ele morrerá e nos dará mais uma vantagem!- Disse Hayato levantando-se da árvore onde estava sentado e partindo junto com Yuu em direção ao esconderijo.
No dai san no shiro a situação estava longe de ser controlada. Após alguns segundos criando a barreira Kikyou e Kagome foram arremessadas e atacadas por Sesshoumaru que conseguira se soltar das sombras de Kagome. Tatsuo, Raijin e Inuyasha, revezavam-se tentando encontrar um jeito de detê-lo sem machuca-lo muito. Rin e Igraine usavam seus poderes para afastá-lo do Shiro e do vilarejo e pelo menos nisso obtinham êxito. Mas a fúria e o poder inigualável de Sesshoumaru estavam longe de serem superados ou detidos. Inuyasha atacou-o com tessaiga e conseguiu fazer com que ele retornasse a sua forma humana. Mas assim que o fez, Sesshoumaru desembainhou bakusaiga e atacou com todo o seu poder. Inuyasha foi salvo apenas pelo fato da espada não reagir às mãos do Sesshoumaru dominado pelo ódio irracional, indo parar longe deles após se chocar contra Tessaiga, exatamente como o hanyou. Nesse momento Rin, fez a única coisa que podia. Arriscou-se e tocou a espada que milagrosamente reagiu a ela.
— Senhor Sesshoumaru... Por favor, lute contra isso que fizeram contra o senhor! Eu sei que o senhor é forte! Por favor, por favor, meu lorde! – repetia a jovem com lágrimas nos olhos, desferindo um golpe contra o Youkai que simplesmente desviou e correu na direção de Rin para ataca-la.
—Rin! Saia daí! Rinn!!! – Gritava Igraine tentando chegar o mais rápido possível. Mas não chegou à tempo. Sesshoumaru pegou Rin pelo pescoço e a ergueu como se fosse feita de papel. As garras dele retalhavam a pele macia e fina da humana, e o sangue dela começava a escorrer por entre os dedos do Youkai.
— Senhor.... ugh... senhor Sesshhh Sesshoumaru... Por favor... Seja forte... – Repetia a humana, perdendo as forças e o oxigênio.
O youkai continuava com seus olhos vermelhos encarando-a, e não parecia se importar com o sacrifício dela. O socorro veio de um golpe certeiro vindo das costas do youkai. Isamu com suas lâminas duplas ainda dentro das bainhas conseguira acertar as duas à distância e com tanta força que fez com que o youkai soltasse Rin.
—Agora Hikaru! – Gritou Isamu deixando-se cair de joelhos, ainda enfraquecido pelo ataque que sofrera de Yukina.
Em seguida Hikaru, trazido pela invisibilidade total de Igraine, apareceu diante dele usou sua espada de luz. E uma espécie de fogo azul, consumiu todo o corpo de Sesshoumaru, incluindo a parte superior de suas vestes. Sesshoumaru caiu de joelhos, e o cheiro do sangue de Rin se tornou mais forte. Ele finalmente se deu conta do que fizera e recobrara sua mente, mas seu corpo não reagia aos ferimentos e a dor latente fazia com que ele não conseguisse ficar de pé. Após relutar, caiu prostrado de rosto ao chão. Em um último movimento voluntário virou o pescoço na direção do cheiro de sangue e viu Rin caída, desacordada e ferida, sendo amparada por Isamu e Igraine.
“Rin, o que aconteceu com você?” Pensou Sesshoumaru, com a pouca consciência que lhe restava. Hikaru se aproximou dele e retirou o fogo que ainda insistia em lhe consumir. Ao tocar o lorde, Hikaru sentiu que as coisas não iam nada bem. Pegou o nos braços e assoviou para Kemono, e com a ajuda do cavalo youkai e de Kagome e suas sombras, levou-o de volta ao Dai san no shiro.
Assim que chegaram ao seu destino, o tigre dourado levou o lorde para seu aposento, arrancou as roupas que restavam dele e com a ajuda de Raijin que também o seguira através das sombras de Kagome, o banharam em água fria. Ele ardia em uma febre alta e insistente. As mikos se aproximaram para cuidar dele, mas não havia uma marca de onde o veneno pudesse ser extraído. Kikyou usou sua barreira para tentar puxar o veneno, mas de nada adiantou.
—O veneno está dentro dele em toda a parte! Eu não consigo retirá-lo! Ele vai ter de reagir ao antídoto!
—Não! Sesshoumaru é um Youkai que usa veneno! Qualquer antídoto pode fazer o efeito contrário e piorar a situação!- Concluiu Kagome, impedindo que Kikyou desse o antídoto ao Youkai. Nesse momento Rin ainda ferida se aproximou deles.
—Deve haver algum jeito! Tem de haver algo! -Disse Rin enquanto encarava as amigas.
—Lamento Rin... Mas não podemos fazer mais nada!- Disse Kagome tentando confortar a amiga. Mas Rin não admitia aquilo.
—Como posso aceitar isso, Kagome? Ele me salvou da morte duas vezes! E agora esta morrendo e não há nada que possamos fazer? Onde está Yukina? Ela deve ter algum feitiço que possa ajuda-lo! –Disse a humana chorando.
Hikaru pôs as mãos, na cabeça, nervoso. Raijin socou a parede arrancando um pedaço das grossas pedras que a revestiam, mas apenas Isamu finalmente, se pronunciou.
—Ela se foi. Foi levada por um de nossos inimigos. – Respondeu o Youkai, escondendo a verdade dos fatos, pois Yukina havia partido por sua própria vontade, desprezando a ele e a todos os outros.
O chão parecia ter fugido debaixo dos pés de Rin. Olhou para Sesshoumaru, deitado na cama tremendo violentamente enquanto seu corpo era maltratado pelo veneno. As lágrimas desciam pelo rosto jovem da humana. Sem perceber ela caminhou até a cama e deitou-se ao lado dele.
—Senhor Sesshoumaru... O senhor é sempre tão forte... Eu sei que vai conseguir... Vai conseguir resistir a tudo isso. Eu acredito no senhor... – Disse a humana esforçando-se para sorrir, afastando os cabelos do youkai que colavam em sua testa.
—Rin... Vo-você, está ferida... Fui eu... Eu feri você... –Disse ele com dificuldade. Rin levantou a cabeça para fita-lo. Mesmo passando por tudo aquilo, ele ainda tinha forças para falar e isso a animou.
—Não senhor Sesshoumaru, não foi o senhor... Aquele não era o senhor... Eu estou bem... Não se preocupe!- Disse Rin, não conseguindo conter as lágrimas. O youkai levantou as mãos e secou as lágrimas que desciam dos olhos dela.
—Não chore, Rin... Eu não suporto ver você chorar... Eu nunca suportei...
—Por favor, não morra senhor Sesshoumaru! Eu preciso do senhor! Eu preciso ficar ao seu lado! O senhor me prometeu que nunca me abandonaria! Senhor Sesshoumaru... Eu amo o senhor... Eu o amo! – Disse A humana, entregando-se ao desespero.
Todos no quarto estavam desolados com a cena. Kagome, Kikyou e Igraine choravam abraçadas, e eram consoladas pelos demais youkais. Isamu estava mais afastado, e pela primeira vez em toda sua vida, sentiu o calor de uma lágrima descer pelo seu rosto. Amparou-a com suas mãos e ficou contemplando-a como se fosse uma pedra rara.
Ritorirï que havia chegado junto com Hikaru, estava na porta e tomada pela emoção do momento aproximou-se humildemente de Rin.
—Dê seu sangue a ele. Deixe que ele beba um pouco do seu sangue. Confie na sua própria força. –Disse a serva youkai, baixinho.
Rin não a conhecia, mas ao ver a confiança que ela tinha, não pensou duas vezes.
—Senhor Sesshoumaru, o senhor tem de beber isso, por favor, abra a boca e beba o meu sangue! – Disse Rin chamando a atenção de todos os presentes. Raijin aproximou-se dela
—Rin, sei que quer salvá-lo, mas se ele perder novamente o controle, pode beber todo o seu sangue. –Advertiu-a o youkai.
Mas Rin estava determinada a fazê-lo. Pediu a todos que se retirassem para que ninguém a impedisse. Apenas Ritorirï permaneceu no lugar à pedido da própria Rin. Igraine saiu arrastada por Hikaru, que compreendia o que Rin sentia naquele momento. Com a ajuda de um punhal entregue a ela, pela própria Ritorirï, Rin rasgou o braço e deixou que seu sangue rubro e quente, caísse sobre a boca do youkai que prontamente se pôs a beber.
Após alguns segundos ele abocanhou o pulso da humana ávido pelo sangue delicioso dela. Todos os demais estavam do lado de fora do quarto, apreensivos, mas sabiam que poderia ser a única esperança de salvar Sesshoumaru. Rin apenas gemia baixinho com a dor, mas nada dizia. Após mais alguns instantes, sentiu uma vertigem e muito frio. Quando estava prestes a se deixar cair, foi amparada por Sesshoumaru, que se sentou na cama e a aconchegou em seus braços. Ritorirï aproximou-se e conferiu que a febre havia abandonado o corpo do youkai. Mas só respirou verdadeiramente aliviada, quando Rin abriu os olhos, e constatou que apesar de ter perdido muito sangue, ela estava bem.
Sesshoumaru e Rin se encaravam sem pressa, de modo tão apaixonado que a jovem serva se retirou rapidamente para não incomodá-los. Assim que saiu do quarto e fechou a porta atrás de si, todos a cercaram para saber o que tinha acontecido.
— Eles estão bem... Ela conseguiu! – Disse a discreta serva youkai com um sorriso doce nos lábios.
A alegria e o alívio foram tão fortes, que tomou conta de todos. Kagome pulou nos braços de Inuyasha, que se aconchegou no peito dela para disfarçar o grande alívio que sentira. Hikaru abraçou Igraine que chorava igualmente aliviada com a notícia. Kikyou abraçou Raijin, que se desmanchou em um beijo. Isamu sorriu e pôs as mãos, no peito sentido o coração bater tranquilo. Estava assustado, mas ao mesmo tempo maravilhado com as novas sensações, embora elas não fossem sempre, tão agradáveis quanto aquela.
Tatsuo que o observava de longe se aproximou e apoiou sua mão no ombro do senhor dos corvos.
—É estranho, não é? Mas acredite, quando começamos a conhecê-las mais profundamente, fica ainda mais interessante. – Disse o general dragão, para Isamu que apenas sorriu, entendendo que não era o único que estava passando por tudo aquilo.
Hikaru encarou Ritorirï, e estendeu sua mão a ela.
—Obrigado pela sua ajuda. Estávamos tão perdidos, que sequer conseguimos pensar em nada. – Disse o youkai apertando delicadamente as mãos da jovem serva. Ritorirï sorriu e avisou que achava que Sesshoumaru e Rin mereciam ficar um pouco a sós. Os demais entenderam do que se tratava e foram cada qual cuidar de suas respectivas tarefas.
No quarto de Sesshoumaru, o youkai ainda tinha Rin em seus braços. Acariciava os cabelos dela com cuidado, e carinho, e ela se mantinha abraçada a ele, acariciando seu rosto, como se fosse uma obra de arte, rara e valiosa.
—Rin, você poderia ter morrido... Por minha causa. – Disse o youkai embriagado pelo cheiro dela.
—Eu morreria se perdesse o senhor... – Ela murmurou, de olhos fechados e Sesshoumaru levantou uma sobrancelha.
—Acho que já é hora de você parar de me chamar de ‘senhor’. – Disse ele com um sorriso.
Rin estava maravilhada. Mas manteve seus pés no chão.
—Não acho que seja digna... Sou só uma humana que encontrou graça diante de seus olhos. –Respondeu ela, encarando-o e em seguida, baixando o olhar. Sesshoumaru segurou-a pelo queixo.
—Não Rin, você é a humana que salvou minha vida. De muitas maneiras diferentes... -E dizendo isso, não resistiu mais e a beijou, delicadamente e apaixonadamente.
Fale com o autor